CAPÍTULO 34
A angústia e o medo foram aliviados com os resultados dos exames de senhor Kim, comprovando que ele estava apto para ser o doador. Não demorou muito para que o sangue fosse coletado e todo o processo da transfusão fosse realizado. TaeHyung passou por novos procedimentos e exames, seu caso ainda era delicado, porém de baixo risco. Então foi levado para a enfermaria para se recuperar da cirurgia e ficar em observação. Contudo, me sentia mais tranquila, era como se aquela notícia tirasse de mim toneladas de preocupação e medo.
A tensão na sala onde estávamos dissipou-se, logo sorrisos amenos começaram a aparecer em nossos lábios pouco a pouco. Por mais que TaeHyung esteja permitido a receber visitas, ninguém pôde ir vê-lo ainda. Pois, Kim NamJoon, o investigador, estava colhendo seu depoimento.
ㅡ Boa noite, ㅡ Doutor Kim SeokJin apareceu novamente, no começo da noite. ㅡ Como vocês já sabem, TaeHyung foi transferido para a enfermaria, então ele poderá ter um acompanhante agora.
ㅡ Eu posso ficar. ㅡ me coloquei de pé imediatamente.
ㅡ Bom, nós recomendamos que nesta primeira noite seja um homem, para ajudá-lo a tomar banho e a se locomover. Pois, talvez seja mais confortável para ele ter um amigo o ajudando no banho do que um enfermeiro. ㅡ SeokJin explicou me fazendo murchar na hora.
ㅡ Eu posso ficar com ele. ㅡ Robi se ofereceu prontamente.
ㅡ Tudo bem, mas posso pelo menos vê-lo um pouquinho? ㅡ tentei.
ㅡ Eu não deveria fazer isso. É contra as regras do hospital, mas se você for bem rápida, talvez ninguém repare. ㅡ disse fazendo-me sorrir de orelha a orelha. ㅡ Venha comigo.
ㅡ Muito obrigada doutor Kim. ㅡ sorriu ainda mais.
ㅡ Por nada. ㅡ disse com um tom amigável. ㅡ Então vamos lá.
Eu o segui pelos extensos corredores do hospital, até chegarmos na enfermaria, onde estava o leito de TaeHyung.
ㅡ Está pronta? ㅡ indagou quando paramos diante da porta fechada.
ㅡ Sim. ㅡ afirmei sentindo meu corpo ser golpeado por uma forte onda elétrica.
ㅡ Senhor Kim. ㅡ disse batendo na porta antes de abri-la. ㅡ Temos visita para você. ㅡ A porta foi ainda mais aberta e o médico fez sinal para eu entrar.
Assim que apareci em seu campo de visão vi TaeHyung me encarando com surpresa e seus olhos logo se encheram de lágrimas.
ㅡ Amor? ㅡ Sua voz soou rouca e lenta.
ㅡ Oi. ㅡ Sorri para ele dando os primeiros passos para dentro do quarto.
ㅡ Vou dar privacidade a vocês. ㅡ o médico fechou a porta atrás de mim.
ㅡ Como você está se sentindo? ㅡ indaguei me aproximando de sua cama.
Ele não me respondeu, apenas escondeu o rosto entre as mãos, onde há um acesso e então ouvi seu choro.
ㅡ Por favor não chora. ㅡ sentei na poltrona ao lado da cama sentindo meu rosto esquentar e as lágrimas brotarem. ㅡ Ou vou chorar também.
ㅡ Eu senti tanto medo... ______, pensei que nunca mais ia te ver. ㅡ falou com a respiração falhando por conta das lágrimas que ainda insistem em cair. ㅡ Eu pensei que eu ia morrer.
ㅡ Amor... ㅡ senti um nó em minha garganta e sem conseguir controlar, uma lágrima solitária deslizou lentamente com o som de seu choro. ㅡ Está tudo bem. Você está bem e é tudo o que importa agora.
Ele suspirou um tempo depois, mais calmo, e me encarou com os olhos úmidos e avermelhados. Levei minha mão à sua face rubra e acariciei a pele com ternura, sentindo meu coração abrandar com seu calor, quanto medo eu senti em não poder fazer isso de novo.
ㅡ Eu te amo tanto. ㅡ confessei com um sussurro.
ㅡ Eu também te amo. ㅡ respondeu cobrindo com sua mão a minha sobre sua face.
Ficamos assim, nessa troca de olhares íntima e carinho mútuo por um longo período.
ㅡ Tae... ㅡ eu o chamei. ㅡ O que aconteceu? Como você foi se meter nisso?
Ele suspirou, e então me contou sobre tudo. Desde o momento em que conheceu Josh Park na época que era garoto de programa quando recebeu uma proposta dele para trabalhar em seu estúdio e consequentemente conheceu YoonGi descobrindo logo depois que ele lavava dinheiro para Josh, até o momento em que se colocou no lugar de Gabrielly para salvá-la.
ㅡ A culpa é toda minha. Gabrielly e suas filhas quase morreram por minha culpa, Josh estava mirando na barriga dela. Se eu tivesse sido mais rápido, se tivesse chegado na casa dela antes, nada disso teria acontecido. ㅡ falou com amargura.
ㅡ Para de falar estas besteiras Tae. Você salvou a vida das três.
ㅡ A polícia veio aqui para eu dar meu depoimento. Eles me disseram que o YoonGi confessou tudo, sobre a lavagem de dinheiro e tudo mais e foi preso e o Josh morto. ㅡ se lamentou.
ㅡ Eu sei meu bem, mas você ainda não tem culpa nenhuma. Eles apenas colheram o que plantaram, você e a Gaby são apenas vítimas.
Ele assentiu em silêncio, como se tentasse aceitar o que eu disse.
ㅡ Mas me diga, você está sentindo muita dor? ㅡ busquei mudar de assunto.
ㅡ Um pouco, mas eles estão me dando remédios para aliviar.
ㅡ Espero que isso não dure muito. ㅡ deposito um leve carinho no dorso de sua mão.
ㅡ Também. ㅡ concordou lentamente, deixando o assunto morrer e o silêncio se instalar entre nós.
ㅡ Você sabe quem foi o meu doador? ㅡ de repente questionou.
ㅡ O quê? ㅡ me fiz de desentendida.
ㅡ A pessoa que me doou o sangue. Os médicos não me disseram quem foi, eles apenas falaram que havia conseguido alguém e nada mais. Você sabe quem foi? ㅡ encarou meus olhos ansiando por uma resposta.
ㅡ Ah, eu... ㅡ tentei pensar numa maneira de me esquivar da conversa, pois não tinha certeza se era a melhor hora para contar-lhe. ㅡ Acho que meu tempo está acabando, tenho que ir. O HoSeok vai vim ficar com você hoje à noite e manhã eu venho. ㅡ falei me levantando da confortável poltrona.
ㅡ Amor. ㅡ protestou ao perceber que estou literalmente fugindo de sua questão.
ㅡ Tchau Tae. ㅡ dou um rápido beijo em sua bochecha e segui em direção a porta com pressa.
ㅡ ______! ㅡ Ele me chamou, mas dolorosamente eu o ignorei acenando com a mão antes de sair de vez do quarto.
***
ㅡ Como foi lá? ㅡ perguntou minha mãe assim que retornei a sala onde estávamos antes.
ㅡ Foi tudo bem, ele parece bem. ㅡ Respondi me aproximando deles que se põe de pé.
ㅡ Então vamos para casa descansar. ㅡ Ela disse com um belo sorriso.
ㅡ Certo, vou pedir um táxi. ㅡ Peguei meu celular na bolsa deixada numa das cadeiras próximas a eles.
ㅡ Eu estou indo a minha casa, vou buscar minhas coisas para passar a noite aqui, se vocês quiserem uma carona. ㅡ Robi ofereceu.
ㅡ Não vai te atrapalhar?
ㅡ Claro que não senhora ______.
ㅡ Então tudo bem.
ㅡ E você senhor Kim? ㅡ perguntei ao perceber o homem ao nosso lado.
ㅡ Não se preocupem comigo, vou atrás de um hotel. ㅡ Respondeu mostrando o sorriso retangular, bonito como o de TaeHyung.
ㅡ O senhor não quer passar a noite lá em casa? A ______ pode dormir comigo e o senhor pode ficar no quarto dela. Está muito tarde para procurar um hotel e o senhor deve estar cansado da viagem.
ㅡ Não, não quero incomodar senhora ______.
ㅡ Não é incômodo algum, o senhor é o sogro da minha filha. Está tudo bem para você ______?
ㅡ Sim, claro. ㅡ assenti, mesmo me sentindo desconfortável com a ideia.
Sei lá, era como se estivesse traindo TaeHyung, diante do fato que o senhor Kim fez ao meu namorado no passado.
ㅡ Tudo bem, muito obrigado. ㅡ ele sorriu reverenciando-se em agradecimento.
ㅡ Então vamos indo. ㅡ HoSeok disse.
A viagem até nosso apartamento foi repleta de silêncio, em que, dando espaço apenas para curtas frases que nunca se estendiam a um diálogo decente.
ㅡ O senhor pode ir tomando um banho, enquanto arrumamos o quarto para o senhor. ㅡ minha mãe falou assim que entramos em nosso lar.
ㅡ Muito obrigado. Após trocar os lençóis de minha cama, minha mãe e eu pedimos comida para o jantar.
***
ㅡ Gosta de comida brasileira senhor Kim? ㅡ indagou a mulher ao meu lado quando o pai de Tae juntou-se a nós na mesa.
ㅡ Eu nunca experimentei. ㅡ disse tímido sentado na cadeira a nossa frente.
ㅡ Tenho certeza que vai gostar. ㅡ estendeu-lhe uma porção de arroz que havia servido.
Os dois se deram bem pelo visto, conversaram durante toda a refeição sobre assuntos diversos, enquanto eu abria a boca apenas para comer.
ㅡ Me conte senhor Kim, como era TaeHyung quando criança? ㅡ abriu outro tópico na conversa incessante deles.
ㅡ Ele era uma criança como todas as outras, não parava quieto por um segundo, muito bagunceiro. ㅡ riu nostálgico. ㅡ A mãe dele sempre reclamava com ele, pois nunca fazia os deveres de casa por passar o tempo todo brincando.
ㅡ Eu nunca ouvi falar da senhora Kim. Na verdade, nunca ouvi Tae dizer nada sobre a família. ㅡ minha mãe comentou o que eu tanto temia.
ㅡ NaRi nos deixou por conta de um atropelamento a alguns anos atrás. ㅡ disse mudando completamente o tom e mesmo que ele tente disfarçar era notório que aquele tema ainda o abalava.
ㅡ Ah, me desculpe.
ㅡ Tudo bem já faz bastante tempo.
ㅡ Eu também sou viúva.
ㅡ Sinto muito.
ㅡ Tudo bem.
ㅡ Vamos mudar de assunto, huh? ㅡ pronunciou querendo acabar com aquele clima triste.
ㅡ Então ______, como você conheceu o TaeHyung?
ㅡ Na verdade, a nossa história é bem clichê, como um romance de livro. ㅡ ri baixinho tentando parecer espontânea. ㅡ Eu trabalhava como secretária dele.
ㅡ Que graça. Graça?
Eu não diria isso. Mas ninguém precisa saber como nós começamos a nos envolver. A conversa não se estendeu a mais horas, aliás estávamos todos muito cansados pelo dia exaustivo. Então logo nos recolhemos aos quartos.
ㅡ Filha, está tudo bem? ㅡ indagou quando entrei no quarto, após escovar os dentes.
ㅡ Sim, por quê? ㅡ caminhei despreocupada até a cama.
ㅡ Você não parece confortável com senhor Kim.
ㅡ É impressão sua. ㅡ deitei ao seu lado.
ㅡ Te conheço.
ㅡ Estou preocupada, Tae não tem uma boa relação com o pai e não sei como irá reagir ao descobrir que ele é o doador. ㅡ confessei encarando o teto branco sobre nós.
ㅡ Sério? Meu Deus, eu nunca imaginei.
ㅡ Não sei muito sobre o que aconteceu entre eles, mas acredito que não vai ficar muito feliz em ver o pai aqui.
ㅡ Que horrível. E agora?
ㅡ Nem quero pensar nisso agora.
ㅡ Tudo bem, mas depois quero que me explique tudo.
ㅡ Não posso prometer, aliás, isso é um assunto pessoal dele.
ㅡ Você está certa.
***
A noite passou em piscar de olhos. Dormi como um bebê graças aos cansaço mútuo das últimas 48 horas, mas em compensação acordei bem disposta. Levantei bem cedo e rapidamente me preparei para ir ao hospital.
A manhã com TaeHyung foi tranquila. Quando cheguei, Tae já tomou o banho matinal e já estava alimentado, então meu único trabalho foi ficar assistindo filme com ele em meu celular. Nós não trocamos muitas palavras, não tínhamos o que conversar. Nosso único assunto se estendeu apenas ao segundo depoimento que deu à polícia hoje pela manhã. Fora isso, tudo se resumiu em nosso silêncio, nas visitas constantes de enfermeiros e das vozes dos atores do longa-metragem que assistimos.
ㅡ Senhor Kim, ㅡ uma enfermeira apareceu na porta.
ㅡ Tem uma visita. Ele assentiu sereno, mas em poucos segundos sua face calma contraiu-se em uma expressão de surpresa e pavor.
ㅡ O que esse desgraçado está fazendo aqui?
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