Novos Players

  — Senhores e senhoritas, podemos enfim começar? – na extremidade da mesa quadrada feita de madeira e de costas para a porta de saída do pequeno cômodo, Robb se pronunciou cordialmente ao sentar-se em sua cadeira, dando início a mais uma sessão de RPG entre o grupo de amigos.

  — Todos estão prontos para mais uma caçada? – Ruby entoava uma alegria em sua voz, enquanto mantinha seriedade em sua face, que sua personagem de classe Caçadora também possuía.

  — Que os deuses que nos observam do mais alto monte, também possam nos conceder a sua mais forte proteção. – Lucky, já interpretando seu personagem Bardo, recitava um pequeno poema enquanto suas mãos se movimentavam no ar, como se estivessem em uma dança suave.

  — Será que encontraremos um Golem hoje? Talvez um dragão elemental! Tô muito animada! – Frida sorria entusiasmada enquanto ajeitava seu óculos e revisava as anotações que sua Exploradora havia feito na última aventura. – Parece que os goblins voltaram a aparecer perto das fronteiras do reino!

  — Bem... São apenas vermes que devem ser exterminados! No final, todos morrerão por meio de minha lâmina! – Jin se mantinha sério, já pensando em uma nova estratégia de ataque para um futuro combate, o que fazia jus a sua classe de Cavaleiro.

  — Então isso significa que todos estão prontos? – Robb folheou seu caderno de anotações e levantou as barreiras de papel colorido que separam o mestre dos players.

  — Prontos para a luta que está por vir e para alcançar o céu! – a resposta veio em uníssono, anunciando a frase de efeito que havia sido decorada como uma espécie de mantra para as aventuras do grupo.

  — Bom... Então, meus queridos aventureiros, desejo-lhes uma boa aventura!

(Algumas horas depois)

  — Ei, bardo, eu sei que você não luta muito bem, mas se tiver um encantamento de cura, seria mais útil do que essa sua música irritante! – o Cavaleiro estava irritado e enquanto via a sua  vida ser reduzida aos poucos pelos ataques que não conseguia bloquear com seu escudo, tentou desesperadamente pensar em uma saída.

  — Me perdoe senhor, mas eu já estou ocupado mantendo a Caçadora viva!

  — Droga! Como que nós acabamos nessa cilada?!

  — A culpa é sua! – a voz da Exploradora soou por entre os goblins que surgiam de todo canto possível – Eu disse para esperarmos alguns minutos a mais, mas você insistiu em entrar nessa droga de masmorra!

  — Eu pensei que seria só mais um grupo de vermes!

  — Eu que sou a Exploradora! Se eu disser que existem duzentos monstros, então você apenas cala a boca e aceita! – Frida gritou o mais alto possível para que todos a pudessem ouvir, ao mesmo tempo em que se esquivava das facas de dois goblins e explodia o terceiro com uma mini bomba de fogo. – E eu avisei pra todo mundo que os goblins são fracos quando estão em um grupo pequeno, mas a gente entrou dentro da porra da toca deles! Era óbvio que ia ter uma quantidade exagerada de monstros.

  Enquanto discutiam e evitavam os ataques daquelas criaturas verdes, os dois se encontraram encurralados em um paredão de pedra, com dezenas de monstros à sua frente.

  — Já tô cansado de ficar gastando minha stamina com esses merdas! – Jin esbravejou enquanto perfurava o peito do primeiro monstro que avançou.

  — Não sei se você sabe, mas meus itens também não são infinitos.

  — Seus idiotas, isso não é hora para discutir! – limpando o caminho com uma habilidade de impacto/dano em área do seu machado, a caçadora Ruby criou uma passagem para que eles chegassem até ela, do outro lado do grande salão – Primeiro a gente escapa desse lugar de merda, e depois vocês discutem quem está errado ou não!

  — Certo! – os dois responderam ao mesmo tempo e juntos da caçadora, aumentaram o número de corpos caídos, enquanto o bardo conjurava um novo encantamento para a equipe inteira.

  Alguns minutos se passaram, e usando quase toda a estamina por causa dos milhares de goblins que apareceram desde que entraram na masmorra mais ao sul do reino, o grupo finalmente se viu livre daqueles monstros irritantes.

  — Finalmente... Pensei que nunca ia acabar! – o bardo deixou transparecer seu alívio e enquanto se sentava em uma banco rudimentar próximo a um dos pilares do salão, também buscou em sua bolsa alguns itens de restauração para si e para os outros.

  — Isso serve de lição para todos: antes de entrar em mais uma masmorra como essa, deixem a exploradora analisar a porra do lugar! – ela soava irritada, deixando claro que estavam naquela situação por terem ignorado seus avisos anteriores.

  — Ok, exploradora, na próxima você pode fazer seu serviço! – Jin respondeu com um certo nível de deboche.

  — Quem disse que vocês terão uma próxima vez? – uma voz maligna e poderosa que parecia surgir de um profundo abismo soou pelo grande salão, fazendo com que o grupo inteiro se  arrepiasse.

  — QUEM ESTÁ AÍ? – a Caçadora gritou, brandindo seu machado para a escuridão que os envolvia.

  — Sinceramente, eu não queria precisar de me apresentar, mas parece que meu pequeno exército foi exterminado! – surgindo do ponto mais profundo do salão, um ogro de quase cinco metros apareceu carregando um martelo tão grande quanto ele. – Muito prazer aventureiros, eu sou o dono desse lugar, Troor.

  Seguindo seu instinto selvagem, a Caçadora puxou o arco prateado de suas costas e, com uma precisão assustadora, disparou uma flecha de aço abençoado, que atravessou o ar em um assobio fino e, em um piscar de olhos, perfurou o olho esquerdo do ogro.

  — Eu entendo que sentem desespero ao me ver, mas nem tudo se resolve com violência. – Troor não pareceu se incomodar com aquela flecha em seu olho, já que ao arrancá-la com a própria mão, o ferimento se curou no mesmo instante. – Vocês não conseguem cogitar a possibilidade de resolvermos esse “pequeno problema” com uma simples conversa?

  — Ei, monstro, você espera que acreditemos em sua palavra? – o Cavaleiro se colocou à frente do grupo, possuindo certa arrogância em sua fala, e agiu como se fosse o líder do grupo.

  — É uma bela demonstração de coragem, cavaleiro, mas a sua ingenuidade se mostra maior ainda. Eu posso ser um monstro, mas gostaria de resolver tudo isso sem mais conflitos. Ou será que você ainda não entendeu, que posso te matar no momento em que eu sentir vontade?

  — Sinceramente monstro, acho que você está me subestimando mais do que deveria e...

  O Cavaleiro se calou ao ver um pedregulho com quase o seu tamanho indo em sua direção. No pouco tempo que teve para reagir, ele largou sua espada e segurou seu escudo com ambas as mãos com o corpo posicionado para receber o impacto.

  Ele estava bastante confiante, já que seus atributos defensivos superam em larga escala o seu poder ofensivo, que também era consideravelmente alto. Infelizmente, sua confiança foi despedaçada junto de seu escudo que ele sempre se gabava por ser o mais resistente em todo o reino.

  Graças a um encantamento de proteção que o Bardo conseguiu ativar, o Cavaleiro não sofreu danos severos, mas, a força do impacto do pedregulho, fez com que ele fosse arremessado uns cinco metros para trás, batendo com as costas em uma das paredes do salão.

  — Como ele... Como ele arremessou isso tão rápido? – a Caçadora possuía certo desespero no olhar e na fala, já que, mesmo possuindo o maior atributo de velocidade, ela não conseguiu sequer ver de onde aquele pedregulho surgiu.

  — Tenho uma péssima notícia. Isso é fruto de magia, de um nível altíssimo. – a Exploradora lamentou, enquanto analisava o pedregulho , já sabendo o quão grande era o problema em que se meteram.

  — Bem, vocês não me deixaram escolha, aventureiros! – Troor parecia desapontado, e enquanto observava o Cavaleiro levantar cambaleante, sentou-se no chão escuro e cheiro de corpos.

  — Você está de brincadeira? – o Cavaleiro queria gritar, mas a sensação de uma ou duas costelas quebradas, fez com que se contivesse, mantendo a voz alta o suficiente para ser ouvido pelo monstro.

  — Poderia se expressar melhor, Cavaleiro?

  — Para com essa merda, seu ogro imundo! Para de fingir que você é humano! Você não passa de um monstro inútil!

  — Sim, eu não sou humano, mas acho que você deveria medir suas palavras, já que não sou eu quem está em clara desvantagem aqui!

  — Desvantagem? – ele riu bem alto e de forma extremamente irônica – Seu ataque é mais forte que minha defesa, mas, isso não significa que você pode derrotar o nosso grupo! Bardo, Caçadora, agora!

  Seguindo sua ordem, a Caçadora largou todas as suas armas e avançou correndo em direção ao ogro, enquanto o Bardo finalizava um encantamento que também poderia ser considerado de nível elevado.

  — Movimento Único Pessoal: Awakening Furious! – após recitar seu próprio encantamento, a caçadora foi envolvida por uma aura vermelha que aumentou tanto sua velocidade, quanto seus atributos ofensivos.

  Ao se aproximar do ogro, ela deu um salto enquanto corria, o que lhe permitiu golpear o rosto dele com um bônus de dano aéreo, o fazendo cair para trás no primeiro golpe.

  — Bom trabalho, caçadora, você faz jus a sua fama, mas infelizmente, esse poder não vai ser o bastante para me machucar! – Troor se levantou normalmente, e seu rosto sequer tinha a marca do golpe recebido.

  — Ainda bem que o meu Bardo também possui cartas secretas! – ela olhou rapidamente para o Bardo, que com um sinal de cabeça confirmou o que ela queria saber.

  A Caçadora repetiu o movimento, e enquanto estava no ar, pode ouvir o encantamento que o Bardo recitava em forma de poesia a preenchendo de energia e poder.

  — O frio vento que sopra no cume mais alto, não só é capaz de apagar a mais vívida das chamas, como também capacita o acúmulo do mais resistente elemento. Movimento Duplo: Snowball Effect!

  Reagindo às palavras do Bardo, a aura que envolvia a Caçadora começou a ganhar um tom violeta, até se tornar completamente roxa no momento do impacto do golpe.

  Dessa vez, o monstro foi lançado alguns metros para trás e, mesmo que sua regeneração fosse absurdamente rápida, a marca do golpe não se curou completamente.

  — Parabéns! Agora vocês me mostraram porque são reconhecidos como aventureiros oficiais! – ainda caído, Troor gargalhava de prazer, animado com o que viria pela frente – Espero que continuem me entretendo!

  Com um movimento ágil, o ogro se ergueu mais uma vez e deixando seu martelo no chão, avançou para cima da caçadora em uma velocidade inacreditável.

  — Se eu entendi direito, esse encantamento acumula energia, correto? – Troor parecia ter entendido facilmente a situação, e enquanto trocava alguns socos com a Caçadora, expressou seus pensamentos.

  — Como você sabe disso?

  — Pela sua reação e de seus amigos, eu acertei, correto? E a resposta para sua pergunta é simples, depois que o encantamento foi ativado você começou a se movimentar mais, mesmo estando no ar, e, ainda agora, quanto mais você se movimenta defendendo e atacando, mais sua aura escurece.

  — Cala a boca, seu monstro de merda! – sua aura já estava quase negra quando ela acertou outro golpe no ogro, que, para surpresa de todos, manteve-se de pé dessa vez.

   — Vou te explicar uma coisa. Não importa a força que use para me bater, se eu não morrer no primeiro golpe, então nem mesmo um dragão poderá me matar depois. – Com sua mão direita, enquanto a Caçadora ainda se encontrava no ar, Troor desferiu um soco com sua mão que era quase do tamanho da mulher, a arremessando contra o chão, fazendo alguns corpos de goblins voarem para longe. – De qualquer forma, o seu corpo parece ter um limite de tempo para suportar esse encantamento, o que é óbvio graças a cor de sua aura.

  — Cala a boca seu verme! – a Caçadora se levantou, ensopada de uma mistura de seu próprio sangue com o sangue daqueles goblins mortos, e, sem perder tempo, avançou em direção ao ogro, repetindo o mesmo movimento pela quarta vez – BARDO! Não faz mais sentido me conter se ele já sabe as limitações, então, mande tudo agora!

  Hesitante, ele obedeceu a Caçadora, e após recitar mais uma frase que completava o encantamento, a aura quase negra que a envolvia se tornou completamente preta, se misturando completando à escuridão do salão.

  — Seu verme imundo, qual era mesmo seu nome? Quer saber, nem precisa responder, já que você vai ir pro inferno de qualquer jeito!

  Com força e velocidade triplicadas, a Caçadora acertou o ogro novamente em seu rosto, fazendo com que o som de seus ossos sendo quebrados pudesse ser escutado por todos, e o arremessando para dentro da escuridão da qual ele havia surgido.

  — Espero que dessa vez, ele esteja morto de verdade! – assim que seus pés tocaram o chão, a aura negra se dissipou como se ela nunca tivesse existido, e a Caçadora desabou sobre o piso aquecido pelo sangue de todos os goblins, esgotada por causa do encantamento.

  — Agora nós podemos ir embora! Bom trabalho! – a Exploradora correu em direção a ela, com um frasco na mão, contendo um líquido que era capaz de restaurar momentaneamente suas energias.

  — Entrega isso para o Bardo! Ele precisa mais que eu e...

  Esperança é algo em que não se deve confiar completamente.

  Quando a Explorada se virou para voltar até o Bardo, uma lança de pedra surgiu da escuridão na qual o ogro foi lançado, e, para o desespero de todos, seguiu em direção ao Bardo, atravessando seu corpo e o prendendo contra a parede do salão.

  — Meu nome é Troor, e nós vamos nos encontrar no inferno!

  — NÃO! – um grito de desespero surgiu do fundo da garganta da explorada, acompanhado de um som mais fraco vindo da Caçadora.

  — Por que essa surpresa? Estrategicamente falando, esse era o destino mais óbvio para ele.

  — Como você pode seu monstro de...

  — CALA A BOCA! – Troor fez sua voz ecoar pelo salão, quase ensurdecendo os três aventureiros – A droga do meu nome é Troor! E sinceramente, você foi a única que não fez nada além de tremer de medo, Exploradora, então se alguém tem culpa do que aconteceu, então esse alguém seria você!

  — Como assim, seu merda?

  — Você mesma disse: essa é sua função, se existir mil monstros, então você é obrigada a saber não é? Então, como você não sabia que eu estava aqui? Assume logo que você trouxe seus “amigos” para essa situação de propósito!

  — Cala a boca! Eu admito que eu errei, mas eu nunca faria isso com eles!

  — Tem certeza?

  — É claro! O monstro aqui é você e...

  — Isso é engraçado, não é? Vocês me chamam de monstro, mas foram vocês que entraram aqui dentro sem autorização! Foram vocês que saquearam todo o tesouro que a gente reuniu! E foram vocês que mataram todos os amigos que eu tinha aqui dentro!

  — Os goblins eram... Seus amigos? – o desespero era visível no olhar da Exploradora.

  — Sim. Por quê? Isso era para ser impossível por que somos monstros?

  — Não é isso que eu ia dizer...

  — Sinceramente, não importa mais, de qualquer jeito todos irão morrer!

  — Como você pode ter certeza? – mesmo que sua voz estivesse trêmula, a Exploradora tentou se mostrar corajosa, erguendo uma bomba de mão e apontando para o ogro.

  — Sua comida foi envenenada, suas defesas foram rompidas, e a sua lança partida. Você acha mesmo que uma bibliotecária teria alguma chance sozinha?

  — Eu... Eu...

  — Sinceramente, apenas desista, Exploradora. – assim que saiu completamente da escuridão, Troor pegou seu martelo, e usando de sua força e velocidade, esmagou o Cavaleiro e a Caçadora, deixando apenas a Exploradora viva – E agora o que vai fazer, mocinha?

  — Me desculpem, amigos... Mais uma vez... Eu me mostrei completamente inútil!

  — QUE MERDA FOI ESSA GENTE? – Jin estava tão irritado que não conseguia controlar seu tom – Principalmente você Frida, como aquele monstro surgiu assim do nada?

  — Ah, vai à merda, Jin, a gente só entrou na masmorra sem se preparar por sua culpa!

  — Sim, mas era sua responsabilidade encontrar os monstros e armadilhas que estivessem escondidos!

  — Eu já falei, Jin, vai à merda!

  — Vocês dois podem calar a porra da boca? – Ruby assumiu o controle da “conversa”, fazendo o possível para aquilo se resolver rapidamente – Se você quer mesmo cobrar ela, então me responde por que você nem tentou ativar a porra do seu movimento único para se defender? Se não fosse pelo Lucky, você teria sido o primeiro a morrer!

  — Calma, galera! Vocês não podem sair culpando uns aos outros desse jeito! No fim, acabou que se o dado tivesse dado alguns pontos a mais, vocês teriam o derrotado! – Robb tentou intervir, conseguindo apenas se tornar o alvo da vez.

  — Por falar nisso, de onde você tirou a porra de um ogro que consegue usar magia, tem super força e velocidade, e ainda se regenera mais rápido que uma hidra?

  — Entenda, Jin, se vocês sempre ganharem de forma fácil, o RPG se torna entediante!

  — Sim, mas, não existe a merda de um monstro desse nível no nosso RPG!

  — Enquanto eu for o cara que cria as aventuras, qualquer monstro poderá existir, afinal, sou eu quem crio as regras!

  — Tenho certeza que se você não colocasse essas regras malucas, o jogo seria muito mais divertido!

  — Para de falar merda, Jin! – Lucky, ainda incrédulo por ter sido o primeiro a ser morto, entrou no meio da discussão.

  — Você fica quieto aí, Lucky, porque você só é útil como um bardo!

  — Isso foi bastante ofensivo! – Apesar da irritação de Jin, Robb se mantinha sério e calmo – Que tal fazermos um teste? Se vocês conseguirem sobreviver a próxima aventura, eu troco de função com um de vocês, pode ser?

  — Tem certeza disso, Robb? Pelas regras, você usaria um personagem desde o nível mais baixo! – Ruby parecia inquieta com a ideia.

  — Para mim está tudo bem!

  — Então, que dia vai ser a próxima aventura? – Jin, animado com a ideia, esqueceu surpreendentemente rápido da raiva e agora apenas estava ansioso.

  — Que tal agora mesmo? – sucedendo um alto estalar de dedos, a luz que iluminava o pequeno cômodo se apagou, e por mais que do lado de fora ainda fosse dia, todos se viram em uma escuridão completa.

  — ROBB, QUE MERDA É ESSA? – Jin gritou assustado para o breu, mas assim como não escutou sua voz, também começou a ter dificuldade para mexer sua boca, e logo em seguida, o seu corpo.

Registro de novo player...

Análise de condições físicas e mentais...

Associando classes compatíveis...

Distribuindo pontos de eficiência...

Reestruturando corpo físico...

Registro concluído com sucesso...

Novo player, Jin, seja bem vindo a Far Fall, o reino onde aventureiros se tornam lendas!

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