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EuTeAmo.com | cinco.

02 de novembro – Sexta-feira
Assunto: Odeio ereções indesejadas.

Prezado Matthew,

Está cada vez mais difícil não pensar no Arthur.
Eu sei muito bem o que você vai dizer depois que ler este e-mail: "Muito cuidado com seus sentimentos por esse garoto hétero, Sr. Alec! Você está se arriscando e vai acabar se machucando." Eu sei, Matthew. Tudo está claro em minha cabeça, mas não sei como evitar falar ou pensar nele...

Ainda na quarta-feira, cruzei com Arthur no corredor principal do colégio. Eu estava a caminho da aula de história e ele estava junto a alguns amigos do time de basquete. Foi a primeira vez que ele me notou no colégio e acenou com uma das mãos. Aquela cena ficou passando em minha cabeça nas aulas de história, economia e matemática.
Thomas e Nina perceberam minha distração e precisaram soprar a nuvem em que eu estava flutuando.

— Terra chamando Alec! — exclamou Nina, chacoalhando meu ombro.

— Você está bem? — perguntou Thomas, franzindo a testa.

— Estou bem! — respondi, com um sorriso torto, depois de pigarrear.

Thomas estava um pouco mais flexível com Nina naquela manhã. Ouvi alguns murmúrios entre os dois e, ao que tudo indicava, eles tinham conversado e se entendido em relação ao baile. Thomas deixou claro que ia comigo, mas disse que aquilo não o impediria de dançar com a Nina.
No final da aula de matemática, Thomas pediu para eu esperá-lo após o termino das aulas, pois tinha um assunto sério para falar comigo. Eu não fazia ideia do que ele queria, mas era óbvio que era sobre Nina e um possível relacionamento entre os dois. De qualquer forma, na hora da saída, os dois foram embora agarradinhos e Thomas nem lembrou que tinha me pedido para esperá-lo.

A tarde pareceu infinita no Cyber Café. Primeiro porque era quinta-feira, e geralmente esse dia é pouco movimentado na loja. Segundo porque eu sabia que Arthur viria à noite para terminar o trabalho de inglês comigo. Minha ansiedade estava me sufocando e acho que devo ter bebido uns quatro ou cinco litros de água. Então, fique tranquilo! Se eu me decepcionar com o Arthur, pelo menos estarei bem hidratado.

Confesso que levei um susto pouco antes do Arthur chegar ao Cyber. O horário que marcamos já havia passado, e eu já tinha fechado a loja para recebê-lo e terminarmos o trabalho. As cadeiras já estavam arrumadas e o computador estava perfeitamente limpo e posicionado para trabalharmos tranquilamente. Fiquei andando em círculos e procurando qualquer imperfeição na loja. Até as mercadorias eu agrupei em ordem alfabética para passar o tempo.
Não dê risada, mas Arthur atrasou apenas quinze minutos do tempo combinado. Apesar disso, eu já estava preparado para que tudo fosse perfeito.
Não me julgue!

— Desculpe o atraso — disse Arthur entrando no Cyber com dois sacos de lanche nas mãos.

— Café e biscoitos? — perguntei tentando não sorrir como um idiota.

— Café e biscoitos! — confirmou me entregando um dos sacos.

— Aqui é um Cyber Café. — O lembrei. — Nós temos café!

— Tem café, mas não tem um Chocolate Frappuccino e biscoito de nozes com gotas de chocolate — disse Arthur, tentando imitar a voz do homem do comercial da Starbucks.

Senti meu rosto aquecer.

— Vamos continuar de onde paramos? — perguntei, completamente envergonhado.

— Sim senhor!

O tempo passou mais depressa do que eu gostaria. O trabalho já estava praticamente completo e só faltava terminarmos a conclusão. Lemos mais de uma vez na tela do computador e depois relemos a versão impressa para verificar se estava tudo certo. Arthur sorria e me agradecia a cada parágrafo que lia. Ele confessou que nunca tinha feito um trabalho tão incrível e que estava meio relaxado com os estudos desde que entrou para o time de basquete do colégio.
Foi aí que iniciou a conversa...

— Você vai com quem ao baile de outono? — questionou Arthur, guardando as coisas na mochila.

— Vou com Thomas — respondi. — Vamos como amigos.

— Se quiser, eu te ajudo a arrumar um par para o baile — disse ele. — Conheço uma garota que...

— Não, Arthur, não precisa! — O interrompi.

Sim, eu sei! Nem preciso dizer que meu sonho era que Arthur me convidasse para o baile de outono, mas sei que isso nunca vai acontecer.
Minha sanidade ainda está intacta, Matthew.

— Até convidei minha namorada para me acompanhar, mas ela não gostou da ideia de ir a um baile no colégio em que ela já deixou de estudar — disse Arthur, parecendo chateado.

— Ela estudava no nosso colégio? — perguntei.

— Ela estava no terceiro e eu no segundo ano quando começamos a namorar — explicou. — Hoje ela está na faculdade e não quer saber de bailes de colégio.

Como alguém tinha coragem de desperdiçar a oportunidade de sair com o Arthur?

— Então, você vai sozinho ao baile?

— Vou com meus amigos, mas não vou ficar muito tempo. Combinamos de ir para a festa que Zach está organizando na casa dele. Você deveria ir também. Vai ser legal!

— Isso é um convite?

Senti meu estômago embrulhar.

— É, eu... Acho que sim! — respondeu Arthur, estranhando a pergunta, mas sorrindo como sempre fazia.

A voz do Phillip ecoou na minha cabeça naquele momento: "Já fiquei com um cara hétero uma vez em uma festa, estávamos tão bêbados que ele nem se importou quando fiz um oral nele." Não consegui controlar meus pensamentos. Aquela conversa com Phillip veio à minha cabeça do nada.
Quando vou parar de ser tão idiota?!

— Eu vou! — respondi, nervoso e animado ao mesmo tempo.

Arthur continuou sentado na cadeira à minha frente, pegou o celular dele de um dos bolsos da mochila e se distraiu por alguns minutos. Enquanto isso, a conversa que tive com Phillip continuava a ecoar em minha cabeça: "Alguns caras heterossexuais são facilmente afetados por uma festa, uma garrafa de vodca e uma ereção. Eles se soltam e despertam uma bissexualidade oculta..." Me chame de pervertido sexual se quiser, Matthew, mas naquele momento, olhei o Arthur de cima a baixo e não consegui controlar meu corpo e minha imaginação...
Como um garoto podia ser tão lindo e ter um corpo tão perfeito?
Arthur estava com um tênis esportivo cinza e o calção branco do uniforme do time de basquete do colégio. As pernas e as coxas dele têm poucos pelos e são bem torneadas. Não precisei olhar muito para o calção do Arthur para perceber o volume que "aquilo" fazia. Eu não sabia se agradecia ou enlouquecia por ele estar usando aquele calção esportivo. A camisa que ele estava usando levava a bandeira do colégio de um lado e o logo do time de basquete do outro. Assim como o calção, a camisa também era de um tecido mais confortável e desenhava bem o corpo dele. Eu conseguia ver o peito definido do Arthur marcar a camisa toda vez que ele respirava. E aqueles braços... Arthur provavelmente fazia academia além de treinar basquete, pois não era possível um rapaz de dezessete anos ter um corpo tão definido e perfeito daquele jeito apenas fazendo arremessos.

Se você estiver rindo da minha situação, juro que acabo com você quando eu tiver chance. Para a sua informação, Matthew, não foi fácil esconder que eu estava extremamente excitado naquele momento. Eu também estava usando uma bermuda, e o meu "aquilo" estava extremamente desconfortável e apertado em minha cueca.

— Melhor irmos embora — disse Arthur, levantando de repente da cadeira.

— Si... Sim! Err... É melhor. — Gaguejando, virei de costas para ele e apertei minha parte íntima com força para escondê-la.

Começo a acreditar que o que eu sinto pelo Arthur é apenas atração física, pois sempre observo os seus atributos físicos. Hoje ficou claro que meu desejo sexual pelo Arthur é muito forte. Tudo bem que ele me deixa nervoso, faz meu coração acelerar e minha barriga gelar quando estou perto dele...

Que droga de sentimento é esse?
Se você puder me dizer, eu serei eternamente grato!

Depois que Arthur e eu nos despedimos, recebi uma ligação do Thomas se desculpando por ter esquecido nosso encontro na saída do colégio. Ele disse que precisava conversar seriamente comigo. Combinamos de nos encontrar no sábado à tarde na casa dele, pois como íamos juntos para o baile, aquele seria o momento perfeito para ele dizer o que precisava.

Hoje no colégio foi o último dia de preparativos e planos para o baile de amanhã. Alguns membros do time de basquete e do grupo de natação se revezaram na quadra de esportes para a venda dos ingressos. Thomas, Nina e eu ficamos o tempo todo na arquibancada observando as líderes de torcida e alguns colegas arrumarem o espaço para o baile. Quando Nina se propôs a ajudar algumas garotas na parte da pintura do cenário, Thomas aproveitou aquele momento em que ficamos a sós e adiantou um pouco do que queria conversar comigo antes do baile de outono.

— Nina disse que quer ficar comigo amanhã no baile.

— E o que você disse?

— Que ia pensar a respeito e só daria a resposta amanhã à noite.

— Por quê?

— Não sei se gosto dela desta forma, Alec.

— Vocês se dão muito bem. Sinto uma química legal entre vocês!

Thomas fez uma careta engraçada.

— Eu nunca fiquei com alguém antes, Alec — sussurrou ele, próximo a meu ouvido.

— O quê?! — exclamei, surpreso.

— Nunca fiquei com alguém antes, caramba — sussurrou ainda mais baixo.

Ele parecia envergonhado.

— Você me disse uma vez que...

— Não importa o que eu disse, okay?! Eu sou um grande mentiroso!

— Então aquela história de você com duas garotas na piscina do colégio na madrugada do baile do ano passado...

— Era mentira, ok?! Eu nunca toquei, beijei ou transei com uma garota.

Apertei os lábios por um momento para conter minha vontade de começar a rir.

— Era isso que você queria confessar para mim amanhã?

— Não exatamente. Você é meu melhor amigo e eu preciso da sua ajuda e de conselhos sexuais.

— E o que te faz pensar que eu entendo de sexo?

— Você é gay!

— E daí?

— Vocês nascem gays e com diploma em sexologia!

Revirei os olhos e dei um leve empurrão no meu amigo Thomas.

— Vai pro inferno, Thom! — exclamei, rindo daquela piada sem graça.

— O fato é que eu tenho certeza que você vai conseguir me ajudar — disse Thomas. — Tenho uma ideia, mas você só vai saber e entender amanhã à tarde.

— Farei o possível para te ajudar — afirmei.

— Promete? — perguntou erguendo o dedo mínimo em minha direção.

— Prometo! — Envolvi meu dedo mínimo ao dele para selar meu compromisso.

Thomas e eu não voltamos a tocar naquele assunto até irmos embora.

Provavelmente usarei o terno esportivo que minha mãe fez para o baile do nosso antigo colégio. Nem usei ele naquela ocasião. Está novo e ainda serve, então não precisarei me preocupar em gastar dinheiro comprando ou alugando roupas para o baile de amanhã. O Sr. Walsh me deu folga amanhã e disse que terá a ajuda do sobrinho dele no Cyber Café, então estarei livre para ir à casa do Thomas e tentar ajudá-lo com o que ele precisa.

Talvez eu volte a te escrever só na segunda-feira. Não gosto de usar o celular para escrever e enviar e-mails, pois fica difícil ser detalhista como minha psicóloga recomendou.
Eu sinto muito a sua falta.

Obrigado por sempre estar aqui comigo.

Alec Stevens.

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