78 - Lugar Errado

Uma boa e um má notícia.

A boa notícia é que, apesar de todo aquele sufoco, finalmente Helena chegou à Flórida!

A má notícia é que ela desembarcou no aeroporto errado! Era para desembarcar no aeroporto de Miami e estava em Orlando... a três horas e meia de Miami. Teve que pegar um táxi para ir até lá. O que foi muito difícil, pois era época das chuvas torrenciais... e mais uma vez pegou um congestionamento danado...

E finalmente após enfrentar toda essa confusão que foi a viagem, ela chegou ao local onde foi realizado o festival latino-americano...

Foi, porque já acabou! Estava apenas um imenso terreno baldio. Qualquer rastro de festival que estivera ali, já foi embora.

E ela ficou ali parada, no meio do nada e embaixo de chuva...

Desde o momento em que toda essa história começou, Helena só chorou. Estava cansada, ensopada e tragada pela vida. Chorou ainda mais quando viu um gigantesco pôster de Ray sorrindo para ela. Não soube o que deu nela na hora, mas ela abraçou aquele pôster como se estivesse o abraçando. Aproveitou aquela chuva para lavar as suas lágrimas.

Se sentiu ridícula por está fazendo isso...

Depois desse desgosto, resolveu ir atrás de alguma pousada para pernoitar e voltar amanhã mesmo para São Paulo. E após quase uma hora caminhando pela estrada principal, encontrou um motel. Rezou para ter um quarto ou um canto apenas para trocar de roupa e dormir por algumas horas. Queria mesmo era esquecer toda essa história durante algumas horas de sono, se é que conseguiria dormir...

Tocou a sineta da recepção, mas não apareceu ninguém. Sentou-se em um banco para descansar um pouco e acabou dormindo ali mesmo. Só não cochilou de vez porque acordou com o próprio espirro.

_ Saúde! _ Alguém disse ao lado dela.

_ Obrigada... _ Quando virou para ver quem era, teve a surpresa das surpresas. Era ele.

_ Hola chica!

Helena teve mais uma crise de choro quando viu Ray ao seu lado. E ele se assustou com aquele ataque de choro dela.

_ O que houve?

_ Não era o encontro que eu queria ter...

_ Tudo bem se não era o encontro que você esperava. O importante mesmo é que estamos juntos agora. _ Disse numa tentativa de consola-la. Mesmo estando naquele estado deplorável, ainda a achava linda. A abraçou e a beijou do jeito que ela mais gostava, com um selinho atrás do outro.

_ Eu só queria te fazer uma surpresa...

_ Ok! Eu adorei a sua surpresa. Foi a melhor de toda mi vida. Venha, vamos para o meu quarto. Precisa de um banho quente, se alimentar e descansar.

Lá no quarto onde Ray estava hospedado, Helena finalmente tomou um banho e comeu. Lembrou que desde a hora em saiu de casa, não fez nada dessas coisas. Não queria perder tempo. Ele havia providenciado um lanche para ela, não era muito, mas o suficiente para enganar o estômago.

_ Nossa... nunca fiquei tanto tempo sem comer e dormir... agora que notei  isso. _ Ela desabafou.

_ Deu para notar. _ Disse sorrindo para ela. Ele estava muito feliz por ela ter vindo. O que ele mais queria naquele momento era toma-la em seus braços, mas conteve-se. Helena fizera uma péssima viagem e não estava com disposição para nada. A convidou para dormir.

_ Dormir? _ Perguntou assustada.

_ Sim, mas para dormir mesmo. Não daquele jeito. _ Ele respondeu rindo com a sua pergunta. Lembrou daquela vez em que dormiram juntos e ela disse a mesma coisa a ele. Naquela noite estava muito frio para dormir sozinho.

Na verdade o que ele queria mesmo era dormir daquele jeito, mas vendo o estado em que ela se encontrava, decidiu esperar.

_ Ok mas a gente precisa conversar...

_ Nós vamos conversar. Mas não agora. Primeiro descanse e amanhã conversamos.

Helena fez o que ele pediu até porque realmente estava muito cansada. Tanto que adormeceu logo ao se aconchegar nos braços de Ray. Ele não. Ficou acordado um pouco mais só admirando a sua chica...

A chica que ele viu em Paris.

Aquela garota era um sonho. Era o seu sonho mais bonito. A desejara desde o primeiro momento em que a vira na varanda de seu quarto. Aquela bela imagem realmente parecia uma foto de revista. Poderia até ser maldade sua, mas chegou a pensar que foi ótimo o tal namorado ter terminado com ela. Assim, ele não viajaria e ela iria para Paris sozinha, deixando o caminho livre para ele.

E finalmente lá estava ela em seus braços. Desta vez não a perderia de vista. Mulheres como Helena não se encontram dando sopa por aí.

Enquanto ela dormia, ele acariciava o seu belo rosto. Não resistiu e beijou a ponta de seu nariz. Seria mais uma prova de fogo ficar ao seu lado, mas valeria a pena esperar por ela.

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