Capítulo 47
Geni ainda estava presa ao soro quando ouviu alguém entrando no quarto. Achando ser algum enfermeiro ou médico de plantão que veio mais uma vez apenas para saber se ela estava bem, não deu a menor importância.
É claro que ela não estava bem. Estava internada e presa em uma maca, tomando soro e sabe lá em qual pronto-socorro. Queriam que ela estivesse como? Para piorar, foi taxada de drogada e por culpa de quem?
"Eu estaria bem melhor se aquela peste não tivesse voltado!"
Enquanto estava ali deitada de lado, virada para a parede e sonolenta por conta da medicação, refletia sobre a conversa que teve com a filha na noite passada... se aquela história que ela falou sobre ter sido violentada por Joca era mesmo verdade ou foi só conversa fiada.
Geni sempre soube que o irmão não prestava... bom, ela também não fica para trás. Mas abusar de uma criança? Ele já tinha as peguetes dele, não precisava fazer isso..., porém ela era da vida e sabia melhor do que ninguém que os homens quando veem uma novinha, agem feitos animais. Tudo bem que não são todos, mas...
"Ah quer saber? Foda-se, foi muito bem-feito para aquela praga dos infernos! Ninguém mandou nascer. E tomara que o Joca acabe com a raça dela desta vez... depois de comê-la, é claro!"
De repente veio as dúvidas:
"O que a Evelyn fazia na Ilha Porchat? Ela não estava lá a toa. Parecia até que ela já sabia que eu estava lá e foi atrás de mim na intenção de me encontrar... e outra, ela também sabia dos meus planos e do Joca em tentar extorqui-la. Com certeza foi aquele porqueira do Luan, que escapou dos comparsas do Beto e deve ter ido atrás dela. Cretino, não devia ter poupado a vida dele!"
Ao pensar no Beto, se perguntou se ele foi realmente na penitenciária e avisar ao irmão sobre a Evelyn. Enquanto isso, viu duas sombras masculinas refletidas na parede a sua frente. Esperou um deles falar com ela como sempre fazem quando entram no quarto, mas isso não aconteceu. Os vultos continuaram parados, como se estivessem a encarando...
Aquilo já estava a preocupando... na verdade, estava a apavorando a ponto de não conseguir se virar e ver quem eram aqueles homens.
Escutou mais alguém entrar... presumiu ser uma mulher pelo barulho dos sapatos de salto, logo respirou aliviada. Mas o alivio foi embora, dando lugar ao medo quando ouviu a terceira pessoa conversar com os que já estavam lá. E infelizmente reconheceu de quem eram aquelas vozes.
_ E então, ela está mesmo aqui?
_ Sim Doutora, bem como o Carlos falou. _ Essa voz é do Luan.
"O Carlos falou que eu estou aqui? Como ele sabe onde eu estou se nem eu mesma sei? Deve ter sido o traíra do Beto. É bem a cara daquele vira-casaca... filho da puta!
De repente sentiu o sangue congelar nas veias ao lembrar de um certo detalhe... Carlos morreu! Ela mesma viu os capangas do Beto o espancarem até a morte. Ele não morreu de imediato, mas ficou ali agonizando no meio da rua. Não pode ter sobrevivido àquele monte de golpes, a não ser que...
_ Devia ter morrido na sarjeta, onde é o seu lugar. Assim não tinha necessidade de a gente vir aqui neste pronto-socorro de quinta... mamãe!
E ela nem sabia em que pronto-socorro estava.
Geni decidiu se virar com as poucas forças que ainda tinha. E as perdeu definitivamente ao ver aqueles dois bandidinhos... principalmente o Carlos, vivinho da Silva!
Se ele está vivo, significa que a história da qual ouviu sobre a sua filha ser inventora de um produto reanimador de cadáveres mesmo é verdade.
E naquele momento, ela estava perdida!
Antes que pudesse gritar por socorro, Carlos a agarrou com tudo pelo pescoço e o apertou até todos os ossos, artérias, músculos e órgãos serem esmagados. Enquanto ela era estrangulada, Luan observava a cena com gosto, sentindo-se finalmente vingado. Sempre a culpou pela desavença e a morte dos pais.
Evelyn percebeu o quanto ele estava satisfeito e sentiu o mesmo. Também notou que ele não se impressionou com o seu processo de reanimação. Ele já está ciente. Só falta agora o desgraçado do irmão dela, do qual ela faz questão de mandar pessoalmente para uma vala.
_ Agora sim essa quenga dos infernos bateu as botas. Duvido que depois de um apertão desse, ela continue viva. Já foi tarde!
Se Evelyn acreditasse no diabo, ficaria com muita pena dele por aguentar aquela demonia por toda a eternidade. É bem capaz de ela querer roubar o posto dele...
_ Ótimo! Agora faremos o que combinamos...
****
Mitchel, o detetive Sanchez e Beto chegaram no pronto-socorro onde deixaram Geni. O detetive perguntou por ela na recepção e os três se chocaram ao saber que a mesma cometera suicídio, se enforcando com um lençol.
_ Ela foi encontrada por uma das enfermeiras de plantão, pendurada pelo lençol. Não sabemos como ela conseguiu tal feito, mas fez. Infelizmente é o que acontece com muitos viciados que não conseguem abandonar o vício, acabam com própria vida como último recurso na tentativa de se livrar dele. _ Explica o médico meio que abalado com a notícia.
Se o médico, que deve estar acostumado com esse tipo de situação, está "meio que abalado", imagine o Beto que está abaladíssimo. Ele sabia muito bem que Geni podia ser tudo de ruim, menos usuária de drogas. Até onde lembra, ela disse que Evelyn fez alguma coisa com ela e de repente começou a passar mal. Deve ter a drogado com algum tipo de veneno para dizer que ela era drogada e faze-la morrer de overdose.
Mas sabe muito bem o que pode ter causado a sua morte. Na verdade, quem pode ter a causado e a culpa era dele. Tinha de sair fora dali antes que sobre para ele, mas como? Além do policial e do jornalista estarem na sua cola, ainda havia um zumbi rondando por aí.
_ Sabe nos dizer o que aconteceu ontem a noite entre a sua amiga e a Dra. West? _ Questionou o detetive Sanchez.
_ Ih chefia, aquela lá não é minha amiga e nem de ninguém não!
_ Tudo bem, que seja! Mas sabe o que houve entre as duas? _ Perguntou Mitchel impaciente.
_ Bom... pelo o que a Geni me contou, ela e a filha discutiram feio... e no meio da discussão, a Evelyn a drogou e logo depois ela passou mal.
Mitchel e o detetive Sanchez trocaram olhares, concluindo o depoimento de Beto. Especialista em produtos químicos, a Doutora Re-Animator deve ter utilizado alguma substancia tóxica para fazer com que a mãe morresse por overdose. Se eles não tivessem a salvado a tempo, ela ficaria lá no meio da rua, sozinha e tendo convulsões até a morte.
Um arrepio correu pela espinha dos três... se Evelyn teve a coragem (e a frieza) de envenenar a própria mãe, imagina o que ela não faria com qualquer um?
Neste momento, certas lembranças começaram a vir à tona na mente de Mitchel... ela tentou matá-lo no Ilha dos Arvoredos, no Guarujá. Os estudantes de Física mataram o seu gato e para se vingar, o reanimou e o levou de volta ao laboratório da universidade, onde o bichano matou um deles. E ainda tem o caso do Coronel Vivar que até hoje está desaparecido... então ele não duvidou do que ela fez.
Uma dúvida: se ela não era usuária, por que então se suicidara?
_ Talvez não tenha sido de fato um suicídio..., mas sim um homicídio. _ Deduziu Mitchel. Seu sexto sentido lhe dizia que aquilo foi obra da Doutora Re-Animator, ainda que não tenha sido ela de fato.
_ Acha que a Dra. West veio aqui, a matou a própria mãe e simulou a cena, fazendo parecer com que ela se suicidou? _ Perguntou o detetive.
_ Se ela sabia que a mãe estava aqui, pode ter vindo mesmo sim... a não ser que a Geni tenha morrido mesmo. Agora simular o suicídio? Eu duvido muito. Com aquele porte pequenino e delicado, não teria força o suficiente para estrangular e pendurar alguém... o máximo que ela pode ter feito é ter dado mais uma injeção letal.
_ Mas com certeza alguém simulou o suicídio por ela e não foi qualquer pessoa... acha que foi o cúmplice dela?
_ O Afonso? Pode até ser, embora pessoalmente eu não creio muito que tenha sido ele... não é bem o tipo dele.
_ Pode ter sido outra pessoa que também tem inimizade com ela... sabe de mais alguém que também tinha problemas com a Geni? _ Ele e o jornalista perguntaram para Beto.
_ Ah a Geni arrumava briga com Deus e o mundo! A favela em peso adoraria vê-la pelas costas, mas não tenho a menor ideia de quem possa ter sido... até porque ninguém mais sabe que ela estava aqui. _ Mentiu.
_ Parece que teremos de averiguar as cameras de segurança. E depois vamos até o necrotério para o reconhecer o corpo.
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