Capítulo 03 - A busca por glória

— Pela lira de Apolo! Não imaginei que fosse capaz disso! — disse a menina assustada com o alvo que Percy tinha acertado — Percy, você é um desastre!

— Foi mal! — ele acenou para o sátiro que teve a blusa rasgada pela flecha do rapaz, e olha que ele estava há muitos metros longe do alvo que se encontrava perto — Acho que isso aqui não é para mim.

— Lógico que é, ou pode vir a ser — Stella foi otimista se aproximando do loiro — Sua postura está toda errada, e não tem firmeza nos pés. A corda tem que ir até a bochecha, sem tremer e os dois olhos abertos para ter um campo de visão melhor do trajeto da flecha.

— Não é mais fácil me mostrar do que só ficar falando?

— Estava evitando isso, mas já que insiste.

— Mas eu não insisti.

Stella não o ouviu. Ela pegou o arco que já estava ali para os campistas e uma flecha, arrumou a postura, mirou e atirou tão simples quanto respirar. A flecha atingiu o centro de forma perfeita, e ela logo atirou outra flecha que atingiu o alvo mais longe, também no centro.

Ela se virou para Percy, sorrindo e estendendo uma flecha para ele.

— Pronto. Agora, de novo.

— Esquece, não vou conseguir. Você é filha de Apolo, tem facilidade com isso mais do que eu terei.

Realmente, Stella tinha tanta facilidade que ela podia estar no escuro e de olhos vendados que acertava. Sempre.

— Mas você pode treinar para melhorar, ao menos, sua mira — respondeu a garota ajudando ele a se posicionar — Ergue esse cotovelo, não tenha medo de puxar a flecha, separa esses pés direito, levanta a cabeça para olhar o alvo direito e usa esses dois olhos que seu pai te deu, e... atira.

A flecha de Percy não acertou o meio do alvo, mas pelo menos o acertou. O menino não acreditou e Stella sorriu convencida, sabendo que era uma ótima professora. Não era atoa que o título de melhor arqueira era o dela.

— Consegui — Percy estava incrédulo e viu a garota ao seu lado sorrindo — Como?

— Minhas dicas são sensacionais, e tem que ter paciência, postura. Arco e flecha é uma arte, exige concentração por ser diferente dos ataques com outros aparelhos — explicou — Espadas são boas para confronto corpo a corpo, mas a flecha, essa alcança o inimigo de longe se usada com sabedoria.

— Então, você usa o arco e flecha para conseguir glória?

Stella franziu as sobrancelhas: — Glória? É isso que o Luke está te explicando? Introduzindo você a um culto para alcançar glória?

— Não é assim que as coisas funcionam? Ter glória em algo pode fazer com que meu pai me reconheça logo.

A loira negou.

— Não, Percy. Mesmo você se provando, pode não ser reconhecido com tanta facilidade. Alguns deuses podem sim proclamar seu filho logo, outros esperam o tempo certo.

— E quanto tempo levou para Apolo te reconhecer?

— Acho que duas semanas, algo em torno disso — respondeu a garota guardando o equipamento — Mas a questão não é essa. Ficar buscando por glória não é bom, pode fazer com que fique louco ou então, sedento por poder ao ponto de se voltar contra o Olimpo.

O barulho sinalizando que começava a hora do almoço foi soado, e Stella apontou com a cabeça para Percy na direção do refeitório em um sinal que deveria acompanhá-la. Percy rapidamente largou o arco, correndo atrás da garota que já estava alguns passos adiante.

— Mas, então você não busca por glória para fazer seu pai te notar?

— Não, na verdade deixo essa preocupação aos meus outros irmãos e irmãs, que não são poucos porque Apolo é um grande namorador — respondeu a menina — Se estamos falando da definição da minha busca por glória, é pela minha família, é por aqueles que amo. Eu quero ser a melhor por um motivo que envolve eles.

— Que seria? — Percy perguntou impaciente e curioso, mas observando o quanto Stella falava com profundidade.

— Proteção. Eu quero protegê-los de tudo porque eu os amo, Percy. Se soubesse se proteger, sabendo da sua verdadeira natureza, acredita que as possibilidades que o levaram até aqui não poderiam ter sido diferentes?

Percy pensou no que ouviu de Stella. Se ele soubesse se proteger, ele poderia ter ajudado mais sua mãe, e ela estaria viva. Os olhos azuis do menino se encontraram com os de Stella, que pareciam mais brilhantes do que antes e observou as feições da garota que parecia radiante sob sua percepção.

— Vamos, vou te devolver ao Luke para que ele possa continuar te colocando no seu culto de glória — ironizou antes de voltar a andar, com Percy pensativo ao seu lado.

— Existe algum deus da decepção? Alguém deveria perguntar a ele se perdeu um filho — Percy quebrou o silêncio de modo sarcástico, fazendo Stella rir. Ele apreciou como a risada dela parecia música aos seus ouvidos, desejando ouvir novamente.

— Existe a Oizus, mas ela é uma deusa então carta fora do baralho. Além de não ser de decepção, e sim de fracasso, o que não é o seu caso.

Ao chegarem no refeitório, Stella notou que Luke já se encontrava na mesa de Hermes e então resolveu guiar Percy pela fila. A menina pegou carne, um pouco de arroz e purê de batata, do qual jogou metade ao fogo sagrado, destinando o alimento ao seu pai.

Tem como dar um empurrãozinho para o Percy? Sabe, conversar com quem seja o pai dele, a menina pediu.

Percy tinha seguido ela por todo o trajeto, e então ela se virou para o Jackson dizendo:

— É aqui que a gente se separa. Mas não se preocupe, Luke irá lhe ajudar com a sua busca por glória melhor do que eu.

— Então, não te vejo mais hoje?

— Nos esbarramos por aí — Stella bagunçou os cachos de Percy rindo quando ele protestou — Se cuida Jackson, não quero receber notícias suas da enfermaria de novo.

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Na mesa do almoço, Percy não tirava os olhos de Stella. O menino observava ela rir com os demais filhos do deus do sol, que pareciam unidos pela mesma personalidade, embora de modos diferentes. A Archer brilhava mais do que os outros, e quando a mesma sentiu que estava sendo observada após uma de suas irmãs sussurrar para ela apontando para um Percy de olhos arregalados pelo flagrante, acenou sorridente.

E ele corou por ter sido notado. O que não passou despercebido por Luke.

— Então, Stella atraiu sua atenção?

— O que? — Percy se virou para o Castellan — Não! Ela só me ajudou no arco e consegui acertar, e explicou os motivos de glória dela. Nada demais.

— Não precisa ficar constrangido, Stella é brilhante, podemos dizer que é o próprio sol do acampamento — respondeu Luke olhando a menina e depois Percy — Nunca houve nenhuma outra filha de Apolo com quase todas as habilidades do pai. Ela canta, toca todos os instrumentos possíveis, ela é boa em cura mais do que os outros e uma arqueira excelente, às vezes é impossível não olhar.

Percy não disse nada, mas concordou secretamente com Luke. Era impossível não observar a menina mesmo que um pouco distante, ele podia jurar que estava vendo os olhos dela azuis brilhantes como um céu sem nuvens do seu assento.

— Mas vamos ao que importa — Luke atraiu a atenção dele — Vamos encontrar suas habilidades. Tenho certeza disso, não desanime.

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Já era de noite e todos se preparavam para dormir, ou ao menos, ficarem em seus chalés. Stella estava voltando do campo de arco e flecha, tendo pulado o jantar para ficar treinando e pensando em como poderia ajudar Percy a ser proclamado rapidamente. Era óbvio que os deuses tinham o tempo deles, e que uma menina como ela não poderia apressar, mas ela desejava de alguma forma ajudar o garoto.

Próximo da área dos banheiros, Stella notou que Clarisse junto com os filhos de Ares seguiam Percy e teve uma sensação de que aquilo não iria ocorrer bem.

— Não — uma força a segurou e quando notou que não tinha ninguém atrás, sabia de quem se tratava.

— O que está planejando?

— Observar — respondeu Annabeth, surgindo de repente com o boné em sua mão — Só estou esperando algo. Quer ver?

Stella não respondeu, mas notou que Clarisse tinha pego Percy e o empurrado para dentro do banheiro. A filha de Apolo e a filha de Atena resolveram observar a cena de longe, mesmo que a Archer estava a contragosto de não fazer nada porque conhecia as brincadeiras pesadas que os filhos do deus da guerra faziam com alguns campistas.

— Todo moleque novo que chega aqui pensa que é especial — Clarisse olhava Percy no chão, se aproximando — Você se acha especial?

— Não.

A voz de Percy fez com que Stella levantasse desejando proteger o menino do destino que iria encontrar em poucos segundos, mas foi segurada por Annabeth, que pedia através do olhar para que ela esperasse.

Com um sinal de Clarisse, Percy foi levado para dentro das cabines e segundos depois, uma explosão de água aconteceu empurrando todos para trás, além de deixá-los encharcados, deixando somente o Jackson seco. Stella arregalou os olhos com a cena, ignorando Annabeth e correndo para dentro do banheiro.

— Percy!?

— Stella!

A loira olhava o estrago do estrondo, tentando entender como o menino tinha feito aquilo com água. E então, quando olhou para Percy de novo, ela soube. A jovem podia jurar que o símbolo do pai do garoto aparecia em cima da cabeça dele a qualquer momento, só que não apareceu, porém ela teve a estranha sensação de ter sentido o aroma do mar.

— Eu posso explicar.

— Não, não pode — respondeu Stella, olhando para o garoto e vendo que Annabeth estava entrando no banheiro como se a situação caótica comprovasse que ela estava certa.

— Tudo bem — disse Percy e olhou para a outra menina — Acho que conheço você.

— Não, não conhece — respondeu a filha de Atena.

— Mas você estava lá, naquela noite na enfermaria.

— Sim, me chamo Annabeth.

— Ok Annabeth... e você está me seguindo? — perguntou o menino lembrando que todas as vezes que ele estava com Luke, ela o olhava de longe.

— Sim.

— Tudo bem. Por que?

— Estava esperando algo como isso... — sinalizou a situação caótica que o banheiro se encontrava com as mãos — acontecer. Para saber se poderia me ajudar.

— Ajudar com o quê?

— A capturar a bandeira — explicou e vendo que Percy ficou confuso, se virou na direção de Stella — Vejo vocês amanhã.

Da mesma forma que Annabeth entrou ela saiu, e Stella suspirou entendendo todo o propósito de Percy naquele acampamento. Talvez aquele fosse um sinal do seu pai para demonstrar o que esperaria pelo menino que, em breve, iria consultar o Oráculo. Na hora certa ele também saberia, o que indicava que ele deveria treinar mais para quando o momento chegasse.

— Vamos Percy, melhor irmos para cama.

Percy apenas concordou sem dizer nada, seguindo a menina e desejando que aquela noite acabasse o mais rápido possível.

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Notas da autora: Hey pessoal, tudo bem?

Relação de Stella e Percy sendo estabelecida aos poucos, mas que o Percy sente atraído isso não podemos negar que nosso cabeça de alga está olhando para nosso solzinho.

Me digam o que estão achando, quero saber de tudo!

Até o próximo!

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