Capítulo 25
Afonso foi até a casa do Greg para consertar a cagada que ele fez. Já não sabia mais se era para limpar a sua barra com a sua Evelyn, para salvar o primo ou a própria pele. Da forma como ficou furiosa no celular ao saber que alguém usufruiu de seu produto químico sem a sua ordem, era bem capaz de toda aquela confusão sobrar para ele.
Assim que se aproximou ao conjunto habitacional onde o Greg mora, o avistou saindo de casa. Vendo que ele vinha em sua direção, estacionou o carro de qualquer jeito e se escondeu atrás dele para pegá-lo de tocaia. Conhecendo bem o primo que tem, era bem capaz dele fugir. Ele caminhava bastante apreensivo e com muita pressa que por pouco não consegue para-lo. Achando ser um assalto, começou a se debater:
_ Calma aí cara, sou eu!
Ao ver que era seu primo, Greg ficou pálido. Na hora desejou que fosse mesmo um ladrão.
_ Que é isso meu, tá doido?
_ Olha quem fala... esqueceu a Natalia né Greg. Cara, que merda que você fez?
_ Eu não faço a menor ideia do que está falando... _ Tentou dissimular, mas pela expressão de Afonso, não adiantou. Para estar ali em seu bairro, é porque já está a par de tudo.
_ Ah você não sabe! Pois então eu vou refrescar a sua memória: você sequestrou a Natália, pior, o corpo dela, roubou a formula da minha Evelyn e aplicou na garota morta. Caramba meu, você não tem juízo não, é?
_ Olha só quem fala... o sujo falando do mau lavado. Qual deles você quer ser? Pode ficar com os dois, nenhum deles prestam. E você que fica arranjando cadáveres para aquela cientista louca... ainda não percebeu que ela tá é te usando para arrumar cobaias para as experiências dela. Você é tão sem juízo quanto eu.
Afonso sabia que Grega tinha razão, mas não quis dar o braço a torce. Até porque havia outra questão a ser resolvida naquele momento.
_ Isto agora não vem ao caso. Vamos lá para a sua casa e dar um jeito na Natália.
_ Por que?
_ Como "por que", você ainda pergunta? Estão procurando por ela em toda parte. A família dela acha que você tem algo a ver com o seu sumiço.
_ E por que acham que eu tenho algo a ver com isso? Ela pode muito bem ter simulado a própria morte e fugido daquela família idiota que tem. Ou então foi tramoia deles para dizer que fui eu. Aquele bando de riquinhos esnobes nunca aceitaram o nosso namoro.
Afonso só o olhou com cara de paisagem. Ou o seu primo era muito do lesado ou estava se fazendo de sonso de proposito.
_ Você vivia perseguindo a pobre da menina. A stalkeava direto, tanto nas redes sociais e na vida real. Tinha ataques de ciúmes quando ela estava com as amigas e a ameaçava toda vez que alguém olhava para ela. Você praticamente não vivia e não a deixava viver. E outra, quando ocorreu o acidente, ela desapareceu enquanto você estava em serviço ao mesmo tempo. Eu já sei que o pessoal lá no IML está atrás de você.
_ Como você soube? Eles te ligaram?
_ Não. Fui eu que liguei para eles.
_ E por que raios você ligou para lá? Não sabe cuidar da própria vida?
_ Você queria o que seu idiota, eu escuto no noticiário que uma garota ferida gravemente e com a possibilidade quase nula de ter sobrevivido desapareceu em meio a um grande acidente rodoviário e por uma mera coincidência, era a sua ex-namorada. Você trabalha no IML que foi recolher os corpos. De repente recebo uma ligação sua, me fazendo perguntas sobre o soro da Evelyn, coisa da qual você nunca fez até agora. Foi só uma questão de dedução.
_ E você também ligou para a "sua garota", para falar que eu roubei a porcaria da fórmula dela?
_ Não. Eu não contei. A Evelyn nem sabe que eu te falei do soro. Mas claro que já deve estar ciente do sumiço da moça. E se alguém ver a Natalia, com certeza vão pega-la, examina-la e descobrir que ela não está totalmente viva. Aí meu primo, lascou tudo.
Afonso mentiu sobre o fato de Evelyn já saber do caso. Não quis piorar a situação mais do que já estava. Depois perguntou o obvio:
_ Poxa Greg, que ideia foi essa de reanimar a garota? Acha que ela vai esquecer o monte de coisa ruim que você aprontou depois de morta?
Não foi muita novidade quando Greg começou a argumentar com o primo, dizendo que a amava e a queria de volta. Achou que com o reagente, ela acordaria para uma nova vida, esqueceria o passado e finalmente poderiam ser felizes. Chegou a comparar com o caso dele e a Dra. West.
_ Se coloca em meu lugar, o que você faria se tivesse uma única chance de ter a pessoa que ama de volta?
_ Depende... eu somente faria alguma coisa se eu tivesse a certeza de que ela realmente querer ficar comigo. Não adianta só eu querer e forçar a mina, como você está fazendo com a Natalia. E falando nela, como ela está?
_ Hum não sei... normal eu acho.
_ Defina "normal".
_ Ah cara sei lá. Não está com uma aparência muito boa, mas pelo menos não tá parecendo uma zumbi, como nos filmes de terror.
_ Ok vamos voltar para a sua casa e ver o que fazer com ela...
_ Como assim? Você não está me dizendo que eu devo me livrar dela, depois de todo o trabalho que tive para traze-la de volta?
_ Sim eu estou dizendo com todas as letras que temos de fazer alguma coisa antes que fique pior do que já está. Você quer passar o resto da sua vida se escondendo? Vai, vamos lá.
Afonso praticamente arrastou Greg pelo braço de volta para o seu apartamento. Porém ao chegarem lá, encontraram a porta arrombada... pelo lado de dentro. Verificaram toda a casa e ela não estava em lugar nenhum.
_ Ótimo a sua namorada zumbi fugiu. E agora o que a gente faz? _ Afonso perguntou ao Greg muito puto da vida. Se ela for vista, será o fim.
_ Calma, ela não deve ter ido muito longe... _ Tentou acalmar o primo e a ele mesmo. Saíram para procura-la pela vizinhança, mas para o azar deles deram o de cara com o Sr. Antônio, o diretor do IML. Agora sim a casa caiu.
_ Bonito né seu Gregório. Achei que estava doente, mas vejo que está muito bem. E você hein Afonso, acobertando o seu primo.
Os dois só ficaram parados no corredor, um olhando para a cara um do outro sem saber o que dizer. Ele por sua vez, esperou alguém ali falar alguma coisa. Ficaram os três se encarando, até o momento que Afonso finalmente se manifestou e ainda assim foi da pior maneira possível.
_ Desculpe Sr. Antônio, mas surgiu um problema e estamos sem tempo para conversar...
_ Ah não tem tempo para explicar o por quê abandonou o trabalho assim sem mais nem menos, mas para fugir do trabalho tem!
_ Não é isso, é que realmente tem um senhor problema que se não resolvermos agora, vai ser o caos. _ Greg começou a surtar, só imaginando a Natalia andando sem rumo por aí, enquanto discutia com o seu chefe.
_ E que problema é esse que fez você largar o serviço?
Mais uma vez eles se olharam entre si, sem saber o que falar e pior, como vão explicar. Claro que além de não acreditar, vai achar que ficaram malucos ou estão inventando lorotas para não irem trabalhar. Não aguentando mais aquele silencio deles, os demitiu por justa causa.
_ Espere Sr. Antônio, não pode nos demitir!
_ Eu passei a poder! _ Virou as costas e foi embora. Ainda estavam parados no meio do corredor quando o ouviram gritar na escada. Foram correndo, pensando que ele poderia ter tropeçado em caído em um dos degraus e se ferido..., mas quando viram a cena, quase que enfartaram...
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