Capítulo 35🦋

Jhonatan Fernandez...

— Jhonan? Gatinho! - Helena começou a estalar os dedos na frente do meu rosto — Tá pensando em que Jhonan? Você está muito distraído hoje! Jhonan! - Ela falou mais alto meu nome e eu me assustei.

— Oi! - Respondi no susto — Oi, Lena! O que foi, por que tá me gritando?

— Eu não gritei! Estou a quase meia hora falando sozinha! Que bicho te mordeu hoje?

— Desculpa, acho que hoje eu sou uma péssima companhia! Já comeu? Quer ir embora?

— Já acabei. Vamos pro apê, quem sabe lá você não me conta o que tá acontecendo com você!

— Vamos então!

Me levantei da mesa onde estávamos, fui até o caixa e paguei pela refeição que fizemos. Encontrei ela na saída e fomos andando até o ponto de ônibus para voltarmos pro apê. Desde a hora que saímos do mar, não consigo olhar ela nos olhos. E sei que não vou conseguir fugir de suas perguntas. Mas eu nem sei o que dizer a ela sobre o que estou sentindo.

No dia que eu a reencontrei, eu estava muito carente, confesso. Alícia tinha falado comigo sobre o tal beijo na noite anterior e meus pensamento e sentimentos estavam e ainda estão muito confusos. Quando eu vi a Lena no ponto de ônibus, fiquei feliz de reencontrá-la pois sempre nos demos bem e sua companhia sempre foi boa.

Naquele dia eu não contei a Helena o que sentia pela Ali e muito menos o tanto que eu tinha me envolvido com ela. Helena e eu conversamos sobre a vida nova nos lugares novos que estamos, o que estamos sentindo falta na nossa cidade e o que estamos gostando com a mudança que fizemos. Helena é uma mulher linda e muito carismática. A gente consegue conversar sobre vários assuntos por horas sem ao menos parar para pensar sobre o que iremos falar.

E é por isso que eu sei que ela merece alguém que possa ser verdadeiro com ela de uma forma que, eu não posso. Meu pai ia me bater se visse essa situação que coloquei nós dois, simplesmente por não falar a verdade pra ela.

Chegamos no ponto de ônibus em completo silêncio. O nosso chegou e eu continuei sem dizer absolutamente nada! Entramos no ônibus e chegamos no ponto de descida quinze minutos depois. Não demorou muito e já estava abrindo a porta do apê.

— Tá legal, Jhonan! Já deu! Pode me falar agora o que está acontecendo com você? - assim que entrou no apê ela começou a falar com os braços cruzados em frente ao corpo, sua expressão não estava nada boa.

— Eu não quero falar sobre nada, Lena. Por favor, não insista! - Suspirei pesado e caminhei até o frigobar, tirei uma garrafa d'água, e tomei um pouco. — Onde você vai, Helena?

— Vou embora!

— Por que? Eu quero que você fique!

— Não vou ficar aqui com você em silêncio pensando sei lá em que. Não vim pra cá pra isso. E se você quiser ficar sozinho, vou deixar. Era só ter falado!

— Não, Leninha! - Suspirei pesadamente — Desculpa. Eu estou sendo um idiota, eu sei! Mas não precisa ir, prometo melhorar minha cara emburrada! - Falei me aproximando dela e acariciando seu rosto.

— Você sabe que pode falar comigo se quiser. Nós somos amigos Jhonan!

— Eu sei e te agradeço por isso! Só não quero falar agora! - Ela sorriu e soltou a mochila na cama de novo!

— E então, o que tem de bom para se fazer hoje a noite?

— Primeiro deixa eu ver no meu telefone se hoje teve alguma prova ou teste surpresa e depois eu vejo com a galera pra onde vamos hoje!

— Vou tomar um banho enquanto isso então!

— Tem toalha na porta da esquerda, aí no guarda-roupa. Pode pegar! - Falei enquanto pegava o celular sobre a cama, exatamente onde deixei antes de sair.

Várias mensagens da Joana e do Ivan. Estão preocupados com meu sumiço repentino. Tem mensagens do pessoal do trabalho também. Eu nunca faltei ao trabalho, essa foi a primeira vez em meses e eu já estou arrependido de ter feito isso.

Respondi o Ivan, dizendo que estava tudo bem e que depois pegava a matéria com ele. Respondi a Joana a mesma coisa. Depois que enviei a última mensagem, o sinal de mensagens não lidas ainda marcava uma, rolei a tela para baixo e achei uma enviada mais cedo que passou despercebida.

" Oi Jhonan. Só queria saber como você está. Sua mãe está ouvindo uma música nesse exato momento que me faz pensar em você! Amado, da Vanessa da Matta:

'Sinto que você é ligado a mim

Sempre que estou indo, volto atrás

Estou entregue a ponto de estar sempre só

Esperando um sim ou nunca mais'

Sinto sua falta, Jhonan!"

Fechei o aplicativo de mensagens me sentindo furioso. Talvez a fúria não seja o sentimento certo, não sei explicar. Começo a andar de um lado para o outro, com várias coisas entaladas na minha garganta me sentindo irritado, frustrado, inquieto, tudo ao mesmo tempo. Escuto alguém batendo na porta e vou verificar. Abri a porta e era a Joana e Rony. Saí do apê e fechei a porta atrás de mim. Joana me abraçou e Rony e eu fizemos um toque de mãos.

— Jhon, o que houve? Ivan e eu ficamos preocupados. Ontem você estava avoado e hoje não foi, o que tá rolando? - Joana perguntou parecendo preocupada.

— Eu tô bem, só um pouco cansado. Hoje recebi a visita de uma amiga e por isso não fui.

— Que amiga? A Helena? - Ela perguntou desconfiada pois eu já comentei sobre a Lena algumas vezes!

— Sim! Ela veio passar o fim de semana aqui!

— Então vamos embora, Jô. Estamos atrapalhando o casal! - Rony falou em tom de brincadeira e Joana ficou envergonhada

— Para Rony! - Ela cutucou ele que falava para implicar com ela

— Vocês são fogo! Ela tá tomando banho seu mané! - Brinquei com Rony e ele deu risada — A gente foi na praia e chegamos agora pouco. Vão fazer o que mais tarde?

— Vou tocar no clube de novo e depois vamos vir pra cá! Hoje vai ter resenha aqui no pátio. A galera do bloco C que tá organizando dessa vez.

— Eu fiquei responsável pelas bebidas e o Rony que vai me ajudar.

— Ah beleza então. Eu encontro vocês no clube, pode ser?

— Ok, pode sim! Qualquer coisa avisa!

Nos despedimos e voltei para o quarto. Helena estava sentada na minha cama lendo a carta que a Alícia me escreveu. Arregalei os olhos e senti que me faltava o ar. Meu coração disparou e fiquei nervoso com aquela situação.

— Por que tá lendo minha carta? - Perguntei me aproximando dela.

— Achei sem querer debaixo do seu travesseiro. Não sabia onde você estava e resolvi deitar para descansar um pouco. Assim que passei a mão por baixo do travesseiro senti o papel. Eu não ia ler e peço desculpas por ter feito isso, mas não consegui evitar. Vi o nome dela primeiro e minha curiosidade me venceu.

— Você não deveria ter lido. - Peguei a carta da mão dela brutalmente.

— Se eu não tivesse achado a carta não ia saber nunca sobre vocês, não é?

— Não sei como te responder isso!

— Não precisa responder. Olha Jhonan, eu não sou sua namorada nem nada disso para te exigir nada, mas achei que como amiga você me diria a verdade. Se você gosta da Alícia, por que deixou a gente se envolver esse tempo todo?

— Eu também não sei como responder isso Helena! - Esfreguei as mãos no rosto e depois no cabelo. Fiquei olhando aquele papel em minhas mãos sentindo o coração disparado.

— Agora sei porque você está tão distraído o dia todo

— Eu estou muito confuso com tudo. Tenho vontade de sair correndo e ir até a casa dela e beijá-la, mas meu orgulho fala mais alto e eu simplesmente quero que ela sinta tudo o que me fez sentir durante esse tempo. Não sei o que fazer e nem o que pensar. Desculpa te envolver nisso, mesmo sem querer. - Me confessei a ela

— Se você quer ficar com ela, então conversem logo. Mas enquanto a conversa não acontece, vamos aproveitar nosso tempo juntos. Eu acho que se vocês gostassem tanto assim, não estariam tão longes a tanto tempo sem se falar!

— Não acho que concordo com você, mas no momento não tô podendo confiar em mim. Então vou te dar ouvidos! Agora, vê se vai dormir um pouco, vou tomar banho. Mais tarde a gente vai no clube que meu amigo se apresenta com a banda dele. E depois vai ter resenha da galera aqui no pátio dos dormitórios.

— O povo aqui é bem animado hein.

— Toda sexta sempre tem. Eu andava tão cansado que não estava participando. E também teve os dias que fui para sua casa lá em Niterói. Acabei me distanciando um pouco do pessoal aqui, mas são todos gente boa.

Peguei minha roupa, uma toalha e fui para o banheiro. Tranquei a porta e peguei o telefone para responder a mensagem da Ali. Respirei fundo e abri o app de mensagens. Cliquei na foto do perfil dela e fiquei reparando nela criando coragem para responder sua mensagem. Comecei a digitar, mas voltei atrás e apaguei tudo. Tentei mais uma vez e não consegui.

Droga, por que isso se tornou tão difícil? Eu a quero pra mim, quero dar uma chance pra nós dois, mas o medo de me expor demais é maior e se eu investir na Helena que tá aqui comigo, talvez seja melhor!

Meu coração disparou só de pensar em virar as costas pra ela, pra nós. Não posso fazer isso! Não será justo com a Lena e nem comigo mesmo!

Decidi tomar meu banho e esperar minha cabeça se acalmar para pôr os pensamentos no lugar e então respondê-la.

Termino de me secar, coloco minhas roupas e saio do banheiro encontrando Helena apagada na cama, o que me arrancou um sorriso fraco.

As horas se passaram e não enviei nenhuma mensagem de resposta para a Ali. Reli a carta mais algumas vezes e estudei um pouco da matéria que deixei acumulada, mesmo com a concentração atrapalhada. Ivan me enviou mensagem dizendo que me encontraria no clube.

Helena se arrumou tecnicamente rápido comparado ao tanto que a Ju e a Ali sempre demoram. Eu coloquei uma calça jeans, a blusa que a Ali fez pra mim e o meu colar da sorte!

Sim, agora se tornou um colar da sorte!

Helena estava linda usando um macacão todo vermelho de alcinhas que se cruzava nas costas, realçando seus seios e deixando suas costas nuas. O batom vermelho pareceu deixar sua pele mais branca e seus olhos azuis mais intensos. Ela sabe mexer com um homem quando quer!

— Então como estou? - Ela perguntou quando saiu do banheiro.

— Maravilhosa ainda é pouco! - Falei admirando cada detalhe dela.

— Seu bobo! Vamos logo então? Quero dançar para aquecer o corpo!

— Se quiser eu posso aquecer agora pra você! - Que merda eu tô falando! Se controla Jhonatan!

— Por mais que a proposta seja tentadora, não quero estragar meu look agora! Vamos logo!

— As damas primeiro! - Falei apontando minhas mãos para a porta e logo ela passou por mim, e seu perfume me fez espirrar de tão forte que está!

— Saúde Gatinho! - Ela disse rindo e saímos de mãos dadas.

Chegamos ao Clube e meus amigos já estavam sentados e bebendo drinks coloridos demais. Nos aproximamos das mesas dispostas por eles e apresentei Helena a todos eles. Todos conversaram, Helena sendo simpática como sempre e logo começaram a me encherem a paciência pois demorei a apresentar eles pois ela é muito bonita e blá blá blá blá...

Rony estava dando em cima da Helena descaradamente. Ivan estava a um passo de dar um soco na fuça dele quando ele se levantou com a desculpa que estava na hora de se preparar para cantar. Helena estava desconfortável com ele, e quando ele saiu ela respirou fundo e sussurrou ao meu ouvido:

— Que cara idiota. Tomara que sua amiga não fique chateada comigo

— Não é sua culpa! Relaxa que depois eu falo com ela.

Ela balançou a cabeça concordando comigo. Até agora não sei o que deu na cabeça desse idiota! Joana se levantou e pediu licença para ir atrás dele. Ivan disse para ela ficar e ela foi assim mesmo!

— Você gosta dela não é, Ivan? - Helena perguntou encarando meu amigo que se engasgou com a bebida que ele estava tomando

— Como você sabe? - Ele perguntou — Você contou pra ela, imbecil?

— Lógico que não! - Falei na mesma hora!

— Tá escrito na sua testa Ivan! - Helena disse sorrindo e sacudindo a cabeça em negação.

— Acho que a única que não vê é ela! - Ele disse abaixando o olhar até o copo em suas mãos.

— É porque ela só enxerga ele por enquanto! Mas se você mudar e fizer algo para chamar a atenção dela, pode ser que ela te note! - Helena o aconselhou.

— Não tenho coragem de confessar meus sentimentos.

— Sabe cantar? - Ele concordou com a cabeça, respondendo a pergunta dela — Aproveita o espaço em que estamos e canta alguma coisa para ela, mas sem dizer o nome dela. Você pode fazer como nos filmes, e só olhar na direção dela!

— Você acha que pode funcionar? - Ele, incrivelmente, se animou.

— Tenho certeza que sim! A gente já sabe que ela curte os cantores, então aproveita e usa isso a seu favor.

— Helena você é um anjo! Obrigado! - Ele falou depositando beijos no dorso da mão dela.

— Vai logo mano! Antes que o show comece! - Ele se levantou e saiu correndo, sorrindo feito bobo.

Ivan conseguiu se apresentar e surpreendeu a todos com a voz grave e rouca que tem. Ele disse que cantaria para uma pessoa que é muito importante para ele e que está do lado dele a muito tempo. Até aí estava tudo bem, Joana ficou tensa assim que ele direcionou o olhar para ela e começou a cantar. Ele não desviou o olhar dela em nenhum momento e cantou a música que a Ali me escreveu na mensagem. E depois disso eu bebi todas as cervejas que me foram servidas!

Helena foi paciente e muito amiga até eu chamar ela de Alícia. Não estou tão bêbado quanto pareço, mas trocar o nome dela foi errado de várias maneiras.

E agora eu virei o idiota da vez!

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🦋 Contém 2395 palavras 🦋
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