Capítulo 17 - Azekel II
Azekel
(Sikhan - Hator'Mut)
Quando os primeiros hatoranos vieram através do mar ao norte, eram os remanescentes de um povo mutilado por inúmeras guerras, em busca de uma terra fértil onde pudessem habitar. Era a fé em Rotah que os guiava, com a promessa de que encontrariam um lugar de exuberante beleza — uma terra digna de receber os filhos sobreviventes dela. Quando os navios atracaram, encontraram uma terra de colinas verdejantes, bosques de magnífica beleza, grandes montanhas, campos exuberantes e rios extensos. Terras que mais tarde seriam batizadas de Hator'Mut.
O líder daqueles aventureiros errantes era um homem que chamavam de Jafari, um guerreiro habilidoso e um líder nato, de uma beleza que, segundo dizem, hatorano algum voltou a vislumbrar. Suas incríveis habilidades o tornaram uma lenda entre os hatoranos. Ele mandou que os navios fossem queimados, como um sinal que ouviriam os desígnios da Deusa e não mais voltariam a vagar ao ermo, pois enfim haviam chegado ao lar que lhes foi prometido. Quando a fumaça dos navios queimados subiu, Rotah chorou de alegria; água salgada caiu do céu em um dia ensolarado, enquanto o povo dançava e cantava em reverência. Parte da chuva formou uma fonte de água que jamais secou. Fonte essa que batizou o primeiro rei do reino de Hator'Mut, Jafari Unkara. E em torno da Fonte das Lágrimas a grande capital foi construída, Sikhan — a cidade do rei.
Após muitos dias de viagem, a comitiva do Rei Azekel pôde contemplar do alto da colina a cidade de Sua Majestade e tal visão sempre lhe trazia a história do seu povo à mente. Eram uma cidade de duas muralhas de grande espessura e uma terceira interna, separando o palácio real. Sikhan se encontrava em campos rodeados de colinas cobertas por grama verde-amarela do verão. A comitiva vinha pela estrada do campo, que cortava o bosque da coroa, o caminho de terra batida serpenteava através da campina até os portões oeste da cidade; gigantescas portas duplas de madeira reforçada com bronze e feitiços, onde havia também entalhado o gigantesco brasão dos Unkara em ouro verdadeiro — duas penas que se cruzavam formando algo semelhante a um "X". As muralhas externas eram de uma cor que lembrava areia e havia vegetação brotando de rachaduras em toda sua extensão, mas não havia risco algum nas rachaduras, diziam que sempre esteve ali desde a sua primeira construção há pelo seiscentos anos.
No interior da cidade, havia uma organização admirável, um lugar muito mais limpo que a maioria das cidades do Continente. A arquitetura era tipicamente hatorana; com teto em abóbada, paredes de tijolos em tons de areia ou pedra clara e a natureza crescendo atrelada às construções — árvores nas ruas, plantas que cresciam juntos às paredes, flores que decoravam as sacadas e jorravam seus odores pelas avenidas e vielas. Havia muitas estruturas altas e bastante espaço nas ruas, aflorando a magnitude que não poderia faltar em algo feito pelas mãos dos filhos de Rotah.
De cima da sua égua, o Rei Azekel Unkara admirava o que fora construído por seus ancestrais, os olhos fixos no palácio do alto da colina,no centro da cidade, — uma estrutura de vários andares, com cinco altas torres de teto arredondado, janelas e vitrais aos montes, pedras em cores que lembrava o bronze e ouro, além da vegetação que brotava de jardins suspensos e das áreas abertas. Ele inspirou o ar, tão limpo e agradável enquanto uma brisa carregava os odores naturais.
Um equino trotou até parar ao seu lado e Azekel virou a cabeça. Amina Unkara estava montada, admirando a visão da cidade. A menina usava um suave vestido de linho na cor verde, sua cabeça e rosto cobertos por um véu escuro que não lhe permitia ver a face. Pensou o quão feliz ela não deveria estar, queria tanto conhecer o mundo além de Haz'Bay. E agora, estava ali diante da casa do seu pai, e do pai do seu pai. O coração do rei não deixava de estar apreensivo, pensando no que viria a seguir. Poderá demorar anos até que veja novamente nosso lar, talvez nunca mais veja... pensou com angústia, Nahor será sua nova casa. Ela vai conseguir se adaptar? Por Rotah... Espero que sim. Espero que seja feliz, minha querida irmã.
Azekel voltou o olhar para a cidade, tentando não se inquietar com as expectativas. Continuavam todos se movendo, agora com um ritmo bem mais acelerado, todos muito ansiosos para chegar em casa. A comitiva havia crescido em tamanho desde que deixaram Baywall; como era de se esperar, muitos cantores, homens de favores, comerciantes e demais viajantes se uniram à comitiva real, buscando uma viagem mais segura e também tentando conseguir algum benefício dos nobres. De fato, alegrou muito a viagem os cantores e artistas que ofereciam suas apresentações ao rei e à princesa, especialmente um bardo chamado Khal, cujo as canções impressionaram Amina — algumas até mesmo a fizeram chorar.
A comitiva alcançou os portões e logo viram-se adentrando a cidade. Passaram pela primeira muralha; no espaço entre uma e outra havia apenas um grande fosso e uma passarela larga de pedra por onde passaram, observados por estátuas de pedra de dez dos mais antigos reis de Hator'Mut. E no fim da passarela, na segunda muralha, os portões já se encontravam abertos. Foram recebidos sob olhares curiosos, a aclamação do povo e os acenos. O rei percebeu que Amina estava menos tímida com a atenção popular e acenava para eles, virando o rosto de um lado para outro. Azekel imaginou que estariam curiosos sobre quem era a mulher montada no corcel ao seu lado e que usava um véu de compromisso sobre a cabeça, e não demoraria a correr os boatos pelas ruas.
Seguiram pela longa estrada de pedra, passando pela rua principal da cidade. A sinuosa avenida passava pela praça do comércio, as residências dos mais abastados, a praça de Anele e por fim, ao grande arco do palácio. Os portões da grande muralha estavam abertos para receber a comitiva real. Os cavalos e as rodas subiram a ligeira ladeira até os jardins do rei, um campo aberto frente ao palácio, de grama verde, fontes de pedra, ornamentos, um labirinto de cerca viva e bancos bem esculpidos. Os cavalos pararam em frente à porta e não demorou para que cavalariços e empregados se aproximassem para ajudar.
O Rei Azekel desceu do cavalo com um ligeiro salto e foi recebido pelo doce sorriso da sua senhora e esposa, Lhane Unkara. A rainha estava usando um belo vestido de linho com duas camadas, via-se a parte interna em tons de azul e a parte externa do tecido exibia a suavidade do lilás, o espartilho dava contorno ao seu tronco e o cabelo estava preso por presilhas de ouro e pedras preciosas.
— Meu rei, que alegria dá aos meus olhos — disse Lhane, recebendo o abraço de Azekel e beijando a face do homem. Era uma mulher mais baixa que Azekel, de uma beleza admirável. Os cabelos castanhos eram bem cuidados e de fios como seda, a pele limpa como mármore e os olhos de um profundo azul encantador. Tinha feições suaves e carregadas de bondade. As mãos delicadas traziam tocavam seu senhor e esposo com uma maciez que curava qualquer perturbação. E o sorriso carregado de dentes claros mostrava-se para ele. — Os deuses são bons. Orei para Dott que o guiasse em segurança. E também pedi à Alta Sacerdotisa que clamasse pela proteção de sua Deusa.
— Lhane, luz da primavera... — O rei sorriu, acariciando os cabelos dela quando se afastaram do abraço. Ele se voltou para Amina, que já havia descido do cavalo com ajuda de Sor Ezra. — Minha irmã, Amina Unkara.
Amina fez uma reverência graciosa e cortês, segurando as saias com as pontas dos dedos. Mesmo sem ver sua face, Azekel sabia que ela estava sorrindo, mas não pôde perceber um ligeiro nervosismo em suas palavras:
— É um prazer, minha rainha. Que a Deusa ilumine nosso encontro.
— Claro que meu esposo contou tudo sobre você, minha querida irmã. — Lhane se aproximou de Amina, abraçou-a sem cerimônia, deu-lhe um beijo na face e um segundo na testa. Lhane era apenas poucos centímetros mais alta que a irmã do rei.
Ao redor deles, os empregados já cuidavam das bagagens e todos os servidores do castelo estavam ávidos em cumprir suas respectivas funções. Os quatro cavaleiros dourados estavam alinhados, aguardando ordens. Quando as apresentações terminaram, o rei deu ambos os braços para Amina e Lhane.
— Estamos todos cansados da viagem, tenho certeza que podemos conversar melhor no jantar. — Azekel acompanhou as moças para dentro do palácio. Passaram pelos corredores largos e arejados, repleto da iluminação do sol e dos odores naturais da natureza que se misturavam aos locais abertos. Em determinado ponto do trajeto, viram-se num grande hall iluminado por vitrais no teto arredondado. Havia escadarias e corredores que iam para pontos diferentes da morada. — Sor Nkosi, como acordado ficará responsável pela segurança da minha irmã, acompanhe-a para o quarto preparado e depois poderá descansar até o jantar... Obrigado meu amigo.
Sor Nkosi acenou com a cabeça. Amina se despediu do irmão e de sua esposa e acompanhou o cavaleiro, com alguns guardas e aias da princesa logo atrás e empregados com a bagagem. O rei dispensou também Sor Rashad e Sor Finnigan, aceitando apenas a escolta de Sor Ezra; o jovem cavaleiro acompanhou o rei, rainha, os empregados e guardas através de escadarias e corredores. Passaram por um jardim no andar superior e após ele seguiram para o interior do palácio; até os aposentos reais.
— Obrigado, meu bom amigo. Descanse. — Azekel apertou o ombro de Sor Ezra, que exibiu um sorriso orgulhoso em sua face repleta de juventude.
Ao entrar no quarto, Azekel Unkara viu-se às sós com a sua rainha. Não demorou até que os lábios do rei e de Lhane estivessem unidos. Beijaram-se até que faltou o fôlego a ambos. Os grandes vitrais abertos permitiam a entrada de uma brisa agradável de verão e os dois amantes sentaram-se na cama, aos beijos como se fossem dois pombos recém-apaixonados. Ao afastarem o beijo por um momento, se encararam no silêncio, um acariciando a face do outro.
— Sua irmã é tão bem educada e graciosa, uma verdadeira graça. Segundo me disseram, posso ver sua face quando estiver apenas entre mulheres, estou ansiosa por isso — Lhane comentou após um tempo. — Queria ter podido estar em Haz'Bay. A senhora sua mãe está bem?
— Sim. Reclusa em suas atividades de jardinagem e entristecida com a partida de Amina, mas encontra-se bem, forte e firme — Azekel respondeu, tomando a mão de Lhane entre as suas, Levou até os seus lábios e deu um beijo suave na ponta dos dedos. — E quanto a sua saúde? Está se sentindo melhor? Falaram de alguma doença? — A esposa estava com a saúde frágil antes de partir e por esse motivo não embarcou na viagem com ele.
Lhane Unkara exibiu um largo sorriso em resposta. A rainha ficou quieta e jogou-se deitada na cama, encarando o rei com um olhar enigmático. Azekel sorriu, estreitando os olhos e afastando os cabelos dela para ver melhor a face.
— O que houve? — indagou o homem, consumido por curiosidade. Deitou ao lado dela.
— Beth, a curandeira, cuidou muito bem de mim. Mas o mal estar não revelou-se uma doença... — Lhane mordeu o lábio inferior. E o rei estreitou os olhos, tentando entender o que ela estava querendo dizer. — Deuses, meu amado governa um reino, mas não consegue desvendar esse simples enigma.
— Não achei que deveria ser um enigma...
— Aqui, deixe eu facilitar a resposta. — Lhane tomou a mão do homem e a levou até seu próprio ventre, deixando que ele tocasse com suavidade ali. Azekel pareceu ficar mudo, o olhar fixo onde a mão estava. Ele ergueu o olhar, perguntando em silêncio se havia entendido bem. A mulher acenou em resposta. — Os deuses nos abençoam.
— Bendita seja a Deusa! Bendito sejam os seus deuses! — O rei se debruçou até ela, beijando a barriga com ternura. — Meu herdeiro. Meu amado herdeiro. Que venha um homem forte e virtuoso, digno da coroa.
Passaram o resto do dia deitados. Entre beijos e carícias, fizeram sexo por duas vezes durante a tarde, até ficarem exaustos. Azekel a tomava com cuidado pelos braços, temendo que pudesse a machucar com qualquer movimento brusco. Era estranho pensar que havia um filho no ventre de sua esposa, mas o desejo de tê-la era maior que esses pensamentos, desejava apenas aproveitar aquele momento, também se preparando para quando não pudesse mais possuí-la, quando a barriga dela estivesse grande e atrapalhasse o ato.
Enquanto estiveram no quarto, houve duas batidas à porta. Na primeira vez, um empregado lhes deixou a bandeja com a refeição da tarde. Na segunda vez, já no fim da tarde, veio Amara Fhiva, a intendente do palácio, acompanhada de Kael Esmeia, o conselheiro real. O rei voltou a se vestir quando eles entraram e a rainha se enrolou nas cobertas. A natureza da visita não agradava Azekel, mas precisou ouvir. Foi Kael Esmeia que se pronunciou:
— Há assuntos importantes a discutir, vossa majestade. Chegou um falcão mensageiro essa manhã, notícias de Lorde Daren Nagam, aparentemente alguns desvios de impostos por parte de senhores menores dos Campos Livres, um deles está sendo trazido à julgamento por crimes contra a lei da coroa.
Kael, segurava dois grandes rolos de pergaminho; era um homem de pouca força física, magro e que se sustentava com o auxílio de uma bengala, devido a perna esquerda que era fraca e de articulações ruins, tinha o cabelo encaracolado bem espesso e o mesmo nariz de seu irmão mais novo, Sor Ezra. Apesar de sua fragilidade física, era um homem muito prestativo ao rei.
— Suponho que vou precisar de mais informações sobre esses crimes, me passe os detalhes amanhã e faça os preparativos para o julgamento — disse Azekel, desejando não prolongar o assunto naquele momento. — No mais, devemos aguardar a chegada do criminoso.
— Lorde Daren está enviando seu filho mais velho, Sor Aren, na escolta do prisioneiro. Suponho que o filho também trará mais informações sobre as corrupções com impostos nos Campos Livres — disse Kael
A notícia da vinda de Sor Aren alegrou o rei. Eram ambos bons amigos desde a infância, Aren Nagam sempre lhe foi como um irmão, o homem era herdeiro de Kerma e também o futuro guardião dos Campos Livres. Era sempre bom revê-lo, embora as circunstâncias não fossem das melhores.
— Ótimo, será bom rever um amigo e Sor Aren é de grande confiança, tenho certeza que nos trará informações confiáveis que facilitarão esse julgamento. Algum outro assunto que requer minha atenção imediata?
— Em sua ausência recebeu também uma carta de Arquimedia, aparentemente a filha do Lorde Henn Payne foi expulsa da academia por repetidos crimes de insubordinação aos superiores. Ela foi mandada de volta para casa, mas fugiu da comitiva que a escoltava ainda no território de Illyr. Lorde Payne já foi informado desses acontecimentos e enviou um falcão mensageiro com uma resposta não muito cortês. Essa matéria requer uma resposta mais imediata, já faz dez dias desde que chegou ao nosso conhecimento.
— Os Mestres de Arquimedia não são muito tolerantes com acadêmicos insubordinados... — Lhane comentou de maneira distraída, deitada na cama enquanto observava o céu pela janela.
Azekel estava sentado em uma poltrona de frente para Kael, com Amara Fhiva de pé ao lado do conselheiro. O rei sabia bem do quão problemática era a filha de Lorde Henn, uma moça de quinze anos de temperamento forte para uma garota, os Payne tentaram lhe arranjar casamentos, mas todas as tentativas foram um fracasso. Jenhe era o nome dela. Mandaram-na para um templo, a fim de entrar para o sacerdócio, mas logo foi devolvida e quando o pai, que não tinha pulso para dominá-la, já não sabia mais o que fazer, resolveu acatar o pedido da moça de estudar em Arquimedia. Lorde Henn pediu ao Rei Azekel um favor diante do trono, para que assinasse uma carta de recomendação da menina para os Mestres de Arquimedia. E ali eu assinei minha ruína, pensou Azekel, exagerando em seus pensamentos.
— Suponho que sou responsável por sua expulsão, assim como Lorde Henn pretende me responsabilizar pela fuga dela — disse Azekel, com um humor amargo. Os Mestres de Arquimedia certamente cobrariam dele alguma quantia ou presente para sanar os transtornos causados, do contrário sua imagem ficaria manchada diante deles, afinal era o responsável pelos atos da menina a partir do momento que fez a recomendação dela.
— Receio que sim, vossa majestade — disse Amara. Era uma mulher de baixa estatura e de corpo gordo, devia ter pouco mais de trinta primaveras vividas e mantinha uma beleza jovial. Carregava o sobrenome Fhiva, uma casa pequena das Terras de Outono. Abençoada com uma grande inteligência, era a melhor intendente que um rei poderia pedir. — Certamente Lorde Henn Payne irá cobrar para que o senhor cuide da busca de sua filha, os guardas de Arquimedia que haviam sido enviados com ela já retornaram para a cidade acadêmica e os Mestres não têm pretensão de utilizar recursos na busca de alguém que fugiu deles.
O rei massageou as têmporas, pensando na dor de cabeça que viria desse problema. Lorde Henn consegue ser bastante desagradável quando quer, se ofende fácil e gosta de pedir favores, não irá mover um só vassalo seu... Irá insistir que eu tome a frente nisso.
— Não tenho a intenção de resolver os problemas de Lorde Henn, envie um falcão mensageiro lhe dizendo que lamento o ocorrido e que deve buscar sua filha perdida o quanto antes. Há algum outro problema que deva saber?
Quando as demandas imediatas enfim acabaram, já estava próximo do jantar. Azekel pediu que um banho fosse preparado e lavou-se até estar limpo de qualquer resquício de sujeira. Lhane ajudou a limpá-lo, massageando suas costas e espalhando óleos de banho por todo o seu corpo. Quando estava pronto, vestiu-se de uma túnica azul e um manto de tecido leve em tons de branco. Rei e rainha deixaram o quarto juntos, escoltados até o menor dos cinco salões de jantar do palácio. Os convidados à mesa do rei se levantaram para prestar reverências.
A mesa de jantar do pequeno salão foi servida com uma grande variedade de comida. Havia costeletas de boi ao molho apimentado, ganso ao molho caramelizado com cebolas, presunto defumado, ensopado de peixe, sopa de legumes, pães recém-saídos do forno, queijo, molho de raízes, pasta de cogumelos, torta de mirtilos, bolo de limão, abóbora banhada em pasta adocicada; além das bebidas, vinho envelhecido de Illyr, cerveja de Toakal e suco de cati dos jardins de Ixaan.
Os pratos foram servidos um atrás do outro e os convidados à mesa saborearam o banquete com a satisfação de um bom diálogo. O rei estava na ponta da mesa, com sua rainha de um lado e a princesa Amina do outro, que saboreava sua comida levando a colher por baixo do véu. À mesa estavam também a intendente Amara e sua família, o esposo Daslon Fhiva e o filho mais jovem Garlon Fhiva. O conselheiro Kael também se encontrava, bem como a misteriosa feiticeira Jehnna e os quatro cavaleiros dourados, que se sentavam à mesa do rei nos jantares casuais. Os empregados iam e vinham, todos os pratos provados e nenhuma reclamação quanto a qualidade. As cozinhas do rei eram conhecidas por suas ótimas refeições.
O rei Azekel estava radiante em sua vestimenta. Mas era a beleza de Amina e Lhane que roubavam as atenções; ambas encantadoras aos olhares de todos os presentes. A beleza abençoada de Amina, escondida sob o véu e revelada em suas palavras doces e gestos delicados, disputavam com a face delicada da rainha de Hator'Mut. Os olhos de Azekel brigavam para admirar ambas, mas no fim era sua esposa quem sempre vencia a disputa. Amina usava um vestido de cetim branco de Naaman, todo trabalho em rendas e estampas prateadas, dava-lhe um ar inocente e o véu do compromisso estava preso por uma tiara dourada com fios de ouro tecidos ao longo do tecido do véu. Por outro lado, Lhane esbanjava as cores vermelho e dourado, num vestido que ressaltava suas curvas de mulher. As duas estavam dialogando à mesa como se fossem conhecidas de longa data. Ver aquilo alegrou grandemente o coração de Azekel.
Quando o jantar chegou ao fim e todos já haviam saboreado a sobremesa preferida, o Rei Azekel levantou-se e chamou a atenção de todos.
— Amigos. Tenho um anúncio importante a fazer. Que todos partilhem da minha alegria. — O rei sorria. Olhou para todos à mesa rapidamente. — A luz da primavera, minha amada esposa, foi abençoada pela Deusa. Em seu ventre, cresce o meu fruto. E se Rotah permitir, meu herdeiro.
O pequeno salão se encheu de aplausos, até mesmo dos empregados. A rainha acenou com alegria. Amina mostrou-se surpresa sob o véu, mas logo também estava aplaudindo. Sor Finnigan ergueu-se com uma taça de cerveja na mão, levantando-a no ar.
— Um brinde!
Diante da proposta, todos levantaram-se do assento e ergueram as taças no ar. O gole de bebida selou o júbilo do dia.
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