24 - Ao som de piano

Após um banho frio forçado e um café quente e bem forte para amenizar a ressaca, Helena foi até a empresa francesa para mais uma reunião com os acionistas. Participou também de um treinamento com os funcionários. Já se sentia como parte da equipe.

Também encontrou Pierre. Tentou conversar com ele de boa, mas este não quis nem lhe ouvir. Precisou ser firme.

— Eu sinto muito por você e minha amiga não terem dado certo. Mas antes vocês do que o acordo com as duas empresas e perdemos os nossos empregos.

Ele foi obrigado a concordar com ela e voltaram a se falar, mesmo que formalmente. Se tem algo que Helena aprendeu durante os seus anos de profissão era separar os problemas pessoais dos profissionais e não deixar que intrigas e fofocas atrapalhem o seu serviço.

E entre um intervalo e outro, ela trocava mensagens com Ray. Ele estava muito ansioso para vê-la... e ela também.

Após a reunião e o treinamento, foi realizada uma confraternização entre os funcionários. Helena ficou na festa por alguns minutos só para não fazer desfeita para o pessoal. Não estava a fim de ficar, ainda mais com Pierre a olhando de cara feia.

Queria mesmo era se divertir um pouco com aquele caliente guapo! Chegou a sentir os ossos da sua pélvis latejarem. Nunca ficou tão ansiosa para se encontrar com alguém. O que está acontecendo com ela?

Chegou a mandar uma mensagem para suas amigas, dizendo que estava na festa de confraternização da empresa e por isso chegaria tarde. Não gostava de mentir, mas não queria contar nada por enquanto.

*

Finalmente ela chegou ao apartamento dele.

— Buenas noches chica! — Disse sorrindo de orelha a orelha ao vê-la.

— Buenas noches! Eu cheguei em má hora?

— Oh no, pelo contrário. Entre por favor. Mi casa és su casa. — Deu um passo para o lado e num gesto galanteador, a convidou para entrar. Ela entrou na pequena sala. Comparando com a sala de Dayane, era bem simples, mas muito acolhedora, tinha apenas um sofá e uma mesinha de centro.

— Sente-se por favor. — Pediu. Ele só a observou se sentando e cruzando as suas belas pernas. Mesmo estando de meia calça, começou a imaginar àquelas pernas em volta da sua cintura.

"Controle-se hombre!" Dizia para si mesmo.

— Como você está? — Disse Helena o tirando da sua hipnose.

— O quê? Ah voy bien! E você?

— Bem obrigada.

— Aceita uma taça de vinho?

Helena lembrou da noite passada, quando ela e suas amigas ficaram de ressaca por beberem até de madrugada. Além do mais, estava no apartamento dele e não queria arriscar. Recusou.

Ray a olhou de cima a baixo. Ela estava com um vestido social preto próprio para o inverno. Não era muito justo, mas valorizava as suas curvas. Se sentou ao lado dela e respirou fundo para não avançar o sinal, com medo de assusta-la. Ele começou a alisar seus longos cabelos negros. Com a outra mão, começou a acariciar a suave pele de seu rosto. Puxou o seu rosto para si e lhe deu um selinho.

Já sabia do que ela gostava.

Helena é claro, retribuiu com outro selinho. Mas em momento algum abaixou a guarda. Lembrando dos conselhos de sua avó, precisa fazer com que o homem se torne digno de sua confiança, mesmo sendo coisa de momento.

E se Ray queria ganhar a sua confiança, precisaria muito mais do que beijinhos.

— Vem comigo, quero lhe mostrar uma coisa. — Disse a puxando pela mão e a levando para o quarto.

— Uma coisa? — Ela quase perdeu o fôlego, quando ele disse que ia mostrar uma coisa: — Qual?

— Nada demais, só quero te mostrar a casa.

"Vai lá... eu fico aqui esperando." Ouviu a sua deusa interior.

E lá foi ela conhecer o restante da casa. A levou até um dos quartos, o que dava vista para o seu quarto no prédio ao lado. Assim que entrou, deu de cara com um piano. O piano que ela o viu e o ouviu tocar.

— Oh que lindo!

— Eu sei, só aluguei o apartamento por causa dele.

Helena ficou encantada pelo piano. Era um modelo de cauda longa com mais de trezentos anos, fabricado na Itália. O que estaria fazendo ali?

— Lembra daquela noite em que te vi tocando e cantando? Era uma bela canção e você tem uma bela voz.

— Oh sim, você me aplaudiu da sua varanda bem ali. — Olharam da varanda do quarto dele para a sua. Lembrou da primeira vez em que o viu. Era mais do que um colírio para os olhos... era um colírio para a alma.

— Agora me lembrei da primeira vez em que a vi. Você estava linda de camisola vermelha. Parecia uma pintura em óleo. Ou uma foto de revista. E também te vi caminhando pelas ruas de Paris.

Ela também se lembra de três vezes em que o viu, quando estava passeando com as amigas, à noite no bistrô com música ao vivo, onde ele se apresentou e na festa da Torre Eiffel. Ela ainda comentou com ele:

— Ah sim, conheço o dono do lugar. Ele também é dono deste apartamento e contratou outro músico, mas parece que algo inesperado aconteceu e o cara não pôde ir. Então me ofereci para tocar no bistrô e naquela mesma noite estavam os organizadores do evento, que me convidaram para cantar lá.

— Ah tá... eu queria ir dar um alô na noite que você estava cantando lá no bistrô, mas na hora tive que atender uma ligação do trabalho e quando voltei você já tinha ido embora.

Foi quando ela contou a ele o outro motivo de sua estada em Paris, que era uma viagem de negócios. Ela explicou sem dar muitos detalhes e ele não perguntou. Afinal, era assunto dela e eles não estavam ali para conversar, pelo menos não sobre negócios. Mas, em troca, ela perguntou o que não deveria:

— Eu também notei que você parecia estar muito triste. O que houve?

"Droga! Tava indo tão bem!"

Ela se lembrou daquela noite. Logo após a festinha do pijama com suas amigas, sentou-se ali na varanda porque não conseguia dormir... ainda estava magoada com o fim do seu namoro. E ele estava lá.

— Eu e as minhas amigas demos uma festa do pijama para comemorar o nosso encontro. Era a minha primeira noite aqui em Paris. E eu não conseguia dormir. Estava chateada...

— E seria com o quê?

Helena não respondeu. Não queria mais tocar no assunto. Não queria lembrar que era para Luiz ter viajado com ela.

— Bom pelo o seu silêncio, eu vou arriscar: foi com algum namorado?

Ela só balançou a cabeça afirmando.

— E pelo jeito, você não quer conversar sobre isso. Desculpe.

— Não, está tudo bem. É que é uma história muito chata, mas eu vou resumir: ele terminou comigo, pois segundo ele, a gente não estava dando certo. E realmente, eu não quero falar sobre isso, se você não se importa...

Helena resumiu a sua história cheia de amargura. Por sua vez, Ray se arrependeu de ter perguntado. Também não queria que ela falasse de outro homem, estando ali com ele... 

Mas ele se perguntou sobre o ex-namorado dela. Que tipo de homem termina com uma mulher como ela? Se fosse ela fosse a sua namora, nunca que ele a deixaria ir embora.

Tentou amenizar o clima entre eles, oferecendo-se para tocar. Ela aceitou. E tocou e cantou uma linda canção para ela.

— Espero que goste. — Ele começou a tocar. O som das teclas do piano ressoou pelo quarto. Minutos depois foi a vez da voz dele:

Acercate, siente latir mi corazón, por que será?

si es algo más que una amistad, será el amor?

que está llamando ya, mas y mas a mi puerta

Acercate, hay tantas cosas de que hablar, nuestra amistad,

está tan llena de verdad, yo te dire,

cuanto te quiero amor, y también, tú me lo dirás

Tú, eres mi luz, mariposa, también mi rosa

Eres cielo nunca se acaba, mi lucero de la mañana

eres agua marina, mi seda, mi bailarina

Sin tu amor no sabria vivir, sin tu amor ya podría morir

Acercate, quiero tenerte junto a mi,

muy junto a mi, y tú calor sobre mi piel,

bésame ya, con lábios de mujer,

manantial, con sabor a miel

Tú, eres mi luz, mariposa, también mi rosa

Eres cielo nunca se acaba, mi lucero de la mañana

eres agua marina, mi seda, mi bailarina

Sin tu amor no sabria vivir, sin tu amor ya podría morir

Oh, me enamore. 


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