Capítulo 5 - Estado de alerta

Na manhã seguinte, assim que despertei, vi Amber apoiada na porta do pequeno quarto de Jack, o qual no momento era o meu quarto. A ruiva raivosa me encarava com um olhar nervoso, ansioso, curioso e animado, tudo ao mesmo tempo, se é que isso é possível. A conhecia há pouco tempo mas tinha a sensação de que estar perto de Amber logo ao amanhecer era um presságio de um mau dia, já que ela tinha um jeito que me deixava assustada, assim como quando ela havia gritado com Greg e o pobre coitado não sabia o que fazer para se redimir.
- Então, garota. Vai nos falar como você chegou aqui? - perguntou a nervosinha.
- Eu tenho um nome, ok?
- Eu não me importo, contanto que você me fale a verdade.
- Eu... Eu... - fui interrompida.
- Para de mi-mi-mi! Isso é ridículo! Desembucha! - a ruiva gritou, seu rosto começou a ficar vermelho e tenho quase certeza que pude ver suas veias saltando de sua testa, o que me fez notar ainda mais seu desespero e raiva por estar esperando tanto para saber como eu havia chegado lá.
- Eu não sei... - falei em um tom de voz o mais baixo possível, sabia que essa não era a resposta esperada por ela e que, por isso, ela iria se confundir. Quero dizer, até eu estava confusa sobre tudo isso.
- Como assim você-
Dessa vez Amber foi interrompida, mas não por mim, e sim por uma voz feminina de origem desconhecida, que falava calmamente.
- Favor todos os cidadãos de East-GateNY, dirijam-se para a Central Square. Favor todos os cidadãos de East-GateNY dirijam-se para a Central Square. - a mensagem continuou sendo repetida.
- Vamos, pessoal. - Ouvi Greg gritar no hall de entrada da loja, onde eu havia sido amarrada à uma cadeira na noite anterior.
- O que está acontecendo? - perguntei assim que Jack saiu do quarto à frente enquanto colocava um casaco cinza.
- Melhor se agasalhar Mackenzie, está frio lá fora. - o moreno alto disse enquanto me entregava um sweater branco, provavelmente de Amber, já que pude notar a fúria em seu olhar.
- Obrigada, mas... Porque temos que ir para essa tal de Central Square? - perguntei ainda confusa sobre a voz feminina que continuava ecoando por todos os lados, pelo que parecia.
- Provavelmente é algum aviso ou lembrete do Superior. Mas então pessoal, vamos? - Greg disse parando em frente à entrada do corredor.
Entrei no quarto e fechei a porta, colocando uma roupa qualquer que estava na pilha de roupas de Amber que Jack havia me emprestado na noite anterior. Assim que saí do quarto, me dirigi até o hall de entrada, onde encontrei Greg, Jack e Amber parados ao lado da porta, provavelmente me aguardando. Notei que estava faltando uma pessoa.
- Onde está o Tony?
- Provavelmente indo para a Central Square. - Greg me respondeu.
- Provavelmente? Vocês não sabem?
- Ele só dorme aqui quando nós pedimos, quando precisamos dele para algo. Se não, ele dorme em casa. Ele tem uma família, então ele tem que passar a maior parte das noites em casa. Quando ele fica aqui ele inventa que tem alguma emergência no trabalho.
- O que não é mentira.
- Sim, mas a esposa dele não sabe que ele é como um segurança para a gente. Ela pensa que ele só tem um emprego normal e monótono, como todo mundo nessa cidade. Agora, se não se importa, é melhor irmos. - Greg disse já nervoso por estarmos demorando tanto para sair, então, antes que ele tivesse algum colapso, todos saímos da casa disfarçada de loja e fomos andando em direção à esse lugar o qual estávamos sendo chamados. Decidi continuar com a conversa.
- Pensei que o Tony fosse um policial. Bem, pelo menos quando não estivesse lá com vocês.
- Porque você pensou isso? - Jack perguntou, confuso.
- Porque eu posso dizer que ele sabe lutar muito bem e pelo fato dele parecer com um. - respondi me lembrando da minha mini luta, a qual havia perdido com sucesso.
- Não, não. Só podem ser policiais aqueles que se alistaram no exército, assim, eles selecionam alguns para serem policiais, apenas a minoria, já que não há uma grande necessidade de polícia aqui. Tony não é do exército, nem um policial. Ele teria que ter se alistado ainda jovem, teria que ter desistido de tudo: de sua família, da família que algum dia chegaria a ter, de seus amigos, enfim, de toda sua vida. - Jack explicou.
- Porque?
- Os militares não podem ter contato com ninguém, eles vivem em um local secreto, o qual existem muitas especulações sobre onde seja, mas ninguém sabe ao certo. Bom, eles devem se exilar para ter um melhor nível de desempenho em qualquer situação de emergência, assim, eles podem treinar dia e noite inteiros, sem se preocupar com família ou qualquer outra coisa. - Jack esclareceu, me fazendo pensar o quão radical era tudo isso.
- Peraí, peraí! Como você sabe da existência de policiais? Tem policiais do outro lado? - Amber disse, provavelmente só notando agora o fato de eu ter dito a palavra "policiais" há ,no mínimo, dez minutos antes. O estranho era sua expressão de como se tivesse acabado de fazer uma grande descoberta.
- Que outro lado...? - continuava sem entender isso de "outro lado" que eles tanto falavam. Antes que alguém pudesse me responder, a voz feminina que nos havia mandando ir para a praça e que continuava falando foi abafada por uma outra voz feminina assim que dobramos a esquina.
- Favor aproximem-se do prédio central. Favor aproximem-se do prédio central. - A mensagem continuou sendo repetida.
- É aqui? - perguntei, ao observar que estávamos em uma rua que lembrava muito a Times Square de Nova York, porém ela tinha todos os seus prédios brancos, assim como os demais edifícios daquela cidade. Além de não ter todos os brilhantes telões de LED que iluminavam a tão famosa Grande Maçã, ao invés disso, haviam apenas 5 telões, que estavam desligados, distribuídos em 5 dos maiores prédios daquela rua, tendo seu maior telão no prédio que se posicionava bem ao centro. Esse era o prédio em que faziam a contagem regressiva durante a noite de ano novo todos anos na Nova York de verdade. Pude me localizar pois quando tinha 11 anos eu havia viajado para Nova York com meus pais e passado uma semana na "cidade que nunca dorme", incluindo o ano novo durante essa semana.
- Sim. - Greg me respondeu.
Eu e os três amigos nos posicionamos ao meio de toda aquela multidão e ficamos esperando que os telões ligassem. Não sei como, mas conseguimos encontrar Tony e sua esposa ao meio de toda aquela gente, porém tivemos que fingir que não o conhecíamos, já que ela não sabia do emprego secreto de seu marido. Ficamos lá em pé por uns 10 minutos até uma voz feminina avisar que todos os cidadãos já se encontravam na Central Square, logo em seguida os 5 telões ligaram e uma canção que mais parecia um hino começou a tocar. Assim que a música terminou, um homem alto e um pouco velho, característica que ficava mais marcante por seu cabelo grisalho em apenas algumas partes de sua cabeça, apareceu no telão e começou a falar.
- Olá a todos.
- Olá Superior. - todas as pessoas naquela rua o responderam.
- Obrigado por terem vindo, tenho algo importante para comunicar-lhes. - todas as pessoas começaram a olhar umas para as outras, tentando entender o que poderia ter tamanha importância. - Estamos passando por um período complicado ultimamente, os revoltosos estão se impondo, eles querem repetir a história, dessa vez, mudando nossas vidas. Peço a todos que fiquem em estado de alerta e relatem qualquer atividade suspeita. Eles estão fazendo de tudo para nos desestruturar. Por mais que já tenha enviado - de repente, a imagem começou a falhar e a chiar. Em seguida, um homem loiro e alto vestido todo de preto apareceu nas cinco grandes telas. Um pouco atrás dessa nova figura haviam dois homens igualmente vestidos de preto, que estavam em pé próximos à uma parede.
Pude notar o espanto na cara de todas as pessoas naquele grande aglomerado de gente. Ninguém sabia o que estava acontecendo, ou quem eram aqueles três homens que haviam aparecido no telão, substituindo o Superior. Por esse motivo, mesmo estando assustadas, as pessoas continuaram onde estavam, esperando alguma satisfação. Logo, o homem que estava no meio do vídeo se pôs a falar.
- Olá, riquinhos. Vocês devem estar se perguntando quem somos nós, certo? Se sim, vocês não são tão inteligentes assim. Basta ver que estamos usando as cores da revolução. Exatos, somos nós. Não se preocupem, não precisam se assustar, nós só vamos destruir vocês, para que possamos finalmente alcançar o tão sonhado objetivo de nossos ancestrais, os verdadeiros heróis desse mundo. Nós estamos a ponto de conseguir realizar esse feito, vocês só devem esperar para ver. - o homem disse com um tom de voz sarcástico e intimidador.
Já que não estava entendendo absolutamente nada do que estava acontecendo, como na maioria das vezes, decidi prestar atenção nas pessoas que estavam na tela, já que havia notado algo familiar. Foi então que percebi, o homem que estava ao fundo e no lado esquerdo do homem que estava falando, ele me era familiar. Não havia muita luz onde ele estava, pois toda a iluminação estava focada no homem ao centro, então comecei a forçar minha vista e minha mente ao máximo, e então o reconheci. Essa não. Não era possível. Não, não, não, não. Mas... Como? Logo, sem perceber, eu havia dito uma única palavra, a qual estava evitando falar.
- Logan.

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