planos 1.4
No dia seguinte...
— Então foi isso que aconteceu... — Felix suspirou do outro lado do telefone.
Hyunjin havia lhe contado sobre a conversa que teve com a filha, claro que omitindo uma parte da história.
— Sim, foi isso, mas depois de uma conversa, ela está melhorzinha, porém continua cabisbaixa. — Comentou com o celular, sendo segurado pelo o ombro e a orelha, já que ele fazia massa de empadinha para colocar na lojinha. — Passa o restante do dia trancada no quarto e eu acho que ela está tendo insônia.
— Nossa pequena teve o coração partido, tão novinha. — Lee não conseguiu segurar a leve risada. — Será que devo fazer uma visita?
— A quem? Na escola? Felix, é só uma adolescente, você não vai comprar briga. — Pensando na possibilidade, Hyunjin segurou firme o aparelho, não se incomodando em sujar a capinha do celular.
— Eu estava falando da Soojin, mas isso aí, não é uma má ideia... Miyeon, o nome dela, né? — Felix que teclava as teclas com rapidez, sorriu ladino, realmente gostando da sugestão que Hyunjin deu sem querer.
— Felix, não ouse!
— Não prometo, mas o que acha? Eu posso levar alguma coisa para ela, talvez sorvete, pizza, lasanha, chocolate? — Sugeriu parando de teclar por um momento. — Acho que é o mínimo que posso fazer, já que ela está triste e não tem vontade de vir para minha casa. — O ômega ao ouvir o que outro disse, sentiu o tom meio chateado. — Será que eu nem seria um ombro amigo, só por ser alfa? — Perguntou retórico. — Acho que não sou um pai muito bom, de qualquer forma. — Murmurou baixinho, mas Hyunjin acabou escutando e suspirou.
— lixie...
— Pelo menos, ela te falou o que houve, então posso ficar aliviado. — O interrompeu. — Mas tirando isso, você poderia ter mandado mensagem.
— Ah... É que...
— Você está ocupado, não é? Eu posso ouvir o som do forno apitando. — Também parece ocupado. — Retrucou.
— Sim, mas como era sobre Soojin... Então?
— Então, o quê?
— Eu posso visitá-la e levar alguma coisa?! Talvez eu consiga falar um pouco com ela. — Tudo bem, nós estaremos o esperando.
— Certo, eu vou terminar aqui e depois passo na sua casa, pode ser?
— Okay, até mais tarde. — Hyunjin se despediu e ambos desligaram os aparelhos. — Por acaso, se não fosse por ela, ao menos não me visitaria? — Sussurrou, mas depois riu e negou. — Francamente, isso está me deixando louco. Maldita confusão.
Naquele mesmo dia, no final, quase anoitecendo, Felix apareceu na casa do ômega com sacolas de doces e um presente, quem sabe não anime a filha, porém o que recebeu foi silêncio.
Soojin se negou a sair do quarto ou comer alguma coisa, nem mesmo o presente que o alfa comprou, ela viu.
Felix e Hyunjin ainda conversaram - um pouco - naquela noite e até jantaram, conversando sobre a filha, trabalho e sobre os amigos, foi um momento que se tornou mais rotineiro entre os adultos.
[...]
Uma semana depois, Soojin já estava superando, aos poucos. Comia, estava mais sorridente, as olheiras estavam diminuindo, simplesmente, estava voltando ser a garota gentil, sorridente, brincalhona, mas ainda preferia ficar com o ômega e por conta de uma viagem, Felix passou essa semana fora da capital.
Sete dias que não via o pai alfa ou mal falava com o mesmo, já que ele estava resolvendo coisas em uma filial na Tailândia, quase não tendo tempo de falar com a filha, até mesmo com o ômega, esse que andava pensativo nos últimos dias.
— Pai, eu tenho algumas perguntas para fazer, se importa? — Hyunjin que fazia um pudim de coco para a sobremesa depois do jantar, quando a mais nova invadiu a cozinha com o caderno em mãos.
— Tarefa de casa?
— Sim, biologia. — Respondeu se sentando no balcão de mármore, não se importando com o olhar do pai lhe deu. — Sabe que estamos em época de prova, do segundo bimestre.
— Hum.
— É sobre o cio. — Hyunjin assentiu, pondo o bolo na geladeira, antes de começar a lavar a louça e arrumar a cozinha. — Professora nos mandou perguntar sobre o período fértil aos nossos pais, é para amanhã, já que vai pegar a aula de educação física, pois o professor não irá por motivos de saúde.
— Entendo, meu bem, pergunte. — Disse a olhando rapidamente, se deparando com o rosto rosado da mesma.
— A professora disse que tem pessoas que têm o cio mais cedo, precoce, e outros que são o "certo"... Quando foi seu cio? — Perguntou, com a caneta, pronto para escrever a resposta.
— 14 anos.
— 14? — Perguntou surpresa.
— Sim, meu amor, 14 anos. — Riu e a menina anotou. — É entre 15 e 17 anos que vem o cio, quando eu tive o meu, faltava pouco para completar meus 15 anos, mas isso também é de pessoa para pessoa.
— E o pai? O senhor sabe?
— É sobre nós dois?
— Aham, já que tem organismos diferentes, quer dizer... Você é ômega e o pai é alfa, é diferente um do outro né?!
— Entendi... Se não me engano, ele teve o seu cio com 13 anos. — Se a garota ficou surpresa com a do pai, imagine como ficou ao ouvir sobre o alfa. — Okay, próxima pergunta!
— O senhor lembra do seu primeiro cio?
— Um pouco... A dor era maior que tudo, tanto que quase ninguém fica no primeiro cio. — Respondeu calmo enquanto lavava o fuê. — E a resposta é a mesma, independente de ser alfa ou ômega, a intensidade é a mesma.
Antes que a filha questionasse, a campainha tocou fazendo que os dois se entreolharam confusos.
— Quem será que é? Deve ser alguns dos meninos, mas eles não me avisaram... — Comentou.
— Eu vou lá. — Soojin falou pulando da bancada, assim que ouviu, novamente.
A menina foi até a porta, a abrindo e olhando dali mesmo, logo arregalando os olhos e soltando um grito animado.
— Pai! — Gritou, saindo correndo até o portão.
Felix sentiu um peso sobre si, quando a filha sem pensar duas vezes, pulou na sua direção.
— Parece que alguém está melhor. — Comentou abraçando o corpo menor. — Como você está? — Perguntou, a colocando no chão e sorrindo ao ver a filha, depois de um tempo.
— Indo, mas e o senhor? Não estava no trabalho? Quando chegou? Foi uma semana, pai. — Resmungou após as perguntas.
— Eu senti falta disso... Porém, respondendo suas perguntas... Eu estou bem, um pouco cansado, mas bem... Sim, eu cheguei de madrugada. — Respondeu erguendo a cabeça, acabando por encarar Hyunjin, esse que estava escorado no batente da porta ao que um guardanapo pousava sobre seu ombro esquerdo.
Felix olhou com atenção o ômega, não que tenha mudado alguma coisa, contudo a intensidade daqueles olhos o fitando, o deixava mexido, não só a ele, mas ao ômega também, que apesar de não ter falado nada, quem observasse com atenção, notaria um brilho sutil nas orbes alheia.
— Vamos entrar, o senhor chegou na hora certa. — Puxou o pai para o interior da casa, passando por Hyunjin.
Felix olhou rapidamente para o ômega e acenou, recebendo um de volta. — Cheguei na hora certa? De quê?
— Sim, eu estou fazendo uma atividade de biologia, mas como o senhor chegou, poderá me ajudar, e outra... Papai fez pudim. — Sorriu abertamente e Hyunjin percebeu que, repentinamente, a filha ficou alegre, como se a presença de Felix fosse um remédio e talvez seja. — Sente-se aqui. Pai, vem!
— Estou indo, garota afobada! — O ômega recrutou sorrindo. — Você ao menos deixou seu pai me dá oi, na verdade, mal deu tempo dele chegar.
— Meu velho, dê oi, por favor.
— Oi, Hyun! — Fez o que a filha disse e riu quando o ômega revirou os olhos. — Mas bom... Qual é a atividade?
— Quer alguma coisa para beber? — Indagou Hyunjin, interrompendo a filha. — Que não seja café. — Falou se antecipando ao que o alfa fez uma careta.
— Tem cerveja?
— Acho que sim. — Hyunjin estranhou, mas foi procurar, achando duas cervejas e uma garrafa de soju. — Aconteceu alguma coisa?
— Não, por que? — Replicou ao pegar a cerveja em lata.
— Você está bebendo na semana.
— Me deu vontade... Ou prefere que eu tome café? Eu aceito.
— Aproveite que a cerveja está gelada. — Sorriu forçado, mas em seguida deu uma leve gargalhada. — Café de mais, pode ser prejudicial.
— E cerveja não? — Tanto Felix quanto Soojin falaram. — Qual é Hyunjin, eu estou dirigindo.
— Então não beba, simples.
— Vai me dar café?
— Não.
— Que homem cruel. — Resmungou inconformado.
— Okay, antes que continuem, eu preciso terminar. — Soojin interrompeu os pais. — Ótimo, sua atenção é para mim, obrigada, eu sou linda mesmo!
Por mais que ela esteja brincando, ela não podia parar a vida dela por causa de um garoto, então depois de pensar muito - enquanto se trancava no quarto e chorava debaixo do chuveiro - , ela decidiu deixar de lado e focar nas provas, além de que o apoio do pai e dos amigos eram os melhores.
— Ah, sua atividade né? Vamos! Do que se trata?
— Cio. — Lee cuspiu a cerveja na bancada e tossiu engasgado.
— C-cio? Você está entran...
— Não, pai, é só uma atividade. — A menina revirou os olhos e Felix suspirou aliviado. — Que exagero.
— Okay, o que saber? — Perguntou voltando a tomar o líquido amargo.
— Eu irei fazer algumas perguntas sobre isso, já que é a pauta de amanhã. — Pegou o caderno e sentou-se ao lado do pai alfa. — O papai já respondeu a primeira.
— Com quantos anos entramos no cio. — Hyun falou ao ver lee o mirar. — Eu disse que você teve seu cio com 13 anos e eu 14.
— Ata, qual é a próxima então?
— Se lembra do seu primeiro cio?
— Vagamente, porém lembro da dor, era insuportável.
— Foi o que papai disse. — Anotou na folha.
— Quais os sintomas do cio? — Indagou um pouco envergonhada.
— Quando não saciados, a dor é muito incômoda, mas tirando isso... Calor, o aroma se torna forte para chamar atenção do alfa, uma incontrolável vontade de fazer sexo... — Enquanto Hyunjin respondia, Soojin se tornou um pimentão ao ouvir a última palavra.
— Resumindo, nosso corpo só quer ter prazer sexual. — Felix falou e a filha assentiu. — É também o período em que os ômegas e alfas engravidam, onde as chances são grandes.
— Mas depende do sistema da pessoa. — Os mais velhos assentiram juntos. — Entendi... Ah, e quanto ao período? Quantos dias vocês ficam no cio? — Eu fico cinco dias. — Hyunjin respondeu.
— Três.
— E quando passaram o cio juntos? Doeu? Teve alguma diferença que quando não passavam um com o outro? — Indagou e olhou para os genitores.
— Foi na segunda ou terceira vez? — O alfa questionou fitando o ômega. — Terceira. — Respondeu. — E não, não foi tão intenso quanto a segunda e primeira vez.
— Quando temos alguém para nos satisfazer, a dor é pouca, então o que mais permanece é a vontade de fazer sexo. — lee acrescentou.
— O calor e a excitação são comuns, todos sentem, porém tem intensidades. Digamos que passávamos o cio juntos... Nosso foco era saciar um ao outro. — O ômega mordeu o lábio inferior, sentindo-se tímido, de repente.
— E com quantos anos, vocês... Fizeram? — A menina gesticulou e Felix tentou não rir dos ômegas.
— Sexo?... Tínhamos 15 anos, já que com dezesseis, nós a tivemos.
— Hum... Supressores? Eles servem para inibir o cio, certo? Eu sei que o papai usa, mas e senhor, pai? Usa? — Perguntou ao Alfa.
Hyunjin se remexeu no seu lugar - atento - a resposta do alfa. Falar sobre aquilo estava ficando estranho, talvez seja o tópico ou o ômega que ficou encabulado pela presença alheia.
— Eu não tomo supressores, minha filha, sou alérgico. — O ômega mais velho arregalou os olhos, surpreso.
— Então passa o cio com alguém?
— Não. — Hyunjin piscou, cada vez mais confuso.
— Não? — Disse confusa.
— Não, querida, já fazem alguns anos que não me relaciono com um ômega, então eu passo meu cio dopado. — A adolescente estava surpresa com a resposta, assim como Hyunjin.
— Dopado, pai? Isso não é um pouco perigoso?
— Eu fui ao médico e fiz todos os exames, então é tudo certinho, não se preocupe! É melhor do que sentir dores. — O alfa terminou de beber a cerveja e deixou a latinha de lado. — Estou acostumado.
— Tudo bem, então. E o senhor coroa? Quais são as vantagens de tomá-las e as desvantagens.
— Ela impede o cio, então não sinto nada, além de calor, mas nada exagerado. — Respondeu firme, após um tempo calado. — E a desvantagem é que quando eu parar, a qualquer momento, ele pode voltar. Com intensidade.
— Por que?
— Os supressores evitam, é como se fosse anticoncepcional, eles param o ciclo, mas quando para de tomar, ele vem, e que se formos analisar, o cio é como se fosse o ciclo menstrual de uma mulher, diria que são irmãs. — Sorriu levemente. — Nesse caso, se algum dia eu deixar de tomá-los, eu terei que me atentar a qualquer sintoma, pois a qualquer momento pode vir.
— Que negócio complicado! — Exclamou. — Okay, mais uma!
— Certo.
— Engravidaram no cio de quem?
— Hyunjin. — Felix respondeu ao mesmo tempo que o ômega disse 'meu'.
— Acabou. — Sorriu. — Eu vou passar tudo para o caderno de biologia e pronto, mas agora não, pois eu quero conversar sobre sua viagem à Tailândia.
— O que quer saber? — Foi a deixa para a menina deixar a tarefa de lado e conversar com o pai alfa, sob o olhar do ômega.
열넷
Fala sério! - Hyunjin pensou ao ver Seungcheol entrando na cafeteria, só que dessa vez, ele veio acompanhado.
— Bom dia, o que desejam? — Perguntou cordialmente.
— Um americano, por favor. — Um rapaz ômega pediu e o mais velho sorriu gentil. — E... Um suflê.
— Certo. — Anotou no tablet próximo a caixa registradora. — E o senhor?
— O mesmo.
— Fiquem a vontade. — Desejou educadamente. — Daqui alguns minutos alguém levará.
— Iremos ficar aqui. — Os dois ali fitaram o alfa. Hyunjin nem ficou mais surpreso, então só os deu as costas e foi preparar o pedido.
— Por que iremos ficar aqui? — O ômega perguntou baixo encarando o amigo. — Você realmente está tentando alguma coisa com ele? Porque se for, se esforce mais ou desista, pois o olhar que ele te deu, assim que o viu... É de poucos amigos, meu caro.
— Cala boca, ele pode ouvir. — Hyunjin revirou os olhos ao pegar os gelos e colocar no copo, em seguida a água, antes de preparar o expresso. — Mas isso não é conversa para agora. Onde irá passar as férias?
— Na casa da minha vó, em Jeju! — Respondeu. — Sabe, é verão, ir para um lugar com praias é tudo de bom. — Suspirou. — E você?
— Vou ficar por aqui mesmo. — Respondeu encarando a parte traseira do ômega, esse que virou-se a tempo. — Obrigado.
— Bom apetite, se quiserem algo a mais, eu estou à disposição.
Hyunjin ao ouvir a conversa, acabou por lembrar do que pensava há alguns dias.
A filha ainda não estava cem por cento bem, ele sabia disso, então uma viagem seria boa para ela, além de que daqui algumas semanas seria as férias de verão, ele pensava em ir para Itália, mas não saberia se a filha gostaria.
O mesmo se assustou com o toque do celular, logo sorrindo ao ver o nome da mãe na barra de notificação. O ômega abriu a mensagem e viu uma foto de um dos cavalos da fazenda da família, o seu cavalo: Tata.
Hyunjin observou a mídia com atenção e carinho. Faz tempo que não visitava os progenitores, que não ia na fazenda andar de cavalo ou provar a comida da vovó, então com um click, o mais velho decidiu o que faria naquelas férias.
Iria para a fazenda.
Será uma férias inesquecível para todos, só que ele não sabia... Ainda.
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