Capítulo 53
_ Ah seu traidor filho da puta! _ Assim que o viram, esqueceram completamente do plano de fuga e partiram para cima dele. E como sempre, ele tentou ganhá-los na conversa.
_ Amigos, que bom que estão bem! Estava preocupado com vocês. Olhem eu encontrei uma saída. Vamos todos fugir juntos e...
_ Para que? Para você dedurar a gente igual das outras vezes?
_ Outras vezes? _ O malandro não entendeu aquela pergunta. Para ele, foi apenas daquela vez que ele "pediu à polícia para ajudá-los" e eles acabaram presos.
_ Sim, aquela última e essa de agora que você falou que precisava sair para comprar comida assim que chegamos na sua casa. Mentira, você foi é na delegacia para nos entregar!
_ Não! Não fui eu não, eu juro. Desta vez não fui eu!
_ Falou sim e também contou para Dra. West que a gente tava trabalhando para o tio dela!
"Então foi ela... ah, mas aquela putinha me paga!"
Enquanto Beto pensava em mais alguma desculpa esfarrapada, notou uma sombra sinistra se aproximando de onde ele mais os dois bandidos estavam. Quando ele viu de quem era a sombra ficou petrificado. Bem que ele tentou avisar, mas a voz não saía. Começou a fazer caras e bocas numa tentativa inútil de alerta-los.
_ Tá fazendo careta por que?
O malandro só apontou para trás deles... em vão. Eles não deram a mínima.
_ Não adianta nos enganar, dizendo que tem alguém atras da gente. Nós não acreditamos mais em você.
_ Paco... _ Só por curiosidade, Fred olhou para ver o que tanto Beto apontava... e infelizmente Paco nem teve tempo para perguntar o que é. Em questão de segundos, ele sentiu mãos geladas o agarrarem pelo pescoço e algo perfurar o seu crânio com os dentes.
Seus gritos de dor eram tão agonizantes que chegaram a ecoar por quase todo o complexo. Não ia demorar muito para os guardas aparecerem.
Beto como sempre, deu no pé. Fred também teve que fugir, deixando o seu companheiro para trás. Afinal, não havia mais nada o que fazer por ele..., mas não antes de dar uma boa surra no malandro.
_ Seu desgraçado! Tudo isso é culpa sua!
Os dois saíram rolando pelo gramado do presidio. Aproveitando que estava por cima, Fred começou a desferir socos na cara de Beto. Ele só não bateu mais porque "alguma coisa" o agarrou pelos pés e o arrastou para algum canto escuro...
Enquanto a "coisa" estava "ocupada", Beto saiu correndo enquanto podia. Aqueles gritos com certeza vão chamar a atenção dos seguranças. Teve de fugir pelas sombras caso queira escapar sem ser visto.
De onde estava escondido, viu soldados correndo em direção ao prédio dos fundos, justamente onde Fred fora atacado. Só esperou pelos tiros e gritos que provavelmente dariam ao ver o que aconteceu...
Não ouviu nada... e isso não é bom.
Tinha realmente que sair daquele lugar. Mas como? Apesar de estar do lado externo, ele ainda estava preso no complexo. E além de se preocupar com os seguranças, tinha de olhar o tempo todo para trás para ver se a "coisa" estava o seguindo.
Precisava pelo menos sair daquela area e alcançar o antigo prédio da frente. Antes apanhar dos detentos que estavam lá, metade por culpa dele do que ser devorado por zumbi.
E foi neste momento que ele trombou com... Joca!
_ Joca!
_ Beto! O que está fazendo aqui?
_ Eu... fui sequestrado pela cientista louca da sua sobrinha. Mas consegui escapar.
_ A Evelyn? Cientista louca? Do que está falando? _ Joca perguntou sem entender nada. Sabia que a sobrinha estava trabalhando em algum projeto na penitenciaria com o exercito, mas não sabia o que era.
_ Pelo jeito você ainda não está sabendo...
_ Sabendo o quê?
Beto contou sobre o tal projeto do exercito, onde a Evelyn é a cientista responsável. Aquele do qual ele mandou Fred e Paco espionarem, eles descobriram o que era e até agora não voltaram para dizer do que se tratava... e nunca mais vão voltar.
Joca não queria acreditar nessa história de cadáveres sendo ressuscitados. Primeiro porque nada que o malandro do Beto fala não se escreve. Mortos-vivos é algo que só se vê em filmes de terror. Era muito difícil de imaginar na vida real.
Mas até que muita coisa fazia sentido... seus dois comparsas foram espionar no nova prédio da prisão e não voltaram. Imaginou que eles foram capturados e usados para as experiencias.
Agora o que está sendo difícil para o detento imaginar é a sua sobrinha tomando a frente desse projeto macabro, mesmo a tendo visto no complexo.
_ E você, o que faz aqui fora? Não era para estar na sua cela? _ Beto perguntou, interrompendo o seu pensamento.
_ Chantageei um dos carcereiros que está de caso com a minha irmã. O ameacei dizendo que se ele não me deixasse sair, Geni ia procurar a mulher dele. E falando nela, estou tentando falar com ela e nada de me atender. Sabe se aconteceu alguma coisa?
_ Que coisa? _ Beto chegou a se engasgar quando Joca perguntou da Geni. Bem que ele pensou em contar o que a sobrinha dele fez com a própria mãe só para vê-la se ferrar, mas teve medo da reação dele.
_ Se aconteceu algo com a minha irmã né Beto! Por acaso você não é capacho dela?
_ Não precisa esculachar! Eu não sei da Geni, já tem dias que eu não a vejo... deve ter surgido cliente novo na area. Você sabe melhor do ninguém que quando pinta homem cheio da grana, ela vai atras.
Beto não teve coragem de falar a verdade sobre a morte da Geni. Era bem capaz de Joca perder a cabeça, ir atras de Evelyn e acabar sendo morto pelo zumbi. Ele não ia muito com a cara dele, mas nem ele merece aquele fim.
_ E o que está acontecendo lá atrás? _ Joca perguntou estranhando a movimentação na parte de trás do presidio, outro detalhe que ele também não sabia como dizer que tem um zumbi a solta. Fez uma pergunta para fugir do assunto.
_ Você ainda não disse o que veio fazer aqui fora. Veio tomar uma fresca?
_ Eu mesmo ia tentar descobri do que se trata esse tal projeto... então quer dizer que a minha querida sobrinha é quem está por trás de tudo? E como ela está agora?
_ Ah ela cresceu e virou um mulherão da porra. E é claro, estudou e virou uma grande cientista. Para ter estudado, deve ter sido adotada por uma família rica.
_ Ou então arrumou um trouxa com dinheiro. Aquela vagabunda nunca me enganou. Puxou a mãe, porem se deu melhor do que ela.
Beto ficou chocado ao ouvi Joca falar aquilo da própria irmã. Bom, não havia como esperar nada que preste dos irmãos Monteiro.
_ Ela está lá agora no prédio?
_ Deve estar... por que?
_ Tem como você me levar até lá? Pretendo fazer uma visitinha de cortesia a ela.
_ Não!
_ Por que não?
Mas nem sob tortura Beto ia voltar para aquele prédio. Foi muito difícil sair de lá. E além da possibilidade de encontrar com o zumbi, Evelyn deve estar muito puta da vida com o fato de ele ter mais uma vez escapado. Fora que ela também deve ter posto o exercito em peso atras dele. Porem aquilo lhe deu uma boa ideia e na mesma hora bolou um plano:
_ Foi só você que saiu da cela?
_ Não. Todos os presos que estavam comigo também saíram e nós rendemos alguns guardas. Por que?
_ Tá a fim de fazer um motim? A rebelião vai distrair o exercito e a sua querida sobrinha vai estar lá sozinha, desprotegida... ainda que não esteja, a tal formula que usa para injetar nas cobaias deve estar. Vai poder vingar a morte da Geni de qualquer forma!
_ Como assim "a morte da Geni"?
Beto resolver contar logo toda a verdade sobre o que Evelyn aprontou com a própria mãe... claro, não falou a parte que a transformou em uma morta-viva. Isso seria demais. E só contou na intenção de ferrar ainda mais com ela. Assim ela vai ver o que é bom para tosse quando Joca a encontrar, isso é se ainda estiver lá.
"Pois tomara que esteja! Será como nos velhos tempos."
***
Mitchel, o Detetive Sanchez e Afonso decidiram ir até a penitenciária. Sim, o levaram junto para terem a certeza de que ele não vai fugir. Mas quando chegaram lá, notaram uma movimentação muito estranha no complexo.
_ O que está havendo lá dentro? _ O jornalista perguntou
_ Acho que estão criando um motim... _ comentou o detetive meio que na dúvida.
De repente os portões do presidio saíram voando e indo parar do outro lado da rua. Por pouco ele não atingidos. Mal se recuperaram do susto e se depararam com o motivo dos portões terem sido arremessados... um caminhão do exercito saindo com tudo do interior da cadeia e quase os atropela.
_ Acho que isso responde a nossa duvida!
Mesmo assustados, aproveitaram portão aberto para entrarem e se assustaram ainda mais com o que viram... militares e detentos corriam de um lado para o outro. Alguns presos atearam fogo nos colchões e outros quebravam tudo o que viam pela frente com o que tinha de disponível. E teve uns que atiravam pedaços de concreto arrancados da estrutura do prédio.
Era um pandemônio geral.
Mitchel não sabia qual seria o motivo daquela rebelião, mas já imaginou que Joca aproveitou o motim para encontrar a sobrinha. Chamou o detetive e Afonso para ir atras deles. Apesar de ela ser uma cientista louca, nenhuma vítima de abuso deveria ficar sozinha com o seu abusador.
Isso é se eles conseguirem entrar no prédio. Durante a passagem pelo tumulto, o detetive Sanchez levou uma pedrada na cabeça e desmaiou. Só não foi ao chão porque ele foi amparado por Mitchel. Precisa levá-lo para algum lugar seguro, mas como não podia sozinho pediu ajuda a Afonso...
... que desapareceu!
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