06.
Meu expediente no restaurante havia chego ao fim, me despedi das outras funcionárias e cada uma seguiu um caminho diferente.
Quando estava pra seguir o meu, me deparei com Chanyeol, ele estava parado com os braços para trás, inquieto.
— O que faz aqui? - Perguntei quando me aproximei.
— Oh, oi - Acenou e forçou um sorriso — Queria agradecer pelo desenho, você saiu tão rápido que nem tive tempo, obrigado - Disse e se curvou
— Você não precisava ter vindo até aqui pra isso, mas, de nada - forcei um sorriso, me curvei minimamente e comecei a andar
Ouvia os passos de Chanyeol seguidos dos meus, constatei que ele não era uma ameaça, era estranho mas eu estava me sentindo mais tranquila com ele ali, me seguindo, as ruas já estavam desertas e escuras, me sentia ansiosa todos os dias por saber que teria que andar por elas durante a semana toda sozinha, correndo vários riscos.
Caminhei mais alguns metros até o ponto de ônibus e me sentei no banco que havia ali, faltavam dez minutos para que o meu chegasse.
Chanyeol permaneceu de pé, ficamos ambos em silêncio, embora eu tivesse coisas para lhe perguntar, simplesmente não sabia como começar o assunto.
O ônibus finalmente chegou, imaginei que naquele momento eu voltaria a terminar o caminho de volta pra casa sozinha. Mas então, Chanyeol também entrou no ônibus, me sentei ao lado da janela na última fileira de bancos, eram os únicos disponíveis.
O rapaz se sentou a um banco de distância de mim, ainda sem falar absolutamente nada. Resolvi quebrar o silêncio.
— É impressão minha ou você está me seguindo? - Seu olhar que antes vagava pela janela do outro lado se voltou pra mim
— E-Eu? - Acenei que sim, quem mais poderia ser? — N-Não e-estou, na verdade eu moro na mesma direção que você - Incrível que seja fofo todas as vezes que ele gagueja. Não disse mais nada e voltei a minha atenção para os prédios que ficavam pra trás conforme o ônibus passava pelas ruas.
— Sabe, eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas me sinto mais tranquila com você aqui - Comentei sem sequer olhar pra ele, com uma ponta de vergonha.
Uma presença masculina faz toda a diferença, não deveria ser assim, nenhuma mulher deveria sentir medo de andar na rua sozinha independente do horário. Não deveria ser necessário a presença de um homem para diminuir nosso medo de outros homens, quanto mais penso nisso, mais me sinto incomodada.
— Você deve estar assustada pelo que houve - Questionou.
— Também, mas todos os dias na volta pra casa é difícil, você nunca sabe o que pode acontecer, tem muitas pessoas ruins por ai. - Nem sabia bem o porquê de estar falando sobre isso com ele, talvez fosse por não ter ninguém pra falar?
— Realmente. - Chanyeol ficou em silêncio — É bom saber que minha presença te deixa aliviada, de certa forma - Olhei pra ele que encarava as mãos machucadas sobre o colo e vi que ele estampava um sorrisinho tímido.
— Onde você se machucou? - perguntei apontando pras suas mãos — Foi agredindo alguém? - Questionei esperando que a resposta fosse sim, era o óbvio.
— Isso? - Olhou pras mãos — Não bati em ninguém, foi em um momento de raiva, soquei a parede - Me mostrou seu sorriso sem graça
— Me deixe ver? - Ele se aproximou e se sentou no banco ao meu lado, com receio levou suas mãos até mim. Olhei os machucados, não estavam cicatrizando bem e pareciam prestes a inflamar, ele provavelmente não havia passado nenhum remédio ali — Você tem que cuidar melhor dos seus machucados! - O repreendi e soltei suas mãos, em seguida abri minha bolsa e procurei pela minha necessaire, assim que a abri encontrei antisséptico, pomada e band-aids. Costumo me machucar muito no restaurante quando ajudo na cozinha, por isso é essencial tê-los na bolsa.
Puxei suas mãos pra mim de volta e espirrei o antisséptico sobre seus machucados, ele mal teve tempo de reagir. Assoprei e esperei que a pele absorvesse pra então aplicar a pomada, finalizei com band-aids.
— Você é boa nisso. Obrigado! - Me agradeceu com certa animação e eu quase ri, era algo tão simples que eu nem devia ser elogiada por “saber” fazer, qualquer pessoa na terra sabe aplicar medicação e colocar band-aids, no fim das contas, acho que ele só queria me elogiar pra mostrar que estava grato.
— Se cuide melhor, você tá sempre com algum machucado - Disse enquanto guardava a necessaire na bolsa — Aliás, o que houve com você naquele dia? Quem te machucou daquela forma? - O encarei assim que perguntei, ele olhou pra frente, sem muita animação.
— Ah, aquele dia.. Foi uma gangue rival
— Uma gangue rival?! - Perguntei um pouco perplexa.
— Sim - Chanyeol diminuiu o tom de voz — Você sabe que algumas áreas são comandadas por gangues de agiotas diferentes, certo? - Assenti, já tinha ouvido falar — Então, aquela área onde me encontrou, não é comandada por ninguém, mas eu acabei tendo a má sorte de me encontrar com o bando do sul, por estar sozinho eles se aproveitaram para mandar um recado pro meu chefe. - Minha boca se transformou em uma circunferência, como podiam ser tão ruins ao ponto de agredir uma pessoa daquela forma pra “mandar um recado”?.
— Isso é horrível, porque você ainda está envolvido com essas pessoas? Deveria sair enquanto ainda tá vivo
— Seria bom se as coisas fossem assim tão simples, o que infelizmente não são - Seu tom era triste, me perguntei o que o impedia de sair disso.
O ônibus chegou no ponto final, desci logo depois de Chanyeol, continuamos o caminho, eu pra minha casa e ele não sei.
— Sua vida parece ser tão ruim quanto a minha - Comentei e ele riu, não era engraçado, mas acabou sendo. — Ya, não ri, isso é triste.
— Eu sei, mas foi engraçado, toda as vezes que te vi no parque pensei que, você devia ser do tipo que leva uma vida tranquila e fácil, acho que nunca me enganei tanto sobre alguém - Soltei um riso nasalado.
— Você se enganou demais sobre mim - Ele assentiu — Acho que eu também me enganei sobre você - Talvez ele realmente não fosse alguém ruim, não sabia qual era a sua real situação ou porquê ele estava envolvido com agiotas, mas de alguma forma sentia que ele apesar disso era alguém bom, como a senhora havia dito há alguns dias. Chanyeol direcionou seu olhar a mim. — E ao que parece, você também é tão sem sorte quanto eu - Comentei e ele riu, também ri, apesar de sofrer com essa falta de sorte todos os dias, era meio cômico.
— Então nós já temos duas coisas em comum.
— Parece que sim - Caminhamos mais algum tempo e eu finalmente estava na frente da minha casa. Me virei ficando de frente pra ele — Obrigada por me acompanhar até aqui. - Algo me dizia que ele não morava perto da minha casa e só quis me acompanhar mesmo e, era um alívio chegar em casa inteira e não ter tantas preocupações durante o caminho, então eu estava realmente grata. Me curvei.
— Eu não te acompanhei até aqui, eu moro logo ali - Disse mas era nítido que estava mentindo , balancei a cabeça positivamente fingindo acreditar — Até amanhã, Chungha-ssi.
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