#4 No Hospital Com Melissa
Quando cheguei na festa vi várias garotas ao redor de Rafael.
Ruivas, morenas e loiras, todas muito bonitas de corpo.
- dá pra fingir que estamos bem?
Perguntei querendo manter as aparências. Ele piscava pra elas e sorria, assim não dá, vou ser humilhada em público?
- eu não vou deixar garotas como elas escaparem de mim.
Falou rindo e eu fui pro bar, onde conheci um homem, aparentemente, tinha minha idade, era sofisticado e insistente, acabamos em seu carro, sem roupa nenhuma, aos beijos e amasso.
Pode ser paranoia minha, mas senti o gosto de Derek em minha boca. Quando ele me tocava, era como se Derek estivesse me tocando.
Depois de muitas vezes, posições diferentes e gozar várias vezes, tivemos que voltar para festa.
Dançamos um pouco, mas Dina acabou aparecendo na festa, ela parecia nervosa, suava e tinha nos olhos uma grande preocupação e muito nervosismo.
Me falou que Melissa, minha pequena filha, havia ido pro hospital, com toda aquela correria pro carro senti alguém me segurar, pensei por um momento ser Derek, mas óbvio que ele não estaria ali, me soltei e a máscara acabou caindo, mas não me importei, a vida de Melissa era mais importante que um pedaço de plástico idiota.
- a paciente Melissa Marques Stones receberá alta amanhã.
Ouvi o médico falar e respirei aliviada.
- podemos ir vê-la?
Perguntei me levantando da cadeira.
- por enquanto ela está desacordada, é melhor não perturba-lá.
Eu assenti com a cabeça e me sentei.
- eu sinto muito, Sta. Marques.
Falou Dina. Ela chorava, não sei se era preocupada com Melissa ou com sua própria vida.
- fique tranquila, ela já está bem.
Tentei ser forte, mas minha vontade era de sair correndo, entrar no quarto onde ela estava e beijá-la muito e dizer que tudo está bem, que ela está bem, mas teria que ser mais forte que isso.
- Rafael... Ele irá dizer que a culpa é toda minha.
Ela disse colocando a mão na boca. Suas pernas e braços tremiam, seu rosto cheio de rugas estava vermelho.
- fique tranquila dona Dina, ele não fará nada, eu falo com ele.
A mesma respirou fundo e se sentou, ainda tensa e nervosa.
Dina era uma velha senhora, cozinheira da nossa mansão, já que Rafael sempre diz :
- mulher não foi feita para ficar atrás de um fogão, e sim para satisfazer seu marido.
É, ele é viciado em sexo tanto quanto eu, mas meus desejos por ele já foram embora, nunca senti a mesma coisa, e o bom é que ele respeita e nunca mais tentou nada, o ruim é que passa as noites fora e fica com garotas na rua, e quem é a chifrada sou eu. Mas agora coloquei um belo par de chifres nele.
Sorri ao lembrar da noite com o mascarado... É assim que irei chamá-lo, já que não sei seu nome.
- Emilly?
Falou Rafael aparecendo, eu fiquei lhe encarando sem entender. Seus olhos arregalados, suas mãos suadas, sua roupa mau colocada e seus cabelos bagunçado.
- o que deu em você?
Perguntei vendo ele tenso e nervoso, a ponto de quebrar tudo.
- Melissa? Ela está bem? O que ouve? Ela se machucou? Me fala Emilly! Fala!
Como sempre gritava comigo, mas dessa vez no meio do hospital. Todos olhavam, alguns falando baixo sobre mim e ele, outros quase rindo.
Como alguém ri num hospital? Não estão com algum parente doente ou algo assim? Ridículos!
- Rafael, por favor fala baixo... Olha onde estamos, num hospital.
Eu disse e o mesmo sentou, colocando as mãos na cabeça, tenso, muito tenso.
- a culpa foi minha, devia ter levado ela, não devia ter deixado ela sozinha.
Vi lágrimas em seus olhos. Sua expressão era de pavor, medo de perder nossa linda pequena e tristeza.
- ela não estava sozinha Rafael, isso foi apenas um susto, vamos esquece isso, o médico já disse que Melissa está bem.
Ele se levantou, por um estante fiquei pálida, achando que ali iria levar um tapa, mas foi diferente, ele me abraçou.
- achei que iria me bater.
Falei baixo, próximo ao seu ouvido. Claro que não estava sentindo algo bom por ele, mas sim estava surpresa, muito surpresa.
- temos que fingir estarmos bem e apaixonados, lembra? Temos que fazer nosso teatrinho parecer verdadeiro.
Senti nojo dele e de suas palavras.
1- ele entra, parecendo realmente preocupado comigo ou com Melissa, não sei.
2- ele chora, se culpando por Melissa ter desmaiado, fazendo uma sena ridícula pra ele.
3- me abraça aos choros, lágrimas e soluços.
Ele não é normal, esse homem tá precisando de tratamento psicológico, só pode.
- tá bom, se afasta!
Falei em seu ouvido, desfazendo do abraço e indo até a cadeira ao lado de Dina e sentei.
- eu sinto muito Sr. Marques, sinto muito mesmo...
Ela disse em prantos. Ele não esboçava sentimento algum por ela ou por sua preocupação.
- já disse que não foi culpa sua, não é Rafael?
Perguntei e ele, mesmo ainda fingindo estar mau, falou :
- não, não foi culpa sua, fique tranquila, tente relaxar, nossa menina irá voltar sã e salva... Irei pagar os melhores médicos da cidade, do país, do mundo para cuidar dela.
Vi seu exagero. Estava fazendo uma sena horrível, ridícula e humilhante.
- Rafael, ela só desmaiou, não está morrendo, pra quê tanto drama?
Me deu vontade de chamá-lo de mulherzinha, mas o mesmo iria se irritar, então preferi deixar como estava.
- você não sabe o que estou sentindo, Melissa é minha única filha.
- nossa filha, esqueceu? E você tem o Hugo, filho de Tamara, então ela não é a única.
Falei lembrando do filho que Tamara teve, colocou o nome de Hugo, para homenagear o seu grande amigo Hugo James, que morreu pouco tempo depois dela engravidar.
- eu duvido que aquilo seja meu.
- aquilo é uma criança, não uma coisa pra você tratar assim, é seu filho.
Falei me alterando. Sempre me altero e me irrito com seu jeito de tratar o pequeno Hugo.
- não vamos discutir agora, o importante neste momento é Melissa.
Eu e Dina nos olhamos, ela também estava achando estranho, então percebi o cheiro de cerveja em sua roupa.
- você bebeu?
Perguntei e ele fez que não com a cabeça.
- eu estou lúcido. Totalmente lúcido.
- há, claro!
Eu e Dina rimos baixo, pra ele não perceber. Não sei se ele percebeu ou não.
- parentes da paciente Melissa Marques Stones?
- eu sou a mãe.
Falei me levantando e vendo o médico com papéis nas mãos.
- E eu sou o pai.
Ele disse olhando pro médico, fingindo nervosismo e preocupação.
- pode ir vê-la, mas de um em um.
- Eu vou.
Eu segui ele até o quarto da minha pequena filha.
- mamãe?
Ela disse baixinho, parecia rouca. Sua pele branca, mais branca do que já era, seus lábios estavam quase transparentes e seus olhos demonstravam fraqueza.
- oi filha, se sente bem?
Ela forçou um sorriso e o médico me olhou.
- ela caiu da escada, após o desmaio e acabou se machucando muito, mas já está melhor, apenas o efeito dos remédios deixaram seu corpo mole, por isso precisará de descanso e repouso.
Eu sorri pra ele, que saiu me deixando ali com ela.
- eu quero logo ir embora daqui, mamãe.
Falou Melissa e eu sorri.
- você irá pequena, logo, logo.
Nos abraçamos, ficamos conversando um pouco e ela acabou dormindo sobre meu ombro.
Seu corpo está mesmo mole e fragilizado.
Sai dali, após colocá-la direito na cama, deixando ela descansar um pouco mais.
- vai pra casa Rafael, eu fico aqui cuidando dela.
O mesmo não disse nada, apenas saiu em direção ao portão principal do hospital.
- irei dormir aqui com a senhora.
Dina disse e eu sorri.
Quem aqui acha que Melissa morrerá? Quem aqui acha que Rafael foi, realmente, pra casa? E quem aqui acha que Derek e Emilly iram se reencontrar novamente?
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