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15 de novembro – Quinta-feira
Assunto: Brincadeiras de garotos.

- A primeira parte do capítulo é exclusiva no livro físico -

Ainda na quarta-feira, logo após a Sra. Walsh ir embora da loja, Arthur apareceu no Cyber com seus amigos Asher e Zach. Os três me cumprimentaram, mas Arthur e Zach colocaram créditos em seus respectivos cadastros para jogarem online. Asher, por outro lado, ficou no balcão puxando conversa sobre o que tinha visto no parque na última sexta-feira.

— Quem mais do colégio sabe que você é gay? — perguntou.

— Fala baixo, por favor... — sussurrei, envergonhado e com medo do Arthur ouvir.

— Relaxa, ninguém vai ouvir nada — disse Asher, olhando para os computadores em que Arthur e Zach estavam.

Suspirei, mas não por estar aliviado.

— Só meus amigos Thomas e Nina sabem sobre mim.

— Se aquele garoto do parque não é seu namorado... Você tem namorado?

— Por que tanta curiosidade?

Não gostei das perguntas do Asher. Ele tinha um brilho estranho no olhar enquanto me interrogava.

— Me conta, por favor? — insistiu, mordendo o lábio inferior.

— Não tenho namorado, mas... — Respirei profundamente enquanto pensava em uma resposta.

— Mas... — insistiu novamente.

— Tenho um ex-namorado que mora na minha cidade natal e a gente ainda conversa por e-mails, mensagens e ligações — menti.

Matthew, desculpe te envolver nisso, mas tudo o que eu queria era tirar o Asher do meu caminho e não deixar dúvidas ou desconfianças na cabeça dele.

— Então vocês se correspondem?

— Todos os dias.

— Posso te fazer uma última pergunta?

— Se for a última...

— Você é ativo ou passivo?

Foi uma pergunta curiosa. Asher, o rapaz mais popular do colégio e capitão do time de basquete, estava querendo saber se eu era ativo ou passivo em uma relação sexual. Ele parecia entender o que estava perguntando...

— Você é gay? — perguntei intrigado.

— Claro que não — disse Asher, se recompondo e colocando as mãos nos bolsos do casaco.

— Por que a curiosidade em saber da minha vida sexual? — perguntei, cruzando os braços.

— Por que somos amigos, não é? — questionou.

— Isso não responde a minha pergunta, Asher — resmunguei, antes de perceber que Arthur e Zach me ouviram daquela vez.

— Eu não sou gay — sussurrou Asher, se afastando do balcão para ir jogar com seus amigos.

Foi estranho, Matthew. Estou pensando em ter outra conversa com o Asher em breve, pois quero saber o motivo de tanta curiosidade. Não acho que seja por ele também ser gay, mas... Deve ter algo errado.

Depois de um tempo, Asher e Zach foram embora deixando o Arthur terminando sozinho uma partida do jogo que eles costumavam jogar juntos. Nem preciso dizer que fiquei extremamente nervoso com aquela situação. Arthur estava mais uma vez sozinho comigo, mas nossa amizade estava mais avançada do que no dia em que o ajudei a fazer o trabalho de inglês.

— Já vai fechar, Alec? — perguntou Arthur, enquanto olhava o celular.

— Sim, já está na hora de fechar a loja.

— Quer ajuda?

— Não precisa, Arthur...

— Faço questão!

Arthur começou a me ajudar na loja, desligando os computadores manualmente e arrumando as cadeiras que alguns clientes tinham preguiça de colocar no lugar. Matthew, ele é muito atencioso e educado. Pesquisei um pouco sobre isso antes de te enviar este e-mail e descobri que a origem dele pode ser o motivo de tamanha educação e paciência. Arthur é de origem tailandesa, e os tailandeses têm o costume de serem educados, inteligentes e esforçados. Pelo menos foi isso que eu li no Google.

Apaguei as luzes, saí da loja acompanhado do Arthur e tranquei as duas fechaduras da porta da frente antes de ligar o alarme.

— Alec, você sente muito a falta dele?

— Dele quem?

— Do falecido dono da loja. Vocês eram amigos?

— Sim! O Sr. Walsh me faz muita falta.

— Ele morreu de alguma doença?

O assunto da morte do Sr. Walsh despertou aquele sentimento ruim que comecei a ter depois do que aconteceu com a gente naquela viagem de acampamento do colégio em que estudávamos juntos. Meu corpo ficou pesado e meu coração começou a acelerar, me fazendo ter dificuldade para respirar por alguns segundos. Perdi a audição e tudo ficou embaçado até eu conseguir me acalmar. Matthew, juro que fazia tempo que eu não tinha esses ataques de pânico repentinos.

— Alec! — chamou Arthur.

— Matthew? — perguntei, mas não sei o motivo de ter te chamado naquele momento.

Pode parecer assustador, mas eu estava sentado na guia da calçada na frente do Cyber. Eu não fazia a menor ideia de como e quando cheguei lá. Arthur estava abaixado na minha frente segurando meus pulsos. Também não entendi o motivo de ele estar me segurando e nem como ele chegou lá.

— Você está bem? — perguntou Arthur, preocupado.

— Desculpe, Arthur! Eu acho que... — Tentei falar, mas minhas ideias ainda estavam confusas.

— Quer que eu te leve pra casa? — perguntou, envolvendo um dos braços em minha cintura para me levantar do chão.

Eu não estava me sentindo bem.

— Alec, você está muito pálido.

— Está tudo bem, Arthur. Acho que foi só um mal-estar seguido de fome. Estou trabalhando demais ultimamente.

Depois de me ajudar a levantar da guia da calçada, Arthur ficou a meu lado até minha cabeça voltar ao lugar. Conforme fui melhorando, percebi que eu estava nos braços dele, me segurando para não cair. Claro que fiquei envergonhado com a situação, mas foi difícil pensar em algo além da sensação ruim que apertava meu peito querendo me fazer perder o foco novamente.

Não se preocupe, Matthew. Eu não tenho ataques de pânico há muito tempo e tenho certeza de que isso não vai acontecer de novo. Sobre o que aconteceu entre Arthur e eu depois que todo esse drama acabou... Não se preocupe, pois não rolou beijos, sexo selvagem ou um pedido de casamento. Lamento te desapontar, mas a única coisa que o Arthur fez foi me colocar em um táxi para eu ir em segurança para casa.

Hoje de manhã no colégio, pouco antes de começar a aula de inglês, Arthur ficou sentado a meu lado até a professora chegar. Ele disse que tinha dormido preocupado com meu estado de saúde e que eu precisava procurar um médico, pois viu que eu perdi o rumo por alguns segundos e aquilo poderia ser perigoso se acontecesse de novo. Tive que ser sincero com ele e contar os problemas que me perturbavam. Mas como eu já te disse, Matthew, não se preocupe! Tenho certeza que não vai acontecer de novo.

— Foi só um ataque de pânico — confessei. — Tive um problema em minha cidade natal e acabei ficando traumatizado. 

— O que aconteceu? — perguntou.

— Um acidente... Não lembro direito — murmurei, colocando uma das mãos na cabeça e respirando profundamente para afastar qualquer sentimento ruim igual ao da noite passada.

Não sei te explicar como acontece, Matthew... Sei que sinto uma angústia e um pânico que domina completamente o meu corpo. Sinto como se eu estivesse em um quarto escuro, sem portas ou janelas, e que as paredes são estreitas e sufocantes. O diferencial é que o Arthur estava a meu lado daquela vez. Eu o senti perto de mim, e as sensações ruins não conseguiram me dominar. Arthur envolveu o braço em meu ombro para me abraçar, chacoalhou meu corpo e bagunçou meu cabelo com uma das mãos para me animar. Thomas passou pela sala de inglês exatamente na hora em que o Arthur estava me tranquilizando com seu abraço amigável. Em um primeiro momento, Thomas nos observou com curiosidade, depois sorriu maliciosamente e entrou na sala para nos cumprimentar.

— Vocês são tão fofos juntos! — exclamou em tom de brincadeira.

— Você gostou, Harris? — perguntou Arthur, aceitando a brincadeira e me apertando um pouco mais nos braços dele.

— Gostei e estou completamente excitado — brincou Thomas, começando a rir.

— O Alec me deixa louco e me faz sentir coisas que nunca senti antes — disse Arthur, encostando os lábios dele em meu rosto.

Sim, Matthew... Brincadeiras bobas de garotos héteros. Eu sei que foi uma brincadeira, que Thomas e Arthur estavam zoando e que garotos heterossexuais fazem este tipo de piadinha escrota o tempo todo, mas eu gostei. Gostei porque pude sentir os lábios do Arthur em meu rosto pela primeira vez.

— Vou deixar você aí me traindo, Alec. Só passei para te cumprimentar — disse Thomas, acenando e saindo da sala de inglês.

— Até mais, Harris! — exclamou Arthur, acenando para Thomas enquanto ele saía.

Estou feliz pela aproximação que Arthur e eu tivemos. Nossa amizade cresce a cada dia e eu estou muito animado com isso. Para você ter uma ideia, Arthur passou o resto do dia a meu lado conversando sobre o campeonato regional. O primeiro jogo está marcado para amanhã. Ele até me convidou para ficar no colégio depois da aula para acompanhar o último treino antes do grande jogo, mas entendeu que eu não podia por causa do meu horário de trabalho no Cyber.

O espaço vazio que eu sentia em meu peito desde o dia em que saí da nossa cidade, me afastei de você e me mudei para cá, está quase preenchido. Minha mãe tem me ajudado bastante com o carinho e a paciência que tem comigo. Thomas se tornou meu melhor amigo e me anima muito com as piadas dele, mesmo que a maioria delas seja sem graça. Agora também tenho o Arthur. Por mais que eu saiba que meu amor por ele é impossível e que posso me ferir por causa desse sentimento, fico grato por ele gostar da minha amizade e companhia.
Tudo ficaria mais incrível e completo se você estivesse aqui comigo, meu amigo.

Amanhã é o primeiro jogo do campeonato e estarei lá para torcer pelo Arthur e pelos outros garotos do time de basquete. Nos deseje sorte!

Obrigado por sempre estar aqui comigo.

Alec Stevens.

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