08.
Eu fui para o apartamento de Chanyeol com todo receio do mundo nas costas, o medo dele não ser alguém confiável era real. Eu podia estar cavando a minha própria cova vindo pra cá.
Subi de elevador até o andar onde ficava o apartamento e respirei fundo antes de digitar os números correspondentes a senha, esperava não encontrar nenhuma surpresa quando adentrasse o local. Abri a porta sentindo que meu coração ia sair pela minha boca a qualquer momento, entrei devagar, tudo estava em silêncio.
O apartamento era luxuoso, tudo muito bem decorado e arrumado, a sala era grande e espaçosa, a cozinha seguia o estilo americano. Sua casa tinha um ar acolhedor.
Olhei cada cômodo com o intuito de confirmar que estava realmente sozinha e, para o meu alívio não tinha ninguém além de mim no apartamento. Claro que isso não seria suficiente para fazer com que eu ficasse tranquila, ainda não sabia o motivo pelo qual estavam atrás de mim e nem se meus pais estavam bem.
Andava de um lado para o outro na sala de estar de Park, corria o risco de desgastar seu piso, minhas unhas estavam quase inexistentes, já havia roído quase todas por conta do nervosismo. Me lembrei que ele havia dito que eu ficasse quieta, alguém poderia me ouvir andando de um lado para o outro? Era possível, resolvi me sentar mesmo que ainda estivesse inquieta. Mexia uma das pernas freneticamente enquanto olhava o tapete felpudo em tom de cinza claro que havia na sala e meus pés onde, estava usando um de seus chinelos que ficavam na entrada, eram confortáveis.
Passei a mão pelos cabelos várias vezes, aflita, a hora não passava e Chanyeol não chegava. Fui obrigada a pegar o celular e lhe enviar uma mensagem no kakao talk, pedi por alguma notícia e ressaltei que estava a ponto de sofrer um colapso nervoso, o que não adiantou de nada, nem sinal do rapaz. Na minha mente, todos os piores pensamentos eram presentes e meu desespero aumentava consideravelmente.
Curvei o corpo para frente e apoiei o rosto nas mãos, mantendo meu cotovelo apoiado nas minhas coxas, se eu não morresse de preocupação hoje, não morreria nunca mais. Quando já estava prestes a me entregar aos pensamentos ruins ouvi a senha da porta ser digitada, me levantei e corri até a entrada, Chanyeol mal fechou a porta atrás de si e desfaleceu totalmente ali mesmo, na entrada.
Ele estava muito machucado, outra vez.
O canto da sua testa e lábios sangravam, em sua maçã do rosto do lado direito havia um hematoma enorme, não sabia sobre o resto de seu corpo mas, provavelmente devia estar machucado também. Suas roupas eram pretas e era possível ver marcas de sapatos em suas costas e costelas.
Demorei pra raciocinar e tentar levantá-lo, foi difícil o arrastar até a sala, ainda sim precisei o manter deitado sobre o tapete. Chanyeol é muito mais alto que eu além de ser meio forte, o que fazia com que ele fosse pesado.
Agora dava pra ver melhor seus hematomas, quem teria feito isso? Outros agiotas como da ultima vez? Tentava pensar em algo que explicasse o motivo dele ser obrigado a fazer parte disso, desse mundo sujo regado a crimes, mas literalmente nada passava pela minha mente. Qual seria o motivo?
Observei o homem desfalecido por mais alguns minutos e me levantei indo a procura do banheiro que por sinal, eu já havia esquecido em qual das portas era. Quando finalmente achei, adentrei com certa pressa a procura de uma caixinha de primeiros socorros ou o que pudesse ser útil para curar seus ferimentos. Não encontrei nada utilizável no pequeno armário, abri a gaveta da bancada em que ficava a pia e, finalmente encontrei algodão e antisséptico.
Voltei para sala, Park tossia enquanto gemia de dor e tentava se levantar, corri até ele e me abaixei o ajudando a se sentar, ele gemeu ainda mais quando o toquei, apertando os olhos. Tomei a liberdade de subir um pouco a sua blusa pra verificar seu estado e a área das costelas de ambos os lados estavam muito arroxeadas, havia sido uma surra daquelas.
— Ei! – O chamei, ele manteve seus olhos fechados. — Você está bem? – Pergunta idiota, é claro que ele não estava bem.
— Estou, não se preocupe. – Disse enquanto tocava as costelas e resmungava de dor.
— O que houve com você? Quem e por que fizeram isso? – Por um instante esqueci sobre meus pais, estava preocupada com o rapaz a minha frente, afinal, ele aparentemente estava me ajudando. Me ajoelhei ficando na mesma altura que ele.
— Isso é o que acontece com subordinados desobedientes, eu vou ficar bem – proferiu enquanto abria os olhos e tocava o canto do lábio que sangrava. — Aish, eles foram com tudo dessa vez – O mirava boquiaberta, relaxei meu corpo e me sentei no tapete macio encarando o nada, a situação dele era tão ruim quanto a minha.
Por algum motivo meus olhos se encheram de lágrimas, talvez fosse um surto de empatia? Provavelmente, vê-lo em uma situação como essa novamente e somente por ter sido “desobediente” – como o mesmo havia dito – era péssimo, me deixa triste.
Mas, o engraçado é: quem sou eu pra ficar triste por alguém? Minha vida não é nenhum mar de rosas.
— O que fez que, acabou desobedecendo quem quer que tenha feito isso? – O fitei curiosa sobre a resposta, Chanyeol se direcionou a mim.
— Seus olhos.. você tá chorando? – Antes que eu negasse ele levou uma de suas mão até meu rosto e com o polegar limpou uma lágrima fujona que insistiu em escorrer dos meus olhos. — Por que?
O olhei uma ultima vez antes de sentir novas gotinhas descendo pelas bochechas. Abaixei a cabeça, ele afastou sua mão de imediato, levei as minhas até o rosto e o sequei tentando não deixar nenhum resquício de lágrimas
— Não estou chorando – neguei como se não estivesse óbvio que eu estava.
— Não me diga que entrou um cisco no seu olho? – Soou irônico, nem ousei olhá-lo — Vem cá, eu vou assoprar pra você – Nem sequer me mexi mas, quando ele gemeu de dor novamente meu corpo se moveu automaticamente em sua direção, Chanyeol tentava se desencostar do sofá.
Nesse instante me dei conta de que havia pego algodão e antisséptico para fazer o curativo nele e não fiz, também sobre meu pais.
— Fique quieto – voltei a ficar de joelhos na sua frente, umedeci um pouco de algodão no antisséptico e sem qualquer aviso prévio o passei em sua testa onde continha um pequeno corte, ele gritou assim que o medicamento entrou em contato com a sua pele. Segurei uma risadinha, seu grito foi engraçado, continuei passando o algodão ali e limpei o sangue seco que estava preso sobre a pele. — O que houve com meus pais? Só me diz que eles estão bem, por favor. Se algo acontecer a eles, eu nunca vou me perdoar por ter saído de lá e me salvado sozinha. – Chanyeol ficou calado, parei o que fazia e o encarei. — Eu te fiz uma pergunta.
— Você me pediu pra ficar quieto – Suspirei me contendo pra não ser grossa.
— Eu disse quieto pra você não se mexer e não mudo. – respondi e ele teve a coragem de lançar um sorrisinho tímido. Idiota.
Idiota e fofo.
— Não se preocupe, eles estão bem, o alvo é só você.
Dessa vez seu sorriso fora totalmente sem humor ou graça, me sentei sobre o tapete pensando se eu deveria ficar aliviada ou ainda mais preocupada.
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A fanfic chegou à 1k babys, obrigada mesmo, de coração!
Perguntinhas:
por qual motivo vocês acham que o Chanyeol é envolvido com agiotas?
e por que de repente a Chungha virou o único alvo?
Deixem suas opiniões 🌸
Espero que continuem gostando e dando amor à fanfic, não esquece de deixar o votinho, huh? comentem o que estão achando.
Por hoje é só, obrigado por ler, XOXO ♡
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