vinte e um.

EuTeAmo.com | vinte e um.

02 de dezembro – Domingo.
Assunto: Foi especial.

- A primeira parte do capítulo é exclusiva do livro físico -

Assim que saí da casa do Sam, chamei um táxi por aplicativo de celular e fui para a casa do Arthur. Ela é bem grande e, vista por fora, parecia ser espaçosa e bem decorada. Para chegar à porta da frente, tive que passar por um pequeno caminho de pedras e um jardim onde havia um chafariz igual aqueles que a gente vê nas séries de TV. As janelas são de vidro e a porta da frente é gigantesca. Deve dar muito trabalho limpar a entrada daquela casa.
Não demorou para abrirem a porta quando toquei a campainha. Quem atendeu foi a mãe do Arthur, que me tratou com muita simpatia e hospitalidade.

— É um prazer conhecer você, Alec — disse a Sra. Arthit, fazendo questão de pegar minha mochila antes mesmo de eu entrar na casa.

— O prazer é todo meu, Sra. Arthit — respondi, entrando devagar por causa do medo de tropeçar e quebrar alguma coisa.

Por dentro, a casa é ainda mais bonita. Não faço ideia se aqueles objetos decorativos são caros ou representam alguma coisa para a cultura do Arthur, só sei que tudo é muito bonito, e a maioria das peças eram em tons dourados ou prateados. Havia também decorações com flores e quadros com paisagens. Imagino que sejam imagens da natureza na Tailândia.

— Vamos sair esta noite para visitar uns amigos e não temos hora para voltar. Arthur está encarregado de cozinhar, mas acredito que ele vá pedir uma pizza como sempre faz em nossa ausência — disse o Sr. Arthit.

— Queremos que você cuide do nosso filho e não o deixe aprontar ou ir para a cama muito tarde — pediu a Sra. Arthit.

Assenti, mesmo estranhando aqueles pedidos. A Sra. Arthit me guiou até o corredor que dá acesso à parte de trás da casa. Não me acompanhou até o final, só avisou que o Arthur estava lá, terminando de limpar o jardim dos fundos.

— Arth?! — chamei assim que passei pela porta.

— Alec! — respondeu ele, recolhendo o lixo que tinha acabado de separar.

Arthur estava perfeito, como sempre. Sem camiseta, ele vestia apenas uma bermuda preta e chinelos brancos. Ele me abraçou forte, me erguendo do chão. Fiquei com medo de seus pais verem alguma coisa, mas ele não parecia preocupado.

— Por que demorou tanto?

— Tive que visitar um amigo que está com problemas — respondi, estremecendo em seus braços.

— Qual dos seus amigos?

— Sam, ex-namorado do Phillip.

— Phillip está solteiro agora? Espero que ele não fique em cima de você.

Falei um pouco do que eu sabia sobre a antiga relação deles. Também comentei que Phillip era a única pessoa que sabia o que estava acontecendo entre nós. Arthur não gostou de saber disso, já que Phillip o confrontou dizendo que ele estava querendo zoar comigo. Isso deixou o Arthur bem irritado. Ele não conhecia o Phillip direito, mas já o detestava só por aquele desentendimento no estacionamento do colégio.

Depois que Arthur terminou de limpar o jardim dos fundos, me levou para conhecer um pouco da casa e, por último, o quarto dele. O quarto não tem nada de especial. Na verdade, deve ser igual ao quarto de todo adolescente heterossexual da nossa idade. Tinha pôsteres de jogadores de basquete na parede, uma escrivaninha e um aparelho de som grande ao lado do computador. Não vou comentar sobre o pôster de uma mulher seminua colado na porta. Tive que fingir que não tinha visto aquilo.

— Preciso tomar banho e me despedir dos meus pais. Você se importa de ficar sozinho por um tempo? — perguntou Arthur, enquanto eu olhava pela janela, distraído.

— Sem problema.

Arthur não demorou no banho. Esperei ele no quarto o tempo todo e, quando saiu, ele se secou e colocou a roupa sem se importar com minha presença. Claro que não fiquei olhando. Por mais que todas as partes do meu corpo lutassem para eu desviar a atenção da tela do celular e ver o Arthur nu, me segurei e não olhei para ele.

— Já estamos indo, rapazes — disse o Sr. Arthit, entrando no quarto com a esposa.

— Se precisarem de alguma coisa, é só ligar — disse a Sra. Arthit, abraçando o Arthur assim que ele terminou de colocar a camiseta.

— Não se preocupem — disse ele. — Vamos ficar bem.

Assim que seus pais saíram, começamos a estudar. Já estávamos com fome, e como o Sr. Arthit suspeitava, Arthur pediu uma pizza por estar sem vontade de cozinhar o que tinha na geladeira. Comemos enquanto estudávamos inglês e biologia.
Matthew, dessa vez foi diferente... Quando Arthur passou a noite em minha casa, nossos sentimentos não estavam claros, mas agora ele estava mais à vontade e carinhoso comigo. Enquanto eu lia um dos textos do livro de economia, ele me abraçou e ficou fazendo carinho em meu cabelo.

— Você está prestando atenção? — perguntei.

— Estou sim — respondeu ele, me apertando um pouco mais em seus braços.

— Por que não está acompanhando com seu livro?

— Prefiro te abraçar e fazer carinho em seu cabelo.

Suspirei e sorri.

— Podemos focar no texto, Arth?

— Podemos focar na gente um pouco, amor?

Arthur me chamou de amor mais uma vez. Aquilo me derreteu completamente.

— Quer fazer uma pausa?

— Quero conversar sobre a gente.

Ele tirou o livro de economia da minha mão, o fechou e envolveu as pernas em minha cintura.

— Sobre o que quer falar? — perguntei, apreensivo.

— Você já esteve com alguém antes?

— Como assim?

— Você já teve um namorado?

Balancei a cabeça negativamente.

— Você nunca esteve com um garoto? Intimamente falando, sabe?

— Não.

Estremeci.

— Tem vontade? — perguntou.

— De quê? — questionei, já envergonhado.

— De fazer coisas que todos os casais fazem — sussurrou ele, próximo a minha orelha.

Não consegui responder. Eu estava me excitando de novo e seria quase impossível esconder.

— É brincadeira, amor — disse ele, me soltando e se afastando para levantarmos do chão. — Acho melhor nos prepararmos para dormir. Está ficando tarde.

Concordei.

Coloquei a bermuda e a camiseta que eu tinha separado para aquela noite. Enquanto eu guardava os livros e cadernos que usamos para estudar, Arthur arrumou a cama e desceu para o andar inferior para conferir se a casa estava trancada. Pelo jeito dormiríamos na mesma cama, e aquilo estava começando a me deixar ansioso.
Depois de escovarmos os dentes, finalmente fomos deitar. Arthur apagou a luz e deixou apenas acesa a do abajur que fica na mesinha de cabeceira ao lado da cama. Mesmo deitados um ao lado do outro, ele e eu ficamos um tempo mexendo em nossos celulares. Eu estava muito nervoso. Ao mesmo tempo em que desejava que alguma coisa acontecesse, eu pensava em como seria capaz de agradar um garoto como o Arthur. Eu estava com medo de fazer alguma coisa errada ou me exceder e passar uma má impressão.

— Acho que vou conseguir — disse Arthur, desligando o celular.

— O quê? — perguntei, também desligando o meu e virando meu corpo para ficar de frente para ele.

— Jogar como titular no próximo jogo do campeonato — respondeu, se aproximando um pouco mais de mim.

— Isso é ótimo — falei, animado. — Com certeza você merece uma chance, Arth.

— Obrigado, Alec — agradeceu ele, diminuindo ainda mais a distância entre nós naquela cama.

Foi impossível controlar. Como eu disse antes, Arthur estava mais à vontade comigo. Ele aproximou o rosto do meu até quase me beijar. Senti a mão dele acariciar meu pescoço, depois descer por meu braço até segurar minha mão.

— Alec, você não respondeu minha pergunta.

— Qual pergunta?

— Tem vontade?

Fechei os olhos e suspirei.

— De quê?

— De ficar comigo.

— Não foi essa a sua pergunta, Arth.

— Então qual foi minha pergunta?

Continuei de olhos fechados. Eu queria ficar com ele, mas não sabia como começar.

— Se você quiser parar, é só me avisar — disse Arthur, guiando minha mão até o corpo dele.

Meu coração estava acelerado e torci para que minha mão não estivesse trêmula ou molhada de suor por conta da ansiedade. Ainda de olhos fechados, esperei por um beijo do Arthur, mas fui surpreendido com o destino para o qual minha mão fora levada.

— Gosta disso? — perguntou ele.

Eu não sabia o que responder, apenas continuei o carinho que ele queria que eu fizesse.

— Você quer ele? — perguntou Arthur, enquanto eu o estimulava.

— Eu nunca fiz isso — confessei, envergonhado.

— Não deve ser tão difícil. Se você não gostar, pode parar sem problema.

Matthew, tentarei não dar detalhes muito explícitos de como foi minha primeira experiência sexual, até porque, você sabe o quanto eu ficaria com vergonha de você depois. O que posso dizer é que não houve penetração, por mais que eu tivesse me preparado para isso. Também não foi tão difícil quanto eu tinha imaginado. Foi excitante para mim, ainda que ele não tenha feito o mesmo comigo. Arthur gemia, sorria e suspirava enquanto eu trocava o estímulo com minha mão pela minha boca. Percebi que ele gostava especialmente do roçar da minha língua, então fiz aquilo repetidas vezes para poder ouvi-lo gemer um pouco mais, sabendo que o estava satisfazendo. Por sorte, percebi quando ele estava prestes a chegar lá e aumentei o ritmo enquanto ele quase se contorcia.

Ok, já chega! Você não precisa saber de tudo isso, Matthew.

Na manhã de hoje, Arthur já havia levantado quando despertei. Ainda no quarto, ouvi barulho de panelas no andar inferior. Joguei uma água no rosto, penteei um pouco a bagunça que estava o meu cabelo e desci até a cozinha ainda um pouco zonzo de sono.

— Bom dia, dorminhoco — disse Arthur assim que entrei na cozinha.

— Bom dia — murmurei, soltando um bocejo longo e preguiçoso.

— Pode colocar comida para o Thor enquanto preparo nosso café da manhã? — perguntou Arthur, apontando para um saco grande de ração para cachorros em cima da bancada.

— Quem é Thor?

Arthur tem um cachorro lindo da raça Husky Siberiano. Eu ainda não o tinha visto porque ele havia acabado de voltar de um dia inteiro no veterinário para tomar banho, cortar as unhas e fazer uma série de consultas. Depois de colocar ração para o cachorro e sentar à mesa para o café da manhã, Arthur lembrou de um assunto não muito agradável...

— Sobre aquele dia, depois que saímos do Cyber... — começou ele enquanto colocava a mesa. — Você me deixou preocupado. Você disse que queria conversar comigo sobre isso, lembra?

— Sim — confirmei, sentando à mesa.

— O que aconteceu com você?

Matthew, é difícil falar sobre isso, mas assim como confio em você, também preciso confiar no Arthur. Você é meu melhor amigo e ele é o garoto que eu amo.

— Foi um acidente, eu acho — comecei. — Não lembro ao certo quando ou como aconteceu.

— Lembro que você comentou alguma coisa sobre esse acidente — disse ele. — Você também falou sobre síndrome do pânico ou algo assim, não é?

— É — confirmei. — Esse acidente não me causou danos físicos, mas meio que danificou meu psicológico.

Arthur ficou sério, sentou a meu lado e pegou minha mão carinhosamente.

— Como assim? — perguntou ele.

— São apenas crises momentâneas de ansiedade e medo — expliquei. — Os médicos disseram que desenvolvi síndrome do pânico e amnésia dissociativa, pois não lembro do acidente ou do que aconteceu dias antes ou depois dele. Minha mãe disse que fiquei internado por um tempo por causa do trauma, mas não consigo lembrar de nada.

Fechei os olhos por alguns segundos, mas por mais que eu tentasse lembrar o que tinha acontecido naquele dia, quase nada vinha à minha mente. A única coisa que consigo lembrar é uma conversa que tive com você, Matthew...

— Matthew estava chateado, pois não íamos no mesmo ônibus. Lembro até que nos despedimos no estacionamento do colégio em que estudávamos juntos.

— Matthew é aquele amigo que você me falou, não é?

— Sim, ele mesmo! Ele é meu melhor amigo desde que éramos pequenos.

Arthur parecia chateado e incomodado com alguma coisa.

— O que aconteceu depois que você entrou no ônibus? — perguntou.

Fechei os olhos novamente para tentar lembrar, mas não consegui. Matthew, a última imagem que lembro é você caminhando em direção ao outro ônibus.

— Não lembro o que aconteceu depois, mas pelo que minha mãe disse, o ônibus em que eu estava perdeu o controle, desceu uma ladeira e...

Não percebi que eu tinha começado a chorar. Estar com o Arthur aliviava meu medo daquele assunto, mas a angústia que sempre sinto quando falo sobre isso não desapareceu.

— Alec, espera... — disse Arthur, tentando me interromper.

— Ele só parou quando caiu nas árvores. Mais da metade dos meus colegas sofreram ferimentos graves.

— Tudo bem, já chega — disse ele, enxugando as lágrimas do meu rosto carinhosamente com a mão. — Não precisa falar disso se não quiser, ok?

Foi um momento delicado, mas eu estava ao lado do garoto que mais amo. Por mais difícil que seja esse assunto, falar com uma pessoa que considero especial para mim fez toda a diferença. Você sabe que não costumo falar sobre meus sentimentos.

— Arth? — chamei quando percebi que aquele assunto o tinha deixado desconfortável.

Arthur parecia inquieto e aborrecido.

— Eu sou um babaca — disse ele de repente. — Sou uma das pessoas mais escrotas que existe.

— Como assim? — questionei, franzindo o cenho. — Você não é babaca e nem escroto.

— Sim, eu sou! Eu sou um idiota que não merece seu carinho ou sua atenção — disse Arthur, apoiando a cabeça sobre as mãos.

— Por que está falando isso? — questionei, ainda sem entender o que estava acontecendo.

Ele ficou calado por um longo momento. Acho que estava pensando no que ia responder. Arthur balançava a cabeça, mordia o lábio inferior, resmungava e batia o punho sobre a mesa como se estivesse com raiva de alguma coisa.

— Arth?

— Prometo que vou ficar ao seu lado, Alec. Vou te proteger e não vou deixar que nada de ruim te aconteça.

Sorri.

— Também vou ficar ao seu lado, Arth. Também quero te proteger e...

— Por favor, não esqueça da promessa que você fez de não se aproximar e não dar bola para o Asher.

— Asher? Como assim?

— Ele não é o que você pensa, mas isso acabou. De agora em diante estou com você, e nada vai separar a gente, ok?

Franzi o cenho, estranhando aquela conversa, mas concordei.

Depois do café da manhã, Arthur e eu voltamos a estudar. Senti uma leve mudança no comportamento dele. Arthur estava ainda mais atencioso e carinhoso comigo. Sei que ele estava assim por causa do que contei sobre meu acidente, mas tudo bem. Ter o apoio e o carinho dele já bastaram para meu dia ser mais que especial. Os pais dele chegaram pouco antes do almoço e me convidaram para ficar até o jantar, mas eu tinha coisas para fazer em casa e também não queria preocupar minha mãe. Fui embora pouco depois das três da tarde, mesmo minha vontade sendo ficar com o Arthur para sempre.

Matthew, por favor, não me julgue pelo que aconteceu na casa do Arthur. Como somos um casal, coisas assim têm que acontecer. Sei que ele ainda não me pediu em namoro, mas tenho certeza que esse pedido não vai demorar.
Desculpe, mas estou com muito sono. Quando voltei para casa, ajudei minha mãe a lavar e passar a roupa acumulada da semana. Perdi a noção do tempo escrevendo este e-mail e não percebi que já era tarde. Aguardo sua resposta, pois quero muito saber o que você tem a dizer depois de tudo isso que me aconteceu.

Obrigado por sempre estar aqui comigo.

Alec Stevens.

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