Capítulo 27

Após sair do condomínio e atravessar todo o matagal, Natália chegou a uma estrada deserta e começou a caminhar sem rumo. Durante a sua caminhada, tentava sem sucesso entender o que de fato aconteceu com ela. 

A todo instante vinham e voltavam flashes de memórias que a deixavam mais confusa do que já está.

Tentou se lembrar dos seus últimos momentos antes da fatalidade na rodovia. Lembra de ter conversado com a mãe, dizendo que já estava saindo de casa. Isso já dentro do carro. Lembra de ter mandado mensagens para a irmã, a informando que o transito estava intenso e que daqui a uma ou duas horas estaria com a família...

De repente viaturas de policia invadiram com tudo a rodovia, atrás de um carro desgovernado. Tiros foram ouvidos o suficiente para causar pânico entre os motoristas. Alguns tentaram fugir para não serem atingidos por alguma bala perdida... o que não adiantou, pois muitos ali foram atingidos por coisa pior. Carros começaram a se chocar uns contra os outros.

Natália lembrou que neste exato momento em que ia dar a partida numa tentativa inútil de sair do meio daquele pandemônio, um carro bateu na traseira do seu, a empurrou para debaixo de um caminhão e sentiu uma forte dor de cabeça, devido a uma pancada. 

De repente tudo escureceu... e quando acordou, estava em uma sala escura e fria. E pior, com alguém muito parecido com o seu ex-namorado bem ali do seu lado.

E não era somente isso. Ela sentia o tempo todo que estava diferente, como se não fosse mais a mesma pessoa. Como se não estivesse viva...

_ E aí princesa, tá perdida? 

Enquanto tentava se encontrar em sua mente, passou distraidamente em frente a um bar onde alguns homens bêbados e mau encarados a abordaram. Fingiu que não os ouviu e continuou o seu caminho. Infelizmente eles inventaram de ir atrás dela. Um deles teve a audácia de agarra-la pelo braço... e foi empurrado bruscamente para o meio da pista, ficando desmaiado ali mesmo.

Enfurecidos, os outros a agarraram e a arrastaram até o bar e quase que não conseguiram. Para uma garota, ela era muito forte. E também exalava o odor do Re-Animator, que mesmo estando chapados ainda sentiam aquele cheiro insuportável. Porém a vontade de abusar dela era maior, então a levaram para dentro do bar. Um deles foi abaixar a porta para evitar olhares curiosos...

... mas assim que ele encostou a porta no chão, o verdadeiro terror começou...

******

Enquanto isso, Greg e Afonso percorreram por quase toda a extensão do matagal na esperança de encontrar a Natália. Já passa da meia-noite e nem um sinal dela. E isso não é bom...

Na verdade, é péssimo!

Durante a busca, Afonso evitara ao máximo falar com o primo. Só comentava o básico. Se não fosse pela obsessão dele de ter a ex-namorada de volta, eles não estariam na calada da noite procurando por uma morta-viva e ele estaria de boa com a sua Evelyn... pelo menos é o que ele queria acreditar.

Falando nela, ele olhou para o celular e viu dezenas de mensagens dela no WhatsApp, uma mais ameaçadora do que a outra. Aquilo o entristeceu, pois em meses de relacionamento (para ele), era muito raro receber uma mensagem, áudio ou ligação da parte dela e quando recebia, era só para perguntar se havia alguma cobaia disponível no IML.

E agora ela liga apenas para saber se ele cumpriu a sua ordem.

De repente seu celular começou a tocar. Sabia que era ela. Não a atendeu para perder o foco e também porque não queria atender com o primo ali do lado. Ignorou. Tocou mais uma vez  e de novo não a atendeu. Quando tocou pela terceira vez, Greg perguntou já desconfiado:

_ Você não vai atender?

_ Não. _ respondeu com frieza.

_ Por que não?

_ Porque temos de nos concentrar em encontrar a Natália. E além do mais, não é ninguém que seja importante. Quem ligaria a essa hora? Deve ser algum desocupado querendo passar trote.

_ Para quem acha que é algum desocupado... você tá muito tenso. Parece até que você sabe quem é.

Afonso não respondeu para deixar a situação pior do que já estava. O que não adiantou, pois o celular tocava a todo instante. E como Greg não era tolo, apesar de ser um tremendo sem noção, começou a perguntar o que não devia... e de quem não devia menos ainda.

_ É ela né? A sua cientista louca que criou aquela porcaria de reagente... ela sabe que eu usei o produto dela na Natália? Ah mas é claro que sabe... porque você foi correndo contar para ela, né seu dedo-duro?!

Afonso apertou o volante com muita força para ver se passava a sua vontade de socar a cara do Greg. Também evitou de olhar para ele, porque sabia que se olhasse, ia bater nele até dizer chega e poderia perder o controle da direção. E sofrer ou causar um acidente era a última coisa que precisavam naquele momento.

Mas claro que Greg não notou e continuou a matraquear:

_ É sempre assim né Afonso, você tá sempre fudendo comigo. Você não é feliz e não quer que ninguém mais seja. Você se acha por causa dessa maluca da Dra. West. Acha mesmo que ela gosta de você? Não, ela não gosta. Ela gosta sim do que você faz por ela. Onde que uma gostosa como aquela vai se interessar por mané feito você? Ela só está com você para obter os defuntos. E como é besta demais para perceber, vai lá e arruma. Vai ver que nem é para as experiências, é para ficar trepando com eles e...

Para quê aquele idiota foi falar aquilo? Com uma das mãos, Afonso começou a bater no primo. Para se defender, Greg também bateu nele, fazendo-o perder a direção do carro e por pouco não atropela um homem desmaiado na rua.

_ Nossa... essa foi por pouco. _ Comentou Afonso se recuperando do susto.

_ Será que ele morreu? Quero dizer, alguém o atropelou e o deixaram aí.

_ Não sei, temos que verificar. 

_ Como assim? E a Natália?

_ Sinto muito, mas ela terá de esperar. Vamos lá ajudar o sujeito.

Saíram do carro e foram em direção do homem caído no meio da rua. Para a surpresa deles, estava apenas bêbado e com um horrível bafo de cachaça. Porém na hora em que a ajudaram a se levantar, ele começou a resmungar sobre uma garota que a empurrou... desconfiados de que poderia ser a Natália, perguntaram como ela era.

_ Até que era bonitinha, mas tinha uma senhora força... e fedia feito um gambá.

_ E sabe nos dizer para onde ela foi? _ Perguntaram desesperados.

Ele não respondeu de imediato, o que os deixou ainda mais desesperados. Tiveram de ameaça-lo para conseguir alguma informação, a mínima que fosse. Com medo, ele disse que a ideia era leva-la para o bar logo ali em frente para estupra-la.

_ E onde fica este bar? _ Greg perguntou com muita raiva. A sua maior vontade naquela hora era de socar aquele homem ao ouvi-lo dizer que queriam violentar a sua namorada. Já Afonso ficou preocupado mesmo é com os agressores.

O bêbado apontou para o lado. O bar fica alguns metros de onde estavam. A luz do local ainda está acessa e a porta meio que abaixada. Deixaram o homem ali mesmo onde estava e andaram até lá. Ao chegarem mais perto, notaram rastros de sangue saindo por debaixo da porta.

_ Só falta essa garota ter matado mais alguém. _ Afonso desabafou com o primo.

_ Mas se ela matou, foi para se defender. Então não pode culpá-la, não é mesmo? _ Comentou Greg, tentando justificar o ataque de Natália. Afonso fez cara de paisagem para o seu comentário e o ordenou a ajuda-lo a levantar a porta. Ao levantarem, quase morreram do coração ao verem o que havia atrás dela...



Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top