Capítulo 57

Eles fugiram enquanto o corpo-seco se debatia no chão. Precisam encontrar uma saída e com urgência antes que acabem igual ao Beto.

Aquele lugar que já tem um ar sinistro, ficou ainda pior com as luzes acendendo e apagando a todo instante, principalmente quando desciam as escadas. Toda vez que elas apagavam, eles temiam que algo surgisse quando voltassem.

_ Deve ter danificado o sistema elétrico quando atirei na caixa de força. _ Analisou o Detetive Sanchez enquanto carrega a sua arma.

_ Fora esses ruídos estranhos... sabe o que parece? Que a gente está em um daqueles corredores backroom. Estamos literalmente em um filme de terror.

De repente os ruídos estranhos começaram a ficar mais intensos e mais nítidos, como se fossem gritos de socorro.

_ Tá ouvindo isso?

_ Parece um monte de gente gritando... e vem daquela direção.

Eles correram o mais rápido que podiam para ver de onde vem aqueles gritos até passarem por uma grande porta de aço. Era o refeitório. Quem estava preso lá dentro batia desesperadamente e gritava por socorro.

_ Temos que tirá-los daí.

_ Ficou louco? Sabe lá o que também está preso com eles!

_ Sim, mas não podemos deixá-los presos!

Por sorte a porta só estava fechada com o trinco dela mesma. O problema é que estava travado, o que dificultou na hora de abrir. Mitchel chegou a machucar as mãos e nada do trinco se mexer. E os gritos e as batidas na porta só aumentavam o seu nervoso...

... até que de repente ele conseguiu destravar a fechadura e a porta se abriu com tudo, batendo na cara dele. Uma meia dúzia de detentos saíram correndo do refeitório, passando por cima uns dos outros e por pouco não atropelaram o Detetive Sanchez.

_ Mitchel você está bem? _ Ele foi ver como o jornalista estava atras da porta. Aquela pancada deve ter acabado com ele.

_ Eu vou viver... ai.

_ Vamos temos que sair daqui. Vem eu te ajudo. _ o detetive o ajudou a se levantar.

_ Me lembre de depois de tudo isso, não assistir mais filmes de zumbis... porque nós já estamos participando de um. _ Mitchel pediu com o corpo todo dolorido devido a pancada da porta.

_ Ok. _ O Detetive Sanchez concordou com ele. O Admira por sempre se manter bem humorado mesmo nos momentos mais difíceis. E para não deixá-lo sozinho, comentou sobre a Dra. West: _ E a nossa vilã mais uma vez escapou.

_ Sim e não temos a menor ideia de onde ela está... _ De repente Mitchel lembrou de um certo detalhe: _ sabe quem até agora nós não vimos andando por aí? O Afonso.

_ Verdade... será que ele encontrou a "garota dele" e os dois fugiram?

_ Não sei, mas será bem melhor do que dar de cara com algum reanimado... escutou isso?

_ Sim e eu acho que veio dali... ah merda!

O detetive estava tão preocupado com Mitchel que praticamente esquecera do que também deveria estar preso no refeitório. Assim que lembraram, trataram de fechar a porta de aço novamente o mais rápido possível, mas já era tarde... os mortos-vivos que estavam lá dentro saíram e foram para cima deles.

_ Corre!!! _ Mesmo estando todo dolorido, Mitchel mais o Detetive Sanchez correu para salvar as suas vidas.

Ao ver mais algumas caixas de energia pelo caminho, o detetive deu vários tiros para causar curtos-circuitos na intenção de tentar atrasar os zumbis. E ao virarem a esquerda, avistaram uma saída.

_ Ótimo, vamos sair e trancá-los aqui. Assim eles não ganham acesso ao mundo lá fora!

Infelizmente havia a possibilidade do plano deles dar errado. Assim que finalmente alcançaram a saída, apareceu alguém para bloquear a passagem. E para a surpresa deles, era alguém muito do familiar...

_ Afonso! Onde esteve esse tempo todo?

Ele não respondeu. Apenas ficou ali parado bloqueando a saída e os encarando com a cabeça tombada para o lado. Eles notaram que ele estava muito esquisito. Bom, já o achavam por se envolver com a cientista louca da Dra. West, mas agora estava pior. Parecia até um...

_ Oh não! Ela teve a coragem de fazer isso com ele?

Eles não sabiam como o cumplice da Doutora Re-Animator morreu. A única coisa que sabiam é que ele foi reanimado e agora estava ali lançando olhares fulminantes para o jornalista.

_ Você... deu... em cima... da minha... Evelyn!

_ O que? Não!

_ Ah que ótimo, agora a gente precisa lidar com um morto-vivo ciumento! _ Falou o detetive muito puto.

_ Olha meu, eu não sei o que aquela cientista louca da sua namorada te falou, mas é tudo mentira! _ Mitchel tentou explicar a Afonso, o que o fez se sentir muito ridículo.

"Que beleza, estou batendo boca com um zumbi."

Este nem quis ouvir e avançou com tudo no pescoço do jornalista. E para ficar pior, uma horda de reanimados vinham na direção deles.

Ao vê-lo sendo empurrado contra um suporte de mangueira de incêndio, o Detetive teve uma ideia, mas era preciso agir rápido.

_ Segura ele aí? _ Pediu para distrai-lo.

_ O que? Ah tá bom! _ Mitchel não gostou nada do pedido, mas vendo que o amigo tinha alguma ideia salvadora, concordou meio que a contragosto.

Aproveitando que o sistema elétrico estava em pane, o Detetive Sanchez abriu o suporte, jogou a mangueira no chão e ligou o esguicho. Atirou em uma das lâmpadas do corredor e mirou nos fios desencapados, causando uma grande explosão elétrica.

_ Corre!!! _ Ordenou. Com muito custo, Mitchel conseguiu se livrar de Afonso ao ver o que ele fez e saiu correndo. Por pouco não foi eletrocutado também.

Não foi fácil, mas eles conseguiram eletrocutar todos os zumbis, incluindo Afonso. Eles ficaram do lado de fora só os vendo sucumbindo as descargas elétricas.

_ Que é isso cara, ficou maluco? Quase fui torrado vivo!

_ Disponha. _ O detetive replicou o "agradecimento" dele com sarcasmo.

****

Os primeiros raios de sol já apareciam no horizonte e o caos ainda corria solto no presidio... pelo menos não havia mais mortos-vivos para contar história. Alguns presos conseguiram fugir e uns soldados desertaram. E o que permaneceram, vão ficar para limpar a bagunça como penitencia.

Apesar de estarem muito cansados por conta dos últimos acontecimentos dessa madrugada, Mitchel e o Detetive Sanchez fizeram questão de acompanhar a limpeza, começando pelo laboratório da Dra. West... estava um bagaço. Totalmente destruído e havia pedaços de corpos espalhados para todos os lados.

Também encontraram o que sobrou do Beto e do Joca. Era algo muito nojento de se ver. Os funcionários do IML se questionaram o que era aquilo... também perguntaram sobre o corpo que encontraram numa sala vazia.

_ Nossa o que estavam fazendo aqui? Experiencias com cadáveres?

_ Eles nunca estiveram tão certos... _ Mitchel comentou com o Detetive Sanchez ao ouvir a conversas dos agentes. Mas o que mais deu pena foi quando recolheram o cadaver do Afonso. Tanta dedicação pela cientista louca para no final acabar daquela forma. Na mesma hora, o jornalista entrou em contato com o jornal onde trabalha para divulgar a nota de falecimento, para que algum parente ou amigo saiba da sua morte.

_ Falando nisso, ainda temos que falar com a Dra. West. Voltaremos para a pousada e ver se ela ainda está lá, coisa que eu duvido muito.

Infelizmente o Detetive estava certo. Quando chegaram na pousada, descobriram que ela foi embora durante a madrugada. Pagou uma boa quantia em dinheiro para encerrar a sua estadia, já que quem deu a entrada foi o seu comparsa. Nem ousaram comentar o que houve com ele...

_ E agora, para onde ela foi?

_ Não tenho a menor ideia.

_ E aquele tal de Luan, o garoto que o Beto falou e agora está com ela? Será que ele fugiu junto com ela?

_ Boa pergunta. Vamos dar um pulo na comunidade para ver se alguém sabe do paradeiro dele.

Mais uma vez eles deram com a cara na porta. Ao chegarem na favela, ninguém sabia nada de Luan e muito menos do amigo dele, Carlos. A única informação que pareceu ser relevante foi a última em que os dois foram vistos foi no dia anterior quando a policia bater na casa do Beto...

... que alias, este também é outro que jamais voltará.

_ E agora, o que faremos? _ O detetive perguntou já perdendo a esperança de encontrá-la.

_ Não sei quanto a você, mas eu estou muito cansado... ainda mais depois dessa noite. Vamos descansar e amanhã cedo voltaremos para a capital. Quem sabe a Dra. West tenha voltado para lá ou talvez alguém no Centro de Pesquisas saiba onde ela está.

Mas se ela não voltou para São Paulo, será mais difícil encontra-la.

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