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EuTeAmo.com | quatro.
31 de outubro – Quarta-feira
Assunto: Não estranhe o horário.
Caro Matthew,
Sei que você vai estranhar o horário do envio deste e-mail, mas saiba que estou escrevendo da biblioteca do colégio. Eu não consegui dormir direito essa noite de tanta ansiedade pelo dia de hoje. Vou te explicar os motivos...
Ontem, minha professora de inglês passou um trabalho sobre literatura irlandesa e deu até sexta-feira, antes do baile de outono, para minha turma entregar. Cada aluno pegou um tema e o meu foi um dos mais tranquilos de fazer, pois eu já havia estudado sobre aquele assunto e sobre o autor Oscar Wilde. A obra que escolhi apresentar foi "A importância de ser prudente".
Na aula de matemática, Thomas ficou grudado em mim todo o tempo. Foi meio chato. Até ouvi nossos colegas brincarem com a possibilidade de estarmos namorando. Ele me explicou que estava tentando escapar do convite da Nina para o baile, mesmo já tendo contado a ela que ia comigo. Acredito que isso deixou Nina com muita raiva. Ela ficou emburrada a aula toda e até foi embora sem se despedir da gente.
Assim que cheguei ao trabalho, o Sr. Walsh me recebeu com uma pequena cesta de café da manhã para agradecer por o ter acompanhado ao médico no último sábado. Apesar de eu ter ficado muito feliz, percebi que ele ainda não tinha se recuperado e que era muito arriscado ele trabalhar o dia todo sozinho. Conversamos sobre a possibilidade de ter um ajudante na parte da manhã, mas o Sr. Walsh disse que não queria ninguém além de mim cuidando da loja.
Espero que o Sr. Walsh melhore logo, pois eu não gosto de vê-lo assim.
O ponto alto da tarde foi quando Arthur Arthit entrou no Cyber Café com alguns amigos do time de basquete. Os amigos dele colocaram tempo para acessar os computadores da loja e jogarem em rede, mas Arthur usou o computador para começar a fazer o trabalho de literatura irlandesa.
O movimento na loja estava intenso e nem percebi o tempo passar. Fiquei tão distraído com o trabalho que não vi que os amigos do Arthur tinham ido embora e o deixado sozinho no Cyber terminando o trabalho de inglês.
Foi aí que o destino me premiou fazendo com que o Arthur precisasse de mim pela primeira vez...
— Droga! — exclamou ele.
Arthur parecia preocupado e bem irritado. Ele abaixou a cabeça e bateu a testa no teclado do computador algumas vezes resmungando sem parar a palavra "merda".
— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, saindo do balcão para ir até ele ver o que estava acontecendo.
— Perdi todo o arquivo do trabalho de inglês que eu estava fazendo — disse ele, colocando uma das mãos sobre a testa e suspirando de raiva. — Fechei tudo sem querer antes de salvar.
— Não há um jeito de recuperar o trabalho? — Coloquei-me ao lado dele para auxiliá-lo.
— Eu não faço ideia. — disse Arthur. — Estou tão nervoso que não sei nem o que fazer.
Eu não entendi como o Arthur conseguiu apagar um arquivo do computador de maneira tão completa e definitiva. Eu conhecia alguns truques para recuperar arquivos perdidos, mas eles não funcionaram desta vez.
— Sobre qual autor e obra você estava estudando?
— Drácula, de Bram Stoker.
— Já estudei sobre ele e sobre essa obra. Se quiser, posso te ajudar a estudar e a refazer o seu trabalho. Você tinha escrito muita coisa?
Arthur voltou a suspirar desapontado, pigarreou e desviou a atenção completamente para mim.
— Quase o trabalho todo — respondeu me olhando diretamente.
Meu olhar encontrou o dele pela primeira vez desde o dia em que o vi correndo na quadra do colégio. Até então, eu tentava de todas as formas evitar qualquer contato visual direto com ele, mas por um pequeno instante não me policiei, e acabei me rendendo totalmente àquele olhar fixo e penetrante de seus olhos puxados e sedutores.
— Err...
— Você é da minha turma de inglês, não é?
— Sim!
— Seu nome é Alec, certo?
— Sim! Meu nome é Alec... Alec Stevens.
Eu estava tão hipnotizado por aquele olhar, que só depois de alguns segundos flutuando nas nuvens, me dei conta de que o Arthur sabia meu nome... Aquilo me deixou muito feliz!
— Qual autor e obra você vai fazer, Alec?
— A importância de ser prudente, de Oscar Wilde.
— Eu agradeço sua ajuda, mas não quero te atrapalhar. Você deve ter muitas coisas para fazer.
— Meu trabalho de inglês já está quase terminado. Só preciso escrever a conclusão para finalizar.
Tive que desviar meus olhos do olhar encantador do Arthur. Eu já devia estar com cara de bobo enquanto o admirava.
— Estou aqui há mais de quatro horas e nem consegui começar a conclusão. — disse ele.
Eu não queria perder a oportunidade de me aproximar dele.
— Vamos fazer o seguinte... — comecei, pedindo mentalmente a todas as forças divinas do universo que eu conhecia para Arthur aceitar minha proposta. — Eu vou adiantar algumas coisas aqui no Cyber e fechar a loja uma hora mais cedo. Ficará mais fácil, e aí eu te ajudo no seu trabalho de inglês sem preocupações.
— Isso não vai te trazer problemas? — perguntou Arthur com uma expressão muito fofa.
— Juro que não! — exclamei com um largo sorriso.
Para minha alegria, ele aceitou minha ajuda.
Antes de começarmos a fazer o trabalho, Arthur decidiu caminhar um pouco para esticar as pernas já que tinha ficado muito tempo sentado à frente do computador. Tinha anoitecido e a loja já estava fechada, mesmo faltando mais de uma hora para o horário normal de encerramento dos serviços. Eu sei que você deve estar querendo me matar neste momento, mas, por favor, compreenda que naquele momento eu já estava completamente ciente de que o Arthur tinha uma namorada, de que era heterossexual e de que só aceitou minha ajuda porquê realmente precisava.
— Demorei? — perguntou Arthur, entrando no Cyber com dois sacos de lanches nas mãos.
— Não — respondi, ajeitando as cadeiras dos computadores que íamos trabalhar. — Acabei de fechar o Cyber.
— Comprei isto aqui para você — disse Arthur, me entregando um dos sacos que estava segurando.
Se eu estivesse te contando isso pessoalmente, aposto que faria alguma piadinha sexual sem graça e eu teria que te dar um soco para você parar de ser palhaço. Matthew, lamento te fazer perder a piada, mas era somente café.
— Café e biscoitos? — perguntei, olhando o conteúdo do saco.
— Estou faminto — respondeu, sentando ao meu lado.
— Obrigado, Arthur — agradeci pegando meu copo de café com as mãos tremulas por conta da ansiedade.
Apesar de ter tido dificuldade para me concentrar no começo, logo relaxei e o ajudei com todo o conhecimento e ideias que eu tinha para o trabalho sobre a obra do Bram Stoker. Estávamos nos dando muito bem. Conversávamos descontraidamente enquanto pesquisávamos e fazíamos piadas sobre o colégio e o baile de outono. O tempo estava passando tão depressa que só percebi que já era tarde quando recebi uma mensagem de texto da minha mãe perguntando onde eu estava. Arthur também se assustou com o horário e começou a salvar os documentos do trabalho antes de fechar as páginas de pesquisa.
— Já está tarde e precisamos ir embora — disse Arthur, tirando o pen drive de arquivos do computador.
— Espero ter ajudado — falei, encabulado.
— Hoje você foi um anjo na minha vida, Alec — disse ele, dando dois tapinhas em minhas costas.
Pode acreditar, meu querido amigo. Eu, Alec Stevens, fui um anjo na vida de Arthur Arthit. Acho que você deveria fazer uma estátua com meu rosto e um corpo de super-herói de capa e espada para colocar na sua mesa de cabeceira.
Calma, calma! Isso não é tudo...
— Se você quiser, amanhã podemos terminar o trabalho. Eu posso fechar o Cyber uma hora mais cedo novamente — sugeri, esperançoso.
— Não quero te incomodar, Alec. Você já fechou mais cedo hoje e está aqui até agora me ajudando com o trabalho.
— Juro que não é um incômodo! — Devo ter parecido mais animado do que deveria.
Arthur concordou em continuarmos o trabalho hoje à noite. Combinamos de começar no mesmo horário e tentar não ficar até tão tarde. Ele me ajudou a limpar a loja antes de sairmos e fez questão de me acompanhar até o ponto de táxi, pois não conseguíamos parar de conversar e fazer piadas sobre assuntos relacionados ao colégio.
Minha opinião sobre o Arthur agora está totalmente diferente da que eu tinha antes de conhecê-lo melhor. Ele não é só um rapaz bonito, mas também é inteligente, simpático e amigável. Eu quero muito ser amigo do Arthur.
Preciso ir para a aula agora. Prometo te contar amanhã tudo o que acontecer, já que esta noite estarei ocupado.
Obrigado por sempre estar aqui comigo.
Até nos momentos de ansiedade.
Alec Stevens.
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