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30 de novembro – Sexta-feira
Assunto: Será que o Arthur tem ciúme de mim?

- A primeira parte do capítulo é exclusiva no livro físico -

Na hora da saída, coincidentemente recebi uma mensagem de texto do Phillip dizendo que estava me esperando no estacionamento para me levar para casa.

— Oi, gatinho. — Phillip cumprimentou antes de me abraçar.

— Oi, Phillip — respondi, retribuindo aquele abraço.

— Vim para te levar pra casa. Você está me devendo uma conversa, lembra?

— Lembro! Tivemos que cancelar duas vezes.

— Eu te perdoo — disse ele, colocando a mão em meu ombro.

E, para meu desespero, sabe quem apareceu justamente naquele momento? O Arthur, é claro!

— Vamos embora, Alec? — perguntou Arthur, encarando Phillip diretamente.

— Você já vai? — perguntei. — Achei que teria treino hoje.

— Sim, mas foi cancelado — disse ele, desviando a atenção para mim por um momento, sorrindo e voltando a encarar Phillip com uma expressão séria.

— Esse é meu amigo, Phillip. — O apresentei.

— Muito prazer, Phillip. — Arthur cumprimentou estendendo a mão para ele. — Me chamo Arthur.

— O prazer é meu, Arthur — retribuiu Phillip.

— Então era dele que o Harris estava falando no almoço? — questionou Arthur, não desviando o olhar do Phillip nem por um segundo.

— Sim... Quero dizer, não! — exclamei confuso.

— Quando você ia me contar sobre isso? — Arthur perguntou parecendo decepcionado. — Thomas disse que era apenas uma zoação, Alec.

Contar sobre o quê? — questionou Phillip, não entendendo o que estava acontecendo.

— Que o Alec fingiu gostar de mim e me enganou para ficar com você — respondeu Arthur, parecendo irritado.

— Como assim?! — questionou Phillip, cruzando os braços.

— Phillip e eu somos amigos — falei, já nervoso com a situação.

— Eu vi vocês se abraçando e trocando olhares, Alec — disse Arthur, virando para mim. — Sem falar que você mentiu, pois o tal Phillip existe e está bem na nossa frente.

— Calma aí, Arthur, não é bem assim — disse Phillip, descruzando os braços e colocando a mão no ombro do Arthur amigavelmente.

— Não encosta em mim, rapaz! Não lhe dei essa liberdade! — exclamou Arthur, empurrando a mão do Phillip de forma rude.

— Arthur, você está enganado, pois eu... — Tentei falar, mas foi em vão.

— Enganado?! Venho aqui de boa me despedir de você e pego os dois se abraçando e quase se beijando? Vamos embora daqui logo, Alec — disse Arthur, pegando minha mão e me puxando para ir com ele.

— Você não pode falar com o Alec desse jeito. Ele não fez nada de errado! — exclamou Phillip, aumentando o tom de voz.

— Jura?! E você vai fazer o que a respeito, Phillip? — questionou Arthur, soltando minha mão e se aproximando do Phillip para encará-lo de frente.

— Arthur, calma! O que você est... — Tentei falar de novo, mas novamente em vão.

— Não vou deixar você enganar o Alec e zoar com ele! Conheço muito bem garotos como você, Arthur — disse Phillip, aceitando a provocação e encarando o Arthur da mesma forma.

— Conhece, é? — ironizou Arthur, chegando ainda mais perto.

Eles estavam tão próximos que, se alguém visse de um ângulo diferente, pensaria que estavam prestes a se beijar. Brincadeiras à parte, eles estavam prontos para brigar um com o outro.

— Desconfio que você está zoando com o meu amigo, e eu não vou deixar você fazer mal a ele — disse Phillip.

— Não estou zoando com o Alec — resmungou Arthur.

— Sua carinha de inocente não me engana — retrucou Phillip.

A discussão encerrou por ali, mas os dois continuaram se encarando por mais alguns segundos antes do Arthur pegar minha mão novamente e me puxar para nos afastarmos do Phillip. Andamos entre alguns carros até chegarmos à parte de trás do estacionamento. Arthur sabia que não haveria alunos naquele local, então seria um lugar perfeito para conversarmos.

— Ele é o Phillip que Thomas estava falando? — perguntou Arthur, parecendo chateado.

— Arthur, Thomas estava...

— Por que você mentiu?! Achei que você gostava só de mim.

— Eu gosto só de você, Arthur.

— Então quem é esse Phillip que você estava abraçado? — questionou ele, cruzando os braços.

— Uma vez, Thomas e Nina desconfiaram que eu estava gostando de alguém do time de basquete e até suspeitaram que era você. Para despistar, eu disse que gostava do Phillip, e hoje o Thomas perguntou sobre ele. — Acho que foi essa a explicação que dei. Talvez com uma ou outra palavra diferente, mas foi mais ou menos isso.

Arthur descruzou os braços e relaxou aquela expressão séria.

— Jura pra mim, Alec?

— Juro por tudo o que você quiser, Arthur.

— O que esse Phillip estava fazendo aqui então?

— Ele veio me dar uma carona pra casa.

— Te levar pra casa? Que audácia daquele filho da mãe! — resmungou Arthur, de forma fofa.

Começamos a rir. Eu estava desconfiado de uma coisa, mas precisava perguntar para ter certeza...

— Você está com ciúme do Phillip? — perguntei.

Arthur parou de rir e me olhou com uma expressão de dúvida. Ele piscou aqueles lindos olhos puxados algumas vezes, balançou a cabeça negativamente e sorriu como se estivesse envergonhado.

— Não estou com ciúme, Alec.

— Parece que está.

— Só pensei ter perdido você. Não foi ciúme, acho.

— Você não vai me perder, ok?!

Arthur assentiu e voltou a sorrir. Ele e eu concordamos que o melhor era continuar falando para Thomas e Nina que Phillip era meu crush, pois não levantaria suspeita da nossa relação. Antes de nos despedirmos no estacionamento, Arthur me passou o endereço da casa dele e disse que estava me esperando lá na parte da tarde do sábado para estudarmos.
Fui embora com Phillip. Ele não quis comentar sobre o que tinha acontecido, mas não gostou nem um pouco da primeira impressão que teve do Arthur. Phillip pediu para eu ter cuidado, pois ainda achava aquela história muito estranha e não acreditava nos sentimentos que Arthur dizia ter por mim.

Sobre amanhã, estou tão ansioso que acho que nem vou conseguir dormir. Passar a noite na casa do Arthur é mais do que a realização de um sonho. Não sei o que fazer, o que vestir ou como me comportar.
Me deseje sorte, Matthew!

Obrigado por sempre estar aqui comigo.

Alec Stevens.

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