32 - Café da Manhã

Amanheceu em Paris e Helena ainda dormia profundamente nos braços fortes de Ray... o que para ele foi uma tremenda prova de fogo, tê-la ao seu lado e não poder fazer nada.

Durante o sono, ela sem querer dava uns "peguinhas" nele, desde alisar o seu peito até se agarrar no seu "amigo", que estava tão acesso com o toque das mãos dela quanto ele. E para piorar, ela ainda gemia...

Ray a virou de lado bem devagar para não a acordar e sair dali. No momento em que fez isso, ela se espreguiçou, se empinando para o lado dele. Ele só olhou para cima e pensou bem alto: "Dios mio, se depois dessa eu não for para o céu, o Senhor há de se ver comigo!"

Assim que conseguiu se sentar na beirada da cama, ouviu a sua voz:

_ Ia embora sem se despedir de mim?

Quando ele virou para trás, lá estava ela já acordada, mas ainda deitada, olhando e sorrindo para ele. E mesmo estando descabelada e com aquele pijama, do qual ele achava muito do infantil, ainda a achava linda.

_ Bonjour mon amour! (Bom dia meu amor) _ Disse Helena sorrindo para ele. Se levantou e estendeu os braços, pedindo um abraço. Ele foi ao encontro dela.

_ Buen día mi amor! (Bom dia meu amor).

Trocaram um selinho. Ela adorava quando ele fazia isso e ele também adorava fazer isso com ela.

_ Dormiu bem chica?

_ Sim e obrigada por me acolher. Você é um ótimo travesseiro.

Ele deu risada com a comparação dela. Sentiu vontade de dizer que durante a noite, ela o pegou de jeito, mas ficou com medo de deixá-la sem graça, então não disse nada.

_ Está com fome chica?

Ela fez que sim com a cabeça. Adorava quando ele a chamava de chica. "La Chica de Paris".

_ Ok então espere aqui. Vou até o empório comprar algumas coisas para o nosso café, a não ser que você queira tomar café na rua...

_ Ah não eu espero aqui mesmo.

_ Ok então, eu já volto!

Quando voltou da rua com as compras, deu de cara com ela em seu sofá de frente ao notebook e trocando mensagens no WhatsApp. Ela já estava trocada de roupa e havia arrumado a cama.

_ Demorei?

_ Oh não... você quer ajuda para arrumar a mesa?

_ Ah não, eu já trouxe tudo pronto, é só se sentar e comer. _ Disse indo direto para a cozinha. Mesmo assim, ela foi atrás dele para ajudar e ficou encantada com o que viu. Ele havia pedido para fazer um café da manhã digno de um hotel cinco estrelas, com os mais variados tipos de pães, frios e frutas.

_ Nossa para que tudo isso? Vem mais gente para tomar café?

_ Bom eu não sabia do que você gostava, então eu pedi para caprichar na comida.

O que ele queria mesmo era ganhar pontos com ela. Sentaram-se para tomarem café. Era tanta coisa que ela nem sabia por onde começar. Chegou a comentar com ele. E ficou boquiaberta com a sugestão dele.

_ Comece por você.

Helena só olhou para ele, se perguntando o que ele queria dizer com aquilo.

_ Como assim "por mim"?

_ Na noite passada, você disse que, para julgar, eu deveria te conhecer melhor. Podemos fazer isso agora, a não ser que você queira deixar para depois.

_ Ok. _ Disse já cortando um croissant e pegando algumas fatias finas de queijo e presunto. Não foi tão difícil: _ E o que gostaria de saber sobre a minha pessoa, senhor Ramon Enrique Acevedo Kerkado?

Ele deu risada com o fato dela ter se lembrado do seu nome completo.

_ Sei que você se chama Helena e veio visitar uma amiga sua que mora aqui em Paris, com uma outra amiga. Mas quero saber quem realmente é a garota por trás da chica de camisola vermelha que vi pela janela.

_ Bom, eu me chamo Helena Petropoulos. E antes que você me pergunte, o meu sobrenome é de origem grega. Sou descendente de imigrantes gregos, tanto por parte de pai quanto por parte de mãe. Mas grega legítima mesmo é a minha avó, Constantina Vardalos Petropoulos, refugiada da Segunda Guerra Mundial.

_ Deve ser uma mulher e tanto... adoraria conhecê-la.

_ Ah, mas ela é mesmo. Sofrer horrores naquela maldita guerra e chegar em uma terra desconhecida para começar uma nova vida, não foi fácil, mas ela conseguiu.

Se encheu de orgulho ao falar da sua vó. Como a adorava.

_ E você faz o que? Trabalha, estuda...

"Agora vem a pior parte!" Pensou.

_ Eu sou contadora. Trabalho com contabilidade de custos numa multinacional japonesa com filial no Brasil.

Ela já imaginou o que se passava pela mente dele naquele momento, que ela é muito bonita para trabalhar com custos. Desde que trabalha na área, Helena sempre ouve comentários maldosos sobre o fato de que mulher bonita não é inteligente. Era hostilizada na escola porque era um dos melhores alunos. Só arrumava emprego porque tinha boa aparência. Chegou a pedir demissão por não aguentar a pressão de algum chefe ou de outro funcionário. E quando foi trabalhar na Shinguen S/A, ainda que fosse para o cargo de aprendiz, quase foi dispensada somente pelo fato de ser mulher, mesmo obtendo um excelente resultado.

_ Eu sei o que está pensando.

_ O quê? _ Perguntou saindo do transe.

_ Você também acha esquisito o fato de uma mulher trabalhar com custos. Tá tudo bem, a maioria pensa a mesma coisa...

Não era bem isso o que ele estava pensando..., mas sim que estava diante de uma mulher empoderada e teria de usar todas as armas que tinha, mais as de reserva para conquistar aquela chica. Ao perceber que ela ficou triste quando contou sobre os problemas que a sua profissão apresenta pelo menos para ela, tentou animá-la.

_ Bom, para dizer a verdade, eu não sei o que seria custos..., mas eu gostaria muito que me explicasse.

Helena só olhou para ele, se perguntando se aquilo era sério.

_ Não conheço outro profissional que possa me explicar. E pelo que eu entendi, você é muito bem entendida no assunto.

Então a pedido de Ray, ela começou a explicar sobre a contabilidade de custos, desde quando ela ganhou importância na Revolução Industrial até a terminologia em termos industriais. E é claro que ele não entendeu muita coisa, mas como queria fazê-la feliz, somente balançava a cabeça concordando com tudo. E é claro que ela sabia que ele não estava entendendo nada, mesmo explicando de um jeito do qual pudesse entender. Mas ficou muito feliz por ele ter lhe escutado.

_ Veja pelo lado bom, você meio que deu um certo chame a profissão. E não sei se isto serve de consolo, mas você é a contadora mais linda que já vi.

_ Oh obrigada. É muito raro eu ouvir um elogio...

_ Mas é mesmo. Você, além de ser linda, é poderosa e guerreira.

Ao ouvir aquilo, ela começou a rir. Era o seu lema e de suas amigas.

_ Que foi? _ Perguntou espantado com o ataque de risos dela.

_ Nada... _ tentou explicar, contendo a risada: _ é que você disse um lema que eu e minhas amigas sempre falamos umas para as outras... E mais uma vez obrigada.

Quando deram uma pausa entre a conversa, os dois ficaram se olhando. Ela sorria para ele. E ele adorava quando ela sorria. Queria passar a vida inteira a fazendo sorrir.

_ Você tem algum compromisso para hoje? _ Ele perguntou.

_ Ah não. Eu queria mesmo passar o dia com você, pois nesta semana começa a Semana da Moda, então estarei meio que ocupada.

_ Ok então o dia é somente nosso. Posso te levar para passear pela cidade?

_ Sim, eu aceito passear com você. 

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