trinta e oito.

EuTeAmo.com | trinta e oito.

06 de fevereiro – Quarta-feira.
Assunto: Mensagens românticas.

Caro Matthew,

Sinto que há algo errado com você. Eu entendo que também passou por um trauma por causa do acidente, mas já era para você ter dado alguma notícia. O que me tranquiliza é que logo poderei te visitar para matar a saudade. Como de costume – e acho que você me mataria se fosse diferente –, vou contar o que aconteceu nos últimos dias.

Oliver me surpreende a cada dia. Desde sexta-feira passada tenho recebido e-mails com mensagens românticas e músicas que estou adorando colocar em minha playlist. Separei alguns para te mostrar:

Assunto: A única exceção.

"Eu estava terminando de arrumar o meu quarto quando essa música começou a tocar. A letra me fez lembrar de você.

Talvez em algum lugar profundo da minha alma eu saiba que o amor nunca dura
E nós temos que arranjar outros meios de seguir em frente sozinhos e manter a cabeça erguida
Eu sempre vivi assim, mantendo uma distância confortável
Até agora jurei pra mim mesma que eu era feliz com a solidão
Porque nada disso nunca valeu o risco
Mas você é a única exceção

Música: Paramore – The Only Exception

Com carinho, Eastern Sun 17"

Eu já conhecia essa música da banda Paramore, mas foi a primeira vez que parei para ouvi-la e prestar atenção à letra.
No mesmo dia, recebi outro e-mail bem romântico:

Assunto: Estudando Shakespeare...

"Não chores mais o erro cometido;
Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;
O sol no eclipse é sol obscurecido;
Na flor também o inseto faz seu ninho;
Erram todos, eu mesmo errei já tanto,
Que te sobram razões de compensar
Com essas faltas minhas tudo quanto
Não terás tu somente a resgatar;
Os sentidos traíram-te, e meu senso
De parte adversa é mais teu defensor,
Se contra mim te escuso, e me convenço
Na batalha do ódio com o amor:
Vítima e cúmplice do criminoso,
Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

Eastern Sun 17."

Oliver parece realmente gostar de mim, e não faço ideia do que dizer para ele. Por isso não tenho respondido esses e-mails. Mas ele não pareceu se importar com a falta de respostas...

Na segunda-feira de manhã, encontrei com o Oliver na entrada do colégio. Ele estava na companhia do Thomas e da Nina. Eles me esperavam chegar para começarmos as atividades do dia.

— Que sorriso é esse, Sr. Alec? — perguntou Thomas, com aquele tom brincalhão de sempre.

— Sorriso? — retruquei.

— Parece que alguém acordou apaixonado e inspirado hoje — disse ele.

— Deixa ele em paz, Thomas! — resmungou Nina, dando um soco no ombro dele e me cumprimentando com um beijo no rosto.

— Bom dia, Alec! — disse Oliver, antes de me abraçar.

— Oi, Ollie! — retribui.

Thomas e Nina se adiantaram e entraram no colégio deixando Oliver e eu para trás. Ele parecia envergonhado... Acho que eu não era o único que estava sem graça por causa dos e-mails.

— E então, Alec...

— Sim?!

— Você pensou sobre o baile?

— Você não vai desistir, não é?

— Não mesmo!

Suspirei e balancei os ombros.

— Eu vou com você, mas vamos como amigos!

Oliver abaixou a cabeça e pareceu desapontado com a resposta, mas voltou a sorrir quando o puxei para entrarmos.

Me separei dos meus amigos por um momento para pegar os livros das primeiras aulas em meu armário. Assim que o abri, um pedaço de papel caiu da entrada de ar. Era um bilhete... do Oliver!

"Não importa a hora, nem o lugar...Quando você ler este bilhete, estarei pensando em você."

Aquele bilhete não foi escrito à mão. Oliver deve ter impresso em casa, dobrado daquele jeito fofo e colocado em meu armário antes de eu chegar ao colégio. Foi estranho, pois confesso que me sinto mal por ele ter esses sentimentos por mim. Nunca dei esperanças ou sinais de que estava interessado nele. Oliver é um garoto gentil, doce e romântico, mas não esqueci o Arthur, e a cada dia que passa sinto a saudade e o sentimento que tenho por ele crescerem ainda mais. Principalmente agora que estamos nos reaproximando.

Ontem Arthur concordou em fazer a atividade da aula de inglês comigo. Estávamos concentrados na matéria e ficamos em silêncio a maior parte do tempo. Nossas mãos se encostaram umas três ou quatro vezes... Parece algo bobo, mas foi especial, pois ele ficou envergonhado todas as vezes que isso aconteceu.

— Com quem você vai ao baile de inverno? — perguntei, quebrando aquele silêncio constrangedor.

— Estou de castigo.

— Por quanto tempo você vai ficar de castigo?

— Três meses.

— Tudo isso?! É muito tempo!

— Asiáticos... — resmungou ele, revirando os olhos.

Arthur pegou o celular do bolso da blusa, o desbloqueou e abriu sua caixa de mensagens. De relance, percebi que ele estava respondendo uma mensagem do Thomas. Não consegui ler o que estava escrito, mas dava para ver o nome do meu melhor amigo na aba de destinatários.

— Mandando mensagem para o Thomas? — perguntei, confuso.

— Ah, sim! — respondeu Arthur, desligando o celular.

— Dias atrás vi os dois chegando juntos... Desde quando vocês são amigos?

— O Harris me procurou para pedir desculpa pelo soco que me deu naquele dia.

É notável que o Arthur ainda se sente culpado por tudo o que aconteceu, mas tentei deixá-lo confortável e demonstrar, mais uma vez, que deixei toda aquela história de lado.

— Quando começam os jogos do campeonato nacional?

— No meio do mês de junho.

— Você entrará como titular?

— Provavelmente não.

Apertei os lábios para demonstrar insatisfação e empatia por aquela resposta.

— Como está sua relação de amizade com o Asher? — questionei, curioso.

— Asher e eu nos entendemos, mas não estamos conversando como antes. Ele entende que pisou na bola e que se excedeu. Também me pediu desculpa e disse que nunca mais vai te incomodar.

— Então vocês são amigos de novo?

— Estamos mais para colegas de colégio e parceiros de time — disse Arthur antes do sinal tocar e começar a arrumar as coisas para irmos embora.

Matthew, ainda sinto uma certa distância da parte dele em relação a mim, mas também sinto seu carinho em cada palavra e olhar. Se você soubesse como isso me trava... Como vou conseguir lutar pelo garoto que mais amo se toda vez que estou perto dele, meu corpo e meu coração me sabotam, me deixando sem saber o que fazer ou dizer?

— Te vejo amanhã, Arth?

— Vai ter que me aturar todos os dias, Sr. Stevens — disse ele, com aquele sorriso fofo e especial.

Meu coração acelerou.

— Podíamos tomar um sorvete amanhã depois da aula.

— Meus pais cortaram a minha mesada. Não tenho dinheiro nem para comprar um sorvete.

— Eu pago!

— Estou de castigo, lembra? Meu pai está me esperando lá fora para me levar para casa. Pelo menos meu celular e meu computador ele liberou quando acabou a suspensão — disse ele, se despedindo e saindo da sala.

Matthew, tenho certeza que esse castigo será um grande obstáculo para Arthur e eu nos entendermos. Será que terei que esperar três meses para tentar a reaproximação que tanto quero? Talvez esse tempo seja bom para ele repensar, esquecer nossos problemas e se perdoar.

Hoje lembrei de uma coisa muito importante que aconteceu há dois meses. Naquele dia eu estava precisando de ajuda e ele apareceu para me salvar. Então, acho que chegou a minha vez de ajudá-lo...

— Nunca esqueci o que você fez por mim, Arth — comentei, tirando um envelope da mochila no meio do corredor do colégio.

— O que é isso? — perguntou ele, surpreso.

— Quando me acusaram de roubar o Cyber, você entregou duzentos dólares em dinheiro para a Sra. Walsh.

— Não, Alec! Aquele dinheiro foi para...

— Por favor, aceita! Você está sem mesada.

— Não posso aceitar esse dinheiro.

— Se você não aceitar, vou ficar muito bravo!

Arthur resistiu, mas pegou o envelope e aceitou a devolução do dinheiro. Ele queria me dizer alguma coisa, mas um de seus amigos o chamou naquele exato momento para avisar que o treinador estava esperando o time na quadra para dar algum aviso importante.
Espero tê-lo ajudado com esse dinheiro.

Não falei com o Oliver sobre os e-mails... Thomas, Nina, ele e eu estávamos ocupados demais discutindo sobre o baile e planejando fazer compras na sexta-feira depois do colégio. O tema do baile será "Inverno em Paris" e os alunos têm que ir com seus melhores trajes de inverno. Chamei o Phillip para fazer compras com a gente, pois o conhecimento que ele tem sobre moda é bem mais avançado que o meu, então não vou correr o risco de passar vergonha se ele me ajudar.

Pretendo te ligar no final de semana, pois estou preocupado com a sua ausência das redes sociais. Te stalkeei minutos antes de te enviar este e-mail e notei que você não tem atualizado seu Instagram, seu Twitter, seu Facebook e nem entrado em sua conta do League Of Legends. Logo você que é cem vezes mais viciado do que eu!

Tenho alguns trabalhos para fazer, além das compras com meus amigos e do baile de inverno, então não sei quando vou te escrever o próximo e-mail. De qualquer forma, não se preocupe, pois vou te contar tudo o que acontecer no baile, mesmo sabendo que não acontecerá nada de importante.

Obrigado por sempre estar aqui comigo.

Alec Stevens.

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