Capítulo 4: É tudo uma questão de Adorno

"A felicidade não deve chegar para todos, mas para quem tira a sorte, ou melhor, para quem é designado por uma potência superior – na maioria das vezes a própria indústria do prazer, que é incessantemente apresentada como estando em busca dessa pessoa" [Theodor ADORNO e Max HORKHEIMER]

A mão dele estava como uma boa oferta para mim, as pessoas gritavam, os últimos dias passavam pela minha cabeça, me fazendo tomar a decisão mais rápida da minha vida. Até aquele momento eu estava decidida a aceitar de bom grado a oferta para entrar no mundo dele, mas ali, naquele momento, quando as luzes da indústria ameaçavam brilhar sobre mim e as histórias dos últimos dias me engolir, por que o mais forte sempre venceria, vi que aquela decisão era a mais correta, para alguns poderia ser tomada como uma mulher de sorte, aquela que a felicidade tinha escolhido, mas nestes poucos dias aprendi que nem todos podem estar certos.

- Obrigada, mas acho que ainda é muito cedo. – Minha voz veio calmamente, com um pedido de desculpas e implorando sua compreensão.

Ele deu seu melhor sorriso, pegou minha mão e a levou aos lábios depositando um delicado beijo:

- Eu compreendo. – Se inclinou e beijo meu rosto falando delicadamente – Te vejo lá dentro.

Ajudei a ajeitar-se, estiquei a lapela e arrumei a gravata, acompanhada por seu olhar surpreso e doce, lancei um olhar de aprovação e um sorriso de orgulho. Então ele abriu um largo sorriso e saiu do carro, recebendo uma enxurrada do seu nome vindo em gritos calorosos, quase desesperados, esse era o mundo dele, não o meu, esse era a indústria dele, não a minha.

O carro seguiu lentamente, parando um pouco mais adiante, a porta se abriu e o rosto sorridente de Jean me recebeu. Desci agradecendo timidamente. Ela sem quebrar o sorriso me acompanhou solicita, em meio a muitos que estavam ali como ela e eu, convidados secundários, acompanhados de assessores utilizando vestidos, ternos pretos, quase um uniforme para passarem desapercebidos, como peças do cenário. A outra entrada tinha um tapete vermelho e uma fina decoração, Jean cumprimentava um ou outro, até que chegamos a um grande salão com alguns sofás, era o hall de entrada do Grauman's Chinese Theatre. Me surpreendeu por ser estreito, não tão grandioso em termo de tamanho como esperava, mas de opulenta arquitetura e riquesa de detalhes, o lustre que pendia do teto parecia uma grande lanterna chinesa, os detalhes em dourado, vermelho, as pinturas na parede eram um atestado do glamour da antiga Hollywood, onde até o mal gosto lúdico era aceitavel.

As portas duplas douradas se abriram e por ela Thomas entrou, como se fosse empurrado pela massa de ruidos ainda empolgados na parte externa. Ele caminhou até mim com um sorriso nos lábios, segurou a minha mão e falou em meu ouvido:

- Está linda. Não me cansarei de dizer isso.

- Você também não está nada mal, Declan. – Falei com um gracejo, ele me deu um sorriso em resposta.

- Perguntaram de você lá fora, adivinha quem?

- Peggy. – Reviro os olhos e ele sorri, então pergunto curiosa – E o que respondeu?

- Que prefere deixar sua entrada triunfal para Nova York, é mais a sua cara. – Deu uma piscadela charmosa para mim e eu dei uma risada.

- Você não desiste.

- Nunca.

De repente algumas pessoas que iam chegando, paravam para falar com ele, até que depois de um bom tempo surge Emily com James, ela vem e me abraça festiva:

- E ai? Como foi atravessar o tapete vermelho?

- Eu não atravessei.

- Como?...Ah! Kathy! É isso que falo! Você não aproveita a vida!

- Não me senti a vontade, este não é o meu mundo, eu não quero ver os comentários, sabe o que dirão, acho que não devemos marcar algo que pode ser breve assim, não quero ser mais uma do albúm de figurinhas.

- KATHY! – Todos olham e ela baixa o tom – Deixa de ser boba, você não é uma qualquer, nem mais uma, ele nunca convidou ninguém para isso, você foi excessão. Meta isso na cabeça. Agora vamos aproveitar este momento e deixa de ser ogra!

Ela pega o celular e aponta para nós duas, então a foto feita e ela logo em seguida começa a digitar enquanto comentava:

- Só assim tirava um selfie com você, caramba! Você é muito rigida, devia fazer mais fotos de você, acredito que não documentou nada desta viagem. Você é a unica pessoa do mundo que consegue viajar e não tirar fotos. Isso é muito triste! Deprimente! Sabia disso?

Até que fui salva pela voz de Tom e sua mão segurando um dos meus braços:

- Vamos?...Já vai começar.

Eu sorrio agradecida por me livrar do interrogatório de Emily, e o acompanhei ao interior do grande auditório, finamente decorado, com um teto coberto por um mosaico intrincado de onde descia um lustre igualmente rico que invocava as lanternas chinesas. O vermelho das poltronas, dos detalhes na parede e da grande cortina davam o tom opulento do local. Era como um daqueles grandes teatros antigos da renascença, com detalhes em cada canto e adorno, com muito ouro dando o toque de riqueza.

Tomamos nossos acentos, ele segurou minha mão e me olhou com o olhar nervoso, como um garoto no primeiro encontro, aquele sentimento me enterneceu, então ele me disse:

- Isso é novo para mim também, acredite.

- Acredito.

Sorri agradecida, por ele tentar me acalmar, me deixar bem com toda aquela situação. Talvez ele tenha escutado uma parte do sermão de Emily e estivesse de uma forma doce tentando também mostrar sua simpatia diante da minha situação. E mais uma vez me via diante daquelas disparidades que a mente não consegue acompanhar. De um lado eu tinha a imagem criada pela mídia do rebelde e completamente amoral Thomas Declan, ali diante de mim ia aos poucos descobrindo as idiossincrasias do Tom, que era um gentleman, calmo, atencioso, compreensivo, cavalheiro, romantico. Era como se um não conseguisse sequer conversar com outro de tão dispares. As vezes até chegava a esquecer quem ele era realmente.

De repente as cortinas se abriram, as luzes foram baixando aos poucos e a sala emergindo na escuridão e a tela tomando vida. Ali tinha mais uma versão da saga Arthuriana. Eu sempre fui fã destes contos, lembrava pegar qualquer livro que pudesse contar algo sobre o Rei Arthur, assim como os filmes. Um dos meus livros preferidos era As Brumas de Avalon por justamente contar a história através dos olhos das mulheres, como elas conseguiram delinear o rumo que os fatos tomariam e que proporções aconteceriam.

Ali estava, Thomas com o cabelo um pouco mais comprido, como Lancelot, o braço direito de Arthur, com uma personalidade um pouco rebelde, avesso aos bons modos da corte, vivendo a vida do seu jeito, trajes despreocupados, estilo de lutar instintivo, sedutor com as mulheres, amante da bebida. Era aquele Thomas que a mídia criava, mas que para Guinevere era doce, honesto e honrado, como o Tom que eu conhecia. Os olhos azuis, lábios espertos, belo rosto, estava tudo lá. Lancelot era alegoria daquele homem que estava ao meu lado, que não soltava a minha mão, que as vezes olhava para mim em busca de alguma reação, as vezes cobria o rosto envergonhado com alguma coisa que fez na tela.

Percebi então que Theodor Adorno estava certo ao falar que: "A arte é a magia libertada da mentira de ser verdadeira". Ali nas telas eles podiam ser o que queriam, poderiam se libertar, poderiam viver aquele mundo, mas ao confrontar essa "mentira" se intimidam de ter vivido como "verdade". Eu sei, isso parece confuso, filosófico, meio maluco até. Mas também, quem pensou sobre isso era um alemão com o sobrenome de Adorno que falava da indústria cultural como um adorno do capitalismo. Desculpa, mas tinha que usar este trocadilho.

E olha que Adorno ia ficar orgulhoso de mim, por ter me colocado como ser pensante e não ter me curvado ao tapete vermelho e a Hollywood, mas até que ponto isso era questão de ética ou de pura insegurança é mais profundo de se analisar. Até que ponto eu temia todo este universo e tinha medo que me engolisse.

Agora que conheci o Thomas percebi como tudo isso pode modificar o olhar sobre uma pessoa, então eu tinha medo da forma como eu poderia ser vista por todos, como eles me veriam, como uma jornalista que agora namora o astro, ou como um assessório do astro, eu seria chamada de Jornalista Katherine Thompson ou seria Katherine Thompson, namorada de Thomas Declan.

Por que se olharmos na história de Hollywood temos pessoas maravilhosas, de curriculos estupendos que se tornaram apenas marido ou esposa de alguém famoso, e este passou a ser seu título. Será que eu queria isso para mim? Ainda era muito cedo para decidir.

Ao final do filme, a primeira coisa que Thomas me perguntou com voz esperançosa:

- O que achou?

- Eu achei muito bom, os efeitos e a edição maravilhosos, a fotografia interessante, usando este tom um pouco envelhecido de acordo com que o filme ia evoluindo, o figurino está maravilhoso. O James está perfeito, não acha? Ele é o verdadeiro rei, é como se Arthur tivesse incorporado nele. Adorei este aspecto do roteiro que mostrou a evolução do Arthur de como ele era um grande idiota e se tornou um grande rei. E também é bom ver como todos os elementos da história colaboraram para isso, a influência daqueles que ele conheceu puderam delinear sua personalidade. – Terminei com um pequeno sorriso, sabia o que ele queria e não ia facilitar.

Nos levantamos e começamos a andar para a saída.

- Só isso? Não esqueceu de nada? – Ele pergunta esperançoso.

- Ah! Teve um cara que fez Lancelot, eu acho que ele foi muito superficial, poderia ter aprofundado mais, mostrado mais nuances do personagem, mas sinceramente, aquele cara é um belo canastrão!

- Concordo com você! Aquele cara é um idiota!

Olhamos um para o outro e juntos demos uma boa risada, então falo:

- Esteve maravilhoso, muito boa a construção que fez do personagem, conseguiu mostrar bem estes dois lados que ele apresenta, a casca de descolado e forte para ser aceito pelos colegas e a fragilidade do homem apaixonado que ele guarda sob tudo isso. Muito bom mesmo. Eu pegaria o Lancelot.

- Pegaria, é? – Ele pergunta com um certo ar malicioso.

- Claro, ele é um gato!

Ele dá uma risada e então fala admirado:

- Você daria uma boa critica de cinema, sabia?

- Que nada, eu apenas tenho uma intimidade com a história. Isso facilita a minha analise. – Falo modestamente, timida em relação a colocação dele.

- Mesmo? Você é uma fã de Arthur? – Ele pergunta incredulo.

- Desde criancinha, sei quase tudo sobre ele. Tanto que meu sonho é viajar para a Inglaterra e Escócia. Conhecer aquele ambiente do interior da Grã-Bretanha.

- Por que não a conheci quando peguei este personagem, ia ser de grande ajuda e ainda poderia viajar comigo pela Grã-Bretanha durante as filmagens.

- Teria sido maravilhoso. Mas acho que agarrar o Lancelot já é muito bom.

***

Ao entrar no salão uma chuva de aplausos veio receber o diretor e o elenco principal. Minha mão que estava pousada na curva do braço de Thomas instivamente apertou, este pousou a mão sobre a minha dando uns tainhas me acalmando. Ele estava ali, olhei para o lado vi Emily que me deu um sorriso solidário e sorri de volta agradecida. Era estranho estar ali com ele no centro das atenções.

A mão dele deslizou para a base da minha coluna e ele me conduziu até uma grande mesa que estava a beira do salão, na frente de todos, me mostrou a cadeira, depois de puxar a mesma para mim, me ajudar a se sentar, sentou ao meu lado e então falou em meu ouvido por causa da música alta:

- Não se esqueça que você ainda é minha. – Abriu um largo sorriso e deu uma piscadinha.

- Posso saber o por que da lembrança? – Pergunto em seu ouvido com o mesmo tom brincalhão.

- Tem tantos galãs aqui que eu tenho medo da concorrência, vai que encontre um cara menos canastrão do que eu, hum?...Eu não quero correr o risco.

- Você não corre este risco. – Sorrio olhando em seus olhos – É impossivel achar alguém mais canastrão que você.

Ele dá uma risada, daquelas que vinham de dentro, cheio de prazer. Então o garçom vem nos servir uma taça, Emily vem e senta-se ao meu lado com James, o Diretor e o Produtor assumem os demais lugares com suas respectivas esposas. Em seguida o mestre de cerimônia anuncia que um vídeo será exibido.

Um vídeo com os bastidores da gravação é exibido, mostrando a dura preparação, as gravações a noite sob chuva, o companheirismo, tudo estava ali. Até alguns erros de gravação que arrancaram risada. Então a grande tela sobe e logo em seguida Enya começa a se apresentar, cantando ao vivo a canção tema do filme. Eu olho estasiada. Eu era fã dela, estava boba, surpresa.

- Não sabia que era fã. – Veio a voz de Tom em meu ouvido.

Apenas consigo balançar a cabeça como uma menina que ganha um grande presente em dia de Natal. Então ela começa a segunda música e os casais começam a se levantar e ir para o salão para dançar. A música era Only Time, e Thomas me esticou a mão e disse cortes:

- Dança comigo?

- Com toda certeza.

Me levantei e comecei a dançar com ele, voando naquela música que amava, e estava ali, ela cantando ao vivo. Então deixei escapar:

- Parece mágico.

- Sim, parece. Tudo se encaixa perfeitamente.

Ele colocou uma mecha de cabelo para trás da minha orelha e me beijou, com delicadeza e carinho. E ali estava um daqueles momentos inesqueciveis da sua vida, onde você dança a música perfeita com um cara perfeito. Era um momento que nunca pensei que fosse viver na vida, e estava vivendo ali com ele. Esquecendo do mundo a minha volta. E assim foi por mais 4 músicas. Até que o show acabou.

Thomas pegou a minha mão e começou a caminhar resoluto, como uma locomotiva que ninguém poderia parar, ele estava determinado a conseguir o que queria. E eu não sabia o que era, apenas o seguia, já que ele não largava a minha mão. Cruzamos o salão e entramos por uma porta lateral, depois um pequeno corredor entre garçons, carrinhos de apoio, até uma porta com dois seguranças que afastaram-se com um simples gesto de cabeça dele. Ele bateu suavemente na porta e entrou.

E ali estava ela, a cantora Enya em seus cabelos curtos, vestido angelical, quase uma fada. Tom se aproximou para cumprimenta-la.

- Nem preciso dizer que estava perfeita como sempre?

- Tom, quando vai deixar de ser um mentiroso educado? – Ela o repreendeu em tom brincalhão.

- Modesta. – Sorri e então segura minha mão conduzindo até diante da cantora. – Enya esta é Katherine, ela é minha namorada e uma grande fã sua.

Não sei o que mais me chocou, se era ter minha mão apertada por uma das cantoras que mais adoro ou se foi o Thomas me chamar de namorada. Talvez ele tenha dito aquilo para que eu seja bem tratada por sua amiga. Esses pensamentos voavam na minha mente enquanto ouvia ao longe:

- Mas ela é linda, Tom. Bonita demais para você.

- Eu sei, sorte de principiante.

- Você tem a difícil missão de coloca-lo nos eixos.

- Sim. – Respondi timidamente – Acho que consigo.

- Ah! Vamos tirar uma foto então, por que este é um momento histórico. Ainda mais agora que você se tornou um ator prestigiado, não vou mais poder sequestra-lo para ajudar com meus cds.

- Para os amigos, sempre consigo um tempo.

Ela fez um sinal para o fotografo, posamos para foto tendo Enya entre nós. Depois Thomas se virou para mim e falou:

- Me dê seu celular.

Ainda meio confusa, tirei meu celular da bolsa, destravei e entreguei a ele. Eu estava ainda tão perdida no turbilhão que apenas reagia a tudo a minha volta. Ele preparou a camera, nos juntamos e então tiramos os três um selfie. Ao me entregar o celular me disse:

- No futuro ia se arrepender por não ter uma foto deste momento.

Ele se posicionou e eu estava ali ao lado da Enya tirando mais uma foto. Até que eu disse para ela:

- Eu amo as suas músicas, e você foi uma escolha perfeita para esse filme, suas raizes celtas combinam muito bem com a saga de Arthur. E sempre suas letras falam de sentimentos simples como amor a terra, ao lar, aos companheiros, ao amante. Então acho que conseguiu sintetizar tudo nesta canção, por que Arthur criou Camelot por amor a terra, para ver a paz, mas também por amor aos seus, para vê-los protegidos.

Ela sorriu e segurou minha mão dizendo:

- Você entendeu onde queria chegar. E fico muito feliz em conhecer uma fã. E na proxima vez que o Tom vier ao estudio, vou exigir que ele leve você, por que vou adorar ter sua opinião também.

- Pode ter certeza, eu a levarei.

Depois das devidas despedidas, eu sai do camarim ainda um pouco atônita com tudo que tinha acontecido, ele me olhou sorrindo com uma mistura de diversão e satisfação. Então comenta:

- Precisava ver seu rosto agora, está aquela mistura de satisfação, com extase. Nunca pensei que deixaria Katherine Thompson sem palavras.

- Mas estou, eu não sabia que ela estaria aqui.

- Isso é por que o salão está a meia luz e você não consegue ver todos que estão aqui, senão você teria um troço.

- Me diga, quem mais gostaria de conhecer?

***

E assim ele fez, me apresentou para cada um que estava ali e eu desejava conhecer, até a Ophra eu conheci pessoalmente, conversei com ela que ficou animada em saber que era jornalista. Era tudo tão surreal e maluco ao mesmo tempo, eles pareciam tão humanos, divertidos, em seu habitat natural. Era louco ver Jack Nicholson tirando uma piadinha com Ellen Degeneres. E uma piada que envolvia a mim.

- Ei Ellen! Adivinha quem criou juizo? – E apontou para Thomas que ficou vermelho.

- Acha que vou entrevista-lo por que? – Ela responde com um sorriso.

- Acho que deve entrevistar ela, para saber como conseguiu este milagre.

- Eu apenas fui hospedada no quarto dele.

E explodiu uma gargalhada entre todos diante do meu gracejo.

A noite seguia com um jantar maravilhoso, dançamos várias vezes, Thomas pairava em torno de mim, protetor, como um vigilante, tentando a todo custo me deixar o mais confortavel possivel. As vezes colocava Emily para me acompanhar na minha caminhada por este mundo novo.

Então eu pedi um momento, e me retirei para o banheiro. Ao entrar e encontrei ele vazio, então entrei em um dos cubiculos. Em seguida ouvi a voz de duas mulheres que entraram conversando:

- Está todo mundo se perguntando quem é ela?

- Você viu como ela é gorda? Aquela quantidade imensa de peito e bunda pra que? Aposto que não cabe em um 38.

Revirei os olhos diante das vozes afetadas e uma delas parecia esganiçar propositalmente.

- Eu nunca vi ele com ninguém assim, o pessoal está dizendo que é sério. Mas duvido, logo logo vai trair ela e mandar passear.

- Pelo menos ela terá seus 5 minutos de fama.

- E todos ficam elogiando ela, acredita. Ridicula! Ele não vai namorar muito tempo ela.

- Se bem que ele criou juizo, dizem que faz uns 5 anos que ele não usa mais, que está limpo, seguindo vida regrada e tudo mais.

- Duvido! Thomas Declan não é homem de criar juizo!

Eram de mim que elas estavam falando. Eu já tinha terminado mesmo, então resolvi abrir a porta encontrando as duas mulheres magras ao extremo, deviam ser modelo.

- Boa noite meninas!

Sorri educadamente, fui até a pia, lavei a mão, seguei, retoquei a maquiagem sob o olhar estupefato e as expressões pálidas de criminosos pego em flagrante. Passei por elas com um sorriso educado, antes de sai me virei para elas e disse:

- Aproveitem a festa. A noite está maravilhosa, não?

Sai do banheiro dando um suspiro. Mas que porcaria era tudo aquilo, finalmente deu pra saber que alguns pareciam torcer para que o Thomas se ferrasse. Voltasse a ser o idiota do passado que lhe deu a fama que ele queria mudar as duras penas. Agora entendo por que ele me apresentava como namorada, por isso queria que eu atravessasse o tapete vermelho. Mas será que ele estava me usando. Olhava o salão, pessoas indo de mesa e mesa, ou conversando em pé mesmo.

Ao longe encontrei Emily, marchei até ela, que me recebeu com um sorriso. Ao me aproximar falei proximo do ouvido dela.

- Precisamos conversar! Agora! Em particular!

- Vamos ao banheiro, então! – Ela fala solicita.

- Não, eu já vim de lá. – Assumo que minha voz não era amigável.

- Por aqui. – Ela segura a minha mão e me conduz, assim que encontra a Jean fala – Preciso de um lugar reservado.

Ela nos conduz até um conjunto de portas duplas, abre elas, sinalizando. Depois que passamos e as portas se fecham, o som da festa parecia ser cortado instataneamente. Estavamos em um outro salão de festas menor. Cadeiras estavam empilhadas, mesas emborcadas umas sobre as outras, tudo arrumado em um canto.

- O que houve? – Pergunta Emily alarmada.

- Ele está me usando para limpar a imagem dele? – Pergunto rápido indo direto ao ponto.

- Como? – Ela pisca os olhos confusa.

- Eu quero saber se o Thomas está me usando para mostrar que agora de fato é um bom moço e não aquele idiota que era a cinco ano atrás.

- Por que está achando isso?

- Eu ouvi o comentário de duas mulheres no banheiro, elas foram bem despeitadas em relação a mim, mas isso deixo pra lá, é inveja mesmo. Mas falaram do passado negro do Thomas, que me fez ver que os jornais não estão de todo errado, que ele já foi um imbecil. Mas que agora tenta mostrar que não é mais. Por isso está por ai, me apresentando para todos como sua namorada e a maioria encantada com o fato dele ter criado juizo.

- Uau! Ele está te apresentando como namorada? – Emily pergunta maravilhada.

- Sim. – Respondo secamente.

- Então ele disse a verdade.

- Verdade o que?

- Se contar o que vou te contar eu arranco seu pescoço. Por que é meu doce casamento em risco aqui. – Minha amiga me ameaça.

- Conte, prometo guardar segredo.

- Hoje, quando eu e o James iamos na limosine para o lançamento. Ele me contou que o Thomas disse, praticamente desabafou, que estava apaixonado por você, que tinha proposto em leva-la pela tapete vermelho. Por isso se arrumou tanto, mais do que o habitual, por que ele sempre vai meio bad boy, mas hoje ele disse que queria lhe dar orgulho. Só assim ele usaria uma roupa milimetricamente alinhada. E disse que estava chateado em passar esse tempo da turnê longe de você. Que já tinha encomendado para equipe dele todos esses negócios de Twitter, Instagram, Facebook e tudo mais. Que ele nunca gostou de se revelar muito para o público, que esse lance de falar tudo que faz não era do momento dele, que nestes últimos 5 anos ele estava em uma jornada pessoal. Mas que agora ele tinha que compartilhar a vida dele com alguém, tinha alguém que precisava saber como ele estava e se sentia. E era uma forma de você saber como ele estava. – Ela deu um sorrisão – Ou seja garota, você fez o roqueiro old style sai da sua caverna para o mundo, tudo por sua causa.

Estava chocada, possivelmente boquiaberta, por que o olhar de deleite que Emily caregava era impressionante. Então continuou.

- Ele nunca trouxe garota nenhuma para evento nenhum. Ele pegava as que estavam aqui, marcava em algum lugar, saia e pronto. Todo mundo sabia que ele pegava várias garotas, principalmente modelos, mas ninguém tinha provas. Era uma espécie de lenda urbana. Eu até cheguei a pensar que ele era gay e criava esses mitos para se esconder. Mas um dia, durante os ultimos dias de filmagem, eu entrei sem querer no trailer dele por que achava que era do James, e peguei ele...bem...um...você sabe?...Dentro de um Auxiliar de Produção. – Ela deixa escapar um risinho – E olha que nunca imaginava isso, ele disse que foi só uma vez, esse momento fez com que nos tornassemos amigos. Ele então me contou que não consegue transar com uma mulher mais de uma vez, prefere evitar problemas. E você foram mais de uma vez seguramente.

- O que faço agora? – Eu na verdade estava mais perguntando para mim do que para Emily, por que na verdade estava perdida, eram muitas informações, que foram despejadas, se unindo com as anteriores, isso explica a revolta das modelos, por que elas estavam visivelmente chateadas. Para elas custava se desapegar da imagem que tinham e que a mídia cruelmente ainda vinha reforçando.

- Acho que deve aproveitar, não questionar, seguir. – Minha amiga pegou minha mão. – Eu não seria louca de colocar um filho da puta no seu caminho. – Sorrio para ela agradecida. – Vamos, aproveite! Daqui a algumas horas vocês vão se separar e ai será um mês de distancia.

Emily segurou a minha mão e me acompanhou de volta ao salão. Ao sair, passamos os olhos pelo salão. Quando meu olhar encontrou o de Thomas, pude ver o alivio. Ele educadamente se afastou da sua roda de conversa e se aproximou a passos largos. Emily caminhou na direção dele, falou algo para ele, que respondeu e então ela foi caminhando em direção ao James.

Thomas continuou sua tragetória, ao me encontrar falou aliviado.

- Pensei que tivesse fogido, eu não encontrava você.

- É que... – Apontei para a porta.

- A Emily me disse, o vestido. Que bom que pode ajuda-la. – Ele me interrompeu.

Eu sorri e depositei um pequeno beijo nos seus lábios.

- Não se preocupe, eu não vou fugir.

- Que bom. – Ele acaricia meu rosto, olhando com delicadeza. – Vamos, o ônibus está nos esperando lá fora.

- Ônibus? – Pergunto surpresa.

- Sim, Ônibus! O elenco e a equipe serão conduzidos em um ônibus executivo até o aeroporto. As malas já seguiram e a este momento devem estar sendo embarcados.

- Hummm...Entendo.

- Lá estará a imprensa, vai ter uma foto oficial, você não é obrigada a participar se quiser. – Ele segura a minha mão e começa a me acompanhar pelo corredor.

- Por que isso?

- É uma estratégia do patrocinador, a America Airlines pegou alguns aviões da sua frota e decorou a fuselagem toda com o tema do filme, e uma das aeronaves vai nos servir viajando pela Europa e Asia fazendo a promoção, uma espécie de caravana. E a partida é hoje. Então alguns fãs foram sorteados para ver nossa partida. E faremos uma escala em Nova York para reabastecimento e pegar mais alguns membros tecnicos.

- Entendi. – Sorrio – Sim...Participarei da foto.

Ele abriu um radiante sorriso e ofereceu a mão para mim, para embarcar no ônibus decorado, seguimos até as nossas poltronas, que eram paralelas ao James e Emily. Thomas me aconchegou em seus braços. Assim que todos haviam embarcado, o ônibus partiu, rumo ao Aeroporto de Los Angeles – LAX. Alguns fãs que ainda esperavam fora do prédio onde foi a recepção gritaram ao ver o veículo. Através da vidraça, os atores acenavam retribuindo o carinho, e eu assistia surpresa aquela demonstração de admiração. Vendo a força da industria.

***

O Ônibus parou ao lado de um tapete vermelho, os atores, equipe, desciam e eram recebido por uma centena de fãs que gritavam, faziam uma barulheira. Os atores se aproximavam para dar autografos. Thomas avançou no tapete vermelho de mãos dadas comigo, assim como James e Emily. Nos aproximamos da grade, os rapazes davam autografos, até a Emily aqui e ali assinava um, sempre sorridente e solicita. Até que uma mão tocou meu braço e uma moça disse:

- Assina pra mim por favor!

- Eu? – Perguntei sem jeito.

- Sim! Você é linda sabia! Perfeita pra ele!

Abri um sorriso, então perguntei atenciosa – Qual é o seu nome?

- Lilly. – A menina respondeu.

Coloquei no bloquinho: "Com todo carinho para a bela Lilly. Beijos, Katherine". Entreguei o bloquinho e ela disse feliz:

- Obrigada.

- Eu que agradeço.

Ao olhar para o lado vejo um olhar orgulhoso de Thomas me chamando, caminho rapidamente até ele, que passa o braço pelos meus ombros e o público vem a baixo, me deixando vermelha.

- Eles gostaram de você. – Ele fala no meu ouvido.

- Não seja bobo.

- Já deu seu primeiro autografo.

Dou um tapinha nele. E mais adiante estava ali, a imprensa. Fizemos pose para foto, meu sorriso timído, eu estava timída, ele dava pequenos apertos na minha mão, me passando segurança. Até que me conduziu rumo ao local onde todos se reunião, aos pés da escada do avião, todos se organizaram e uma foto em grupo foi tirada, flashes voavam de toda parte, era atordoante. Até que a equipe técnica e acompanhantes se encaminharam para subir no avião, relutantemente Thomas largou a minha mão. Eu sorri e segui acompanhada de Emily.

Enquanto nos acomodavamos na primeira classe, e os demais da equipe técnica iam até a classe econômica, os atores com o diretor tiravam fotos na lateral do avião, e subindo finalmente a escadaria para adentrar a aeronave. Thomas logo se acomodou ao meu lado. Aliviado por mais uma etapa da agenda cumprida, olhou para mim e sorrio. A comissária veio conferir tudo. E em alguns minutos estavamos decolando. Deixando a terra do pecado e dos sonhos para trás.

***

Assim que o avião nivelou, a aeromoça veio entregou taça de champanhe para todos e entregou para Thomas um embrulho com um sorriso educado e conspirador, então disse:

- A senhorita Ellen mandou lhe entregar, senhor.

- Ah sim, obrigada. Diga para ela que já recebi.

Olho para ele curiosa, ele sorri dando de ombros.

- É para você. – Me entrega o embrulho.

- Para mim? Posso saber por que?

- Depois que abrir e ver, eu te explico.

Abro o pacote e vejo que era um Ipad. Ele sorri e então fala, antes que pudesse falar qualquer coisa.

- Sei que pode ter um tablet, mas é que esse é especial. Pedi para que configurassem de tal forma que não perdesse o contato com você. Ele está equipado com uma internet maravilhosa, segundo a minha equipe de geeks de plantão que foram recrutados pela Jean. Ai tem meus telefones e o da Jean, ela estará acima de tudo de prontidão para atender e dar qualquer informação para você, se precisar saber onde estou ou qualquer coisa do tipo sobre a minha agenda, ela te informará. Também tem um skype só para nós, está nos favoritos meu twitter, instagram, Facebook. Eu nunca fui muito disso, mas achei que assim você saberia por onde ando, o que faço, como estou. Ai vai poder acessar suas contas e me linkar para me acompanhar. Também criei um perfil fake no Facebook, Lancelot DuLac, assim poderemos conversar quando estiver online. – Ele abre um sorriso travesso. – Eu não quero ficar longe de você. Nem perder contato. Daqui a um mês termina o tour em Nova York, ai eu vou te ver.

- Obrigada...Prometo manter contato, sempre.

Ele toca meu rosto, parecia compreender minha impossibilidade de expressar em palavras tudo que eu sentia naquele momento, tocada pelo seu gesto tão doce e atencioso. Ele queria ver eu me sentindo bem, logo se preocupou com todos aqueles detalhes, ele não tinha o desejo de se afastar, ao contrário, fazia de tudo para se aproximar de mim, para ter meu contato, me ter por perto. Não havia sido apenas um fim de semana como eu pensava.

Diante daquele conhecimento, parece que eu permitia que os sentimentos fluissem, então depois de olhar em seus olhos e perceber tudo aquilo, trocamos um longo beijo, na intimidade das nossas poltronas, como se estivessemos isolados de todos. Então repousei a cabeça em seu ombro, e ele ficou brincando com meus dedos da mão, me deixando processar tudo aquilo.

De repente percebi algo, o que tinhamos combinado. Levei a mão até o meu pescoço, retirei o colar e os brincos, de dentro da minha pequena bolsa eu tirava uma sacola de veludo que havia sido entregue previamente, então coloquei um a um dos acessórios que usava neles. Acompanhada por seu olhar curioso. Por fim disse entregando:

- Aqui está, deve entregar para Jean, ela cuidará de tudo. E o vestido, a bolsa e os sapatos enviarei de Nova York.

Ele sorrio com aquela mistura de orgulho e admiração.

- Não precisa devolve-los. São seus.

- Mas... – Ele interrompeu levando o dedo aos meus lábios me calando.

- São seus. Um presente. Nenhuma mulher conseguirá ficar tão bonita neste vestido como você. São um presente. Aceite-os por favor.

- Tudo bem. – Falei humildemente, tocada por seu gesto.

- Agora você está sob minha proteção menina. Nada vai ser problema, pensarei em tudo para você. Apenas faça o que gosta, seja a jornalista maravilhosa que eu sei que é. Deixa que os outros detalhes eu cuido.

- Thomas...

- Por favor. Eu cuido de você, em troca você cuida da minha alma. Simples.

Ele me deixou sem palavras, me beijou calando qualquer objeção, domando qualquer impulso rebelde, exercendo a diplomacia galante de argumentos fortes colocando a situação de uma forma nada castradora. E eu admirava isso nele. Ele não estava impondo limites, estava extendendo auxilio. Mas naquele momento não quis saber até onde ele era capaz de ir neste intuito de me fazer bem, cuidar de mim. Só o futuro diria. Mas seria uma séries de descobertas interessantes. Já que ele parecia ter o dom  de advinhar o que o outro queria e precisava. Era uma sensibilidade assustadora, coisa que apenas os artistas teriam.

Ele pegou o celular dele do bolso, esticou e fez uma selfie onde eu estava com a cabeça no ombro dele e disse:

- Volta e meia vou olhar para essa foto e desejar ter você perto assim novamente. Ao meu lado.

- Um mês passa rápido. Ainda mais com essa nossa rotina maluca.

- É o que eu espero.

***

O solavanco me acordou, eu abri os olhos sonolenta, olhando em volta, ainda estavamos no avião, mas ele não estava mais voando, e sim taxeando. Olhei alarmada para Thomas, ele deu um pequeno sorriso fraco:

- Acho que chegamos.

- E eu dormi a maior parte.

- Tenho um segredo para contar. – Ele fala baixinho perto do ouvido, como algo só nosso. – Foi bom, por que pude olhar para você sem medo de que me pegasse. Assim guardarei cada traço seu, minha menina.

Sorri para ele, me inclinei e beijei seus lábios. O avião parou em uma área anexa ao JFK, longe das pontes de embarque e desembarque. Uma escada foi colocada, a aeromoça seguiu os tramites para desbloquear a porta. Algumas pessoas que iam descer ficaram apostos, enquanto a equipe do aeroporto já começava frenéticamente a fazer a pequena troca de bagagens. Tirar as que ficariam e embarcar os que subiriam a bordo. A pequena quantidade tornou tudo mais fácil.

Mas estava tão distraida naquela bolha minha e do Thomas que não percebia a movimentação daqueles que já desciam, os que embarcavam, a equipe de apoio que se movimentava.

- Assim que chegar em Londres te enviarei um e-mail, uma mensagem, postarei uma foto também, a primeira será sua. Saiba disso. Será para você. – Falava ele com fervor, segurando meu rosto entre as mãos.

- Sim, assim que puder responderei. E também mandarei mensagem todos os dias ao acordar e antes de dormir. Está bem?

- Isso, minha menina! Entendeu agora as coisas...Você sempre vai estar comigo. – Ele sussurrou no meu ouvido – Não foi só um fim de semana, você acredita nisso? – Ele me olhou nos olhos esperando a resposta.

- Acredito...Acredito sim. – Respondo determinada.

- Não acredite no que esses idiotas escrevem, só no que este idiota aqui vai escrever para você. Entendeu? – Dá uma piscadinha.

- Sim. Entendi. – Respondi entre risinhos.

- Senhor Declan, chegou a hora. – Fala Jean educadamente.

- Tudo bem. – Ele responde a Jean. – Se cuida tá?

- Me cuidarei!

Nos abraçamos, me levantei, então me despedi de James e Emily com abraços apertados, desejos de boa viagem e muitos se cuida. Dei um pequeno aceno para Thomas e segui Jean pela escada do avião, ela seguia na frente rumo a um carro que me esperava solitário, enquanto o meu SUV preto aguardava, outros 3 partiam com aqueles passageiros que já haviam desembarcado.

- Espera!

Parei ao ouvir aquela voz, me virei e vi ele vindo na minha direção, rapidamente, resoluto, correndo, então me tomou nos braços e me beijou, de forma intensa, cheia de paixão, desejo, saudade, calor. Era um beijo profundo e urgente, me roubando o folego e depois da surpresa quebrada pude retribuir com a mesma intensidade, sem medo, esquecendo tudo, afinal ficariamos 1 mês longe um do outro e nos nossos mundos tudo pode acontecer, tantas coisas podem mudar. Então tinhamos que aproveitar.

Ele se afastou, ofegante, me olhou nos olhos e disse urgente:

- Me espera por favor.

- Eu vou esperar.

- Eu vou me comportar por você, eu quero você.

- Eu também. – Respondi entre um sorriso bobo.

- Sabe que gosto muito de você. – Ele corresponde ao meu sorriso.

- Eu também gosto muito de você.

- Quando me perguntarem se tem alguém na minha vida, eu vou dizer que sim.

- Ai eu vou virar notícia.

- Você já é notícia, menina! Você já é!

- Deus me salve!

- Ele nos salvará! Ele ajuda os amantes.

Ele me deu mais um beijo, um longo beijo e disse:

- Até daqui um mês.

- Até daqui um mês. – Repeti.

- Agora vá, senão me matam lá dentro.

De repente ouvimos um grito na madrugada do aeroporto vazio:

- Largue a garota e vamos logo cara! – Era James que aproveitar o momento e o grande eco do espaço aberto.

- Eu não disse! – Apontou e me deu mais um selinho rápido. – Se cuida, minha menina.

- Se cuida, meu rebelde.

Dou uma piscada, me afasto relutante, nossas mãos aos poucos vão se soltando, sem quebrar nosso olhar, sorriso, até que o vinculo se parte, dou as costas e acompanho Jean. Antes de entrar no carro ela diz:

- Boa noite, Senhora! Não se preocupe, eu cuidarei dele.

- Obrigada, cuide mesmo! Boa noite, Jean! E não me chama de senhora, é Kathy.

A abraço e antes de entrar no carro lanço um ultimo olhar para Thomas, parado em pleno pista, observando cuidados, dou um aceno que ele retribui. Então entro no carro, Jean fecha porta, enquanto esse se afastava eu acompanhava até onde podia a movimentação. Jean se aproximou de um relutante Thomas e o conduziu até a escadaria do avião.

Então pedi para o motorista para próximo do portão, este assim o fez. E dali acompanhei a escada ser afastada da aeronave, a porta fechada, e então a maquina ganhar vida, observava as janelinhas e poderia jurar que via Thomas em uma delas. Aos poucos a aeronave se posicionou, correu na pista com velocidade e subiu ganhando os céus. Acompanhada de um profundo suspiro meu, então liberei o motorista para seguir. Algo me dizia que ele já sabia exatamente onde me deixar. 

Eram quase 2 da madrugada, ainda daria tempo de dormir um pouco, poderia acordar amanhã as 8 e voltar a minha rotina normal. Mesmo sabendo que minha mente estaria lá do outro lado do Atlântico. E essa possibilidade me atormentava, não estava acostumada com tudo aquilo. Eu já me envolvi com caras antes, mas desta vez parecia diferente, parecia mais intenso. Será que Adorno estava certo quando dizia que o "amor é a capacidade de perceber o semelhante no dessemelhante"?

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