04- Ato desesperado

Atualmente

Sufocada.

Pressionada.

Angustiada.

Sinto tudo isso e muito mais.

Sempre que penso em toda a bagunça que minha vida se tornou me pergunto coisas como:

Como eu pude chegar a isso?

Por que comigo?

Por que sou assim?

O que deu errado?

Qual é a porra do meu problema?

Tudo o que eu quero é amar, simples assim.

Será que é pedir muito? Parece que sim.

Eu só queria conseguir amar o Augustus, só queria ser feliz ao seu lado.

Bom, isso antes da história dar toda essa reviravolta.

Agora só de pensar em passar três horas seguidas ao seu lado, já embrulhava meu estômago e me fazia ter vontade de saltar da ponte.

Quem dirá passar o resto da minha vida ao seu lado.

Nem amarrada!

- Então filha meu genro vem que horas? - só de ouvir minha mãe chamar o Augustus assim, da vontade de enfiar um pano na minha boca e morrer sufocada.

Minha mãe e eu estamos na cozinha, eu sentada no balcão vendo ela preparar sua famosa macarronada.

Tudo isso só porque Augustus vem jantar conosco, ela e meu pai estão super felizes, eles já estavam estranhando o fato dele não ter vindo mais aqui.

- Acho que daqui meia hora. - pego uma maçã e vejo que minha mãe me olha de cima abaixo com a testa franzida.

- Que foi? - pergunto.

- Você não vai se arrumar? - agora é minha vez de franzir as sobrancelhas.

- Eu estou arrumada. - digo me fazendo de ofendida com seu comentário.

A verdade é que eu não estou mesmo arrumada, pelo menos não muito.

Afinal para quê eu vou me arrumar para o Augustus?

- Não Megan, não está. - ela começa a arrumar a mesa do jantar. - Olha o seu cabelo filha parece que teve uma briga de ratos nele e que roupa é essa? - ela faz uma cara horrorizada.

Eu não estou tão ruim assim, o problema é que minha mãe acha que eu devo está sempre impecável para o meu... Meu... Namorado.

Argh! Odeio usar esse termo.

- Deixa ela Rachel. - sou salva pelo meu pai.

Como meu Deus? Como vou sobreviver três horas ao lado de Augustus?

Resolvo pedir socorro para Eliza. Depois da segunda ligação finalmente ela atende.

- Até que enfim você atendeu. - digo desesperada.

- O que aconteceu? - ela pergunta calma.

- Augustus chega em quinze minutos. - estou na varanda roendo o resto de unha do meu mindinho enquanto ando de um lado para o outro.

Entenda, eu estou desesperada eu sei que você deve está pensando que é muito drama e desespero para uma situação simples. Mas acredite não é, não é mesmo.

- Okay, vejamos... Você tem que ganhar tempo ou melhor perder tempo. - ela rir do que ela achou que foi uma piada.

- Desenrola Eliza. - digo sem paciência.

- Hum... Primeiro vai para seu quarto e demora o máximo que puder com a desculpa que esta terminando de se arrumar.

- Mas eu já estou arrumada. - argumento.

- Meg pelo que eu te conheço eu sei que não está.

- Tá mas eu preciso de algo melhor, que demore mais. - e é nessa hora que eu vejo a minha solução, bom pelo menos naquele momento me pareceu uma boa ideia.

- Meg? Está me ouvindo? - Liz pergunta.

- Sim, acabei de ter uma ideia. - digo alegre e começo a caminhar ou melhor a correr.

- Não é nem um ato desesperado é? - questiona ela insegura.

- Depende da sua definição de ato desesperado. - digo e em seguida me jogo, literalmente em uma pequena poça de lama do jardim.

- Meg o que foi isso? O que você fez sua louca? - me levanto e olho para minha roupa e começo a voltar para a varanda.

- Me joguei em poça de lama no jardim.

- Meu Deus, você é retardada! Isso já é o cúmulo do desespero. - diz Liz rindo.

- Eu sei, agora tenho que ir tomar banho te ligo depois. - digo alegre.

Eliza continuo rindo e nós desligamos.

Entro em casa e meus pais me olham de cima abaixo como se eu fosse um E.T

- O que aconteceu filha? - pergunta minha mãe vindo até mim.

- Cair no jardim. - digo e meu pai só consegue rir.

- Como assim caiu Megan? - meu Deus mãe custa deixar eu sair antes que o Augustus chegue? Penso em dizer.

- Sei lá mãe, cair. - meu pai continua rindo.

- Vou tomar outro banho e como Augustus já deve está chegando podem começar a jantar sem mim. - assim que digo a campainha toca, entendo isso como minha deixa para sair antes que minha mãe diga que isso é falta de educação.

Subo as escadas correndo e me tranco no meu quarto.

Vou para o banheiro e faço tudo do jeito mas lento que consigo.

Antigamente eu contava os minutos para a chegada de Augustus, agora eu conto os minutos para ele ir embora.

Como tudo pôde mudar desse jeito?

Como cheguei a esse ponto?

Por que mudou?

Depois de vinte minutos no chuveiro e de muitas perguntas sem respostas eu saio para procurar uma roupa, antes que minha mãe suba e venha vê se eu não estou morta na banheira.

Depois de mais dez minutos resolvo descer e encontro minha mãe no corredor.

- Por que demorou tanto? - sinto vontade de revirar os olhos, meia hora não é nem tanto tempo assim.

- Era lama mãe. - digo e caminhamos juntas até a sala.

Encontro Augustus em um papo super animado no sofá com meu pai, que sempre me diz que Augustus é o genro perfeito.

Todo mundo acha Augustus perfeito.

E toda vez que ouço isso dar vontade de gritar e manda todo mundo calar a boca.

Augustus me vê e vem até mim.

- Meg como está? Sua mãe disse que você caiu no jardim. - ele me olha preocupado.

- Estou bem. - acho que ele espera mais detalhes, mas não digo nada.

- Querida já jantamos, mas sua mãe guardou um pouco para você. - diz meu pai enquanto caminha até minha mãe.

- Tudo bem, depois eu esquento no micro-ondas. - digo me afastando um pouco de Augustus.

Eles saem da sala para poder dar um pouco de privacidade para Augustus e eu.

Mal sabem eles que a última coisa que quero é privacidade com ele.

- Que tal irmos tomar um sorvete e depois poderíamos...

- NÃO! - acabo gritando sem querer e Augustus me olha assustado.

Mordo o lábio tentando pensar em uma boa desculpa.

- Quer dizer... Eu não quero sair hoje... Sei lá... Quero ficar em casa. - digo.

- Qual é o problema Megs? - Augustus pergunta calmo, após me observar alguns segundos.

Nenhum, eu só não quero sair com você, nem hoje nem nunca. Só isso.

Penso em dizer.

- Nenhum, não tem problema nenhum. - mas é isso que digo.

Ele sorri docemente para mim, no mesmo instante me sinto péssima por ser assim, até por tratá-lo assim. Meu Deus o que há de errado comigo?

- Olha Augustus eu... Eu não estou me sentindo bem, estou um pouco enjoada e... Eu só quero ir dormir. - ele fica claramente decepcionado.

- Tudo bem então... Espero que melhore, qualquer coisa me liga.

Augustus se aproxima e eu não sei o que raio baixou em mim, só sei que nos beijamos.

Um beijo rápido, muito rápido pois logo eu me afastei mas foi o suficiente para vê alegria em seus olhos.

Afinal fazia um tempinho que eu não o beijava.

Mas logo sou atingida pela realidade, aquela que eu não suporto nem ficar perto dele.

Augustus vai embora me deixando sozinha com meus pensamentos.

Subo para o meu quarto e começo a chorar.

Choro por não conseguir ama-lo

Choro por sem querer mágoa-lo

Choro por ser essa pessoa tão confusa.

Choro por tudo e muito mais.

Você pode até não acreditar, mas eu não queria agir assim... Não queria ser assim.

Pode pensar que faço tudo de propósito, mas não é... Não é mesmo.

Tudo o que eu queria era amar.

Só isso.

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