Capítulo 32🦋
Alícia Parker…
“Tô indo falar com você! Precisamos conversar!”
Juliana me enviou essa mensagem agora a pouco e tenho certeza sobre o que é a conversa: Jhonatan!
Eu sei, fiz merda! Não deveria ter ligado e o arrependimento bateu logo assim que falei com ele. Se eu tivesse poderes de teletransporte, teria ido até ele e… ah.
Quem eu quero enganar?
Nem eu acredito que teria feito algo para evitar que a gente se afastasse. Sentir a falta dele e mover absolutamente zero coisas para acabar com a distância é uma bela, de uma hipocrisia. Faz um tempo que não vou na casa da Ju de tanta vergonha da tia Cíntia. E o pior de tudo é que eu sei que eu estou errada.
Ele está em São Gonçalo há oito meses, e todo esse tempo ele tentou sozinho encurtar nossa distância com ligações e mensagens. Se eu liguei pra ele, sei lá, três vezes, foi muito! E agora quem tá chorando com mais uma decisão errada, sou eu! Afastei uma das únicas pessoas que se importam comigo de verdade, e ele é a mais importante.
A campainha está tocando me fazendo voltar a realidade.
Caminhei até a porta e abri, sabendo que era a Ju, vindo me dar o sermão que eu mereço ouvir!
— Alícia! - Ela diz com a cara emburrada. Seu tom é sério, desprovido de emoção.
— Juliana! - Respondi no mesmo tom.
— Juliana, nada! Você vai me ouvir agora! Primeiro, quero saber, sua mãe está em casa?
— Não, Ju. Ela foi…
— Que bom! - fui interrompida — Olha, eu não vim aqui para te dizer o que você deve ou não fazer. Também não vim amaciar seu ego e muito menos defender meu irmão. - Arregalei os olhos, meio assustada com o tom de autoridade que ela se dirigia a mim. — Você é minha melhor amiga e ver a merda que você fez, me faz querer te bater.
— Eu sei Ju! Eu sei que fiz merda!
— Me deixa falar! - Apenas fiz sinal de zíper em frente a boca e ela continuou — Alícia, você é uma pessoa maravilhosa, cheia de luz e alegria naturalmente! Sua personalidade atrai as pessoas e fazem ela querer se aproximar de você. Por isso eu não liguei quando aquele infeliz começou a se amigar contigo. Trabalhos e mais trabalhos vocês fizeram juntos e eu não acreditei quando vocês fizeram aquela leitura de Shakespeare, na aula de literatura com tanta verdade. Vocês tinham se tornado amigos e eu achei bom. Até porque ele se dá muito bem com o Di. Você me falou que o beijo não tinha significado nada e agora eu recebi uma ligação do meu irmão dizendo que você tinha ligado para ele e contado sobre o beijo como se fosse algo importante? O que você tem na cabeça Ali? O que você tá escondendo de mim?
— Eu não sei tá legal! - Falei alto, cruzando os braços em frente ao corpo — Eu não pensei no que estava fazendo, fui mais infantil do que deveria e afastei seu irmão de uma vez por todas!
— Por que você se empenha tanto em afastar aqueles que te querem bem?
— Não sei! Talvez eu tenha mais da minha mãe do que eu realmente pensei.
— Não se vitimize Alícia! Você mesma sabe que isso não é verdade.
— Amiga, eu não sei. Não quero que ele se afaste, eu gosto tanto dele que tenho medo!
— Medo de que Alícia?
— De tudo, porra! - Juliana me olhou feio, ela odeia que fale palavrões — Desculpa, estou alterada. Eu me arrependi de ter falado pra ele, assim que disse a primeira palavra. Eu não quero que ele se afaste Ju. Não sei o que fazer!
— Alícia, ele desistiu! Ele disse pra mim, ele tá muito magoado e não vai mais insistir.
— Qualquer um no lugar dele já teria deixado pra lá muito antes.
— Meu irmão nunca gostou de ninguém como gosta de você. Ele tá magoado de verdade, senti em cada palavra que ele me dizia no telefone. - Olhei pra ela sentindo um peso no estômago e a garganta fechada com palavras entaladas — Mas ainda dá pra reverter essa situação! Mas vai ter que partir de você!
— Mas e se ele não responder mais? Se for tarde pra isso?
— Você vai ter que insistir igual a ele. Jhonan é turrão quando quer ser! E se você cansar e ele não der o braço a torcer, aí a gente vê o que faz.
— Não sei se me deu coragem ou me deixou com mais medo! - tentei amenizar o clima tenso.
— Amiga, você vai ter que mostrar que se importa!
— Eu vou amiga. Eu tenho que aprender a fazer as coisas por quem faz por mim. Essa situação me fez ver o quanto sou imatura e mimada. E se por acaso eu tiver perdido ele pra sempre, vou carregar essa culpa sozinha.
— Eu vou te ajudar amiga. Vou conversar com ele quando ele estiver com a cabeça mais fria. E você trate de pelo menos mandar uma mensagem de desculpas, ou ligar pra ele. O que você preferir.
— Obrigada, Ju! Estaria perdida sem você!
— Eu sei! Agora preciso ir embora! Tenho que ajudar na confeitaria. E depois vou ir no cinema com o Di.
— Vocês estão firmes mesmo, né?
— Sim amiga! Ele me faz bem. Espero conseguir retribuir os sentimentos um dia.
— Eu também, amiga. Eu também!
Assim como chegou, ela se foi. Rápido! Fechei a porta de casa e me joguei no sofá. Pego o telefone e fico encarando a tela tentando pensar em como falar com ele. Em como pedir desculpas. Como explicar, se é que tem como eu fazer isso. Uma máquina do tempo me ajudaria demais agora.
As horas vão passando até eu dormir no sofá e acordar com o telefone vibrando no meu rosto. Ainda com os olhos embaçados pois acabei de acordar, atendo sem ver quem estava me ligando.
“— Alô? Quem é?
— Oi Ali. Sou eu, Amanda!
— Oi Amanda. Desculpe, eu estava distraída aqui e não vi seu nome na tela.
— Imagina, querida! Estou ligando pois estou precisando de uma mãozinha aqui no ateliê! Você pode vir agora?
— Posso sim! Não estou ocupada. Precisa que eu leve alguma coisa?
— Não, venha o mais rápido possível. Tenho urgência!
— Está bem! Eu já chego ai!
— Obrigada, querida. Cuidado na rua!”
Levantei do sofá em um pulo gigante e corri até meu quarto, ajeitei o cabelo em um coque solto, coloquei uma calça jeans, um all star e uma blusa de mangas curtas, em tom de lilás. Peguei minha bolsa que já fica sempre pronta e desci as escadas passando um gloss nos lábios. Tranquei a porta e andei apressada até o ponto de ônibus. Por sorte ele veio rápido e em dez minutos eu chego no shopping.
Assim que cheguei no ateliê, Amanda estava toda desgrenhada com um lápis na boca debruçada sobre a mesa de desenhos.
— O que houve aqui, Amanda? - Perguntei estranhando a bagunça de panos e papéis espalhados.
— Ai Alícia. Um cliente muito antigo e importante pediu um modelo de moletom feminino que não estou conseguindo inspiração para fazer. Já tentei de tudo e nada funciona. Sabe, hoje é um dia difícil pra mim, faz cinco anos que perdi meu marido e eu nem consegui ir no cemitério, por causa desse bendito moletom!
— Meu Deus, Amanda! Olha, se não for abuso da minha parte, posso te mostrar um modelo que já tenho desenhado.
— Ah, deixa eu ver então! qualquer coisa a gente usa eles e faz o ajuste que precisa para ficar no gosto do cliente.
— É sério Amanda? Eu… eu nem sei o que dizer!
— Eu não brinco em serviço, Alícia. Isso pode ajudar tanto eu quanto você!
— Nossa, obrigada Amanda! – falei animada, abraçando-a enquanto falava.
— Tudo certo então. Onde está o desenho? - Amanda se desvencilhou do meu abraço e se sentou em uma cadeira próxima a mesa.
— Tenho aqui no meu caderninho. Tenho um modelo feminino e um masculino.
Entreguei o caderno nas mãos dela e me sentei a sua frente do outro lado da mesa. Ela abriu o caderno e começou a folhear lentamente. Eram desenhos mais recentes, com datas do fim do ano e desse ano. Os moletons estavam quase no começo, pois desenhei no fim do ano quando Jhonan voltou da viajem de formatura.
— Ali, você é incrivelmente talentosa! Olha que desenho detalhado. Estou mais impressionada ainda com você!
— Obrigada chefinha! - falei sorrindo com seu elogio em meu trabalho. O reconhecimento é tão gratificante.
— Eu já sei o que fazer! – ela disse se levantando e indo no armário de tecidos.
— E o que eu faço?
— Você vai costurar o seu desenho. Vai dar vida a ele. Os elásticos você pode deixar que eu ponho. E o bordado que o cliente quer eu também faço.
— Ual! - exclamei me sentindo empolgada — Pode deixar que essa parte de corte a senhora me ensinou bem!
— Senhora não, Alicia. Pode falar, você! Enquanto você corta aí eu vou dá um pulo no cemitério e depois volto.
— Tudo bem chefinha! Pode deixar!
Ela pegou sua bolsa vermelha de couro e saiu disparada pela porta. Uma alegria de poder fazer um modelo meu me invadiu e senti a necessidade de compartilhar com quem se importa comigo.
Comecei a desenhar modelo de casaco e calça no tecido pesado, com as medidas que a Amanda me passou. O relógio marca cinco horas da tarde quando desenhei só uma parte do conjunto. Me concentro e falo a parte de baixo e mais meia hora se passaram. Uma ideia me percorreu a cabeça enquanto desenhava sobre o tecido.
Meu pedido de desculpas vai ser algo inusitado.
Lá pelas sete da noite, Amanda chega e eu ainda estou cortando o conjunto. Ela se aproximou e sorriu olhando meu trabalho me deixando contente.
— Isso está muito bom Ali. Como foi o resto de dia aqui?
— Obrigada, Amanda. Aqui tá tudo tranquilo
— Ótimo! - ela respondeu.
Amando se afastou de mim, guardou a bolsa e disse pra gente encerrar o dia. Pois já estava tarde.
— Posso te pedir uma coisa antes?
— Claro! Tô te devendo uma!
— Eu fiz uma besteira com um... amigo e preciso fazer um grande pedido de desculpas. E tive uma ideia, mas só posso fazer com a sua autorização.
— E o quê que precisa da minha permissão?
Contei a ela o que eu precisava e ela sorriu. Mas disse que só deixaria se eu contasse tudo o que aconteceu. Ela fechou o ateliê, e me pagou um milkshake. Sentadas na praça de alimentação eu contei tudo a ela. E amanhã mesmo, em pleno domingo eu já começo a pôr o pedido de desculpas em prática.
Amanda me deixou em casa e eu agradeci pela companhia. Subo direto para o meu quarto e pego o telefone pra mandar uma mensagem pra ele. Eu não vou desistir até que ele me perdoe.
"Eu não sei por onde começar, mas eu sei que não quero terminar sem você por perto. Nossos caminhos se cruzaram a muito tempo e meu coração sempre soube que era seu! Me perdoa!"
Enviei a mensagem. Mas não tive resposta!
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🦋 Contém 1850 palavras🦋
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Essa é a Amanda! Linda né?
Bom meus amigos, por hoje é só!
Animados para o pedido de desculpas?
Eu confesso que estou nervosa.
Até semana que vem!
Fiquem com Deus!
Beijos Iza💖🦋
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