Capítulo 24 - Precisamos de uma missão!

De alguma forma, Tântalo achou que Stella, Tyson, Percy e Annabeth foram os responsáveis pelo o que houve e os condenou aos serviços de lavar panelas e pratos durante toda a tarde. Como as harpias lavavam a louça com lava, os três tiveram que usar luvas e aventais próprios para conseguirem deixar tudo com o brilho extralimpo e sem germes, embora Tyson não tivesse se importado com o risco ao contrário dos três.

Tântalo ordenara um banquete especial para celebrar a vitória da carruagem de Clarisse — uma refeição completa, incluindo pássaros-da-morte de Estinfália fritos à moda caipira, o que deixou Stella ainda mais irada.

Esse inimigo em comum fez com que os três conversassem mais e o tempo passasse mais rápido, embora Stella tivesse alheia ao que os dois conversavam enquanto pensava em sua irmã e na vida que ela estava tendo como Caçadora de Ártemis.

Até que o resmungo de Annabeth trouxe a loira de volta à cozinha.

— Ah, meus deuses, Percy! Você não tem jeito mesmo. Stella, dê um jeito nele.

— O quê? — a loira perguntou observando os dois tão confusa quanto o Jackson, o que fez com que a Chase revisasse os olhos.

— Apenas ouçam. A verdadeira história do Velocino: havia aqueles dois filhos de Zeus, Cadmo e Europa, certo? Eles estavam para ser oferecidos como sacrifício humano quando imploraram a Zeus que os salvasse. Então Zeus enviou aquele carneiro voador mágico com sua lã de ouro, que os recolheu na Grécia e os transportou até Cólquida, na Ásia Menor. Bem, na verdade ele transportou Cadmo. Europa caiu e morreu no caminho, mas isso não é importante.

— Provavelmente foi importante para ela — resmungou Percy e Annabeth fez um gesto de impaciência, continuando a história:

— A questão é que, quando Cadmo chegou a Cólquida, sacrificou o carneiro de ouro aos deuses e pendurou o Velocino em uma árvore no meio do reino. O Velocino levou prosperidade à terra. Os animais pararam de adoecer. As plantas cresceram melhor. Os lavradores tiveram colheitas fartas. Nunca havia o castigo das pragas. É por isso que Jasão queria o Velocino. Ele é capaz de revitalizar qualquer terra onde for colocado. Cura doenças, fortalece a natureza, limpa a poluição...

— Poderia curar a árvore de Thalia — concluiu Stella.

Annabeth assentiu.

— E deixar as fronteiras do Acampamento Meio-Sangue muito mais fortes. Mas, Percy, o Velocino está desaparecido há séculos. Toneladas de heróis já buscaram por ele e não tiveram sorte.

— Mas Grover o encontrou — a declaração do filho de Poseidon fez com que a filha de Apolo arregalasse os olhos. — Ele saiu à procura de Pã e encontrou o Velocino em vez disso, porque ambos irradiam uma natureza mágica. Faz sentido. Podemos salvá-lo e salvar o acampamento ao mesmo tempo. É perfeito!

Annabeth hesitou.

— Um pouco perfeito demais, não acha? E se for uma armadilha?

— Ela tem um ponto — a loira disse, lembrando do verão anterior Cronos se envolveu na missão deles e quase iniciou uma guerra que acabaria com a civilização, ou o mundo.

— Mas que escolha temos? Ficar aqui lavando pratos e sofrendo injustiça, ou salvar o Grover?

— Espera, o Grover está envolvido nisso? — Stella perguntou.

— Você não ouviu a gente conversando?

— Não, eu estava pensando na minha irmã — respondeu a loira — Mas se Grover precisa da gente, temos que ajudá-lo.

— Eu concordo com o Solzinho.

— Gente — Annabeth disse com uma voz baixa — Vamos ter que lutar contra um ciclope. Polifemo, o pior deles. E só existe um lugar onde pode estar a ilha dele. O Mar de Monstros.

Um arrepio passou pela espinha de Stella, mas logo a pergunta de Percy cortou qualquer temor que a menina sentiu.

— Onde fica isso?

Annabeth o olhou como se pensasse que ele estava se fazendo de bobo, mas Stella negou demonstrando para a amiga que o garoto realmente não sabia. Ou sabia, e só estava sendo lerdo.

— O Mar de Monstros. O mesmo mar onde Ulisses navegou, e também Jasão, Eneias e todos os outros.

— Você quer dizer o Mediterrâneo?

Stella respondeu: — Não. Bem, sim... mas não.

— Mais uma resposta direta. Obrigado, Solzinho — ele ironizou.

— Veja, Percy, o Mar de Monstros é o mar que todos os heróis atravessam em suas aventuras — Annabeth tentou explicar de forma mais simples pro garoto entender — Costumava ficar no Mediterrâneo, sim. Mas, como tudo mais, muda de lugar quando muda o centro de poder do Ocidente.

— Como o Monte Olimpo no alto do edifício Empire State — disse o garoto recebendo olhares de concordância das duas meninas — E o Hades embaixo de Los Angeles.

— Certo.

— Mas um mar inteiro de monstros... como você poderia esconder algo assim? Os mortais não teriam notado coisas estranhas acontecendo... tipo, navios sendo devorados e coisas do gênero?

— É claro que eles notam. Não entendem, mas sabem que algo é estranho naquela parte do oceano. O Mar de Monstros agora fica na Costa Leste dos Estados Unidos, logo a noroeste da Flórida. Os mortais até têm um nome para ele.

— O Triângulo das Bermudas?

— Exatamente — respondeu Stella.

— Certo... então pelo menos sabemos onde procurar.

— Ainda assim, é uma área enorme, Percy. Procurar uma ilha minúscula em águas infestadas por monstros...

— Ei, sou filho do deus do mar. É o meu território. Não pode ser tão difícil — o garoto demonstrou coragem como se aquele assunto ele dominasse, mas Annabeth juntou as sobrancelhas.

— Vamos precisar falar com Tântalo, conseguir aprovação para uma missão. Ele vai dizer não.

— Não se contarmos hoje à noite junto à fogueira, na frente de todo mundo. O acampamento inteiro irá ouvir. Vão pressioná-lo. Ele não vai poder recusar.

— Se todos que estão saturados dele não fazendo nada, e acreditem são muitos, ouvirem a ideia — Stella explicou — Vamos ter uma chance, uma boa chance. Vale a tentativa.

— Talvez. — Um pouquinho de esperança surgiu na voz de Annabeth. — É melhor terminarmos com esses pratos. Passe o pulverizador de lava, por favor.


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Naquela noite, junto à fogueira, Stella com o chalé de Apolo liderou a cantoria. Eles tentaram melhorar o humor de todos, mas não foi fácil depois do ataque dos pássaros naquela tarde. Com violão e lira, a voz de Stella se sobressaia enquanto cantava "Cruel Summer", um nome apropriado para o período do acampamento.

Ela notou que todos pareciam sem entusiasmo, e não se deixou abater, na verdade ela estava descontando a raiva em alguns trechos desejando que as cordas do violão se enroscassem na garganta de Tântalo.

Talvez devesse passar menos tempo com Percy...

Outras músicas tradicionais do acampamento também foram tocadas e o clima era tão deprimente que Dionísio se retirou mais cedo, falando que jogar pinochle com Quíron era mais empolgante que as músicas, dando uma olhada desagradável para Tântalo.

Quando Stella terminou a última canção, o diretor disse: — Bem, isso foi adorável!

Ele avançou com um marshmallow assado na ponta de um galho fino e tentou arrancá-lo, com muita naturalidade. Mas, antes que pudesse tocá-lo, o marshmallow saiu voando do galho. Tântalo tentou apanhá-lo no ar, mas o marshmallow cometeu suicídio, mergulhando nas chamas.

Tântalo voltou-se para os campistas sorrindo de modo frio, e com um olhar cúmplice entre Annabeth, Stella e Percy, eles souberam que tinha chegado a hora.

— Agora, então, alguns avisos sobre a programação de amanhã.

— Senhor — Percy o cortou.

O olho de Tântalo contraiu-se num espasmo.

— Nosso menino da cozinha tem algo a dizer?

Alguns dos campistas de Ares soltaram risadinhas, mas Percy estava tão determinado que não pretendia deixar que ninguém o deixasse sem graça a ponto de o calar. O Jackson ficou de pé e olhou para Stella, agradecendo Poseidon por ela também ter se levantado.

— Temos uma ideia para salvar o acampamento.

O silêncio foi mortal, mas os dois perceberam que atraíram a atenção desejada, até mesmo a fogueira que parecia estar quase apagada aumentou suas chamas.

— É mesmo? — disse Tântalo, agradavelmente. — Bem, se tiver algo a ver com bigas...

— O Velocino de Ouro — disse Percy. — Sabemos onde ele está.

As chamas arderam em cor laranja. Antes que Tântalo pudesse impedir, Percy praticamente despejou o sonho com Grover e a ilha de Polifemo. Annabeth também se levantou, intervindo em alguns momentos lembrando o poder que o Velocino poderia fazer, e o modo que Stella completou a ideia dos dois... bom, transformou a abordagem inicial de Percy em algo irresistível.

Foi então que ele notou que Stella usava um objeto de Afrodite no cabelo para ajudar ainda mais no encanto.

Solzinho esperto, pensou.

— O Velocino pode salvar o acampamento — concluiu a filha de Apolo com uma voz melodiosa — Tenho certeza disso.

— Bobagem, bobagem — disse Tântalo. — Não precisamos ser salvos.

Todos o olharam fixamente, até que ele começou a parecer constrangido.

— Além disso — acrescentou depressa —, e o Mar de Monstros? Dificilmente se poderia dizer que esse é um local exato. Vocês não saberiam nem onde procurar.

— Sim, eu saberia — falou Percy com tanta convicção que Stella, que tinha se aproximado, se inclinou e sussurrou para ele:

— Jura?

Ele apenas assentiu e Stella o encarou, vendo que os olhos dele se agitavam como ondas.

— Trinta, 31, 75, 12 — Percy não disse olhando para o acampamento, mas para a filha de Apolo que logo captou o que seriam aqueles números.

Linguado esperto, ela pensou.

— Ah, legal! — disse Tântalo. — Obrigado por compartilhar esses números sem sentido.

— São coordenadas de navegação. Latitude e longitude. Eu, ahn, aprendi isso em estudos sociais.

Até Annabeth pareceu impressionada com a revelação do amigo.

— Trinta graus, 31 minutos Norte, 75 graus, 12 minutos Oeste. Ele está certo! As Irmãs Cinzentas nos deram essas coordenadas. Deve ser algum lugar do Atlântico, além da costa da Flórida. O Mar de Monstros — explicou a filha de Atena — Precisamos de uma missão!

— Precisamos de uma missão que salve o acampamento! Precisamos de uma missão! — Stella exclamou, não contendo o charme e deixando que envolvesse todos no acampamento.

— Esperem só um minuto — disse Tântalo.

Mas os campistas embarcaram no coro da filha de Apolo.

— Precisamos de uma missão! Precisamos de uma missão!

As chamas se ergueram mais alto.

— Isso não é necessário! — insistiu Tântalo.

— PRECISAMOS DE UMA MISSÃO! PRECISAMOS DE UMA MISSÃO!

— Ótimo! — gritou Tântalo, os olhos inflamados de raiva. — Vocês, moleques, querem que eu lhes atribua uma missão?

— SIM!

— Muito bem — concordou. — Vou autorizar um campeão a empreender essa perigosa jornada, resgatar o Velocino de Ouro e trazê-lo para o acampamento. Ou morrer tentando.

Percy se empolgou, ele iria salvar não apenas Grover como o acampamento, nada poderia detê-lo, nem mesmo Tântalo.

— Vou permitir que nosso campeão consulte o Oráculo! — anunciou Tântalo. — E escolha dois companheiros para a jornada. E acho que a escolha do campeão é óbvia.

Tântalo olhou os três como se quisesse esfolá-los vivos, e continuou: — O campeão deverá ser alguém que conquistou o respeito do acampamento, alguém que provou ser capaz nas corridas de bigas, e corajoso na defesa do acampamento. Você deverá liderar a missão... Clarisse!



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Notas da autora: Hey pessoal, como estão?

Mais um capítulo e a missão está oficialmente lançada com a Clarisse no comando, mas vocês acham mesmo que nossos protagonistas vão ficar de boa assim?

Como faz tempo que tinha lançado um capítulo, hoje teremos uma atualização dupla!

Mas quero saber de vocês neste capítulo o que acharam, me contem tudo!

Até o próximo!

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