Capítulo 10 - Cura o que se feriu e salva o que se perdeu

Enquanto Annabeth explicava a arquitetura do arco de St. Louis, Stella se preocupava em achar algum lugar que fosse seguro o suficiente. As feições de Percy pareciam cada segundo piores, o que indicava que o ferrão tinha veneno e que estava em sua corrente sanguínea, diminuindo o tempo que ela tinha para agir.

— Acho que ali é um bom lugar — Grover apontou para o que parecia ser a ala de funcionários — Stella, você tem certeza? Da última vez...

— Não será igual da última vez — a loira garantiu e Percy franziu o cenho, não contendo a curiosidade.

— O que aconteceu da última vez?

— Nada — respondeu a Archer, olhando para os outros dois repreendendo qualquer coisa que eles fossem falar — Vocês dois, podem ficar de guarda? Não acho que irei demorar muito mas só por precaução..

— Cuidado — pediu Annabeth.

Stella assentiu e Percy foi atrás dela. Quando ambos passaram pela porta, notaram uma escada de acesso a outra parte do museu que não tinha ninguém, principalmente câmeras, o que foi ótimo para Stella.

A garota se sentou na escada e Percy a imitou, logo em seguida ele começou a ser examinado como se estivesse em um consultório médico. Talvez fizesse sentido, já que Apolo tinha ligação com a medicina e Stella parecia fazer aquilo naturalmente. A Archer afastou suavemente a blusa do garoto vendo onde o ferrão tinha atingido, não aparentava ser tão grave mas estava ficando roxo e Percy pálido, o que indicava que as aparências do ferimento não eram tão simples.

Percy notou ela retirando o colar e enrolando no pulso, parecia um pouco trêmula ou hesitante, ao contrário de quando fazia isso em ataque ou para conjurar um instrumento como o violão no trem e a guitarra no empório.

— Você está sendo muito misteriosa.

— É que, eu só não quero que se apavore.

Percy não entendeu o que ela quis dizer, e Stella respirou fundo. A mão que tinha o colar enroscado ela colocou em cima do ferimento fazendo uma leve pressão do qual ele resmungou, fechando os olhos antes de começar a cantar.

— Brilha linda flor, teu poder venceu — de repente, os cabelos loiros de Stella passaram a brilhar feito ouro líquido correndo pelo comprimento. Percy arregalou os olhos com a cena — Traz de volta já, o que uma vez foi meu.

O olhar do Jackson seguiu até a mão dela, agora parecendo que as veias da menina eram ouro e o brilho parou em seu machucado, ela apertando-o suavemente ao mesmo tempo que a luz se intensificou enquanto cantava: — Cura o que se feriu, salve o que se perdeu. Traz de volta já, o que uma vez foi meu.

Ao afastar a mão, Percy viu que o seu ferimento superficialmente estava curado e não tinha mais nada, como se nunca tivesse se machucado naquela região. Os olhos dele se arregalaram e ele abriu a boca em seguida fechando várias e várias vezes tentando alguma explicação, mas a realidade é que não tinha.

Mas quem precisa de explicações quando se é um semideus?

— Não se apavora! — Stella pediu com medo que ele gritasse, agora com seus cabelos em um tom natural.

— Não tô apavorado, tô pensando que você tem um cabelo mágico e que parece uma princesa da Disney agora. Desde quando você é a Rapunzel?

A Archer riu, sabendo que ele tentava amenizar o clima e respondeu: — Eu recebi esse poder depois que fui reconhecida por Apolo. Poucos sabem do meu dom, porque já sou esquisita o bastante sendo semideusa, imagina tendo um cabelo que brilha?

— Eles ficariam com inveja — respondeu Percy.

Stella deu uma leve risada e negou com a cabeça, sabendo que o garoto estava tentando amenizar a situação e o admirou.

— Você está se sentindo bem?

— Estou — mas Stella não ficou convencida e quando sentiu a pulsação de Percy, notou que algo estava desregular ainda — Deve demorar um pouco para fazer efeito.

— Não, eu falhei. Não te curei por completo — ela resmungou voltando o colar para o pescoço — E você está ficando assim por minha culpa, eu deveria ter recebido o ferrão, não você.

— Esse assunto não vai ser discutido — ele segurou o ombro dela — Não ia deixar você se machucar por minha causa, não posso perder mais ninguém, Solzinho.

Os dois ficaram se encarando por alguns instantes, até Stella desviar o olhar dando um sorriso fraco, dizendo: — Melhor voltarmos, talvez podemos achar algum lugar que você possa entrar na água. Funcionou no acampamento.

— É, funcionou uma vez e vai funcionar de novo.

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Não funcionou de novo.

A cena de quatro crianças em uma fonte onde um estava sentado e os outros jogavam água não era discreta como deveria, mas Percy não aparentava melhoras e isso estava deixando Stella cada vez mais péssima.

— Ok, acho que não vai funcionar — Annabeth avaliou o garoto e Stella — O que fazemos agora? Algum plano?

— Talvez precise ser água corrente natural, para ficar mais fácil de se conectar com Poseidon do que uma fonte parada — palpitou a loira — Podemos...

A fala de Stella parou quando os quatro ouviram uma batida de carro perto de onde estavam. Equidna havia encontrado eles com seu pequeno bebê.

— Vamos voltar para dentro — falou Annabeth.

— Precisamos continuar tentando — rebateu Grover, jogando mais água em Percy.

— Não adianta, e ela está vindo — respondeu Stella olhando para os dois — Levem ele, vou tentar atrasar ela o máximo que puder. Procurem pelo altar do templo, ou algo semelhante para falarem com Atena, só tirem ele daqui. E continuem a missão.

— Stella! Não! — Percy a chamou, com um pouco de desespero na voz, mas ela não ouviu, e saiu da fonte preparando o seu arco. O garoto foi carregado pelos dois até que perdeu a loira de vista — Não deveríamos ajudá-la? Ela vai se machucar.

— Percy, também não gosto da ideia mas não é hora de bancar o herói galante, ok? — Annabeth rebateu o escondendo antes de ficar tensa. A filha de Atena também não estava feliz em ter mais uma amiga se sacrificando por ela.

Do lado de fora, Stella mirava seu arco enquanto rezava para que seu pai e sua tia lhe ajudasse. Equidna desviou de algumas flechas, assim como a Quimera que a seguia. Quando o monstro partiu para cima dela, a jovem tentou se esquivar e usava a flecha como uma arma, até mesmo a ponta do arco que era afiada se transformou em algo similar a uma lança no momento. Precisava atrasar o máximo que podia para que eles continuassem com a missão, mas sentiu um impacto em suas costas, arremessando-a para longe até que bateu a cabeça na fonte que estava momentos atrás.

— Não é você que eu quero, filha de Apolo — Equidna se aproximou dela sorrindo de forma medonha — Depois que o filho de Poseidon e a filha de Atena forem os lanchinhos, você será a sobremesa do meu bebê.

A cabeça da menina latejava e ela podia sentir que um líquido viscoso estava escorrendo de sua nuca, logo que passou a mão viu que era sangue. Stella se levantou zonza enquanto entrava dentro do museu, o que deixou ela ainda mais apavorada porque Atena deveria protegê-los, deveria proteger ao menos Annabeth e o monstro não entraria sem permissão da deusa.

Então ela entendeu o que houve, a cabeça de Medusa chegou no Olimpo. E Atena estava furiosa.

— Annie... — ela arranjou forças para ir atrás do grupo, torcendo para que Apolo não abandonasse ela também.

Mas tudo o que Stella sentiu foi que seu corpo indo de encontro ao chão novamente enquanto sua visão ficava cada vez mais turva assim como seus membros pesados, ela sabia que era uma consequência de ter usado seus poderes de cura anteriormente, e olha que nem tinha funcionado direito.

A jovem se levantou com muito custo, precisava lutar. Precisava ajudar seus amigos.

E foi então que ela observou algo que parecia uma tromba d'água se erguendo no ar, capturando o que parecia ser um corpo em queda livre. Stella deduziu que fosse Poseidon ajudando o filho.

Antes de se apagar completamente, ela se sentiu um pouco melhor sabendo que ele estava sendo salvo.

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Notas da autora: Hey pessoal, tudo bem?

Stella tem poder de cura! Estilo Rapunzel! Quem gostou? A menina é multitalentosa galera, filha de Apolo total!  Mesmo que isso custe um pouquinho dela, só um pouquinho...

Me digam o que acharam, quero saber de tudo! Teorias, palpites, tô pronta para ler os comentários!

Até o próximo!

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