Capítulo 22🦋
Alícia Parker...
Hoje fazem duas semanas que estou dormindo na casa da Ju. Minha mãe não me questionou em nenhum minuto, até hoje. Disse que se eu não voltar para casa ela vem me buscar com polícia e tudo. Tia Cíntia já me questionou pra saber o motivo de eu não querer ficar com a minha mãe várias vezes e mais uma vez consegui contornar essa situação. Mas agora não tenho como fugir mais, preciso voltar para aquele inferno!
Jhonatan está no quarto dele acabando de juntar as coisas, pois amanhã ele vai embora. Não achei que fosse doer tanto como está doendo agora. Ajudei a organizar algumas roupas na mala e ele está conseguindo levar bastante coisas, em pouco espaço. Combinei de ficar aqui até mais tarde. Ele vai me levar em casa e depois é adeus!
— Ali, a pipoca tá pronta. Vem pegar! - Juliana me gritou!
— Já tô indo! - Respondi na hora.
Eu e ela estamos assistindo meu programa de tv favorito no discovery Home & Health. Randy Fenoli, um dos apresentadores e um dos mais renomados designers de moda que trabalham na Kleinfeld, está dando assistência na hora de escolher o vestido ideal.
Sim, fiz uma propaganda do programa. Não consigo evitar, eu amo esse programa e me inspira a nunca desistir do que eu quero pra mim. E um dia, um dos vestidos de noiva que eles experimentam e recomendam, será o meu!
Eu e Juliana estamos esperando o comercial voltar, pois a noiva vai experimentar um vestido que é da Pnina Tornai. Ela é uma das minhas maiores inspirações no mundo da moda. Estilista de moda e principalmente de vestidos de noiva. Não preciso nem dizer o quão maravilhosa ela é!
— Juliana, começou! - gritei ela assim que me sentei no sofá.
— Tô aqui já! - Ela falou se jogando no sofá ao meu lado.
— Amiga, olha esse vestido, que per-fei-to!!!! - Falei pausadamente.
— Só é muito transparente, amiga. Mas é bonito!
— Conceito! O nome disso é conceito! Revela sem exagerar e deixa a noiva com aquele toque sensual na medida certa. Aquilo de ser sexy sem ser vulgar. Ele é maravilhoso, casaria com um desses sem pensar duas vezes!
— Perfeito pra você amiga! - Ela falou e eu comecei a rir — Ficou doida de vez é?
— Acho que nunca usarei um vestido de noiva amiga!
— Nem vem Ali! Temos uma vida pela frente para conquistar isso.
— Tá certo! Exagerei! Vamos ficar quietas, pois o Randy está tentando convencer a noiva de que o preço absurdo vale a pena!
— Esse tem lábia! Por isso ele vende qualquer um!
Rimos mais um pouco e aquele sentimento de paz me dominava. Tudo estava tranquilo e apesar da partida do Jhonan, todos estavam felizes, pois ele se preparava para uma nova fase na vida dele. Longe daqui, de problemas com a minha mãe, correndo atrás daquilo que ele quer. E eu só posso desejar felicidades a ele.
Isso soou falsa até pra mim! Que droga!
As horas estão avançando com muita velocidade e já tenho que me ajeitar pra ir embora. Jhonan acabou de sair para ir à padaria e a tia Cíntia está colocando a mesa para o café. Vou tomar um banho rápido e já deixar tudo organizado para ir embora mais tarde. Minha bolsa só aumentou com a roupa suja acumulada. Não deixei que a tia Cíntia se preocupasse com isso e disse que lavaria depois, e o depois é só na minha casa. Mas ela nem sabe disso!
Saí do banheiro com o cabelo em um coque alto, pois não lavei o cabelo hoje, e dou de cara com ele parado em frente a porta do banheiro, com as mãos no bolso da calça de moletom e sem camisa. Parece que faz de sacanagem. Olhei com os olhos arregalados pelo susto que levei e ele sorriu assim que me notou.
— Quero conversar com você, Ali. A sós! - Ele disse se desencostando da parede e segurando minha mão.
— Sua mãe está esperando a gente pra tomar café - Tentei argumentar.
— Ela foi tomar banho. Dá tempo! Vem!
Me puxou pela mão até o quarto dele. Não consegui dizer nada sentindo meu coração disparado. Entramos e nos sentamos na cama um de frente para o outro. Minha toalha está em minhas mãos e eu fico contornando as pontas dela com o dedo, esperando que ele comece a falar. Mas não acontece e falo primeiro.
— Então, o que você precisa falar de tão urgente, que me arrastou do banheiro aqui? - Eu disse sorrindo pra tentar aliviar a ansiedade que me corroía o peito. Feito sem sucesso. O clima está bem estranho.
— Ali, não posso ir embora amanhã, sem a gente conversar sobre nós. - Ele segurou minha mão direita e entrelaçou nossos dedos — Não quero ir sem saber em que pé estamos, se você está disposta a tentar, assim como eu. Eu só...
— Jhonan, por favor, para! - O interrompi — Minha decisão não mudou. Você vai pra um mundo totalmente novo e não quero que deixe de viver as coisas por minha causa.
— Você sabe que eu não faria nada que... - Interrompi mais uma vez.
— Essa não é a questão! A gente fala que não vai magoar o outro, pois estamos juntos todos os dias, nos vemos todos os dias. Eu prefiro que a gente siga sendo amigos, pois assim não vamos nos machucar.
— Fale por você Alicia.
— Por nós! Eu falo por nós! Se você acha que isso não tá me doendo, você está enganado.
— Então é isso? Você prefere isso, a ficar comigo? - Ele se levantou da cama e começou a andar de uma lado para o outro. Me levantei também.
— Não prefiro! Mas a gente precisa se acostumar com a distância e se um dia a gente tiver que ficar junto, nada vai impedir.
Ficamos em silêncio, um de frente para o outro, mas não tão próximos. Nossos olhares penetravam a alma um do outro e eu tive que me segurar para não derramar uma lágrima se quer.
— Porra, Ali! - Ele quebrou o silêncio primeiro, se aproximou de mim, me fazendo encara-lo, vendo o verde-mar de seus olhos tão escuros — Você ficou duas semanas aqui e tudo que eu queria era que ficasse para sempre. Nenhum minuto que passo perto de você é suficiente pra mim, eu sempre, sempre quero mais tempo com você, mais um beijo, mais um toque, mais um carinho, nunca é suficiente. E tudo que você fez, foi ficar longe. E agora... agora, eu odeio essa proximidade que temos, odeio você me deixar tão descontrolado assim, odeio te ver aqui e não poder te agarrar, sentir o seu perfume e não te ter em volta dos meus braços! Eu... - Soltou uma lufada de ar que não parecia estar preso. Ele se afastou, me deixando com o desejo de ser beijada mais uma vez por ele. Eu tenho que ser forte — Talvez você esteja certa! Minha mãe me falou a mesma coisa que você me disse.
— Eu sei! Eu escutei sem querer vocês conversando na cozinha.
— Por isso ficou tão afastada nessas semanas?
— Também! Mas eu realmente acredito que a gente precisava se acostumar com a ausência um do outro. E você quase não parou em casa, ou estava trabalhando na cafeteria ou na confeitaria com sua mãe.
— Não consigo ficar muito tempo aqui. Você sabe, Ali. Eu ainda sinto muito a falta do meu pai e ficar aqui me sufoca. Talvez esse seja o maior motivo de eu querer ir embora.
— Eu sei, é que.. - Soltei um suspiro pesado e olhei pra baixo — Não sei o que pensar Jhonan, não sei o que fazer. Você já está me fazendo falta, mesmo estando aqui. Eu não queria que você sentisse todas essas coisas, não sei se sou capaz de retribuir.
— Tá me dizendo que eu me apaixonei sozinho? - Suas palavras me pegaram de surpresa e eu arregalei meus olhos ficando sem reação — Fala Alicia! Você não sente o mesmo que eu?
— Não é isso, é que... - As palavras sumiram.
— Não precisa dizer nada. Eu já entendi! Agora vamos descer para o café. Já falamos o suficiente! - Ele caminhou em direção a porta.
— Não! Espera! - gritei e ele parou e virou lentamente para mim — nunca escondi o que sinto por você de ninguém. Essa semana eu me mantive afastada, mas me mantive afastada de você pois eu precisava saber se o que eu sentia era real Jhonan. Eu não conheci o amor, não sei o que é amar, não sei o que é estar apaixonada, não conheço isso. Mas todos os dias que você aparecia na porta da minha casa, eu sabia! Eu sabia que não era uma coisa passageira. - Meus olhos estão lacrimejando e não vou conseguir esconder as lágrimas dele — Eu tenho medo de todo esse sentimento, tenho medo de me machucar, de perder a pouca alegria que me resta na vida. Eu só tenho 15 anos e muita coisa a viver, mas tenho medo de que isso mate a única esperança de algo melhor pra mim, Jhonatan.
— Eu preferia morrer antes de tirar qualquer possibilidade de algo melhor pra você!
— Eu sei, mas a vida é feita de surpresas e nem sempre muito boas. Tenho medo por nós dois.
— Mesmo sentindo tudo isso, você não quer arriscar né?
— Não quero! Não posso. Até posso estar sendo egoísta com você e comigo mesma. Mas eu não posso perder o que tenho. Não posso arriscar o que tenho. Pois o que eu tenho pode ser minha última gota de vida e esperança.
— Eu não vou mais insistir, Ali. Queria poder dizer que te entendo, mas não posso. Espero que nossa distância nos faça enxergar se estávamos certos ou errados.
Ele saiu do quarto e eu fui atrás. Ele desceu e eu me tranquei no quarto da Ju. Meu coração está acelerado, minhas mãos suam e tento segurar qualquer lágrima que queira cair dos meus olhos, mesmo que seja tecnicamente impossível.
Me sentei na cama e tô aqui pensando em tudo que ele me disse. É isso, chegamos ao fim de algo que poderia ser lindo. O pior é saber que acabou por minha culpa, mas eu não vejo como sair disso, sem me machucar ainda mais. tenho certeza que vai ser melhor pra nós dois!
[...]
Jhonan está me trazendo em casa. Não trocamos uma palavra, um olhar, nada! Desde nossa conversa no quarto, não falamos nada além do necessário. Pelo visto não seremos nem amigos, mais!
Ele parou no mesmo local de sempre, e eu esperei. Esperei ele falar alguma coisa, olhar pra mim, segurar minha mão. Não veio nada! Respirei fundo.
— Então... tchau Jhonan! Espero que você realize seu sonho lá e que a faculdade seja melhor do que você espera! - Falei, sendo totalmente sincera e olhando pra ele, mesmo que ele não olhe pra mim. Em quanto eu falava, notei seu maxilar tensionado. Ele sacudiu a cabeça e soltou um sorriso sarcástico, antes que eu abrisse a porta do carro.
— Ali, espera! - Parei ainda sentada no carro.
— O que foi? - Perguntei chateada com sua reação.
— Olha pra mim. Por favor! - Olhei em seus olhos — Eu não sei o que falar e odeio despedidas! Por isso me perdoe se eu fui rude. Obrigado e também quero que você seja feliz e realize aquilo que deseja. Posso te pedir uma coisa? - Estreitei os olhos, sabendo que me pediria um beijo.
— Pode ué!
— Conversa com alguém sobre sua mãe. Por favor! Você não pode ficar vivendo com ela. Minha mãe é uma ótima conselheira e pode te ajudar se você se abrir com ela. Por favor! - Um sentimento de frustração e surpresa me dominou.
— Na hora certa eu vou falar. Pode deixar! Obrigada por se preocupar e por tudo que você fez pra me ajudar. Obrigada mesmo!
— Sempre que precisar terá em mim um amigo para desabafar. Agora preciso ir!
— Tudo bem. Eu também preciso.
— A gente se vê Ali! - Ele me deu um beijo na bochecha. Mais demorado que o normal. Eu o abracei.
Desci do carro e ele se foi! Talvez até logo, talvez para sempre. A única coisa que sei é que o talvez permaneceu.
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🦋Contém 2025 palavras🦋
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Olá Clichezeiros 💖
Primeiro quero agradecer por estarem lendo. Segundo, desculpa por esses capítulos doloridos.
E aí, alguma teoria sobre o que a mãe da Ali falou pro Jhonan no outro capítulo?
O que será que essa louca quer hein..
Fiquem atentos que logo saberemos os motivos...
E esses dois, voltam ou não voltam?
Aí que sofrência...
Beijos e até semana que vem!!💖
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