05.
Na noite em que fui seguida por aqueles brutamontes, ao chegar em casa não comentei nada com meus pais, tive receio de os preocupar.
Passei a noite toda criando teorias e paranoias, eu estava mesmo querendo ferrar com o meu psicológico.
Hoje durante todo o caminho até o trabalho foi de pura e constante insegurança, medo, pavor. Eu não conseguia parar de pensar em como eu resolveria toda essa situação, essa dívida, não queria ser sequestrada e ter meus órgãos retirados a sangue frio e de qualquer jeito ou, até mesmo ser vendida para algum prostíbulo na China.
O problema era que eu não tinha ninguém com quem pudesse contar, ninguém que pudesse me proteger. Pensando em proteção eu me lembrei do bandido que aparentemente é bonzinho e me ajudou. Talvez ele soubesse o que pretendiam fazer comigo? E se não soubesse, poderia descobrir facilmente e me dizer pra que eu pudesse me manter informada.
Terminei meu trabalho no café e, fui rápido para o parque próximo de lá fazer a minha amada pausa, quem sabe não encontrava o bandido por lá?
— Bingo! - Logo que cheguei no local vi o homem sentado no mesmo banco que o vi da última vez.
Ele sempre vem aqui? Me questionei mentalmente.
Park mexia em seu celular e estava usando fones de ouvido, havia uma máscara de poeira do kumamon no seu colo, nunca imaginei que ele pudesse ter um item como esse. Mas agora eu tinha outra coisa mais importante pra me preocupar e era sobre como me aproximar dele, como chamar sua atenção, se ele só me visse seria muito mais fácil, contudo, ele estava focado no seu smartphone.
Decidi ignorar toda vergonha que eu poderia sentir e então me sentei ao seu lado, coloquei minha bolsa sobre meu colo e peguei meu portfólio, folhas limpas e lápis. Ele se assustou com a movimentação repentina e retirou os fones do ouvido bruscamente.
— Por que tá sentada aqui? - Foi a primeira coisa que perguntou ao olhar pra mim.
— Eu deveria me retirar? - Rebati
— N-Não, calma, é que você sempre se senta perto daquele árvore - Ele me observava mesmo, pensei — Além de que, pra você eu sou um bandido né? Quem quer se sentar com o bandido?
— Woah, isso soou um pouco dramático, não acha? - Me referi a última pergunta — E outra coisa, além de bandido você também é um stalker? - Chanyeol me encarou perplexo
— Como você pode pensar que eu sou um stalker? Stalkers são pessoas doentes, e eu já disse que não sou um bandido - Ele revirou os olhos.
— Foi só uma dúvida que me ocorreu porque, parece que você sabe muito sobre mim e me observa bastante. - Fui sincera — Ah e tudo bem, então você é um falso bandido, certo? - Ele balançou a cabeça negativamente, parecendo cansado e com certo desgosto.
— Vamos esclarecer as coisas, primeiro: Eu não te conheço bem, segundo: É verdade que eu te observo mas, não é da maneira doente típica de stalker, terceiro: Eu venho aqui há muito mais tempo que você eu presumo, já que só meses depois de eu começar a vir, você apareceu por aqui e , finalmente quarto: Falso bandido parece okay pra mim, desde que realmente acredite que não sou um, no entanto, eu me sentiria melhor se você usasse meu nome, embora eu seja obrigado a fazer o que faço, não gosto que se direcionem a mim dessa maneira. - Obrigado? Dava pra ser obrigado a ser um bandido? Se sim, quais seriam seus motivos?
Não tive tempo de ficar pensando em seus motivos pra ser um bandido pois, eu estava me sentindo envergonhada pelas suposições que fiz, embora não tivesse certeza dele estar sendo sincero.
— Okay, não está mais aqui quem falou - Com a vergonha que sentia, somente juntei minhas coisas e me levantei, pronta pra sair dali, porém, Chanyeol tocou meu braço.
Me virei pra ele automaticamente e o mesmo afastou seu braço de mim rapidamente.
— D-Desculpa, não era pra soar grosseiro - Ele soava tímido enquanto falava — Se você ir embora assim, eu me sentirei mal - Acabei me sentando de novo, ele forçou um sorrisinho e eu não conseguia tirar os olhos dele — Não que isso te importe.. - Murmurou a última frase
— Tudo bem, eu ia sair porque estava me sentindo envergonhada - Admiti — Me desculpa pelas suposições - Fiz uma reverência curta, eu nem sabia se deveria estar me desculpando com ele, e se Chanyeol não fosse sincero e estivesse me enganando? Odiava não ter certeza sobre o caráter das pessoas e, infelizmente Park é duvidoso demais. Contudo, meu senso de justiça fala mais alto e eu odeio ser injusta com qualquer pessoa.
— Tudo bem, é normal que não confie em mim - Suspirou, parecendo cansado.
— Vamos esquecer isso, huh? - O clima tinha ficado meio melancólico de repente, Chanyeol parecia ter ficado meio pra baixo. E outra coisa que eu não gosto: ver pessoas tristes ou deprimidas, me faz querer animá-las e eu não sou a pessoa mais indicada pra fazer isso.
Chanyeol ficou em silêncio e se recostou no banco enquanto observava seu redor. Um clima realmente estranho se instalou e eu tinha esquecido até do propósito pelo qual vim falar com ele. Agora que lembrei não sei como tocar no assunto, ficaria óbvio que só me aproximei pra isso, nesse instante eu não queria ser tão descarada.
Comecei a fazer alguns riscos sobre a folha branca. Resolvi puxar assunto com ele enquanto desenhava.
— Do que você gosta tanto nesse parque que vem aqui sempre? - Perguntei e ele continuou olhando a paisagem.
— Acho que o sossego, ninguém me encontra aqui, é longe do escritório do chefe - A palavra “chefe” foi dita com um pouco de dificuldade — Gosto de observar a paisagem, você. - Senti meu rosto corar.
— Eu? - Tirei o olhar da folha e parei o que desenhava para o encarar.
— Sim, você parece tão serena enquanto desenha, é como se você não tivesse preocupações. Sei que pode soar estranho mas, por um momento invejei sua calmaria. - Fiquei o encarando e achando irônico, se eu pareço serena então era somente por fora, já que por dentro eu estou só o caos e o que mais tenho é preocupações. Chanyeol virou o rosto e ao perceber que eu o encarava, desviou rápido o olhar. — Ah, o que eu estou falando? Me ignore - Ele disse forçando uma risada baixa e se mostrando totalmente sem graça. Sorri por um instante achando o modo como agiu bonitinho.
Ficamos em silêncio e eu me concentrei no desenho, o terminando rapidamente.
— Nem tudo é o que parece Chanyeol - Falei me levantando — Toma, é pra você - Entreguei a folha com um desenho seu, versão chibii que fiz rapidamente ali.
Também escrevi uma frase e deixei meu mais sincero “fighting” vendo que ele parecia tão perturbado e desencorajado de repente.
“Espero que apesar dos espinhos que a vida lhe traga, você ainda sim possa andar somente por caminhos de flores. Fighting!”
Feito isso, segui meu caminho, já estava na hora de seguir para o meu último emprego do dia.
»»»
Deixo aqui essa fanart lindinha do Chano como referência.
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