Capítulo 41

No final do dia, a Dra. Evelyn deixa o presídio escoltada pelos militares e como na noite anterior, foi deixada em um ponto próximo à Ponte Pênsil, onde aguardaria por Afonso. Enquanto ele não aparece, se distraía admirando a paisagem... 

O Sol se pondo no horizonte era a coisa mais linda que já vira na vida. Foi uma das poucas boas lembranças de sua infância. Deixou uma lágrima cair de um dos seus belos olhos verdes. Sentiu-se culpada por te-la deixado cair. Afinal de contas, ela é uma brilhante cientista e não deveria perder tempo com sentimentalismo.

Mas bem que naquele momento, ela sentiu muita saudade do seu único e verdadeiro amor... e jurou a si própria que um dia o levaria para ver o pôr do Sol, assim que o traze-lo de volta.

Evelyn ainda estava distraída enxugando as lagrimas quando dois meninos se aproximaram, oferecendo pacotinhos de balas de chiclete, que por coincidência eram as suas favoritas. Era também coincidência serem os mesmos garotos da noite passada. Ela até notou neste detalhe, mas comprou alguns pacotes. Era para compensar a infância amarga que teve.

Finalmente Afonso chegou para busca-la. Assim que o viram, foram embora. Evelyn até tentou disfarçar a tristeza, mas o seu cúmplice reparou que ela havia chorado. Perguntou se aqueles trombadinhas lhe fizeram alguma coisa.

_ Não chama os pobrezinhos desse nome feio! _ Brigou com ele, lembrando das várias vezes em que ela foi xingada de trombadinha.

_ Tá bom me desculpa, mas o que aconteceu com você para ficar desse jeito? Aconteceu alguma coisa?

_ Oh não. _ Claro que Evelyn não vai contar sobre o seu maldito passado. Se contar, terá de falar sobre o seu pai adotivo e não queria que ele soubesse, pois já sabe demais. Inventou que estava muito cansada por causa do excesso de trabalho.

_ Então peça pelo menos um dia de folga. Você merece depois do que passou e a gente pode dar um passeio pela cidade, ficar mais tempo juntos...

A última coisa que Evelyn queria era passar mais tempo com ele, mais do que já está passando. Mas até que por um lado Afonso tem razão, ela merece pelo menos um dia de folga. Lidar com cadáveres reanimados não era fácil. Caminharam até o carro e voltaram para o motel.

O que eles nem suspeitaram é que os dois moleques de quem a Doutora Re-Animator comprou os pacotinhos de bala ainda estavam por perto. Um deles tirou foto da placa do carro de Afonso e enviou para os demais contatos postos de guarita em quase todos os motéis da cidade.

***

Não eram somente os informantes do comparsa de Geni que estavam atras dela... Mitchel e o detetive Sanchez também estavam, porém não com muita sorte. Fizeram buscas em quase todos os hotéis e pousadas de São Vicente e ninguém viu alguém com a sua descrição.

_ E se eles alugaram alguma casa ou apartamento? Imagine quantos imóveis deve haver por aqui... _ Comentou o Detetive já perdendo as esperanças.

_ Pode até ser... mas acho difícil. Primeiro porque teriam que procurar por um imóvel e depois falar com o proprietário para discutir as condições do aluguel. E isso precisa ser meses antes, não importa se é para temporada ou fixo.  

Mitchel analisou a sua dúvida. Depois para pensar por um instante que talvez o detetive pode estar certo. Algumas semanas atras, quando conversaram com o Diretor do Centro de Pesquisas sobre a Dra. West e seu reagente, ele disse que ela tinha negócios em São Vicente. Quem garante que ela ou o seu comparsa já não providenciaram tudo antes de vir para cá? Se for isso mesmo, será mais difícil de encontra-la.

Também não conseguiram arranjar uma forma de se infiltrar no presidio. O Detetive Sanchez tentou contactar a direção dizendo ser um agente fiscal que veio para fazer uma vistoria, mas até agora não obtiveram nenhuma resposta.

_ Deve ser porque querem que descubram o que estão fazendo lá dentro. O jeito mesmo é continuar tentando... e também prosseguir com a procura. _ Concluiu.

_ Vamos também continuar montando guarda em frente a penitenciaria? _ Perguntou o detetive meio que com ironia... que alias, deu o estalo que a mente do jornalista precisava.

_ E se a Dra. Evelyn estiver usando uma outra entrada para entrar e sair do presidio?

_ Tipo o que, alguma porta dos fundos?

_ Não exatamente... seria algo como uma passagem secreta.

_ E onde que um complexo presidiário vai ter uma passagem secreta Mitchel? Para facilitar a fuga dos detentos? Já é muito estranho ter uma porta dos fundos!

_ Tá eu sei que a ideia é muito doida, mas pensa bem: ficamos de vigia em frente a prisão e não vimos nenhum carro entrar ou sair

_ Pode ser que ela ainda não iniciou os testes... ou pior, talvez nem esteja na cidade. Já parou para pensar que a estamos procurando no lugar errado?

Mitchel não aceitou aquela hipótese do detetive. Seu sexto sentido que quase nunca falha lhe dizia o contrário, que a Doutora Re-Animator estava na cidade e já iniciou os testes com o seu soro reanimador. Porém deve pensar na possibilidade do seu parceiro estar certo. Mesmo assim pretende ficar na região, pois se caso ela ainda não veio, ainda há de aparecer.

***

De frente a um imponente motel de beira de estrada, dois adolescentes andavam para lá e para cá. Uma vez ou outra se escondiam entre os arbustos que enfeitavam o jardim, seja para fugir da segurança do estabelecimento ou no caso de algum carro da policia fazer a ronda ali por perto.

E como já foram abordados por policiais abusivos e precisavam verificar as placas de todos os carros que entram e saem do motel, não podiam ser pegos. Até porque se forem, além de serem encaminharam para o Conselho Tutelar, ainda teriam de encarar a cara azeda da Geni.

_ Cara, a gente tá aqui a horas e nada. Dá vontade de pegar o beco! _ Um deles resmungou.

_ Se a Geni te pega, você nem terá mais beco para voltar. _ O seu companheiro o avisou. Só concordou porque é verdade.

_ Aposto que já descobriram onde a filha dela está e não nos avisaram. E estamos aqui, passando fome, frio e fazendo papéis de trouxa.

_ Calma aí, aguenta mais um pouco... se o que Beto falou é verdade, que a filha da Geni virou médica e ficou rica, a gente não mais precisar trabalhar para traficante e nem viver de golpes. Vamos ficar ricos!

O outro só ficou por causa do dinheiro, apesar de não acreditar muito nesta história. Algo lhe dizia que além de receber nada, ainda ia se dar mal. E também não acredita que a filha da Geni voltou para "ajudar" a família, mas que veio com a intenção de se vingar...

E torcia para que fosse verdade. Ele não suportava aquela mulher. Por culpa dela, o casamento dos pais acabou da pior forma possível... em morte para ambos. E assim como a Evelyn, ficou sozinho no mundo.

Na verdade, ninguém na favela gosta da Geni.

_ Queria eu ter sido adotado... não precisava ser por alguém rico, mas que pelo menos me tirasse daquele lugar. Assim não olhava mais para a cara daquela vadia...

De repente veio mais um carro. Ficaram de prontidão a uma distancia próxima o suficiente para verificarem a placa e não serem vistos...

_ Bingo! _ Comemoraram assim que identificação do carro bateu com a que estavam com eles.  Evelyn realmente estava naquele motel.

_ Vem comigo. Tive uma ideia. _ O dono do celular chamou o seu comparsa. 

_ Ué aonde nós vamos? _ estranhou ao vê-lo guardando o celular: _ o que está fazendo? Você não vai avisar ao Beto que já encontramos a filha da Geni.

_ Não. Tenho uma ideia melhor. Vamos é avisar a filha dela.

_ Como é que é? Eu não entendi.

_ Vamos avisar a Evelyn que a Geni está atras dela.

_ Ficou maluco? Se ela descobrir, vai acabar com a nossa raça.

_ Qual é, é a nossa chance de se dar bem. Você não adoraria se vingar da puta da Geni?

Tudo bem que ele não gostava dela... mas também não queria confusão com ela. Porém a vontade de se vingar falou mais alto, então decidiu compactuar com o amigo.

Infelizmente a sua decisão teve um alto preço... 

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