descontração 3.1

Eu não quero ir, pai! — A menina de 15 anos reclamou de braços cruzados.

— Não pedi sua opinião. — Felix recrutou, impaciente e a menina bufou. Hyunjin soltou um suspiro cansado.

Havia se passado alguns dias, desde que os dois ômegas tomaram uma bronca do alfa.

Por parte do ômega de cheiro de morango e coco, estava tudo bem. Já com a filha, não podia se dizer o mesmo.

Como falou na madrugada em que castigou a filha, Lee não lhe deu a mesada, a qual recebia semanalmente. Assim como também, a menina estava proibida de sair, o que deixava a adolescente mais aborrecida que ignorava o pai alfa.

O alfa poderia estar exagerando? Talvez sim, mas se ele estivesse agindo certo, ninguém poderia interferir.

Era cuidado sim, queira a adolescente acreditar, ou não.

é o aniversário do seu melhor amigo, com isso iria ter uma comemoração entre amigos e familiares.

A de mechas descoloridas olhou o ômega mais velho, esperançoso do pai convencer o alfa, mas não querendo replicar a ordem de Felix, deu de ombros, como se estivesse pedindo desculpa. E a de cabelos curtos saiu batendo os pés.

— Que menina chata! — Exclamou o alfa. — Até quando ela vai ficar de bico? — Ela é adolescente, Lixie, sabe como é. E você não pegou leve.

— Eu sei, nós éramos pior... acho, mas... — Inspirou fundo e fitou o rosto natural do namorado. — Ela não consegue ver que faço pelo bem dela? É tão difícil?!

— Vamos deixar isso 'pra lá, uh? Ela já vai esquecer.

— Aquela menina é rancorosa quando quer. — Resmungou e o ômega riu.

— É nossa bebê, não?! — Disse brincalhão e o alfa revirou os olhos. — Não seja chato, meu bem, isso é só até ela perceber que fez errado. — O ômega abraçou os ombros do alfa, deixando um breve selinho carinhoso no maxilar anguloso do namorado. — Mais tarde, você conversa com ela.

— Não tem o que conversar, Hyunjin.

— Tem sim, Felix, e você sabe. — O ômega replicou. — Você odeia que sua cerejinha fique chateada contigo.

— Isso é só birra de uma adolescente que está revoltada por ter ficado de castigo.

— Talvez ela só esteja chateada por outra coisa. — Comentou o loiro se afastando e recebendo um olhar duvidoso do alfa. — Por enquanto, deixemos de lado.

Antes que o moreno falasse algo, a filha de ambos surgiu no cômodo, arrumada e expressão fechada.

— Eu não quero ir. — Disse e Felix encarou o ômega mais velho.

— Soojin, é o aniversário do seu padrinho. — Hyunjin falou se aproximando. — Chan gosta de você e queria que fosse, além do mais, Changbin estará lá com o pequeno Beomgyu.

O filho de Changbin nasceu na semana passada, dias após o aniversário de Felix. O pequeno alfa era a cópia exata dos dois pais, Jeongin e Changbin nascido com 49 centímetros e com 3.500 gramas, Yang Beomgyu é o novo mimadinho da família.

— Está bem. — Assentiu. — Então vamos logo! — Exclamou, já se virando e caminhando para a porta da casa. — Quanto mais cedo, melhor.

— Vamos. — Felix disse e todos foram ao seu destino.

서른하나

— Se fosse para ficar com essa cara, nem devia ter vindo. — Felix comentou encarando a filha, essa que estava sentada no sofá da sala do apartamento do beta e vez ou outra ia conversar com o aniversariante.

A adolescente fitou o pai incrédula enquanto o respondia mentalmente.

Já fazia um tempo que ambos chegaram ao apartamento de Chan. O casal cumprimentou o amigo, desejando feliz aniversário e um presente, de cada.

Eles também cumprimentarem os outros amigos. Minho, Jisung, Seungmin, Jackson, Younha, Jeongin, Changbin e os pais do beta.

A comemoração era simples, somente os mais próximos. Uma pequena decoração com balões, quitutes, painel e o bolo de duas camadas com cores neutras, semelhante ao de Felix, porém mais alegre.

— Por que você está com essa cara? — Minho perguntou a afilhada, assim que a viu de braços cruzados e bicuda.

— Eu não queria vir.

— Ainda está de castigo? — Soojin olhou o padrinho e a mesma deu de ombros. — Eu fiquei sabendo da sua proeza. — Comentou e riu, lembrando-se de que o amigo falou a si. — Hyunjin me contou que vocês dois levaram bronca!

— Meu pai está exagerando, isso sim.

— Está? — Minho recrutou e a menina o encarou confusa. — Felix está errado em repreendê-la, Soojin? Você e seus amigos enganaram os próprios pais, foram a uma festa para gente mais velha, bebeu e chegou de madrugada em casa... Então seu pai está exagerando em castigá-la? — O alfa dizia sério enquanto a olhava. — Eu não sou Hyunjin e nem Felix, mas sou seu padrinho, não?! Sei que está na sua fase de querer saber das coisas, se divertir, namorar, a puberdade em si, mas seus pais sabem disso e é por isso que eles têm esse cuidado. E se tivesse acontecido algo com você e com um de seus amigos? A culpa seria exatamente de quem?

— Eu não sou eles, eu não vou engravidar ou algo do tipo, tio Minho. Eu não tenho culpa. E não aconteceu nada!

— E seus pais têm? — O alfa recrutou e a de fios curtos o encarou novamente. — Soojin... Você está certa ou errada em agir assim? — Minho perguntou, observando a afilhada ficar pensativa. — Falando nele... — Os dois olharam na direção do dito cujo, que se aproximava com os olhos fixados nos dois. — Eu vou deixar vocês se acertarem, pois eu sei que não gosta de ficar assim com o seu pai. — O mesmo deixou um selinho na testa franzida e deu um toque rápido com o moreno. — Boa sorte!

Lee suspirou e sem falar nada, sentou-se no lado vago novamente no sofá e suspirou.

Soojin mordeu o lábio inferior enquanto fitava o pai ômega rindo com tio Jisung e tio Seungmin, depois mirou o pai alfa, reparando que também observava o ômega, mas com um brilho especial nas orbes. Uma cintilância que sempre esteve ali, porém se fez nítido e exibido nos últimos dias.

— Soojin, como agiria se um filho seu mentisse e chegasse de madrugada em casa, após uma festa? — Perguntou o alfa, ainda sem a encarar.

— Eu...

— Eu fiquei preocupado e seu pai também, mas Hyunjin agiu diferente... E não posso mentir que fiquei chateado. — Confessou e a adolescente ficou em silêncio. — Talvez eu tenha sido duro demais? Acho que sim, mas não me arrependo. Eu fiz o que achei certo, gostando ou não. — Lee encarou a filha e sorriu levemente. — Mas quero pedir desculpas pelo o modo que falei.

Soojin fitou o pai surpresa e desviou o olhar, quando sentiu-se envergonhada.

— Seu pai comentou que poderia não estar com raiva pelo o castigo em si, então eu pensei que foi pelo o modo que falei contigo naquele dia. — Comentou a encarando. — Eu sempre fui um pai liberal, não gosto de prendê-la muito, mas eu também tenho meus princípios, por isso agi como tal... — Felix suspirou e levantou-se. — Eu vim aqui me redimir como te tratei, de verdade eu peço desculpa, contudo...

— Desculpa pai. — A mesma interrompeu o mais velho. — Eu fiquei sim com raiva... Magoada com aquela madrugada, já que o senhor quase nunca fala comigo daquele tom. — Respirou fundo enquanto fitava as próprias mãos. — Acabou sobrando para o papai. — Disse baixo e o alfa sorriu ladino. — Eu sei que estou errada, agora eu sei, então quero pedir desculpas pela minha atitude. — Ergueu a cabeça olhando o alfa mais velho. — Não gosto de ficar assim com o senhor... Depois que o padrinho me falou algumas coisas, eu posso ver que eu não me pus no seu lugar ou de papai, então eu quero pedir desculpa por isso.

— Está tudo bem, minha cerejinha. — Felix inclinou-se até filha, beijando a testa com carinho, tendo um sorriso aliviado da filha. — Nós dois estávamos exagerando, então tudo certo. — Piscou para a mesma que assentiu, mais aliviada com a breve conversa. — Agora se divirta um pouco, porque daqui a pouco, eu já vou deixá-los em casa.

— Não vai dormir com o papai?

— Não.

— Por quê? — Indagou curiosa.

— Não quero que ele enjoe da minha cara.

— Acho isso impossível.

Também acho. — Soojin observou Hyunjin abraçar o pai alfa por trás, carinhosamente. — Os meus amores se acertaram?

— Sim. — Felix respondeu, deixando um selinho nos lábios carnudos e sorriu em seguida. — Mas ainda está de castigo! — Exclamou firme. — E se falar algo, você também fica. — Disse assim que o ômega loiro abriu a boca para replicar. — Isso mesmo. — O alfa selou o bico do namorado, logo o vendo revirar os olhos ao que um sorrisinho surgia no canto da sua boca.

— Seu pai é chato, não é filha? — O loiro indagou, provocando o alfa.

— Ah é? Que bom... Então eu vou para algum lugar, onde alguém me queira. — O alfa tentou se afastar do ômega, fazendo o loiro o agarrar mais ainda. — O quê? Agora me quer?

Eu sempre te quero, amor. — Murmurou o ômega, piscando na sua direção. — Agora vamos ver o bebê do Binnie, parece que ele acordou. — O mesmo disse animadamente.

Soojin sorriu junto com o pai, um pouco mais animada. Em seguida os três caminhando na direção do grupo de amigos que já paparicava o recém-nascido.

— Olha que coisinha linda, Soojin. — Hyunjin falou se aproximando do bebê sendo amamentado.

A ômega mais nova se aproximou do primo de consideração, olhando os detalhes meigos do pequeno alfa, sorrindo boba ao ver o neném apertar o dedo mindinho do pai ômega.

— Ele é tão fofinho, tio Binnie. — A de fios curtos comentou. — Tão calminho.

— Quem dera que você assim, na idade dele. — Felix comentou como que não quer nada, logo recebendo um beliscão do namorado loiro. — Ai, Hyun, o que foi?

— Nossa filha era fofinha sim, Felix.

— Fofinha sim, já calma... Por favor, amor, Soojin era uma bebê chata. Deus me livre! — A adolescente fitou o pai alfa incrédula.

— Lee?!

— Estou mentindo? — Recrutou o moreno, cruzando os braços.

— Ela era só um bebê. — Replicou.

— Sim, mas era absurdamente difícil de agradar. Só queria ficar no colo, odiava ir para os meninos, gritava na hora de tomar banho, até parecia que estávamos matando a menina. — Lee falava enumerando com os dedos, fazendo os amigos do casal rirem. — Não dormia sem sentir seu cheiro, só queria tomar mingau de arroz e cereais, fazia birra toda vez que íamos ao médico.

— Pai! — Soojin chamou atenção do mesmo, sentindo-se ofendida.

— Desculpa filha, mas é a verdade. — Felix negou com a cabeça. — Eu que era seu pai, às vezes tinha a vontade de te largar chorando sozinha, porque minha menina... Tu era irritante.

— Felix! — Hyunjin o estapeou.

— Mas isso também deve ser o começo para vocês, sabe? Soojin ficou quietinha assim por um mês. — O alfa continuou a falar. — Daqui a pouco... — Riu para o casal. — Boa sorte. — Piscou.

— Eu não era tão terrível assim. — A de mechas descoloridas encarou o 'seu velho' e o mesmo ficou em silêncio, somente a mirando. — Não é, papai? — Indagou, dessa vez para o ômega, esse que mordeu levemente o lábio inferior e negou lentamente.

— Desculpa, meu bem, mas você era um neném bem... Como posso dizer?

— Chatinha. — Felix falou e o loiro o encarou com os olhos semicerrados. — Então querem um conselho de um pai experiente? Ótimo. — O moreno mal deu tempo dos amigos responderem. — Aproveitem esses dias, que o meu afilhado está zen, porque daqui um tempinho... — Pausou e suspirou teatralmente. — Não terão mais tempo para tentar um irmãozinho. — O mesmo sorriu ladino, logo tendo os olhares dos adultos sobre si.

Hyunjin - novamente - bateu no namorado, o chamando de sem vergonha por ter falado aquilo.

— Credo, Felix! — Jeongin exclamou ao mesmo tempo que tirava o peito farto de leite da boquinha do filhote. — Não tem como aproveitar, pois ainda estou de resguardo. — Replicou e os ômegas riram da sua fala.

— Grande coisa, eu e Hyunjin fizemos dias depois do parto.

— Céus, Lee, pare com isso. — O ômega choramingou envergonhado, totalmente esquecendo que a adolescente estava entre o papo dos mais velhos.

— Hyun, seu safado! — Minho exclamou trazendo uma risada coletiva.

— Ya! — Exclamou tímido. — Foi mais forte que eu. — Sussurrou, mais uma vez, ouvindo as gargalhadas dos amigos.

— Imagino, já que naquela época, Felix era um colírio para os olhos. — Seungmin comentou risonho e o alfa piscou em sua direção. — Ao menos foi bom?

— Pensa que fala com quem, Seungmin — Felix intrometeu-se brincalhão.

— Ui ui. — Jisung falou rindo.

— Olha ele.

— Que convencido.

— O ego desse homem está lá no teto. — Chan revirou os olhos, rindo. — Estou mentindo? — Replicou, arqueando a sobrancelha direita para os outros.

— Não sei, porque não nos diz, Hyun. — Changbin disse olhando para o mesmo. — Olha as bochechas vermelhas dele, pessoal.

— Puta que pariu, ele já se entregou.

— Céus, calem a boca!

Enquanto o grupo conversava entre si, Soojin se encontrava perdida na conversa dos mais velhos.

Porém, ver os pais e os seus tios de coração jogando o papo fora e brincando, trazia uma tranquilidade para a menina, mas também uma pequena saudade dos seus próprios amigos.

Talvez mais tarde, eu converse com eles. - Pensou a mesma.

— Lixie, cala a boca, por favor. — O loiro implorou ao namorado, assim que o mesmo começou a falar de uns momentos quentes da gravidez da filha.

— Também teve aquele dia em que... A Soo tinha um ano e três meses, ela estava até dormindo com a gen...

— LEE FELIX! — Gritou o ômega, assustando a todos, principalmente a própria filha que deu um pulo no lugar.

O alfa riu ao encarar o rosto corado do seu ômega, logo o puxando e deixando um selinho demorado nos lábios emburrado.

— Okay, okay, eu parei. — Levantou as mãos e piscou para os amigos. — Mas você não pode negar que foi bom... — O loiro mel rosnou e a filha acabou rindo com tudo aquilo.

— Hyun do céu, nunca pensei que fosse assim... — Jisung negou com a cabeça fingindo surpresa. — Tão... Tão... Tarado!

— Querido, esse rostinho de santinho não engana ninguém. — Minho continuou e o ômega bufou emburrado. — Hyunjin sempre foi fogoso!

E daí em diante, as provocações só continuam, parando somente para bater os parabéns para o beta e comer o bolo e salgadinhos, ainda conversando.

Após a festinha, cada um foi para sua respectiva casa, alegando que a qualquer momento marcaria um encontro entre eles para relembrar os velhos tempos.

Como ainda era cedo, Felix ainda ficou algumas horinhas com os ômegas.

Brincou com Soojin, provocou Hyunjin, assistiram a um filme - que já estava metade -, conversaram de coisas besteiras, até que o alfa resolveu ir para casa, já que no dia seguinte, o seu trabalho lhe chamava, e porque também já estava tempo demais na casa do namorado.

Contudo, dois pares de olhos o fitavam fixamente, lembrando a dois filhotes de cachorro.

— Não me olhem assim, eu tenho que ir para a minha residência. — O alfa disse, arrancando um bufar da filha.

— Poxa pai, nós nos reconciliamos não tem muito tempo. — Recrutou a mais nova, cruzando os braços e fazendo bico. — Só fica hoje. — Juntou as mãos ao que fitava o mesmo, esse que suspirou e olhou os dois firmemente.

— Minha cerejinha, eu não posso mesmo. — Sorriu levemente, como tivesse pedindo desculpas. — Amanhã, eu tenho uma reunião muito importante e aqui eu não tenho roupas para ir. — Se aproximou da mesma, inclinando-se e beijando seus fios amarrados. — Mas eu prometo que amanhã, eu passo aqui para te levar comigo, uh?

— Okay, eu aceito! — Disse e beijou a bochecha do pai, se despedindo com um abraço e em seguida correndo para o quarto, dizendo que iria conversar com os amigos.

Felix fitou o ômega.

— Não fique chateado também. — O mesmo deu de ombros.

— Quem disse que estou?

— Esse bico aí. — Apontou para a boca rosada do ômega, esse que suspirou e descruzou os braços. — Amanhã, eu passo no seu trabalho, tudo bem? — Perguntou olhando a face tristonha do ômega. — Bebê, não fique assim. — O alfa riu e abraçou a cintura fina do loiro. — Eu te levo junto com a nossa menina lá para casa. — Afirmou e o ômega fitou-lhe.

— Hum...

— Não seja birrento, namorado. — Beijou os lábios carnudinhos, diversas vezes, até que o ômega com aroma de morango e coco retribuiu o beijo.

Hyunjin e Felix beijaram-se por alguns segundos, antes de se separarem.

— Tá bem melhor. — Comentou o moreno ao ver o sorrisinho tímido do seu ômega. — Agora vou indo, até mais tarde.

— Até. — Disse antes de trocar mais um beijo entre si. — Tenha cuidado na rua.

— Sim, senhor. — Sorriu o alfa, já saindo da casa. — Beijo na bunda. — Piscou na sua direção e Hyunjin acabou por rir.

O ômega observou o alfa até que o mesmo acelerasse e virasse a rua, só para então depois entrar novamente.

Mas um dia se terminou, diferentemente dos outros, Hyunjin agradecia alegremente por tudo estar indo bem, seja no trabalho, com a filha ou namorado.

Gostava de como as coisas estavam. Segundo a si mesmo, não lembrava como seus dias se tornaram mais animados e coloridos.

Um efeito colateral da paixão.

Com um sorriso singelo e apaixonado, Hwang deitou-se na cama, sentindo o aroma - ainda forte - do alfa na coberta e travesseiro, apreciando o cheiro mentolado com um toque doce de chocolate, dormindo logo após.

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