Capítulo 31🦋

Jhonatan Fernandez...

— Ivan! Ivan! - Consegui alcançar ele assim que saímos do clube.

— Fala 'leque'! - Ele parou e olhou para trás assim que ouviu minha voz.

— Tá indo pra onde? - Perguntei indo até ele.

— Sei lá! Acho que só quero caminhar um pouco.

— Vou contigo! Nós dois estamos um pouco alterados. Se ficarmos sozinhos pode dar merda!

— Não precisa Jhon. Tô de boas! - Passei meu braço por cima dos ombros dele e o respondi, forçando nossa caminhada.

— Não, não tá! Eu sei, pois a gente tá igual!

— Tá foda, irmão! - Ele falou balançando a cabeça em confirmação e caminhamos lado a lado.

— Se eu tivesse no seu lugar, provavelmente teria começado uma briga com o cara que beijou minha garota.

— Se eu faço isso, Joana nunca mais olharia na minha cara! - Ele riu do que falou e eu acompanhei. Coloquei as mãos nos bolsos e continuamos andando juntos.

— Tem razão, mano! A quanto tempo você gosta dela? - a curiosidade sobre eles estava aguçada e me ajuda a tirar os pensamentos da minha morena. Merda! Ela não é mais minha morena.

— É difícil dizer. Conheci ela no ano passado. Fizemos o último ano juntos. Foi uma época difícil que minha mãe precisou morar de favor lá em Niterói, em casa de parentes, e a Aninha foi uma luz pra mim. Se não fosse ela, eu não teria conseguido nem terminar os estudos. E eu já tinha perdido um ano, não podia perder outro.

— A convivência fez vocês se aproximarem? - Senti uma familiaridade.

— Sim, mas eu acabei me envolvendo com a Mariana, sabe. E acabei vacilando com a Joana. Dei as costas pra única pessoa que se importava comigo de verdade. Quando eu percebi os sentimentos dela já era tarde demais, pois ela estava muito magoada.

— Como ela te perdoou cara? Joana é um osso duro de roer.

— Não foi fácil recuperar a confiança dela. Tive que provar a ela que eu era seu amigo de verdade todos os dias. A vida se encarregou de nos aproximar quando minha mãe começou a trabalhar aqui em São Gonçalo e eu consegui a tão sonhada bolsa de quase 100%.

— Então mesmo longe você ainda continuou gostando dela? - Perguntei pois era só nisso que eu conseguia pensar.

— Achei que tinha sido só uma paixonite na escola, mas quando eu a vi aqui depois de um tempo sem nos falarmos, foi como se eu olhasse para ela pela primeira vez. Percebi que era amor!

— É meu amigo, sinto muito! Se quiser te ensino a tocar violão pra conquistar sua gatinha! - Ele gargalhou e eu fui junto. Me deu um empurrão, ombro a ombro.

— Babaca! Mas, agora que abri meu coração pra você, quero saber o que rolou com a sua morena! - Abaixei a cabeça sacudindo ela em negação.

— Minha morena, talvez não seja mais minha!

— Porra! Por que não? Achei que vocês estavam bem!

— Alícia tem uns problemas na vida dela que faz ela se afastar de todos. Pelo menos era o que eu pensava.

— Como assim? - Ele perguntou parando no lugar e cruzando os braços em frente ao corpo.

— É difícil explicar, ela tem problemas com a mãe e o pai acabou de reaparecer, uma confusão que só. E ela sempre disse que não havia espaço pra mim, pra um relacionamento comigo, então a gente acabava só na pegação, mas eu me envolvi com o coração. E foi aí que tomei no cu! - Ele soltou uma gargalhada — Vai, fica rindo da desgraça alheia, dá azar trouxa!

— Não acredito nisso! Eu faço a minha sorte!

— Que toda sua sorte recaia sobre mim, amém! - levantei as mãos ao céu, enquanto dizia.

— Para de enrolar e fala logo, o que rolou hoje que tu bebeu feito um desgraçado?

— Não bebi tanto, mané! O que aconteceu, foi que ela me ligou pra dizer que tinha saído com alguém! Que tá nascendo uma amizade.

— Puta que pariu! - falou espantado.

— É! Pensei isso também! Agora tô aqui igual um otário andando com um maluco tarde da noite!

— Bom, veja o lado bom da coisa.

— E tem lado bom?

— Sempre tem um lado bom, a gente que não consegue vê! O seu é que você tá longe dela! Não vê-la todos os dias pode ser algo bom!

— Talvez seja, no fim das contas.

— Vai por mim, se eu pudesse ficar sem ver a Aninha, já aliviaria um pouco da dor que é ver ela com outro.

— Você tá certo meu amigo!

— Sempre certo! Nunca se esqueça disso. - Rimos um da cara do outro.

Andamos por mais algum tempo, pela orla da praia no centro da cidade, até decidirmos ir embora. Ivan me chamou para ir a casa dele e aceitei. Seria melhor do que ficar no apê sozinho. E a casa dele é perto da auto escola. Como eu preciso ir amanhã para fazer mais uma prova, pois reprovei algumas vezes, já será um adianto. Saber dirigir antes de fazer autoescola me deu algumas manias que tecnicamente são erradas e me tiram pontos na hora da prova prática. Mas amanhã será a última vez que farei! Já errei tudo que eu poderia errar.

[...]

Levantei primeiro que Ivan, que parecia estar em coma. Liguei meu celular que ficou desligado no carregador durante a noite e fui ao banheiro. Tia Regina, mãe do Ivan, estava na cozinha passando um café e assim que me viu abriu seu sorriso carinhoso de mãe e me chamou para tomar um café.

— Eu aceito sim, tia. O cheiro tá indo lá no quarto. - respondi me aproximando da mesa exposta para nosso café.

— Ivan já acordou? - Ela perguntou me servindo um pouco de café.

— Ainda não. Ele tá destruído, tia.

— Vocês chegaram tarde ontem, né! - ela disse sorrindo em tom de brincadeira — Você já vai sair, meu filho? - Notou minhas roupas arrumadas.

— Vou fazer a prova da autoescola, tia. Hoje faço a prova prática.

— Chama o Ivan para te levar na moto.

— Não, tia. Pode deixar ele dormir. A área da prova prática. é aqui perto, dá pra ir caminhando.

— Então tá bom meu filho. Já vou indo, pois tenho que chegar na casa dos meus patrões antes das oito.

— Tudo bem, tia. Bom trabalho para senhora!

Tia Regina saiu cinco minutos depois de ter falado comigo. Ivan logo apareceu com a cara amassada e os cabelos desgrenhados. Ele se aproximou e se sentou à mesa para tomar seu café.

— Bom dia, Zé preguiça! Por que levantou cedo em pleno sábado, mano? - Perguntei a ele que mal abria os olhos.

— Minha mãe me obrigou, pois disse que temos "visita!" - Dei risada do que ele disse.

— Sua mãe se parece com a minha! Ela faria o mesmo comigo!

— Então você sabe o porquê de eu nunca contrariar dona Regina! - ele riu e começou a comer o bolo de fubá disposto a mesa.

— Mano, tenho que ir agora. Se não, vou chegar atrasado para a prova. E dessa vez não posso perder nenhum ponto.

— Vê se passa dessa vez hein! Daqui a pouco não cabem nos dedos da mão a quantidade de provas que tu fez!

— A culpa é da autoescola que não coloca carros decentes para dirigir. Certeza que se eu processace, ganharia a causa.

— Quando se formar, faço isso.

— Idiota! Agora vou ir. Até mais mano!

— Já é, paulista!

Peguei minhas coisas que consistiam apenas em uma mochila e fui confiante para a prova. O dia estava ensolarado e em algumas árvores já brotavam flores anunciando a chegada da primavera. Assim que cheguei, já falei com o instrutor e aguardei até que chegasse a minha hora de fazer a prova. O lugar está bastante cheio, mas ainda assim menos cheio do que da última vez, no mês passado.

Após meia hora de espera chegou minha vez. Minhas mãos suaram um pouco e caminhei até o carro, abri a porta do mesmo, entrei e já coloquei o cinto. O Instrutor me deu sinal para começar e verifiquei os retrovisores, o cinto novamente e liguei o carro. Fiz uma baliza primeiro, depois seguindo na rua respeitando as placas de velocidade, seta para direita, antes de virar, seta para esquerda antes de virar um pouco mais a frente, mais duas curvas, passagem da marcha de segunda para terceira, última reta e baliza para estacionar.

Consegui! Porra! Consegui!!!!

— Parabéns meu rapaz! Aguarde até liberarem os papéis.

Peguei meu celular e liguei para minha mãe! Ela vai ficar aliviada e feliz por mim. Ela atendeu rapidamente.

"— Oi, meu filho! A mãe estava aguardando a sua ligação!

— Consegui, Mãe! Finalmente consegui!

— Eu sabia, sabia que ia conseguir! Parabéns meu lindo! A mãe sempre está orgulhosa de você!

— Obrigada mãe! Te amo! Tô morrendo de saudade de vocês.

— Nós também meu amor. Quando pretende vir aqui?

— Só em dezembro mãe! Estamos no fim do semestre e as provas estão ficando apertadas. E no estágio está bem puxado também!

— Tudo bem meu amor! A mãe vai tentar ir te ver então.

— Não precisa mãe. Eu não vou ter tempo também para dar a atenção que a senhora merece. Agora mesmo estou indo pro "apê" colocar alguns trabalhos em dia.

— Está bem, meu filho. De qualquer forma, vou ver o que faço. Se cuida aí e nada de ficar até tarde na rua.

— Pode deixar dona Cintia! Ah, a Ju tá por aí?

— Tá sim, vou passar pra ela, calma aí! - houve um silêncio e logo ouvi minha mãe gritando a Juliana.

— Oi irmãozinho! Até que enfim passou na prova! - Começou a implicância.

— Pode zoar que eu nem vou ligar hoje.

— Mas fala, o que tu mandas? Queria falar o que comigo?

— Quero saber da Alícia. Ela tá se envolvendo com esse tal de Nathan mesmo? - perguntei sem rodeios. Já não tenho nada a esconder mesmo!

— Calma aí que vou subir aqui, pra mãe não ouvir a conversa. - Falou sussurrando.

— Juliana, só de você falar, ela já ouviu e entendeu tudo.

— Ela não ouviu besta! Ela tá na cozinha e eu falei baixo!

— Tá! Me fala logo, tá ou não com esse ai?

— Ela não tá com ele, Jhonan. Foi só um beijo! Depois dos trabalhos que eles fizeram juntos durante os semestres, a implicância deles foi se amenizando e um começou a gostar de conversar com o outro. Mas ela nunca teve outros sentimentos por ele.

— Até rolar o beijo!

— Não, nem antes e nem depois do beijo. Pra ela foi só um beijo! Ele meio que forçou o beijo, mas ela cedeu. Como se fosse um beijo roubado, sabe.

— Não quero detalhes do beijo, Juliana. Só queria saber se ela tem sentimentos por ele.

— Não tem! Eu garanto! É só amizade!

— Mas tem a possibilidade dessa amizade ser algo mais, não tem?

— Eu não sei Jhonan. Alícia gosta de você, ela sempre diz isso. Mas a diferença de prioridades de vocês é grande, a vida acaba diminuindo o laço entre vocês.

— Ela te disse isso?

— Não! Eu que estou falando. É como eu vejo de fora!

— Me sinto um babaca toda vez que ligo pra você pra saber dela. Quando, obviamente ela não tá nem aí pra mim!

— Jhonan, não é...

— Não Ju. Não precisa defendê-la. - A interrompi, pois estou cansado de desculpas vãs

— Se o beijo não teve tanta importância e mesmo assim ela quis me contar, só tem um jeito de eu entender essa atitude.

— Que seria?

— Ela me quer longe! Então não vou mais ficar em cima! Não vou mais ligar e nem mandar mensagem.

— Tem certeza, Jhona? Eu posso conversar com ela e ver o porquê disso.

— Não Ju. Se ela quiser falar comigo ou explicar alguma coisa, ela tem meu número. Vou desligar pois preciso pegar uns papéis aqui e ir pra casa. Beijo Ju, dê um na mãe também, por favor!

— Se cuida irmãozinho. Se precisar de alguma coisa me liga! Amo você!

— Também amo vocês!"

Encerrei a ligação e fui resolver minhas coisas. Peguei os papéis, como o instrutor havia ordenado e corro até o ponto de ônibus. Assim que me aproximo vejo um rosto familiar e quase não acredito na coincidência.

O que será que a Helena está fazendo por aqui em pleno sábado?

Me aproximei apressando meus passos e então assustei ela que olhava distraída para o mar um pouco à nossa frente.

— Helena! - Falei cutucando meus dedos na lateral de seu corpo.

— Ai! - Ela exclamou assustada olhando o intruso a suas costas. — Jhonatan?

— Oi, Leninha! Quanto tempo! - Falei abraçando e dando beijos no rosto, como cumprimento.

— Meu Deus Jhonan! Quanto tempo mesmo! Como você está?

— Bem, atolado de coisas, mas bem! E você, como anda?

— Meio confusa e perdida! Peguei o ônibus errado e vim parar aqui. Até agora não sei o que aconteceu! - Gargalhei com sua confissão e ganhei um tapa no ombro.

— Ah Lena, só você mesmo! Quase um ano morando no Rio de Janeiro e ainda perdida? - Falei cruzando os braços em frente ao corpo.

— Não sou boa com direção. E alguns nomes de bairros são muito estranhos pra mim!

— Pra onde você vai agora?

— Na verdade, tenho que voltar para Niterói, mas estava querendo ir até aquela praia primeiro. Parece tão azul daqui.

— Vem, vou com você! A gente come alguma coisa por lá. Tá com fome?

— Na verdade estou! Mas não quero atrapalhar sua vida. Tu deve estar cheio de coisas para fazer!

— Tô sim, mas hoje é sábado e faz tempo que a gente não se vê! Vamos! - Ela sorriu e entrelaçou nossos braços. 

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🦋 Contém 2240 palavras 🦋
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Essa é a Helena. Mas você fique a vontade para imagina-la do seu jeito!
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Olá Clichezeiros 💖

Nosso neném está muito magoado hein...
Alícia vacilou muito!

E aí o que vcs acham q vai rolar agora?

E Helena, o q pensam dela?

Comenta aí e se puderem deixem o voto na 🌟.
Agradeço a cada um!

Beijos Iza 💖🦋

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