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26 de novembro – Segunda-feira.
Assunto: Amo café da manhã!

Caro Matthew,

Hoje é um dos dias mais felizes da minha vida. A confirmação que eu precisava finalmente chegou e estou grato por ter me arriscado. Às vezes, precisamos nos arriscar para conquistar o que queremos.

Ontem à noite, recebi uma mensagem de texto do Arthur pedindo para eu ir ao colégio bem cedo, pois ele queria me mostrar uma coisa. Eu não fazia ideia do que poderia ser. Arthur se tornou uma pessoa misteriosa e imprevisível nos últimos dias. Enquanto lia a mensagem, constatei que estar ao lado dele é tudo o que eu quero e preciso. Com ele, todos os meus medos, inseguranças e pensamentos ruins desaparecem. O sorriso, a voz e até seu jeito fofo de ser, me cativam e me fazem gostar cada dia mais dele.

Cheguei bem cedo ao colégio. O portão ainda estava fechado e não havia sinal de outros alunos no local. Arthur estava me esperando na lateral do prédio, próximo à entrada da piscina.
Eu já disse que ele fica lindo com o uniforme do time de basquete? Acho que já devo ter comentado algumas vezes.

— Demorei? — perguntei, antes do Arthur me abraçar.

— Que nada! Acabei de chegar — disse ele, me apertando em seus braços.

— O que você quer me mostrar? — Eu estava suspirando e sentindo meu corpo se arrepiar com o abraço e o cheiro do perfume dele.

Arthur segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos igual ao dia em que dormimos juntos em minha casa. Ele me guiou por um caminho estreito entre o prédio e um pequeno parque que tem na lateral do colégio. Tive uma grande surpresa quando cheguei ao lugar que ele queria me mostrar. Não parecia ser real. Eu queria que alguém me beliscasse para ter a certeza de que eu não estava sonhando.

— Um piquenique? — questionei, surpreso.

— Está mais para um simples café da manhã na companhia de alguém especial — respondeu ele.

Arthur tinha preparado um pequeno café da manhã com biscoitos, chocolate quente, bolo caseiro – que ele disse ter feito com a ajuda da mãe – e alguns pedaços de queijo com manteiga de amendoim. Tudo estava pronto em uma das mesinhas improvisadas daquele parque, que fica em uma área do colégio em que os alunos não têm permissão para entrar sem autorização.

— Podemos nos meter em problemas se ficarmos aqui — comentei, pouco antes de me sentar em um dos bancos.

— Eu assumo a responsabilidade — disse Arthur, sentando no mesmo banco, por trás de mim, me abraçando e apoiando o queixo em meu ombro.

— Arthur, o que está fazendo? — perguntei, envergonhado.

— Não posso abraçar você? — perguntou ele, pegando um pedaço do bolo para começar a comer.

Confesso que fiquei envergonhado no começo. Senti o peito do Arthur roçar em minhas costas e o "volume", que ele tinha guardado no calção de basquete, encostar de vez em quando em mim. Essas roupas de esporte com tecido fino um dia vão me matar, Matthew!

— E se alguém nos pegar? — perguntei, olhando para os lados.

— Ninguém vem aqui, Alec. É muito cedo e alunos não podem vir pra cá — respondeu Arthur, bagunçando meu cabelo com uma das mãos antes de voltar a comer o bolo.

Ele foi muito carinhoso comigo. Enquanto comíamos, em alguns momentos parava para fazer carinho no meu rosto e no meu cabelo. Por isso, fiquei confuso e preocupado. Arthur nunca se comportou daquela forma comigo e eu não fazia ideia das intenções ou pensamentos dele. Até tentei relaxar, mas meu corpo respondia de maneira oposta. Me mantive tenso e alerta durante todo o café da manhã.

— Estou tentando entender... — murmurei, enquanto comia alguns biscoitos.

— O quê? — perguntou, de boca cheia.

— Você e eu. — Estava agradecido por ele estar sentado atrás de mim e não conseguir ver meu rosto pegando fogo de vergonha.

— Eu gosto de você, ué. Você não gosta de mim? — perguntou, me apertando mais contra o corpo dele.

Estremeci ao sentir as partes dele encostarem em mim mais uma vez.

— Alec?

— Sim?!

— Você não gosta de mim?

— Claro que gosto.

— Só de mim?

— Só de você!

— Desde quando você gosta de mim?

— Desde a primeira vez em que te vi.

— E quando você me viu pela primeira vez?

— No segundo dia em que entrei neste colégio. Vi você treinando basquete na quadra com seus amigos.

Arthur suspirou e pigarreou.

— Mas, e o Thomas? Você gosta dele?

— Arthur, já falei pra você que ele é só meu amigo.

— E sobre o que falamos do Asher?

— Asher é legal, mas gosto só de você!

— Promete?

— Não confia em mim?

A insistência do Arthur em saber se eu gostava do Thomas ou do Asher era estranha e me deixava mais inseguro. Eu não queria dizer que o amo e que mais ninguém no mundo me interessava além dele. Nos conhecíamos há pouco tempo e, se eu dissesse aquilo, Arthur com certeza ia achar que sou louco. Qualquer um acharia isso...

— Você me falou uma vez sobre um tal de... Marcus... Michael...

— Matthew. — O corrigi, tentando virar meu corpo para ficar de frente para ele. Consegui apenas ficar de lado, mas ainda colado ao seu corpo.

— Ele é seu ex-namorado? — perguntou, sorrindo.

— Matthew é meu melhor amigo — respondi. — Ele mora na minha cidade natal e não nos vemos há muito tempo.

— Vocês nunca tiveram nada? — Arthur estava novamente duvidando dos meus sentimentos.

— Arthur, para! — resmunguei, colocando as mãos em seu rosto.

— O quê? — questionou ele, abrindo o sorriso mais lindo e perfeito que já vi na vida.

— De duvidar de mim — falei, envergonhado. — Não tenho mais ninguém além de você. Eu não consigo pensar em ninguém além de você.

— Também só tenho e só quero você, Alec — disse Arthur, colocando as mãos em meu rosto da mesma forma que eu tinha feito com ele.

Naquele momento senti que poderia beijá-lo, afinal, nós estávamos colados um no outro, segurando o rosto um do outro, olhando nos olhos um do outro e confessando nossos sentimentos. Qual seria o melhor momento para um primeiro beijo do que aquele? Mas calma, Matthew, fique calmo e não crie expectativas... Ele virou o rosto quando tentei beijá-lo.

— Err... Desculpa — falei, envergonhado e querendo que um raio caísse em minha cabeça naquele momento.

— Tudo bem, Alec! Você que tem que me desculpar. Eu não estava esperando por isso, pensei que... — disse Arthur, me abraçando com mais força.

— Tudo bem, eu me excedi um pouco — falei, interrompendo o que ele ia dizer.

— Não! Eu fui um perfeito idiota — disse ele. — É que nunca beijei um garoto. Seria a primeira vez, então...

— Eu entendo completamente, Arthur — afirmei, interrompendo-o novamente e forçando um sorriso para disfarçar meu nervosismo.

Arthur continuou abraçado comigo e não me soltou até ouvirmos vozes de pessoas por perto. Antes de levantarmos, ele beijou meu rosto e se desculpou mais uma vez pelo que tinha acontecido.
Matthew, se eu conheço bem os garotos da nossa idade, Arthur estava pensando em uma coisa... Sexualmente falando, sabe?

— Sou doido por você, sabia? — sussurrou ele em meu ouvido.

— O quê? — questionei começando a rir, descrente.

— Sou doido por você, por seu corpo, seu cheiro...

— Você nunca beijou um garoto e não deve ter ficado com um intimamente também, não é?

— Nunca — confirmou, começando a rir de um jeito tímido.

— Então, como você?...

— Quero ficar com você. — Arthur sussurrou antes de eu sentir o "volume" do calção dele roçar em meu corpo, mas de propósito daquela vez.

É claro que tenho desejos sexuais pelo Arthur, mas é óbvio que aquele não era o momento e nem o lugar de pensarmos em algo assim. Sem falar que eu nem tinha beijado ele ainda. Matthew, será que garotos heterossexuais que estão se descobrindo bissexuais não entendem a ordem dos acontecimentos de uma relação afetiva?

— Desculpa, Alec — disse Arthur, antes de eu ter qualquer reação. — Acho que passei um pouco do ponto com você.

— Tudo bem, Arthur. Acho que...

— Quero muito ficar com você, mas acho que ainda não estou pronto pra isso.

— Eu entendo.

— Eu gosto de você e quero ficar com você, mas, por favor, tenha um pouco de paciência comigo. Tudo isso é novo pra mim, sabe?

Assenti com um sorriso. A hora de sairmos daquele lugar e entrarmos no colégio tinha chegado. Arthur e eu voltamos para a entrada principal em silêncio. Não comentamos mais nada sobre o que havia acontecido momentos antes.

Matthew, estou confuso com tudo isso, mas feliz por saber que minha esperança e intuição não falharam. Arthur tem sentimentos por mim e quer ficar a meu lado. O único problema é que é tudo novo para ele, e pode ser um pouco difícil no começo. Estou disposto a esperar o tempo que for preciso para ele se sentir seguro comigo.

Ah! Eu estava esquecendo de uma coisa que aconteceu antes do Arthur encontrar os amigos dele no estacionamento do colégio.

— Alec, quero te pedir uma coisa — disse ele, descendo dois degraus da escadaria da entrada.

— O que quiser — falei, ainda flutuando em uma nuvem por causa dos momentos que tínhamos acabado de passar.

— Não conte para ninguém sobre isso. Gostaria que nossa relação fosse segredo. Não estou pronto para assumir para o colégio, para meus amigos ou para a minha família.

— Não se preocupe, Arthur — prometi.

— Obrigado — agradeceu com outro sorriso matador.

Eu sei, Matthew, eu sei! Não consigo evitar, por mais que eu tente. Arthur é tudo o que eu mais quero nessa vida. Eu idealizei o homem perfeito em minha cabeça, e a única imagem que consegui ver foi a do Arthur Arthit. Seus avisos de cuidado e alertas continuam em minha cabeça. Às vezes, sinto como se você estivesse a meu lado, me beliscando e pedindo para eu não mergulhar de cabeça neste sentimento, mas agora é tarde. Estou disposto a correr o risco.

O resto do meu dia foi normal. Thomas e Nina estavam brigado de novo e já perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu. Arthur, Asher e Zach passaram na nossa mesa na hora do almoço para nos cumprimentar, mas não ficaram muito tempo.

No trabalho, estou me segurando para não brigar com a família Walsh. Tenho aguentado muita coisa e não sei quanto tempo mais vou conseguir suportar.

Em casa, minha mãe continua em pé de guerra com meu pai. Faço de tudo para não me meter, mas a cada dia fica pior. Minha vontade é de dizer umas boas verdades para eles.

Ainda bem que tenho você, o Arthur, o Thomas, a Nina, o Phillip, o Sam e minha mãe comigo. Nunca me senti tão feliz como estou me sentindo nesses últimos dias.
Você poderia morar comigo nesta cidade, não é? Pense sobre isso e me conte o que achou da ideia quando me responder.

Obrigado por sempre estar aqui comigo.

Alec Stevens.

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