34 - Pedido de Casamento
Helena e Ray foram caminhando até a Catedral de Notre Dame de Paris. Caminharam devagar, sem pressa, sem hora para chegar. Queriam curtir o pouco tempo que lhes restavam.
Durante todo o trajeto, ela se manteve calada, meio apática e abraçada a ele. Queria esquecer, ou pelo menos não lembrar que em alguns dias, iria embora e provavelmente não o veria mais.
Ray percebeu o quanto ela estava triste. Não devia ter tocado no assunto. Até porque ele também estava triste com o fato de se separarem.
Finalmente chegaram a imponente e histórica Catedral de Notre Dame no centro de Paris. Construída em estilo gótico há mais de 700 anos, a igreja levou 200 anos para ser concluída e considerada o marco 0 da capital francesa.
A imponente igreja já foi palco de grandes acontecimentos históricos, como a beatificação de Joana d'Ark e a coroação de Napoleão Bonaparte. Foi também inspiração para a obra de Victor Hugo, o Corcunda de Notre Dame, um dos livros favoritos de Helena.
_ Eu adoro esta história, o livro e o desenho da Disney. A cigana Esmeralda se torna o amor platônico de Quasímodo. _ Ela disse ao entrarem na Catedral: _ Diz a lenda que a história foi baseada em um amor platônico de verdade.
_ Sério? _ Ele perguntou.
_ Sim! Um operário que cuidava da manutenção da igreja era meio corcunda e apaixonado por uma bela cigana. Ele conversou com Victor Hugo na época. Daí veio a história.
Parece que Helena ganhou um pouco de alegria quando contou a história da Catedral. Ray adorava quando ela sorria. Achava que ela adquiria muita vida. E ele se sentiu o próprio Quasímodo, sentindo um amor platônico por aquela bela morena. Ela era a sua chica.
A chica que ele conheceu em Paris!
Ao se aproximarem do altar, Helena retirou de sua bolsa um véu feito de rendas e um terço feito de pérolas. Na igreja ortodoxa grega era comum usar estes objetos durante a missa. O terço pertenceu a sua avó, está em sua família a gerações. Foi o único objeto de valor que sua avó conseguiu salvar, quando fugiu da Grécia.
E para ela, aquele terço tinha um imenso valor sentimental. Ou seja não tinha preço.
No altar, ela rezou e acendeu uma vela, pedindo aos deuses proteção à sua família e amigos. Pediu para dar tudo certo na Semana da Moda. Pediu para dar tudo certo daqui para frente. Pediu para ficar invisível aos olhos dos inimigos. E pediu para que "aquela pessoa" que lhe fez muito mal reconheça seus erros, se arrependa e peça perdão.
Enquanto Helena fazia as suas orações, Ray somente a observava. Com aquele véu, dava a impressão que ela parecia uma noiva. Sabia que não podia, mas não resistiu e pegou em sua mão. A levou até os lábios e a beijou. Depois ajeitou o véu que estava meio torto em sua cabeça, cobrindo metade do seu rosto. Parecia até um noivo retirando o véu da noiva para lhe dar um beijo.
E foi o que ele fez.
_ Vem comigo!
_ O quê? Eu não entendi.
_ Fique comigo! Vem comigo!
_ Ir com você? Mas para onde?
_ Vamos para Porto Rico. Estados Unidos. Brasil. Ou podemos ficar aqui mesmo na França! Qualquer lugar, não importa. Vamos escapar nós dois!
_ Você realmente está me pedindo em casamento?!
_ Sim! Eu sei é loucura mas... yo estoy enamorado de ti! (Eu estou apaixonado por você!) Eu te amo!
_ Mas não pode me pedir assim...
_ Tudo bem, faremos os votos nupciais!
Helena ficou praticamente sem fala ao ouvir Ray falar em casamento. E ficou mais sem fala ainda quando ele recitou os seus votos:
"Minha bela morena, banhada de sol. Brilha como lantejoulas a sua pele de coral.
Seu cabelo brinca com o vento, luminoso e alegre. Brilha o seu sorriso calmo e tão angelical.
Vejo a sua figura deitada na areia branca, brilhar em sua pele como pérolas e brilho de sal.
Dê-me seu sorriso radiante, sereno e gentil. Dá-me os seus lábios de anjo um beijo sutil.
Flor de coral seu cabelo, vejo em seus olhos o mar, brilha como flash no sol e namoram no meu olhar.
Flor de coral minhas esperanças, seguem você a ilusão, brilha a sua estrela no meu céu e dona do meu coração!"
_ Minha flor de coral!
https://youtu.be/OWoxVBlDro8
Quando ele terminou os seus votos, pediu para ela dizer os seus.
_ Eu não sei o que dizer...
_ Diga qualquer coisa, um verso, uma frase ou um trecho de algum filme, livro ou música que você gosta...
"Fale qualquer coisa mulher, ser pedida em casamento em Paris não é para todas e ele realmente parece gostar de você". Era a sua Deusa Interior falando com ela.
Bom, já que estavam em Paris, Helena se lembrou de algumas frases do livro de Antonie de Saint-Exupéry, "O Pequeno Príncipe". É claro que acrescentou algumas coisas...
_ Você era uma pessoa igual a cem mil outras... Mas desde que eu lhe conheci, fiz de você um amigo. Meu amigo. Mais do que isso, fiz de você o amor da minha vida! E agora você é único no mundo. Pelo menos no meu mundo...
Quando ela terminou, seus olhos estavam cheios de lágrimas. Mas desta vez eram lágrimas de felicidade. Ele tentou enxuga-las com os dedos. Ficaram se olhando e sorrindo um para o outro. De repente, vários sons de diferentes timbres começaram a ecoar pela igreja. Eram os sons dos sinos de Notre Dame, anunciando o horário da missa.
A igreja começou a se encher de devotos para a missa. Helena e Ray resolveram sair dali para não atrapalhar. Ela ainda estava com o véu na cabeça e as pessoas olhavam curiosas, se perguntando se havia acontecido algum casamento. E eles só davam risadas...
Quando chegaram perto da entrada, uma senhora de origem oriental e acompanhada do marido pediu para tirar uma foto deles.
_ Por que todo mundo tá olhando pra gente?
_ Deve ser porque formamos um belo casal... E você ainda está com o seu véu...
Helena tirou o véu rapidinho da cabeça e guardou em sua bolsa. Ray só se divertia com a situação.
_ Vamos embora antes que comecem a jogar arroz na gente...
**********
No caminho para casa, passaram pela Torre Eiffel. O Sol já estava se pondo, mas mesmo assim resolveram visitar o local onde se conheceram. Foi uma maneira de encerrar o passeio. Lá no alto se lembraram daquela noite e riram que se acabaram. Observaram e admiraram o por do Sol e depois se olharam entre si.
Pela primeira vez na vida, Helena hesitou. Pensou seriamente em largar tudo o que havia conquistado em toda a sua vida para ficar com Ray, onde quer que fosse. Logo ela que sempre deu prioridade a si mesma. O que está acontecendo com ela agora?
Ela havia se apaixonado por ele!
Bom, ela pode ainda não ter se decidido o que fazer daqui para frente, mas já decidiu o que fazer naquele momento.
_ Eu acho que é melhor irmos para casa... para consumar o nosso amor!
Quando ela disse aquilo, ele quase não acreditou. Teve de perguntar várias vezes para ter certeza. E para convencê-lo, Helena deu aquele beijo do qual já sabia o que significava.
_ Bom... acabamos de nos "casar"! _ Disse fazendo aspas com os dedos: _ Então é natural termos a nossa noite de núpcias... a não ser que você não queira!
Ray só observou Helena com aquela cara, fazendo pouco caso do comentário tosco dela. Ela precisou colocar a mão na boca para não rir. Pois só para fazer pirraça, a envolveu num abraço forte e a beijou profundamente, a ponto dela quase perder os sentidos.
Olharam mais uma vez para o por do Sol, como se estivessem despedindo da cidade. A vista era fascinante. E ficou ainda mais quando os primeiros flocos de neve começaram a cair... muitos deles caíram nos longos cabelos da Helena, a deixando mais bonita do que já é. Ele riu quando um dos flocos caiu bem na ponta do seu nariz. E estendeu a mão no ar e um deles caiu bem no meio dela. Ofereceu a ela.
_ É para lembrar de meus sentimentos por você. _ Ela aceitou de bom grado. Pena que não tinha como guardá-lo, mas guardará a lembrança deste dia para sempre em seu coração.
_ Acho que realmente está na hora de irmos para casa. _ Ela disse ao notar que a neve começou a cair com mais intensidade.
E lá foram eles abraçadinhos para casa...
https://youtu.be/h034FXPTz0w
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