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De todos os meus trabalhos que já tive, esse é o melhor. Não tem muita coisa pra fazer, poucas pessoas frequentam a academia e minha função é só ficar atrás do balcão, as vezes eu passo um pano aqui e ali...nas nada muito pesado, o único problema é que as vezes, Senju quer que eu suba encima do ringue pra treinar junto com ela -Desconfio que ela esteja querendo me usar como saco de pancadas, principalmente hoje, ela está estressada e parece chateada com algo e esta descontando toda a sua fúria em mim. Acho que ela está na Tpm e estou tendo cuidado pra não deixar ela ainda mais irritada do que já está.

-Senju, trouxe o que pediu. -Alguém havia chegado, graças a deus. -Você está tentando matar a nossa funcionária, de novo?

-Ahn? -Perguntou confusa ao escutar aquele final.

Decido não levar para o lado pessoal esse "de novo".

-Wakasa, você demorou! -Senju exclamou ficando toda feliz enquanto saia do ringue quase pulando. -E eu não estava tentando matar a Yuri-Chan!

Wakasa? Olho pra tentando me lembrar desse nome, me parece familiar...

-Já tava até ligando pra encomendar meu caixão. -respondi saindo do ringue novamente, agradeci mentalmente por estar novamente no chão. -Porra, ultimamente os empregos estão difíceis em.

Eu ia continuar reclamando, mas me calei ao ver o olhar ameaçador da minha chefe.

-Senju, não fique fazendo a nossa nova funcionária de saco de pancadas, use o Benkei pra isso. -Wakasa falou, depois se virou para mim. -Você é a pirralha que o Shinichiro cuidava não é?

Forço ainda minha memória, ainda sem me lembrar de nenhum wakasa. Mas ele parecia me conhecer, ele deve ter aparecido em minha infância umas duas vezes, ainda não me lembro direito. Mas sinto que já vi ele.

-Sim, o Shinichiro era a minha babá. -Respondi com um sorriso no rosto ao me lembrar do tempo em que o Sano mais velho cuidava de mim. Aquele tempo era bom, não havia tantos problemas como agora. Eu costumava pensar em me casar com o Shinichiro quando crescer.

-Ta igual a antes, só mudou o corte de cabelo e o estilo de roupa. -wakasa respondeu, pude notar um tonzinho de sarcasmo em sua voz.

-Pois é, deixei meu cabelo crescer. -Respondi dando de ombros, sabendo que não se referia a isso mas sim na drástica mudança que tive. Fico até surpresa por ele me reconhecer, mudei bastante desde a morte do Shinichiro.

-ficou bom, as crianças crescem tão rápido. O tempo voa. O Shinichiro iria gostar de ver você grandona assim, ia ficar todo orgulhoso. -Wakasa falou bagunçando o meu cabelo, sinto um certo conforto ao lado dele. Sinto minhas bochechas esquentarem com com suas palavras gentis. 

-Ei, pare de atrapalhar ela. A Yuri tem muito serviço pra fazer. -Senju exclamou em tom bravo. Na realidade não, tudo o que eu tinha que fazer eu já havia feito, eu teria que ficar na recepção torcendo pra alguém entrar.

-Ta bom! Vai lá Yuri, não vamos desobedecer ela pois senão serão dois corpos pra ela ocultar. -Wakasa respondeu levantando os braços, Senju se irritou ainda mais com isso ele olhou piscou mim. Esse homem tem cara de sonso preguiçoso, mas por algum motivo ele me trazia nostalgia.

Claro, minha animação subiu de forma instantânea. Só de escutar as palavras "o Shinichiro teria muito orgulho de você" já me deixa animada e nada poderia atrapalhar essa minha felicidade. Nem mesmo o humor péssimo da Senju.

-Sua prima ta vindo. Seja gentil com ela, Senju.

-Que ela vá pra puta que pariu.

Seguro uma risada ao escutar as doces e calmas palavras da garota, é, parece que alguém realmente não gosta da prima. Não julgo, odeio todos as minhas primas. Mas fico animada pra ver quem é essa garota que faz a Senju tremer de raiva até.

-Senju! Sabe que ela não está passando por um momento bom, tem que ajudar a família. Principalmente se for a sua prima. -Wakasa exclamou dando de ombros conforme se apoiava no balcão onde eu estava. -Não é, Yuri?

-É, tem que ajudar a família. -Respondi fazendo um joinha, é meio hipocrisia da minha parte dizer isso. -Mas só se a família for de boa, por que se a sua prima for desgraçada, tem que mandar se foder mesmo.

-Yuri! Era pra ajudar. -Wakasa me repreendeu.

-Ela não mentiu! Falou certinho e...-Senju estava feliz por finalmente alguém apoiar ela nisso. -Espere ai, o Benkei ta trazendo ela aqui?

-Sim, não gostou? -Wakasa cutucou ela.

Paro de passar o pano do balcão quando notei o dedo da Senju apontando em minha direção, fico meio confusa com isso.

-Você sabe que aquela garota faz de tudo pra me irritar, se ela vir aqui, vai ficar dando encima da Yuri como provocamento! -Senju exclamou estufando as bochechas, ela fica toda fofa assim.

-É só pedir pra ela parar.

-Wakasa! Você sabe que isso não adianta, aquela garota faz de tudo pra me irritar e quando ver a Yuri aqui, vai jogar as asinhas dela na pobrezinha. -Senju exclamou.

-Não acho que ela se jogaria em mim. -Falei confusa, embora eu seja um pouco popular com as garotas, raramente alguém se jogava em mim, a única era a doida da Joe. Acho que agora a Senju esta dramatizando.

-Yuri, ela deu encima do Wakasa! Do wakasa! E de todas as minhas amigas. -Senju falou de modo acusador, brava. Ela se virou para o adulto. -Eu vou encontrar eles no caminho, não quero que ela nem chegue perto daqui.

E assim ela saiu correndo pra fora deixando tudo sobre os comandos do Wakasa.

-Rixa feminina. Eu não entendo essas coisas, você deve entender. -Wakasa falou suspirando por fim, ele pegou um cigarro. -Quer um?

Sim.

-Não, obrigada. -Respondi fazendo um joinha pra ele, não quero passar uma má impressão.

-Eles vivem em pé de guerra, digo, a família da Senju. Principalmente os três irmãos, eu e o Benkei tentamos ajudar a Senju, ela é como uma irmãzinha pra gente. -Foi fofo o jeito que ele mencionou isso.

Que bom que a Senju tem ele, eu sei que o Sanzu odeia ela e todo mundo da família, até se isola de todos. O wakasa acaba fazendo o papel que o Sanzu deveria fazer na vida da irmã.

-Se pelo menos ela se desse bem com a prima...-Wakasa murmurou conforme ia fumar para fora, já que havia chegado pessoas para treinar na academia.

Jogo um maço de cigarro no chão, tentando pela décima vez naquele dia entrar em contado com o Kayke. Mas sempre caia na caixa postal, é, nem consegui minha identidade falsa e ele sumiu do mapa. Espero que esteja tudo bem com ele.

Meus planos vão ter que mudar um pouco, sem o passaporte não tem como eu sair daqui. Eu preciso de um novo plano e urgente.

-Me encontre no parquinho daqui meia hora, vagabunda...-Li a mensagem que eu havia recebido do Hanma. Carinhoso como um ogro. Pelo menos ele iria me contar o que aconteceu naquela noite.

Mas não sei não, sinto que não é uma boa ideia eu ficar conversando com ele assim, principalmente com a luta contra a Moebius chegando.

-Hun, o Mikey me mandando mensagem. Que estranho. -Me surpreendi ao ver sua mensagem.

"Venha até o templo, agora"

Ele não pediu pra mim comprar nada pra ele comer e nem sequer me chamou de Yurizinha? Algo aconteceu pra ele fazer isso, já que aquele loiro não perde oportunidade de jogar meu dinheiro no lixo. Estranho o horário também, como ele tinha feito...as pazes com o Draken, o Mikey voltou a ficar vinte e quatro horas grudado com ele e só me vía em algumas ocasiões.

"Calma ai, vou vestir o uniforme da Toman, pra ficar gatinha" mando a mensagem, eu estava prestes a voltar pra casa pra me arrumar quando recebi outra mensagem do loiro.

"Agora, Takahashi!"

-Que tipo de brincadeira é essa? Não estou gostando...-Murmurei ainda mais surpresa quando ele me chamou pelo sobrenome.

O Mikey sabe que eu não gosto de usar ele e só não bani de vez pois ele é do meu avô e eu amava ele. Mas não uso sempre, só quando é super necessário. Ele não deixou nem eu ir vestir o uniforme da firma antes.

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