40 - Festa na Comunidade
E lá foi Helena visitar sua família na comunidade grega. Sabendo que ia visitá-los, seus pais e irmãos organizaram uma típica festa grega meio que de última hora, mas ainda assim ficou tudo muito lindo. E foi a maior festa quando ela desceu do táxi e deu de cara com seus irmãos Heitor e Hermes na calçada de casa.
_ Kalispéra, adérfia mou! (Boa noite meus irmãos) _ disse assim que os viu. Helena quando estava com sua família e na comunidade, fazia questão de falar em grego. Até mesmo seus pais que infelizmente não tiveram muita instrução na vida, eram fluentes na língua grega.
_ Kalós ílthate, agapití aderfí mou! (Seja bem-vinda querida irmã) _ Cada um deles lhe deu um beijo em cada lado do seu rosto e ela deu um beijo no rosto de cada um. Os três ficaram rindo abraçados uns aos outros. Até os vizinhos foram ver o que se passava.
Heitor era uns cinco ou seis anos mais novo do que Helena e ela sempre foi sua companheira. E olhe que ela nem era tão maria moleque... e quando Hermes nasceu, ela estava na adolescência e teve de ajudar a mãe e avó na sua criação, até ele ter idade o suficiente para ir para escolinha.
E os dois eram tão belos como ela. Os três filhos de Sophia e Constantino eram considerados verdadeiras beldades na comunidade grega.
_ Mitéra, patéra (mãe, pai) olhem quem chegou! _ Gritaram ao entrarem com a irmã para dentro de casa.
_ koúkla mou! (Minha boneca) _ Disseram Sophia e Constantino ao verem sua filha. Era assim como eles a chamavam. Não importa quantos anos Helena tivesse, seria sempre a bonequinha de seus pais. Cada um deles lhe deu um beijo em cada lado do seu rosto e ela deu um beijo na bochecha de cada um deles. Depois beijou a mão de cada um e as levou ao seu rosto, como se estivesse pedindo um pouco de carinho.
E era isso que ela precisava naquele momento, sentir o carinho da sua família.
_ A sua bênção, mamá kai bampá! (mamãe e papai) _ pediu com as mãos de seus pais em seu belo rosto.
_ Que os deuses lhe abençoem kóri mou! (minha filha) _ Disse Constantino ao abraçá-la.
_ Sentimos tanta saudade de você koúkla... cortou o cabelo, por quê? _ Perguntou Sophia ao fazer carinho na filha. Sabia o quanto ela amava o seu cabelo comprido.
_ É que é mais prático e fácil de manter..., mas confesso que ainda não me acostumei.
Depois da sessão de boas-vindas, todos foram para o fundo do quintal, onde toda a comunidade a aguardava. Assim que a viram, a cumprimentaram a moda grega. Seu pai acenou para um grupo de músicos que estavam ali. Começaram a tocar a famosa música folclórica grega, a Zorba e ela se posicionou no meio do quintal e começou a dançar a típica dança grega, a Sirtaki. Ela até pode ser brasileira, mas o sangue grego corre em suas veias. E todos começaram a dançar com ela.
De repente a música parou e todos olharam para porta de acesso ao quintal. Era a sua avó, Dona Constantina Vardalos Petropoulos, mais conhecida como vovó Tina. Todos a saudaram. Ela era muito querida e respeitada na vizinhança.
Ao ver sua avó, Helena não se conteve de emoção e foi ao encontro dela.
_ A sua bênção, giagiá mou! (minha vó)
_ Que os deuses lhe abençoem, minha querida.
Após abençoar a neta, vovó Tina somente fez um gesto para continuar a música. E todos festejaram até o amanhecer...
*
No dia seguinte, Helena acordou cedo para ajudar sua mãe a preparar o café da manhã. Sempre fazia isso quando morava com seus pais. E também porque queria ter um pouco da companhia de Sophia.
_ Oh koúkla, você se levantou cedo. _ Admirou-se Sophia ao ver a filha na cozinha.
_ Kaliméra, mamá. (Bom dia mamãe) _ Disse Helena dando um beijo no seu rosto.
_ Kaliméra. Podia dormir mais um pouco...
_ Sim, mas quero ajudar a senhora fazer as coisas aqui em casa... e o Bampá, o Hermes e o Heitor?
_ Acho que ainda estão dormindo. Só seu pai mesmo para querer fazer festa no meio da semana, sabendo que seus irmãos precisam ir trabalhar e estudar no dia seguinte... aqueles três vão acordar tudo de ressaca.
Helena se lembrou da noite em ela e suas amigas ficaram de ressaca por beberem até de madrugada. Isso porque o vinho era uma bebida mais fraca que o ouzo, a cachaça dos gregos.
Enquanto preparavam o café da manhã, Sophia perguntava à filha sobre a viagem.
_ Oh deu tudo certo, fui muito bem recebida pelos franceses e me diverti e muito com a Dayane e Samantha.
_ E elas, como estão?
_ Estão bem. A coleção de Day fez muito sucesso no desfile e parece que Sam vai retomar a carreira de modelo. E as duas mandaram beijos para todos vocês.
_ Oh Sas efcharistó! (Obrigada) Graças aos deuses, pelo menos isso. _ De repente Helena só viu a mãe largar o que fazia e a puxou para abraçá-la, como se quisesse protegê-la de algo: _ E de resto, está tudo bem? Mas tudo bem mesmo?
Já sabia sobre o que a mãe se referia. Era sobre os vídeos que foram postados no YouTube.
_ Ela christé ké Panagiá Koúkla! Quando vimos aqueles vídeos na internet, sua avó e seu pai quase tiveram um ataque cardíaco. Todos nós ficamos preocupados com você.
Ela também se lembrou do choque que teve quando também viu os vídeos, do qual a cretina da Núbia a chamou de recalcada e falou mal de suas amigas. E o pior foi aquele que foi visto por Ray.
_ Eu sei, mas não se preocupe mamá. Eu já tomei todas as minhas providências. Mais tarde vou conversar com o advogado da empresa para me orientar sobre o caso. Vou processar aqueles dois por difamação e danos morais.
_ Isso mesmo filha, não deixe ninguém profanar o seu nome e ficar impune. O seu pai estava certo em relação àquele Luiz. Ele não era homem para você.
Talvez sua mãe tivesse razão. Ela esperava qualquer coisa de Luiz, menos isso. Bom, ela não tinha certeza da participação dele nos vídeos. Agora também não importa mais...
_ Falando nele, a Dona Maria foi lá em casa... queria me pedir perdão pelo que o filho me fez. Fiquei com muito dó dela... acredita que ela expulsou o filho de casa?
_ Coitada dessa senhora. Eu imagino o tamanho desgosto que ela teve... e se eu tivesse no lugar dela, também faria o mesmo depois de dar uma boa coça. Vai um filho meu faltar com respeito com a filha de alguém para ver o tamanho da surra que ele levaria.
Isso era verdade, na casa dos Petropoulos não tem essa história de "com a filha dos outros pode, com a minha não pode". Era igual para os três filhos. Da mesma forma que Sophia e Constantino queriam que Helena fosse respeitada, Hermes e Heitor também devem respeitar todas as mulheres. Na mesma hora, lembrou da ocasião em que a mãe encheu um dos filhos de porrada, porque ele difamou uma garota do bairro que segundo ele e seus amigos, era mais rodada que o itinerário do metrô de São Paulo.
_ Bom mamá, aquela menina também não era flor que se cheire...
_ Se ela "não era", então por que ele foi lá atrás dela? _ Sophia questionou a filha: _ me impressiona logo você Helena, fazer um comentário desse... Se ela é ou não, é um problema dela e ninguém tem o direito de julgá-la, principalmente os homens. Engraçado como de repente a mulher não presta logo depois do homem sair com ela...
Foi a vez de Helena se impressionar com as palavras da mãe. Mas ela está certa, a mulher pode ser tudo de ruim, mas homem nenhum tem o direito de difamá-la... se lembrou de repente da época em que namorava com Luiz e as vezes ele falava mal de alguma ex-namorada. Ela sempre o cortava porque a próxima poderia seria ela... se é que já não o fez e com certeza fez o mesmo com Samantha.
Neste exato momento, seu pai e irmãos entraram na cozinha e começaram a falar mal do seu namoro com Luiz. Ela se controlou ao máximo para não falar nenhuma besteira, pois não queria se indispor com ninguém. Graças aos deuses, a vovó Tina apareceu para salvá-la:
_ Ora pelos deuses parem com isso! Não acham que a filha e irmã de vocês já não sofreu demais com toda essa palhaçada?
_ Mas minha mãe, a senhora viu o que aquele Cérbero fez com a minha filha? _ Protestou Constantino.
_ Sim infelizmente eu vi. Mas ficar toda hora revirando esta história não vai ajudar em nada. Confiaremos aos deuses para que tudo dê certo daqui para frente.
_ Obrigada giagiá! _ Helena abraçou a avó, como se quisesse com aquele abraço, ter a força dela para poder enfrentar o mundo.
Todos ali concordaram com vó Tina, meio que a contragosto. Mas para os gregos a palavra de alguém mais velho era considerada lei que deve ser respeitada. E todos tomaram o café da manhã juntos como uma família.
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