04.

Era pouco mais de sete da noite quando decidi dar uma volta pelo quarteirão, meu pai havia chego bêbado em casa e eu realmente odiava quando ele bebia, seu comportamento mudava da água pro vinho.

Já não bastava tudo que a gente tinha que aguentar, ainda tinha que aturar um pai que passava do limite quando bebia. Pensando na minha situação, na outra vida eu devo ter ajudado a pregar Jesus na cruz, é a única explicação pra vida miserável que eu levo.

Parei de questionar se dava pra piorar porque percebi que sempre que fazia isso, algo pior acontecia e mesmo agora sem perguntar, é como se eu sentisse que algo estava prestes a acontecer.

Provavelmente era só uma sensação ruim por andar por ruas tão mal iluminadas e passar por becos escuros?

Queria que fosse, contudo, uma estranha sensação percorria todo meu corpo, olhei pra trás algumas vezes, senti que alguém estava me seguindo. Continuei caminhando, desconfiada, até que ao me virar e olhar notei que um homem vestindo camisa estampada, calça e sapatos sociais estava a poucos passos de mim.

Apertei o passo sem sequer olhar pra trás novamente e então na primeira oportunidade comecei a correr, poderia ser coisa da minha cabeça, no entanto, em caso de dúvida é melhor correr.

Continuei correndo e o barulho de passos apressados logo atrás de mim indicavam que, eu realmente estava sendo seguida.

Corri sem rumo pelas ruas e becos, não tinha ideia de pra onde iria, não tinha tempo pra pensar nisso, só queria me manter o mais longe desse bandido possível, não sabia o motivo pelo qual ele estava me seguindo mas, com toda certeza coisa boa não era.

Dei uma olhada rápida pra trás e notei que o homem não estava atrás de mim mais, aproveitei pra parar um pouco e recuperar ar, meus pulmões queimavam por conta da corrida e eu buscava ar como uma louca. Voltei a caminhar rápido, não podia ficar ali parada, o homem provavelmente me alcançaria em breve.

Continuei caminhando até passar em um beco mal iluminado e ser puxada para dentro dele, só não gritei escandalosamente porque minha boca fora tapada. Fechei os olhos e só os abri quando senti minhas costas se chocando contra a parede, a pessoa que havia me puxado e que ainda mantinha sua mão sobre minha boca, era Park Chanyeol, meus olhos se arregalaram ao reconhecê-lo. Minha mente questionava o que ele pretendia fazer comigo e porque ele estava ali, me senti temerosa e receosa, não sabia o que fazer diante a situação.

— Não faça barulho - Fez sinal com o dedo indicador frente os lábios, senti um certo medo — Antes de retirar minha mão da sua boca, preciso que saiba de algumas coisas - Do que eu precisava saber? Talvez ele quisesse que eu me deixasse ser levada por ele ou outro bandido em silêncio? — Primeiro, deve ter percebido que estão seguindo você, certo? - Assenti — Não é apenas um, são vários - Me senti ainda mais nervosa mas, não estava entendendo onde ele queria chegar — Eu vou te ajudar a se livrar deles mas, você precisa colaborar comigo. - Me ajudar? E porque ele faria isso? — Não grite ou saia correndo daqui, no momento em que fizer isso, eles podem acabar encontrando você e ai vai ser tarde demais. - Meu nervosismo aumentou consideravelmente — Eu vou tirar a minha mão agora - Devagar ele tirou sua mão dos meus lábios

— Por que estão me seguindo? - Foi a primeira coisa que me veio à mente assim que tive liberdade pra falar.

— Eu não sei direito

— Por que você tá aqui? - Questionei achando estranho, se ele também fazia parte do bando, como não sabia porque?

— Digamos que eu ouvi uma conversa estranha e os segui até aqui. - Explicou

— Que conversa estranha? - Questionei,

Chanyeol olhou pro lado e não me respondeu, então de repente me puxou pra perto de si bruscamente, não tive tempo nem de reagir, seus braços me envolveram e agora minha cabeça se encontrava encostada em seu peitoral.

— Quieta, eles estão por aqui - Sussurrou

— Se fosse em outra ocasião isso seria considerado assédio - murmurei não gostando nada daquela situação

— Como pode pensar em assédio quando estou tentando te ajudar? - Indagou incrédulo.

— Desculpa, é mais forte que eu - Tentei ficar ali sem criar paranoias na minha cabeça, fiquei quieta com a cabeça no seu peito e então comecei a ouvir suas batidas do coração aceleradas. — Seu coração tá acelerado, não vai morrer aqui né?

— D-Do que v-você tá falando? M-Meus b-batimentos estão normais e m-meu coração é saudável - Gaguejou, por um instante achei aquilo fofo.

— Não acho que isso seja normal - Falei mais pra mim do que pra ele, nunca vi ser normal as batidas tão aceleradas assim.

— Você não se lembra de mim né? - Questionou aleatório e repentinamente, uma expressão confusa tomou minha face.

— Como assim? Você é o bandido que foi na minha casa e que eu ajudei naquele beco escuro - Minhas lembranças dele se resumiam nisso.

— Ter 1,85 de altura não me ajuda em nada mesmo, continuo sendo invisível. - Expressou com desânimo na voz. — E não me chame de bandido, eu tenho um nome.

— Mas você é um bandido.

— Não porque eu quero e eu sou um bandido bonzinho - Se ele não era bandido porque quer, era porque então?

— Porque você é um bandido então?

— Deixa pra lá - suspirou frustrado — Você não se lembra mesmo de ter me conhecido antes de eu aparecer na sua casa? - Indagou novamente

— Pra ser sincera quando te vi na minha casa senti que você não me era estranho, contudo, não consigo me lembrar de ter te conhecido antes - Fui sincera

— Entendo, fazer o que né - ele realmente parecia frustrado, não podia ver seu rosto, mas sentia pelo seu tom que ele poderia até estar fazendo um biquinho com os lábios.

— Onde já nos vimos? - Fiquei curiosa pra saber

— Não vou te contar - Revirei os olhos

— Pois não conte, tenho o total de zero interesse em saber mesmo. - Dei de ombros — Ah e, até que horas você pretende continuar me abraçando? Daqui a pouco vou considerar realmente a ideia de assédio - Ele me soltou rapidamente quando terminei de falar.

Confesso que a tempos não era abraçada por alguém dessa maneira, se eu o conhecesse com toda certeza não me importaria de permanecer ali, seu abraço era quente e respirar o cheiro sutil do seu perfume amadeirado era agradável. Contudo, eu não o conhecia, logo não fazia mais sentido continuar aquilo ali.

— Eu te acompanho até em casa, se quiser, é claro - Aceitei, já tava tarde e saber que aqueles caras rondavam por ali me deixava apreensiva e com medo.

Durante todo o caminho, Chanyeol ficou em alerta, analisando qualquer movimento suspeito.

— Você não vai me dizer onde nos conhecemos mesmo? - Indaguei

— Foi naquele parque que você sempre vai pra desenhar - Ele respondeu e eu o fitei.

— Oh, sério? - Não conseguia me lembrar dele.

— Sim, sempre vi você lá quietinha no seu canto desenhando, nunca nós falamos

— Acho que tá explicado o porquê de eu não me lembrar de você - Voltei meu olhar pra frente , ele provavelmente ficava me observando de longe.

— Eu te ajudei uma vez - Voltei a encará-lo — Você estava apressada e deixou todas as folhas soltas do seu portfólio caírem e elas começaram a voar por causa do vento - As memórias desse dia voltaram a minha mente, levei a mão a boca ao me lembrar que realmente um rapaz alto me ajudou.

— Oh, era você? - Ele acenou que sim — Você tava com os cabelos tingidos de vermelhos - As duas características que eu conseguia me lembrar dele, sua altura e a cor do cabelo, não havia reparado muito em seu rosto.

— Sim, eu estava - Voltou a suspirar — Pena que você não se lembra disso.

— Não foi uma interação marcante, embora tenha sido legal da sua parte me ajudar a pegar todas aquelas malditas folhas.

— Pra mim foi.. - Comentou baixinho

— Como? - Indaguei

— Não é nada, chegamos - Apontou pra minha casa — Está entregue, tenha mais cuidado ao andar por essas ruas durante a noite, se cuida

— Eu vou ter - Ele começou a se afastar — Ah e, Obrigado por me ajudar e me trazer até aqui - Fiz uma reverência curta — Park Chanyeol.

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Demorei mais atualizei, espero que gostem

Não sei se ta la aquelas coisas não, hoje nada tá me agradando.

Enfim, obrigada por ler, XOXO ❤

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