12 - Jogo De sedução
No dia seguinte, Helena foi se encontrar com Pierre, o CEO da empresa com quem estava fechando contrato. Até que ele era um rapaz bem-apanhado, bonito e muito simpático. Se encontraram no café Angelina, um dos mais antigos salões de chá de Paris e também é o lar de algumas das sobremesas mais incríveis da cidade.
O Angelina leva a fama de ter o melhor chocolate quente de Paris. Sem falar no lugar, que é um espetáculo. A arquitetura em Belle Époque é um charme. Helena sentiu que foi transportada para uma outra Paris.
A conversa entre eles foi muito animada, sem deixar de ser produtiva. Durante a conversa, descobriu que Pierre também era contador como ela e também gostava de Contabilidade de Custos, conhecida também como Contabilidade Industrial. Aliás, ela se sentia muito honrada por trabalhar em um ramo da Ciência Contábil, dominada pelos homens. Era uma das poucas mulheres que trabalhavam neste setor. Até o presidente da empresa reconhecia o seu desempenho
Mas nem tudo era flores. Helena precisava todo santo dia provar que era capaz, já que havia este preconceito contra ela. Precisava mostrar ao famoso "Clube do Bolinha" que era muito mais do que um rosto (e corpo) bonito.
_ Você não acha estranho uma mulher gostar de trabalhar com Custos? Porque toda vez que falo isto, a maioria torce o nariz.
_ Não, acho o máximo. Você gosta do faz e não deve se importar com a opinião alheia. E considere-se muito honrada por ser a melhor nesta área.
_ Ah eu não sou "a melhor". _ Disse fazendo aspas com os dedos: _ mas eu procuro sempre fazer o meu melhor...
No meio do bate papo, ela se lembrou de Luiz... não queria lembrar, mas o seu pensamento era involuntário. Lembrou de como ele sempre fazia caretas em relação a sua profissão, mas para evitar atrito, a elogiava.
"Você é a contadora mais linda do mundo! E sou muito feliz por você estar comigo!"
Mas voltando a conversa, Pierre contou que assim como Helena, também gostava de ler. Agora sim, começou a ficar interessante. Ele fez questão de levá-la a algumas livrarias da cidade. Aprendeu com ele que na França, existe duas coisas que, em hipótese alguma, não se deve jogar fora: pão e livros.
Até que ele era uma boa pessoa... poderiam até formar um casal..., porém no meio da conversa, ele revelou o principal motivo do encontro:
_ Aquela sua amiga... ela é solteira ou está com alguém?
Helena se surpreendeu com a pergunta dele: _ qual delas?
_ A alta. Já comprei muita revista de moda com ela na capa.
Ela começou a rir. Pierre marcara o encontro porque estava interessado na sua amiga Samantha e queria a sua ajuda.
_ Eu espero que não se importe mademoiselle (senhorita)!
_ Oh claro que não! _ Na verdade, Helena até se sentiu aliviada: _ eu peço a Day para marcar um jantar ou a gente sai uma noite dessas todos juntos.
Pierre ficou muito feliz com a compreensão de Helena. Mas isto não o impediu de perguntar:
_ Caso a sua amiga não me aceitar e você não tiver nenhum pretendente, poderia me dar uma chance?
Aquilo foi o cumulo do absurdo! Aquele francês safado queria a sua amiga e ela também a queria como uma segunda opção. E é claro que depois dessa, não podia deixar barato.
_ Quer a Dayane como terceira? Só que ela já tem namorado.
Ele somente deu uma risada meio que sem jeito. Realmente os homens são todos iguais, cada um do seu jeito.
*****
Ao chegar na casa de Dayane, Helena viu que estava sozinha. Tinha uma cópia da chave do apartamento, que a própria mandou fazer para ela e para Samantha. As duas ainda devem estar batendo perna pelas ruas de Paris, gastando seus cartões de crédito. Por um lado, achou uma pena, pois queria contar sobre seu suposto encontro com Pierre, mas por outro lado agradeceu por estar sozinha. Assim teria como pensar como contaria o fato ocorrido.
Foi até o seu quarto para trocar de roupa, quando sentiu mais uma vez a vontade de espiar pela janela. Sim, ela queria ver o seu misterioso vizinho, mas ficou desapontada quando se deparou com as cortinas fechadas. Deu uma bronca em si mesma por estar fazendo isto.
Samantha e Dayane chegaram das compras, loucas para saber como foi o encontro de Helena. E ela claro, também estava louca para contar como foi.
_ Nós temos muito em comum. Gostamos de livros e foram a algumas livrarias da cidade. Somos contadores e gostamos de trabalhar com custos... e nós gostamos de você Sam!
_ Como é que é? _ Samantha perguntou não entendendo nada.
_ Pierre marcou o encontro porque queria a minha ajuda para chegar até você.
_ Oh la la Sam, parece que ganhou um admirador! _ Dayane se admirou, enchendo a bola da amiga.
_ Mas tem um pequeno detalhe.
_ Qual? _ Perguntaram as duas.
_ Caso não dê certo com você, ele me quer como uma segunda opção! _ Despejou em tom de deboche.
_ Oh, mas que safado! _ A parisiense esbravejou com um palavrão em francês que deixou as duas assustadas.
_ Eu nem vou perguntar o que significa isso que você disse agora... _ Samantha disse muito espantada com o linguajar da amiga.
_ E então Sam? Você topa sair com o francês metido a conquistador barato? _ Perguntou Helena já imaginando qual seria a sua resposta.
_ Eu topo... vou me divertir um pouco com ele. E já que isso que ele quer... vou lhe dar um pouco de alegria. _ Concluiu.
*****
Após mais um jantar animado com suas amigas, Helena foi trabalhar um pouco no seu notebook. Verificou e-mails pessoais e do trabalho. Também acessou as suas contas nas redes sociais. Quando entrou no Facebook, viu alguns certos pedidos de amizades dos quais alguns infelizmente ela reconheceu... eram amigos de Luiz!
"Será que ele sabe que seus amigos me enviaram pedidos de amizade?" Pensou. Depois bufou consigo mesma. "Vai ver que me enviaram solicitações a pedido dele. Ou dela."
Ela também viu outros pedidos de amizades de desconhecidos, um mais tosco do que o outro. Ao imaginar que eram amiguinhos daquela quenga, nem se deu ao trabalho de olhar, excluiu e bloqueou todos eles.
Por mais que não quisesse e sabendo que não deveria, sempre se lembrava dele.
_ Enquanto a retardada aqui fica chorando por causa dele, ele está lá na cama da outra, rindo da minha cara! Tomara que eles chorem lágrimas de sangue! _ Praguejou um antigo ditado grego muito usado por sua família.
E falando neles, lembrou de quando o levou para conhecê-los. Seus pais somente aceitaram o seu namoro com Luiz por consideração a ela. Seus irmãos até acharam legal conhecer um campeão de UFC, mas assim como todos, também estranharam o fato da irmã, praticamente uma lady, se envolver com um tremendo troglodita feito ele.
"Eu amo aquele troglodita! Eu não me importo se ele é um ogro! Eu não preciso de um príncipe, lorde, ou seja, lá o que for, será que dá para vocês entenderem isto ou tá difícil?"
Era o que sempre dizia... no final das contas, o seu ogro acabou arrumando uma ogra da mesma espécie...
Enquanto se perdia em seus pensamentos, ouviu um som de piano sendo tocado no prédio da frente. Foi dar uma olhada e viu que seu vizinho estava tocando e começou a cantar. A música era linda e a voz dele também:
"Aveces siento la lluvia que cae en mí cuando miro al cielo, siento el frío que se quema dentro de mí cuando no estás conmigo, aveces pienso que de nuevo te voy a perder una vez más, aveces pienso en nuestro amor!"
"Oh que lindo!" Pensava. Ela ficou ali a noite toda, o ouvindo tocar e cantar. Quando ele acabou, não resistiu e bateu palmas. Ele somente olhou de lado para ver quem era. Ela ficou muito sem graça com a situação. Achando que ele não gostou muito de ser observado, entrou de fininho... mas para a sua surpresa, le assobiou bem alto para ela ouvir e fez um gesto, pedindo para que ficasse.
Ela ficou e fez um gesto com os dois polegares, dizendo que adorou a música. Ele fez uma reverência agradecendo pelo elogio, mas também fez uma expressão como se estivesse meio que desapontado...
Era para o seu pijama que ele olhava. Na hora, ela estava com um pijama de soft branco e super fofinho, pois fazia muito frio em Paris nesta época do ano. E ele mais uma vez de calça de malha e sem camisa. Se perguntava como ele aguentava ficar daquele jeito.
Olhou para o próprio pijama e entendeu o que ele queria: vê-la com a camisola vermelha. Então pediu para ele esperar um minuto. Entrou e alguns minutos depois, apareceu na varanda de camisola, se sentindo a mulher mais linda do mundo.
E para seu vizinho, naquele exato momento ela era a mulher mais linda do mundo!
Aquela camisola deve ser mágica, pois tinha o poder de realçar o que já era bonito: o vermelho do tecido destacava o tom da sua pele morena clara. O bojo valorizava seus seios. A parte do espartilho forrado com rendas acentuava ainda mais a sua cintura de boneca. E a parte esvoaçante, feita de um tecido que imitava uma seda, que começava mais ou menos em seus generosos quadris, era transparente com duas fendas que iam até o joelho, dava uma bela amostra de suas belas pernas.
Ou seja, era ela que completava a beleza da camisola.
E naquele momento, seu vizinho não se aguentava diante de tanta beleza. Ele pediu para ela dar uma voltinha. Quando se virou de costas, segurando seus cabelos para mostrar a parte de trás da camisola, que realmente lembrava um espartilho com fitinhas de cetim entrelaçadas entre si, ele simulou um desmaio de tão admirado que ficou.
Para dar mais graça a situação, ela levantou a camisola mais ou menos até as coxas, mostrando as suas belas pernas. Ele quase teve um ataque cardíaco!
Helena achou melhor parar com isso, antes que ele caísse da varanda. Fez um sinal avisando que iria entrar. Antes que ela entrasse, ele pediu para esperar um instante. Entrou e voltou com um violão e começou a cantar uma outra música. Assim que ele acabou, a agradeceu por escutá-lo. Os dois se despediram e cada um voltou para seu quarto. Ela ainda estava magoada com a traição de Luiz, mas admitiu consigo mesma: aquele jogo de sedução com o vizinho do prédio ao lado estava fazendo um bem danado para sua autoestima.
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