Capítulo 6
Mais tarde, Mitchel foi mais uma vez caminhar pela cidade, atrás de alguma pista. Pensou em ir até a igreja conhecer e conversar com o tal padre, mas desistiu no meio do caminho. O que o ele poderia saber além do que já está sendo comentado. E além do mais, ele estava sendo acusado de algo que não fez. Já estava com problemas mais do que o suficiente para se preocupar.
"Eu tenho que falar com o capataz da Fazenda ou então com o Nico. Mas como chegarei até lá?"
Passou pela delegacia para saber se seu amigo Felipe tinha alguma novidade. E para a sua sorte, ele tinha algumas... umas eram boas, mas tinha outras bem ruins.
_ Oi Mitchel, estava mesmo pensando em você.
_ Oi! E aí, conseguiu alguma coisa?
_ Cara você tinha razão, aquele pastor conseguiu convencer a cidade em peso a ficar contra o padre!
_ Sério?
_ Sim e eu estou indo agora lá na igreja para prendê-lo!
_ Por que?
_ Ordens do novo delegado. Ele achou melhor prender o padre para a própria salvação dele antes que ele seja linchado pelo povo!
"Mas essa agora?"
_ E o novo delegado quer falar com você.
_ Maravilha! Espero que seja para a gente unir forças para descobrir o que está acontecendo por aqui.
_ Pior que não. Ele quer você fora do caso e se possível, da cidade!
_ O QUE? _ Mitchel não entendeu aquela atitude do novo delegado. Perguntou ao amigo o porquê. Felipe ficou muito sem graça ao responder, mas como era amigo do jornalista desde criança, teve que dizer.
_ Bom... assim como o pastor, ele também acha que só veio atrás de uma boa reportagem, como você sempre faz. Tentamos explicar que você veio mais porque foi um pedido do falecido delegado Mathias, mas ele se recusou a entender. É um cara muito do arrogante!
_ É... pelo jeito estou nesta sozinho.
_ Que é isso cara! Eu estou com você, a sua família também, eu espero... e o Nico também!
_ Conseguiu falar com ele?
_ Sim. Ele pediu para te encontrar amanhã na hora do almoço na pensão da dona Rosa. E não se preocupe, ele tem todas as informações que você precisa. Mas tem que estar mesmo sem falta, para não darem por falta dele lá na Fazenda.
_ Ok cara valeu mesmo!
*******
Dia seguinte, lá estava Mitchel indo para a pensão de dona Rosa para se encontrar com o seu velho amigo de longa data, Nico. Estava muito ansioso para saber mais detalhes sobre o caso da Fazenda Andaluz.
Mas não foi fácil sair de casa para ir até a pensão. Primeiro ele e sua irmã precisaram acalmar seus pais, que ainda estavam muito transtornados com as palavras do pastor Silas. Ainda mais que alguns fofoqueiros de plantão andaram contando que viram a tal mula sem cabeça trotando entre as propriedades da região.
Se viram mesmo, não se sabe... mas segundo o que ouviu, foram encontradas mais pegadas de cavalo, junto com uma gosma verde e um insuportável fedor de carniça pairando no ar. Pode até ser coincidência, mas também foi ouvido tiros de espingarda em um raio de um quilômetro durante a madrugada.
E quando finalmente conseguiu sair de casa, deu de cara com um sujeito careca, de jaqueta jeans e óculos escuros. Deveria ser o novo delegado, detetive Sánchez.
_ Bom dia. Você deve ser Mitchel Junqueira, o jornalista que veio "investigar" o caso da "mula sem cabeça" que ocorre aqui em Nova Andaluzia.
Mitchel só o observou de cima a baixo e sentiu um arrepio na espinha. Estendeu a mão para cumprimenta-lo, mas este nem se manifestou.
_ Bom dia senhor...
_ Detetive Sánchez. Eu vim para assumir o lugar do delegado anterior.
_ Muito prazer detetive. Sim sou eu mesmo. E se não se importa, estou com um pouco de pressa e...
_ Eu sei muito bem quem você é, o tal jornalista que é conhecido por jogar merda no ventilador. O que pretende fazer por aqui, jogar no ventilador esta merda de história?
"Que beleza, o cara já levantou toda a minha ficha! Acabei de arrumar mais um inimigo!"
_ Olha detetive Sánchez, tem alguma coisa errada acontecendo por aqui e eu acho que a gente poderia unir nossas forças para descobrir o que houve.
_ Sim, realmente tem algo de errado nesta cidade. Mas você só quer ajudar para conseguir uma boa reportagem. Não porque se importa.
Mitchel ficou com uma tremenda vontade de dizer umas boas verdades para aquele detetive metido à besta, mas conteve-se. Ele já arrumou inimizade com o pastor Silas e não precisava de mais uma.
_ Bom eu vim mais para visitar a minha família e...
_ Não precisa mentir. Sei que veio a pedido do falecido delegado. Eu vi o seu nome e telefone no meio da papelada dele. Mas agora que ele não está mais aqui entre nós, que Deus o tenha, pode ir embora. Está dispensado da investigação.
Aquilo foi a gota d'água. Aquele detetive de meia tigela mal chegou e simplesmente estava o expulsando de sua cidade natal.
_ Olha só meu chapa, você não pode chegar assim do nada e me mandar embora! Tem algum assassino em série à solta na cidade e as pessoas daqui podem estar correndo perigo, inclusive a minha família. E esse tal de pastor Silas está se aproveitando da situação para se dar bem em cima do povo!
_ E como você tem tanta certeza de que se trata de um serial killer? Por acaso está acusando o pastor sem provas?
_ Certeza mesmo eu não tenho, é só uma intuição. E não estou acusando ninguém, mas veja bem, duas pessoas morreram de uma forma muito estranha e nós dois sabemos que essa história de mula sem cabeça não passa de uma lenda do folclore. Por favor, reconheça que tem algo de errado acontecendo por aqui!
_ E é por isso que fui designado para o caso. E não se preocupe, eu pretendo descobri o que houve.
"Droga!"
_ Eu recomendo que deixe Nova Andaluzia até o final do dia, de preferência por bem se não quiser ir por mal.
Como seu amigo Felipe já o havia alertado, era um homem para lá de arrogante. Vendo que não tinha como discutir, pelo menos não naquele momento, Mitchel resolveu mudar de estratégia. Voltou para casa, mas se escondeu atrás do portão só esperando o detetive ir embora. Somente por garantia, pulou o muro da casa do vizinho para poder voltar para a rua. Sorte dele que não havia ninguém em casa e muito menos cachorro.
Para essas situações, ele sempre tem um plano B.
Assim que finalmente conseguiu alcançar a rua, correu o mais rápido que pôde até a pensão de dona Rosa. E numa tentativa de despistar quem quer que seja, estivesse o seguindo, foi entrando e saindo por diversas ruas. Acabou por passar pela grande praça pública da cidade e deu de cara com um aglomerado de gente. Resolveu se enfiar ali no meio do povo. De repente ele ouviu alguém falando. Era o pastor fazendo a sua oratória.
"Que beleza, escapei do caldeirão para parar na frigideira!"
Teve de sair dali o mais rápido possível antes que o pastor o visse e mandasse a população partir para cima dele.
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