006

GRAY, blake.

A festa na casa de Dafne estava super animada, tinha muitas pessoas do colégio, e pessoas que não foram convidadas mas que vieram mesmo assim. Ariel ficou grudada comigo a festa inteira, e isso adicionado com o meu tédio já estava me deixando irritado. Aonde eu ia, ela ia atrás. E convenhamos, isso é bem chato.

— Eu vou ao banheiro, não precisa me seguir. — Falei um pouco alto para que ela me escutasse. Ariel concordou e foi para algum lugar da casa, provavelmente encontrar alguma de suas amigas.

Finalmente. Pensei.

Subi as escadas da casa de Dafne, era uma casa um tanto quanto grande. Os pais da garota eram donos de alguma empresa famosa e por isso viviam viajando. O dinheiro contribuía para todas as festas fodas que ela dava. Entrei em um dos banheiros e fui até o vaso, quando comecei a fazer o meu xixi escutei risos vindo da banheira, e eu conhecia muito bem aquela risada. Lavei as minhas mãos e me aproximei da banheira, puxei a cortina, Hazel estava dentro da banheira com uma garrafa de vodca ao seu lado, sua maquiagem borrada, inclusive seu batom. Imagino que algum beijo ou pegação tenha causado todo esse estrago em seu cabelo e lábios e isso me incomodou um pouco, afastei esse sentimento e me concentrei na garota.

— Oi Blake Lake! — Ela praticamente gritou quando me viu e eu ri da situação da garota e do apelido estúpido porém fofo. — O que você está fazendo aqui no meu quarto?

— Esse não é seu quarto, Hazel. — Falei e ela me olhou como se eu tivesse lhe contado algum super segredo. — Quantos copos você bebeu?

— Acho que bebi mais de uma garrafa, tenho alguns problemas que precisam ser afogados com a bebida. — Ela sorri e dá mais um gole na vodca. Eu me abaixo e arranco a bebida de sua mão, deixando-a em cima da pia.

— Tudo bem. Vamos sair daqui, vou te levar para casa.

— Você sempre corta o meu barato. — Ela resmunga e eu reviro os olhos como resposta.

Levantei a garota e segurei em sua cintura ajudando a mesma a andar, o cheiro do álcool era forte já que ela havia bebido uma garrafa inteira sozinha. Eu nunca vi ela beber tanto assim, Hazel era sempre cuidadosa com a bebida e odiava ter que dar trabalho para os outros, se ela ficou desse jeito foi porque algo realmente a machucou ou bagunçou sua cabeça.

Desci e fui pela porta dos fundos, dei a volta na casa e andei até meu carro que estava estacionado do outro lado da rua. Coloquei a garota no banco do passageiro e arrumei seu cinto de segurança.

— Fica quietinha, okay? — Ela concordou e encostou a cabeça na janela, pegando no sono logo em seguida.

(...)

— Hazel, vá tomar banho! — Ordeno pela milésima vez.

A garota abriu a boca para me responder, mas logo depois tampou-a com a mão e correu para o banheiro, botando tudo o que estava em seu organismo para fora. Ignorei a ânsia que aquela cena e o cheiro havia me dado e segurei seu cabelo, quando ela terminou, ajudei-a a tirar seu vestido. Ela estava vestida por baixo, o que era ótimo, liguei o chuveiro do banheiro e a coloquei embaixo do mesmo.

— Está gelada, Blake! — Ela grita, enquanto tenta sair do box, mas eu a impeço fechando o mesmo. — Parece que estou tomando banho em Nárnia.

— Pare de reclamar, e toma logo esse banho. — Digo me virando para sair do banheiro. — Não se esquece que a blusa está em cima do balcão.

Fecho a porta do banheiro e deito na minha cama, resolvi trazer Hazel para minha casa porque se o  irmão dela a visse nesse estado, ela ficaria de castigo por uns 3 meses. Meus pais estavam na casa dos meus avós, então não tinha problema algum de trazê-la para cá. E mesmo que eles tivessem aqui não teria nenhum conflito, eles adoram Hazel e sempre me disseram que ela era uma boa garota e que eu deveria ficar com ela, eles convivem pouco com Ariel, realmente não se deram bem e ultimamente eu tenho entendido eles. A minha namorada era difícil de lidar, eu não sei como eu ainda aguento tudo isso e nem porque continuo com ela se meu coração também bate muito forte por outra garota.

Tentei esquecer esse assunto e voltar para o porquê Hazel está tão bêbada, ela não bebe muito, e é isso o que estou tentando entender, porque a garota bebeu tanto assim? Logo ela que diz que as bebidas acabam com o nosso fígado de pouquinho a pouquinho e sempre briga comigo quando eu passo dos limites. Não faz sentido.

— Você pode me arranjar um remédio? — Hazel aparece já vestida com minha camiseta e se joga na cama.

Vou até minha cômoda e pego um remédio para ressaca e dor de cabeça, e entrego para a garota.

— Sem água? — Ela pergunta e eu pego um pouco de água da jarra que fica na minha escrivaninha e dou o copo para Hazel. A garota engole o remédio e faz uma careta. — Eu estou vendo tudo rodando, estou em um carrossel?

— Não. — Respondo sem o mínimo de vontade de ter que lidar com as perguntas novas dela, enquanto minha cabeça tinha milhões de questionamentos.

— Ah que pena. — Ela solta uma risada baixa.

— Por que você bebeu tanto? — Pergunto de uma vez, a encarando para tentar decifrar suas expressões caso ela tentasse mentir. Eu realmente estava preocupado com ela.

Ela suspira e tomba a cabeça para o lado enquanto continuava me encarando fixamente.

— Por causa de você. — Ela diz e eu franzo o cenho sem entender essa resposta. — Porque você me deixa confusa, você mexe com minha cabeça e você nem tem noção disso. — Droga. Mil vezes droga. Ela deve estar falando isso porque está bêbada e carente, ou porque me confundiu com algum cara.

— Hazy...

— Eu bebo muito para esquecer do nosso beijo, mas sabe o que eu percebi? Nem a bebida apaga ele. — Fico sem saber o que dizer, apenas a encarando e pensando na burrada que eu fiz no momento em que eu decidi beijar minha melhor amiga.

— Eu vou dormir no quarto dos meus pais. — Digo me aproximando da garota e arrumando o cobertor em cima dela.

— Viu? Você me puxa e me afasta. E quando eu te puxo, você se afasta. É isso o que me fode, Blake Gray. — Mas que porra...?!

— Eu estou indo. — Ignoro a fala da garota e me viro indo até a porta.

— Blake? — Eu me viro para olhar a garota. — Você precisa se decidir.

Ignoro o que Hazel disse e saio do quarto, ando até o quarto dos meus pais, me jogo na cama e respiro fundo. É bem melhor eu esquecer disso, ela está bêbada e não tem nem noção do que está falando.
Ela disse tudo isso da boca para fora. Quando as pessoas estão bêbadas, não podem ser levadas a sério. E é isso que vou fazer, ignorar tudo o que ela disse hoje. É o que eu vou fazer. Ou pelo menos, espero fazer.

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