16.

     Já haviam se passado três dias e, nada de parar de chover ou fazer menos frio. Tudo que conseguimos fazer foi comer e assistir filmes.

    Era de manhã quando acordei, a claridade que ultrapassava as cortinas incomodava meus olhos. Mal abri os mesmos e, batidas impacientes na porta puderam ser ouvidas.

   — Entra. – Me sentei corretamente na cama com os olhos semi abertos enquanto ajeitava os fios e fitava Chanyeol adentrando o mesmo.

   Ele esfregava os olhos que estavam inchados, seus cabelos estavam bagunçados. Chanyeol trajava um pijama na cor azul e seus pés estavam descalços.

  — Bom dia, te acordei? – Falou com a voz rouca, típica de alguém que acabou de acordar. Neguei com a cabeça e sorri, o encarando corretamente. — Hoje finalmente não tá chovendo. — Park caminhou até a janela e, puxou a cortina para que eu visse através das grandes vidraças. — Acho que poderemos sair! – Expressou demonstrando animação, então se aproximou e se jogou no meu lado da vago da cama.

   Chanyeol se aconchegou aos edredons, fiquei o observando enquanto balançava a cabeça.

   — Ainda tá com sono? – Pergunto fitando o rapaz deitado ao meu lado e ele prontamente balança a cabeça negativamente.

  — Eu tô com frio e a sua cama tá quentinha, aliás, sua cama parece ser melhor que a minha. – Chanyeol totalmente coberto e encolhido, somente seu rosto estava á mostra.

  — Quer trocar de quarto? – Sugeri e ele voltou a balançar a cabeça negativamente. Chanyeol e eu estávamos dormindo em quartos separados.

  — Essa cama só é melhor porque você dorme nela. – Comecei a rir logo que o ouvi. — Eu não vou ligar se tiver pesadelos e, não quiser dormir sozinha. – Chanyeol riu e me lançou uma piscadela, balancei a cabeça negativamente com o descaramento.

  Sorri e ameacei me levantar, mas Chan abraçou minha cintura, fazendo com que eu não conseguisse levantar e permanecesse ali por mais algum tempo.

• • •

   Chanyeol insistiu e, finalmente resolvemos sair. O clima estava frio mas, ele estava animado.

   Andamos por um mercado extenso e, experimentamos quase todos os tipos de comidas rápidas que havia por lá. Chanyeol ainda fez questão de almoçar, ele era a verdadeira definição de "saco sem fundo".

  De estômago cheio voltamos a andar pelos arredores e, passamos por uma lojinha que Chanyeol fez questão de entrar. Enquanto não comprou duas pulseiras que viu, não sossegou. Eram pulseiras de casal, uma com as miçangas em preto e somente uma branca e, a outra branca com somente uma miçanga na cor preta, eram bonitinhas e fofas. Seu argumento para comprá-las foi de que, segundo ele, só faltava um item combinando para sermos realmente um casal. Clichê, no entanto, fofo.

   Aceitei o presente com certa relutância, depois de encarar um Chanyeol dramático do meu lado, dizendo que eu só sei negar tudo que ele quer me dar.

    Quando já estávamos cansados de andar por todo lado, fizemos uma última parada em um café. Ambos pedimos chocolate quente, estava frio e nada melhor do que uma bebida quente. Pedimos também cheesecake de morango.

    Chanyeol quem buscou os pedidos e, os deixou sobre a mesa com uma expressão estranha no rosto.

   — Eu preciso atender uma ligação, já volto, huh? – Assenti imaginando que fosse o homem pra quem ele presta "serviços". Torci pra que não fosse nada demais, no entanto, sentia-me temerosa.

   Chanyeol ficou um bom tempo falando ao telefone, podia o ver pela extensa parede de vidro. Ele parecia agitado e nervoso, andava de um lado para o outro e, mordia os lábios. Nosso chocolate quente foi se esfriando aos poucos, eu sequer conseguia beber o meu, estava ficando preocupada com sua demora.

    Quando finalmente voltou, mantinha uma expressão nada boa na face.

     — Desculpa, querem que eu volte pra Seoul. – Ele fez uma pausa. — Pra procurar você. – Tudo que consegui fazer foi acenar em concordância e, sentir dificuldade em respirar, de repente o ar parecia pesado.

    Mesmo com meu sumiço, eles ainda estavam empenhados em me encontrar, por quanto tempo Chanyeol conseguiria me esconder sem causar problemas a si mesmo? Era só no que eu conseguia pensar.

   — Chungha, você tá bem? – Encarei o rapaz ao ser questionada sobre meu bem estar. Assenti, mas ainda não conseguia respirar direito e minhas mãos estavam trêmulas.

   — Nós podemos voltar para a casa? – Ele assentiu de imediato, me oferecendo sua mão pra me ajudar a levantar. Peguei a minha bolsa e, ele sua mochila e saímos do café, deixando nossos pedidos intactos lá. Não havia mais clima pra chocolate quente ou, cheesecake.

    A vontade de chorar desesperadamente era agonizante, no entanto, me contive. Não queria chorar na frente dele e o deixar mais preocupado do que já aparentava estar. É visível em sua expressão o quanto aquela ligação o deixou irado, é como se ele estivesse prestes a explodir.

    Chanyeol dirigia sem dizer nada e, vez ou outra levou uma das mãos aos cabelos. Fui surpreendida quando ele simplesmente parou o carro bruscamente.

   — Eu já volto. – Então ele retirou os cintos e, desceu do veículo e, foi em direção a praia. Sai do carro no mesmo instante e, pude ouvir um grito frustrado. Chanyeol parecia transtornado, ele chutava a areia e continuava a gritar. Encarei aquilo sentindo um aperto no coração, a cada vez que recebe alguma ordem do agiota, ele reage de uma forma diferente. Algumas vezes bufava, outras murmurava diversos palavrões e, até socava o saco de pancadas que ficava em um canto do quarto. Mas dessa vez ele estava diferente, era como se tivesse se contido por todo esse tempo. Ele estava sofrendo, talvez até mais do que eu.

   Chanyeol deixou seu corpo cair de joelhos sobre a areia, logo ele, que não gostava de areia em suas roupas. Fiquei cautelosa sobre me aproximar dele ou não, queria o consolar mas não queria ser invasiva.

       Decidi me aproximar, caminhei até ele me colocando atrás do mesmo. Me ajoelhei e o abracei, recostando minha cabeça em suas costas, logo senti suas mãos sobre as minhas e, a tensão do seu corpo se dissipar.

    — Te deixei preocupada? Desculpa. – Sua voz estava calma, baixa e, rouca.

    — Não se desculpe. – Chanyeol se virou pra mim e me abraçou, recostei a cabeça em seu peito dessa vez e, ele apoiou o rosto no topo da minha cabeça. Por conta da nossa diferença de altura, isso era possível pra ele.

    — Não se preocupe tá? Eu vou proteger você e, em breve acabar com essa situação de uma vez. – Suas palavras ao mesmo tempo em que me traziam um pouco de alívio, também me deixavam preocupada e temerosa.

   — Não faça tudo sozinho, não se desgaste tanto e vamos pensar em algo juntos. Vamos resolver e acabar com isso juntos.

»»»»

voltar pra procurar a chungha, não foi a única coisa que falaram pro chanyeol durante a ligação.

XOXO 🌸

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