30 - Negócio Fechado

A pedido de Thierry, Helena e Ray foram dar uma volta de limusine pela cidade. Ela ficou calada a maior parte do tempo. Estava chateada com a confusão causada com o novo vídeo da Núbia. Enquanto olhava distraída para a paisagem das ruas de Paris, ele somente a observava. Mesmo estando triste ou brava, ainda a achava linda. Possuía uma beleza que era única no mundo, como se tivesse sido esculpida pelos Deuses do Olimpo. Cada traço delicado de seu rosto fora desenhado com perfeição. Porém, ela ficava muito mais linda quando sorria. E ele a queria sorrindo novamente.

_ Me fale sobre você.

Virou-se para encará-lo: _ como assim?

_ Bom você mesmo disse que eu não te conhecia direito, e por isso eu não tinha o direito de pensar mal de você. E na verdade, não pensei... só me perguntei sobre o que aconteceu para aquela pessoa fazer o que fez.

Vendo que finalmente conseguiu a atenção dela, continuou.

_ E você tem razão, eu não tenho mesmo o direito de te julgar, sem antes de lhe conhecer melhor. Eu também não me importo se fez ou não algo de errado, não é da minha conta. Gosto muito de você para dar audiência a gente sem noção. E por isso, eu peço que me dê uma chance ... uma chance para nós dois. Por favor.

No momento em que pediu uma chance a ela, ele pegou em uma de suas mãos e a beijou carinhosamente, como se a sua vida dependesse disso.

_ Vamos fazer um trato: se até o final desta noite, você sentir que não consegue mais confiar em mim, eu vou embora e sumir da sua vida. Combinado?

Ela ainda continuava calada.

_ Você está demorando para responder, devo interpretar com um "sim" ou não?

Ela ainda continuava calada.

_ Ora vamos por favor, só estou te pedindo um voto de confiança. Sei que eu não mereço, mas poxa vida...

_ Ai, tá bom, eu te dou um voto de confiança, mas por favor pare! _ Disse perdendo a paciência com ele. Apesar do susto, Ray sorriu para ela de orelha a orelha. De repente, apontou o dedo para ele e disse: _ mas com uma condição. Vai precisar fazer por merecer este voto e eu não vou facilitar para você!

"Puxa essa sim é uma mulher de fibra! Essa eu faço questão de apresentar a minha mãe!" Pensou ainda meio que assustado com a atitude firme dela. Mas ficou muito feliz e concordou de bom grado e de bom humor.

_ Negócio fechado señorita Helena! _ Fez um gesto galanteador lhe estendendo a mão para cumprimentá-la.

Ela só o olhou de cima a baixo. Vendo que ele não ia desistir, o cumprimentou formalmente. De repente a limusine parou. Ela perguntou ao chofer de Thierry se estava tudo bem. Ele respondeu que sim, somente parou em frente ao local indicado por seu chefe. Quando eles desceram, mais uma vez perguntou qual seria exatamente o local. Ficou completamente sem graça com a resposta do chofer e mais sem graça ainda ao explicar para Ray.

_ Onde estamos? Que lugar é este afinal?

"Por todos os deuses do Olimpo! Como é que eu vou explicar que estamos em frente a um motel?" Começou a rir, a chorar, a suar e a tremer de frio e a suar de calor, a se engasgar, a tossir e a se contorcer com vontade de ir ao banheiro, tudo isso ao mesmo tempo.

_ Você está bem? _ perguntou assustado com o estado dela.

_ Estou tentando ficar... _ respirou fundo para tentar responder: _ este lugar é um... um... um... hotel, pronto falei!

_ Sim, mas o que tem de mais nisso?

Lá estava ela tendo aquele ataque de novo.

_ É hotel de... de... de... oras você sabe!

_ Não, eu não sei, pode ser mais específica?

_ Não. Eu não posso.

"Ele deve saber e está de brincadeira comigo!"

_ É um hotel de... _ fez certos gestos para ver se ele entendia, mas não teve jeito. Teve de falar: _ de amor.

_ Continuo sem entender.

_ AI É UM MOTEL! _ Disse bem alto e em bom som para quem quisesse ouvir. Até o chofer colocou a cabeça para fora da limusine para ver o que houve. Ele somente olhou admirado para ela e disse com a maior cara de pau que podia fazer.

_ Oh é um motel, aquele local onde o pessoal paga para "namorar" escondido por algumas horas?

Helena só olhou para aquela cara de pau dele, pensando consigo mesma: "Ele tá realmente me perguntando isso?"

_ Ah eu já sabia!

_ Desde quando?

_ Desde a hora em que chegamos.

_ Então você fingiu esse tempo todo? _ Ela não deu chance para Ray responder e deu um tapa no seu braço: _ é assim que você quer ter a minha confiança?

_ Puxa, essa doeu... eu só tava brincando, você leva as coisas muito a sério!

Ela somente cruzou os braços e se encostou na limusine. Ficou olhando para o nada. Não estava com ânimo para brincadeiras. Ele percebeu e se aproximou, lhe dando um abraço. Ela se deixou abraçar, mas não retribuiu o abraço.

_ Olha desculpa pela brincadeira, só queria te ver sorrir. Acho o seu sorriso lindo.

_ Você ainda quer que eu lhe dê uma chance? _ Interrompeu sem olhar para ele.

_ Sim quero!

_ Então pare de graça!

Helena apenas respirou fundo para não ter outra crise de choro. Aproveitando que estava abraçado a ela, Ray começou a alisar os seus cabelos. Sabia o quanto ela gostava daquilo. Dos cabelos passou para seu rosto e beijou a testa. Ela pegou as mãos dele e beijou o dorso de cada uma delas. Não resistindo mais, fechou os olhos e inclinou a cabeça um pouco para trás... 

E entendeu o que ela queria naquele momento: um beijo. Assim que encostou em seus lábios para lhe dar um selinho, Ray teve uma bela surpresa. Ela abriu os lábios para recebê-lo melhor. E é claro que ele adorou.

Os dois deram uma pausa para recuperar o fôlego. Ficaram se olhando sem dizer uma palavra. E depois de muito tempo, ele disse:

_ Vem... vamos para casa.

_ O quê? _ Ela perguntou não entendendo a decisão dele: _ mas você disse que queria me conhecer melhor e...

_ Sim eu disse. Mas não em um quarto de motel. Além do mais, acabamos de nos acertar e sinto que ainda não confia em mim... pelo menos não o suficiente.

_ Mas eu te dei o voto de confiança que me pediu...

_ Sim e estou muito feliz. E é mais um motivo para não irmos para lá... _ apontou para o motel: _ pelo menos não essa noite.

Ainda não estava entendendo.

_ Olha... eu sei o quanto este momento é importante para você. É importante para mim também. E não quero que seja de qualquer jeito. Por isso quero lhe dar mais um tempo para darmos o "próximo passo".

"Oh que fofo que ele é!" Pensou. Depois dessa "declaração", não deu outra: ela o abraçou. Quando o soltou, estava chorando de felicidade.

_ Puxa chica se eu só falei, você já ficou assim, imagina se tivéssemos ido para lá.

_ Oh me desculpa, é que tenho andado muito sensível ultimamente... _ disse rindo e chorando ao mesmo tempo: _ mas obrigada por me entender.

_ Imagina... usted es una chica muy especial (você é uma garota muito especial). E merece ser tratada com todo respeito, amor e carinho.

Deram mais um beijo.

_ Vem. vamos para casa.

Entraram na limusine e pediram ao chofer para deixá-los em casa. E é claro que eles foram namorando durante todo o caminho. 

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