23.
As mãos de Chungha sangravam, suas pernas já não aguentavam mais forçar os pés a baterem contra a estrutura de ferro. A mãe de Chanyeol estava da mesma forma, exausta e machucada.
— Por favor, pare! – A mulher mais velha pediu a Chungha quase em súplica, lágrimas grossas escorriam dos seus olhos tristes.
— Não! Eu não posso desistir, eu não posso deixar a dor e o cansaço me vencer. – Chungha continuou usando as mãos pra bater nas paredes do container. Ambas já estavam muito machucadas e a garota sentia muita dor, no entanto, suportaria até que alguém as tirasse de lá ou, até que seu corpo não aguentasse mais. — Alguém precisa nos notar, nos ajudar, eu sei que não vai ser fácil mas eu tenho que fazer algo.
Young Hee não insistiu em tentar pará-la, mas não podia a ajudar, não aguentava. Então a garota continuou, batendo e gritando com a voz falha. Tentando de todas as formas vencer o cansaço, já nem tinha mais noção de quanto tempo estavam ali.
Na delegacia, Jooheon ainda interrogava Suyeon, tinha provas o suficiente para mantê-lo ali. O homem ainda utilizava do mesmo tom debochado de antes.
— Vendo o quão desesperado você parece, ainda não encontraram o container certo? – Perguntou mantendo o sorriso que deixava Jooheon irado.
— Nós vamos encontrar, você não vai se livrar da acusação de sequestro e tráfico de pessoas. Além do mais, mesmo que negue, você disse coisas comprometedoras aqui. – Jooheon sorriu, era como se os dois homens estivessem numa batalha pra ver qual parecia ter o sorriso mais rude e sarcástico. — E também, graças a isso. – O promotor finalmente mostrou o livro de contas à Suyeon, pego por Chanyeol. O agiota o encarou com os olhos arregalados. — Você será sem dúvidas preso, assim como os nomes aqui presentes. Aceite, você perdeu Suyeon-ah. – Lee voltou a ser informal, dessa vez realmente tinha conseguido intimidar o homem. — Ah e, eu solicitarei ao juiz pena de morte, não mais prisão perpétua. Já decidiu qual vai ser a sua última refeição? – Jooheon se levantou e deixou a sala, em seguida pediu que os policiais levassem o homem para a cela. Suyeon não ia colaborar mais, Lee conhecia aquele tipo bem, não adiantava forçar.
O detetive Im continuava empenhado em conseguir informações. Enquanto isso, Jooheon decidiu ir pra casa para tomar um banho e colocar roupas limpas, já estavam caminhando para o segundo dia desde que Chungha havia sido sequestrada e até o momento não haviam conseguido localizá-la. Apesar de preparado para o pior, Jooheon se mantinha esperançoso de que encontraria a garota e mãe de Chanyeol com vida.
• • •
No hospital, Chanyeol ainda se recuperava do golpe de faca que havia sofrido. Felizmente nenhum órgão havia sido danificado, o que era estranho visto que Junmyeon sempre foi especialista com facas, não costumava errar seus golpes, eram sempre letais. Isso fez o rapaz pensar que o antigo colega havia o poupado propositalmente, talvez ainda existisse alguma humanidade em Junmyeon.
Queria desesperadamente sair daquele lugar e ir atrás de Chungha, da sua mãe. Se sentia impotente. Ainda tentava entender como haviam descoberto sobre Kim, onde havia falhado? Foi a viagem pra praia? A pulseira de casal? O tênis que havia esquecido de esconder quando Junmyeon estava em seu apartamento? Ou talvez tudo isso? O rapaz não sabia, só pensava que talvez tivesse sido egoísta em querer mantê-la em seu apartamento, se tivesse conseguido que ela fosse para outro país, talvez, só talvez, ela estivesse bem e não estaria correndo risco de vida.
Chanyeol se sentia tão culpado que se pudesse trocaria de lugar com Chungha.
Estava tão nervoso e agoniado, mas de jeito algum podia deixar o hospital, o mínimo de movimento que havia feito anteriormente em uma tentativa frustrada de fugir e procurar pela garota, lhe custou o rompimento de um dos pontos e sangramento. Tinha que ficar lá, agonizando por notícias.
Talvez esse fosse seu castigo.
As horas no hospital pareciam sequer passar, Jooheon também não atendia suas ligações. Isso o deixava ainda mais impaciente, o que custava o homem lhe dar ao menos um único sinal de vida? Alguma satisfação?
Ele estava a ponto de surtar quando o celular finalmente tocou. Chanyeol segurava o aparelho neste momento e se assustou assim que ele vibrou, o nome de Jooheon brilhava no ecrã.
— Graças à Deus! – Murmurou sentindo o coração acelerar. Tanto podia receber uma ótima notícia, como uma péssima. Como lidar com aquilo? Se perguntava. — Jooheon.. – Disse temeroso, esperando por uma resposta.
— Chanyeol, nós temos a localização delas. – Chanyeol quase deixou o celular cair ao sentir os braços fraquejarem. Aquilo era uma meia notícia boa, ainda não tinha certeza do bem estar delas, precisaria que o homem lhe desse certeza de que ambas estavam bem para se sentir realmente tranquilo.
— Elas estão bem?
— Ainda não sei, estou indo até elas.
— Por favor, vá até elas logo!
— Nós estamos a caminho, Chanyeol. Liguei porque achei que você gostaria de saber disso.
— Claro que sim! Mas agora por favor, se apresse e vá até elas!
— Tudo bem, eu te ligo quando estiver lá.
• • •
Enquanto estava em seu apartamento e tomava banho, Lee recebeu uma ligação de Im Changkyun sobre uma denúncia de um container suspeito. Nada havia sido confirmado mas, havia grandes chances de que se tratasse do mesmo container que os rapazes estavam procurando, onde estavam as duas mulheres e, possivelmente, outras.
Jooheon se apressou em sair do banho e se trocar, desceu até o estacionamento com os cabelos ainda molhados e arrancou com o carro rapidamente. Im já havia o passado o endereço, aparentemente o container suspeito estava em uma transportadora onde seria levado até o porto de Busan.
Lee forçou o pé no acelerador, precisava chegar lá rápido, não podia mais suportar a agonia que sentia por não tê-las encontrado ainda, estava confiante de que seria o container certo. Precisava encontrá-las, não devia isso só a elas mas a Chanyeol também, que havia sido muito útil durante a investigação de Kang Suyeon, se arriscando o tempo todo por um bem maior. Im e sua equipe também já estavam a caminho do local, felizmente não ficava assim tão longe e Lee conseguiria chegar lá em menos de uma hora.
Apesar do trânsito não estar ajudando muito, Jooheon finalmente chegou ao local indicado. Im ainda não estava lá, o homem desceu do carro e foi até a portaria do lugar, falou com o responsável por cuidar dali e conseguira a permissão para entrar assim que, apresentou seu crachá de identificação onde indicava que o mesmo é um promotor.
Logo que adentrou um dos trabalhadores da transportadora foi até Jooheon, e o cumprimentou com uma reverência, um tanto aflito.
— Eu sou o Lee Jooheon. – Mostrou o crachá ao homem de aparência simples. — Onde está o container?
— Por aqui, senhor. – O homem começou a guiar Jooheon pelo grande galpão.
— O que houve? O que encontrou de suspeito no container?
— Eu estava fazendo a inspeção, para me certificar de que não havia nenhum problema com o exterior do container e comecei a ouvir sons de algo batendo vindo do mesmo. Achei que fosse coisa da minha cabeça, que tava ouvindo demais, no entanto o barulho continuou e então quando me aproximei confirmei que algo ou alguém de fato estava fazendo barulho lá dentro. – O homem contou sua versão, Jooheon ouvira atentamente enquanto continuava o seguindo, o galpão era muito extenso e parecia não ter fim nunca.
— E então vocês o abriram?
— Ainda não, não tivemos permissão. – O homem disse sem jeito. — Nosso chefe disse que não queria ter nada a ver com isso, por isso só pediu que eu chamasse a polícia e os deixassem saber da situação. – O promotor assentiu em entendimento, não se espantava com a decisão do homem. — É esse aqui.
Jooheon já não se aguentava de tanta agonia quando finalmente encontrou o container. O homem se aproximou da enorme estrutura de ferro.
— Alguém pode abrir ele pra mim? É urgente. – Um dos homens se prontificou em fazê-lo. O container finalmente foi aberto e a visão de Chungha de joelhos, exausta e machucada foi a primeira coisa que Jooheon viu. — Meu Deus..
Não só o promotor, mas todos ao seu redor estavam absolutamente chocados com a cena que estavam presenciando. Ver a garota de joelhos foi de longe a visão mais perturbadora, aquelas várias garotas que pareciam estar na faixa dos 20 anos dentro da estrutura cheia de feridas, exaustas e desmaiadas era muito mais. Foi a cena mais chocante e desumana que Lee havia presenciado em toda a sua vida e ele sequer podia imaginar tudo o que elas haviam passado.
Mesmo chocado, o homem pegou o telefone e pediu por uma ambulância, em seguida ligou para Changkyun para o avisar que finalmente haviam encontrado. Suyeon havia os enganado para ganhar tempo e conseguir mandá-las para outro país sem ser percebido já que a atenção estava toda concentrada na China. Ele também deve ter achado que Jooheon não conseguiria o manter preso, por esta razão, se manteve quieto o tempo todo e nunca assumiu de fato a autoria ou disse a localização do container.
Felizmente o socorro veio rápido e todas as mulheres foram resgatadas, eram cerca de 25 mulheres além de Chungha e Lee Young Hee. A maioria desnutrida, todas elas desidratadas. Jooheon sabia que existiam pessoas ruins mas nunca pensou que presenciaria tal situação. Mesmo com tudo aquilo que estava presenciando, de alguma forma sentia seu coração tranquilo por ter conseguido encontrá-las com vida.
— Você é a Chungha, certo? – Jooheon se aproximou da ambulância para qual a garota havia sido levada em uma maca. Chungha tinha olheiras fundas e a boca em um tom de rosa clarinho, ressecada. Ela somente assentiu. Jooheon olhou logo ao lado e na outra ambulância pode ver a mulher de meia idade que logo constatou ser Lee Young Hee, mãe de Chanyeol.
— E o Chanyeol? – A Kim perguntou, mesmo exausta seus pensamentos ainda se encontravam nele no fim das contas.
— No hospital. Mas não se preocupe, ele tá bem. – A tranquilizou. — Vocês vão ser enviadas ao mesmo hospital agora e vão receber tratamento. – Kim assentiu, finalmente sentindo que podia fechar os olhos, não aguentava mais se manter acordada. E assim o fez, Jooheon se afastou deixando que a ambulância partisse.
Seu celular tocava pela milésima vez, já sabia de quem se tratava então finalmente atendeu.
— Nós conseguimos, Chanyeol. – Logo que iniciou a chamada, foi a primeira coisa que disse ao rapaz desesperado. — Nós as encontramos.
— Com vida? Pelo amor de Deus, me diga que sim! – Park estava tão desesperado que poderia adquirir uma úlcera por conta de tamanha exposição ao estresse. — Diga, Lee Jooheon!
— Sim, fique tranquilo. – Lee pôde ouvir quando o rapaz começou a chorar do outro lado da linha, o choro era alto, Chanyeol foi um dos que mais sofreu com tudo isso. Jooheon acabou por se sentir emocionado. — Elas foram encaminhadas para o mesmo hospital que você.
— Obrigado, obrigado, obrigado. – Chanyeol agradeceu incontáveis vezes, com a voz embargada.
— Tudo bem… – Jooheon sorriu, ainda emocionado. — Fique tranquilo e se cuide Chanyeol, o pior já passou. Eu preciso ir agora, mais tarde nos falamos.
O Lee encerrou a chamada com o outro ainda em prantos. Jooheon ainda tinha trabalho a fazer, tinha agora mais provas ainda para acusar Suyeon. O promotor iria com certeza, se certificar de que Kang Suyeon e seus subordinados pagassem por todo mal que causaram.
»»»»»
e elas foram salvas 😥
calma que ainda não acabou, hein?
jooheon e changkyun foram muito importantes nesse processo, jooheon ainda mais pois ele não desistiu ou fez corpo mole mesmo sabendo que a possibilidade de estarem mortas era grande.
a fanfic tá real na reta final, só falta o 24 e o epílogo agora, eu vou sentir falta do meu Chungyeol 😔, mas tô feliz de tá perto de concluir outra fanfic.
mas é isso por enquanto, obrigada por ler, XOXO 🌸
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