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_Esse capítulo é mais sobre o passado da Yuri, eu tinha dividido ela em três partes mas achei melhor deixar apenas em um cap pra não ficar com diversos caps de uma coisa só.

_esse foi o mais longo capítulo até agora, tendo 3671 palavras, provavelmente a briga no Festival vai ter ainda mais.

DEZ ANOS ATRÁS

Nunca gostei de brincar junto com os garotos da minha idade, eles eram estranhos e me causavam medo, eram agressivos. Bom, eu só tinha um amigo, ele era legal e não era tão estranho assim, mas era bem metido e se achava superior! Sempre que íamos treinar no dojo, ele não lutava com ninguém pois segundo ele, suar era uma coisa horrível e ele só estava lá para se exibir.

Isso...não me faz estranho, qual é o problema se eu quiser brincar com a boneca da minha irmã e não com os meninos? Ela ainda é bem pequena, não sabe brincar ainda então ela não iria se chatear se me visse brincando com o seu brinquedo. Mas parece que foi um erro ter feito isso, por minha culpa os dois estão brigando novamente.

O natal foi a dois dias atrás, eu deveria estar feliz, a família deveria estar feliz, mas eu arrumei tudo . Estou no meu quarto com medo. Meu pai me disse que eu tinha sido um mal menino pois eu não quis o caminhão de brinquedo que ele havia me dado, eu preferi brincar com a boneca Barbie da Milena.

Eu...eu tinha achado tão fofa ela que eu quis apenas ver se dava para trocar de vestido que ela usava. Só isso, eu não queria roubar o presente da minha irmã. Eu juro! Eu não entendo, o que eu fiz foi tão errado ao ponto dele me bater e me deixar aqui o dia todo?

Eu já estava triste, esse natal não foi nada legal. Eu descobri que o papai noel não era real, meu pai deixou bem claro que nem ele e nem o coelhinho da páscoa existem e muito menos a fada do dente. Tudo no que eu acreditava, não existia.

O trovão ecoou por todo cômodo, me encolhi em minha cama sentindo uma onda ainda maior de medo tomar conta de todo meu corpo. Mesmo contragosto, engulo todo o meu choro enquanto abraço minha irmãzinha, ela estava chorando e eu tentava acalmar ela pois se não o papai vai ficar bem bravo -mas bravo do que já estava.

-SUA VADIA! -Escuto o berro do meu pai ecoar por todo lado, ele e mamãe estavam brigando novamente no andar de baixo. O motivo, era eu. Eu era o motivo dessa briga. Por minha culpa isso esta acontecendo, eu fui o responsável por isso.

No momento em que a minha mãe grita, minha pequena irmã começa a chorar novamente. Seguro ela em meus braços, tão pequena e nem sequer sabia o que estava acontecendo. Tão inocente e já tem que escutar palavras tão nojentas e pejorativas.

-Não precisa chorar, lena. O irmão não vai deixar ninguém machucar você. -Falei em tom baixinho para somente ela me escutar. Ela não parou de chorar, mas se acalmou um pouco. -Você quer dormir pertinho do mano? prometo não deixar o bicho papão de pegar.

Cubro ela com cuidado com o meu cobertor. Coloco a chupeta novamente em sua boca.

-Você desculpa o mano por ter mexido nas suas coisas? Eu prometo que nunca mais vou fazer isso. -Me desculpei desejando que tudo aquilo acabasse logo. Eu queria chorar, queria ligar para o meu avô pra ele poder vir me ajudar. Se pelo menos eu soubesse o número de telefone dele.

-ARTHUR É UMA CRIANÇA, UMA CRIANÇA! -Mamãe gritou, observo com atenção a minha irmã. finalmente ela tinha caído no sono.

-ELE NÃO HAJE COMO UM GAROTO, HELEN! ELE É UMA VERGONHA. -Papai gritou.

Eu...sou um...garoto, então eu me comporto como um. Não fiz nada de errado.

Me levanto da cama, irei pedir desculpas para o papai. Assim ele vai parar de brigar com a mamãe. Me lavando da cama com cuidado para não acordar a minha irmã. o chão esta gelado então coloco minhas pantufas. Desço em silêncio até a sala, eles estava na cozinha.

-Eu sei que ele é uma falha, mas não bata nele como fez hoje. os vizinhos vão falar sobre isso, arrombado. Mas todos os vizinhos ficam falando por trás quando você começa a bater nele, vão chamar novamente a polícia pra você. -Minha mãe falou em tom baixo, sinto meu corpo parar de funcionar na hora. Sinto uma dor estranha dentro do meu coração. Um sentimento que eu nunca havia sentido imunda minha alma com um tsunami.

Eu...sou uma falha? Então por isso eles não me amam? Por isso eu não consigo me sentir normal? Faz sentido, uma falha não deveria existir então isso significa que eu não deveria existir.

Eu não deveria ter nascido, falhas não pertencem ao mundo.

-A-arthur? -Mamãe perguntou chocada no momento em que entrou na sala, eu ainda estava ali em pé, parado. -Filho?

Esta difícil respirar, eu não consigo.

DOIS ANOS DEPOIS

Me sinto bem incomodado com aquela roupa que minha mãe me fez vestir. O bom era que eu iria trocar de roupa daqui a pouco pois irei para o Dojo, convenci meus pais a me deixarem fazer aulas junto com o meu único amigo.

O lado bom é que eu vou poder ficar junto com o senhor Sano, ele é o amigo do meu avô e ele é super maneiro. Ele consegue quebrar um pedaço de madeira com um soco só!

Estavamos na loja de fantasia, meu aniversário estava quase perto e a festa seria a fantasia. Minha mãe procurava por uma fantasia de fada para a minha irmã, ela vai ficar tão bonitinha!

-Mamãe, eu quero aquela fantasia para o meu aniversário. -Respondi com os olhos brilhando ao ver a fantasia mais bonita do mundo, a fantasia da princesa Aurora. -Vem até uma coroa igual no desenho. Podemos pegar duas, uma para mim e a outra para a Lena! ela vai ficar bonita assim como eu!

Solto um resmungo de dor no momento em que ela me deu um beliscão.

-Isso é de menina! Só sua irmã irá ganhar uma. -Ela respondeu enquanto puxava meu braço com brutalidade. Isso dói.

Ela só parou de apertar com força quando uma mulher apareceu ali, então ela começou a segurar minha mão e me arrastar junto com ela.

-Mas...o vestido é azul e a senhora me disse que azul era cor de menino. então não tem problema. -Respondi confuso enquanto ela me tirava da loja. Sinto meus olhos se encherem de lágrimas.

-Aquilo é fantasia para uma menina. -Ela respondeu novamente. -Sinceramente, estou começando a pensar que você esta fazendo isso para me irritar. E não comece a chorar agora igual uma criança sem educação.

-Me desculpe, não foi minha intensão. eu não queria irritar a senhora. -Falei rapidamente enquanto usava minha mão livre para limpar minhas lágrimas. -Eu posso ser o Power Rangers vermelho então?

-Pode, vamos comprar ela depois da sua aula. -Ela falou com um sorriso.

Ser um power ranger parecia legal, mas eu queria ser a princesa Aurora. Eu gosto dela, assisti o filme junto com Milena. Só não entendi a parte que foi acordada com um beijo, não fazia sentido um completo estranho chegar e beijar uma mulher adormecida, isso parece até errado.

-ARTHUR! -escuto a voz do meu amigo.

-MANJIRO! -falei feliz ao ver ele, mamãe me deixou aqui e depois foi embora. -Você esta convidado para o meu aniversário de sete anos! o tema é fantasia, então venha fantasiado!

-Eba! vai ter bolo? brigadeiro? coxinha? refrigerante? -Ele perguntou pulando de felicidade, ri com aquilo.

-Sim, e vai ter sorvete, algodão doce azul e bastante cachorro quente! O Shinichiro também tem que ir. -Falei sentindo a animação dele me contaminar.

-ISSO! Calma ai, eu tenho que te apresentar a um amigo! ele também tem que ir pra gente se divertir bastante. -Mikey falou enquanto me deixava ali, esperei de forma paciente. Segundos depois, o loiro apareceu ali com outra pessoa. Um garoto de cabelos negros e com presinhas fofas. -Esse é o Baji!

Olho pra ele meio confuso, eu já vi ele aqui no Dojo.

-Eu sou o Arthur! -Respondi. -Baji, você quer ir no meu aniversário a fantasia? Vai ser super legal e vai ter bastante comida boa.

-Arthur? Que nome estranho! -Baji falou cruzando os braços e virando a cara. Me sinto envergonhado com aquele comentário, não era primeira vez que eu escutei aquilo, as pessoas vivem tirando sarro de mim por conta do meu nome estrangeiro. -Mas eu aceito ir sim, até porque, eu não recuso comida grátis.

-Baji, você parece um ogro. -Mikey por fim, ele sorriu. ;eu gosto do nome dele, é diferente igual a da Emma.

-Quem é Emma? -Perguntei confuso.

-Aquela ali, aquela ranhenta é a minha irmã mais nova. -Manjiro respondeu apontando para uma garota que estava do outro lado da sala conversando com o Shinichiro.

Ela é bonita...

-Você e ela devem se sentir deslocados por ter um nome tão diferente, não é? -Mikey perguntou. -A Emma ainda não se acostumou com a nova família, talvez...pra ela se acostumar, vou me chamar de Mikey. É um nome estrangeiro também!

O Manjiro criou um apelido só pra fazer a irmã se sentir confortável? Ele é mesmo incrível.

-Mikey...eu gostei, combina com você.

Me observo no espelho de meu quarto, não havíamos conseguido uma fantasia do power ranger vermelho então o meu pai comprou uma para mim na cidade vizinha. Mas eu estou ridículo com isso, não quero nem sair do meu quarto vestido assim.

Eu...eu não gostei. Era uma fantasia sem graça, isso nem sequer é uma fantasia. Meu pai comprou um terno, estou fantasiado de empresário. Que tipo de fantasia é essa?

Apenas solto um suspiro, não é dia para ficar triste pois hoje é o meu aniversário. Me olho pela última vez no espelho antes de sair do meu quarto, vou direto para a sala.

Tudo estava enfeitado com bexigas azuis, havia uma mesa cheio de doces e salgados. Mas minha atenção não estava nessas coisas, meus olhos brilhavam ao ver como a Lena estava bonitinha com o vestido da princesa Aurora.

Eu queria estar no lugar dela, aquela fantasia era bem mais bonita e legal do que a minha.

Nego com a cabeça, mamãe disse que aquela fantasia era apenas para as meninas e que meninos como eu, não deveria se vestir assim. Mesmo eu querendo mais que tudo, eu até trocaria o bolo do meu aniversário para poder usar aquela fantasia. Mas devo ficar quieto ou meus pais vão me bater.

-Você tá feio, feioso. -Lena falou enquanto roubava um brigadeiro escondido e enfiava na boca antes que mamãe notasse, eu sorri para ela, tão fofa e calma a minha irmãzinha é.

-Não fala assim Milena, o seu irmão está bonito. -Mamãe falou, esperei pelo meu feliz aniversário vindo dela. mas nada.

Ela apenas arrumou a coroa de plástico na cabeça de Milena, depois ela olhou para mim e arrumou a gravata.

-Gostou da fantasia, amorzinho? -Ela perguntou enquanto me dava um beijo na bochecha, me sinto aquecido com aquele gesto. Eu sei que ela me ama, mesmo ela dizendo para o papai que eu sou uma falha. No fundo, ela me ama e eu sei disso.

Se eu gostei da fantasia? Não, eu odiei. Eu queria estar vestido de Aurora. Essa roupa me deixa triste, eu não gostei e quero tirar ela e nunca mais vestir ela novamente, se fosse possível, eu queimava isso. Eu quero usar uma coroa também, quero ter um vestido brilhante. Ou talvez uma fantasia de pirata também seria bom.

-Sim, eu amei ela, mamãe! -Respondi por fim, ela sorriu para mim.

-Seus amigos já estão chegando. -Ela respondeu enquanto ia para a cozinha preparar outras coisas.

Fico mais animado no momento em que meus amigos chegaram, não estava apenas o Manjiro e o Baji, havia outras crianças junto com eles. Me sinto nervoso com aquilo, quem são eles?

-Feliz aniversário, Arthur! -Manjiro falou todo animado enquanto me abraçava fortemente. Quase perdi o ar com aquilo, mas por fim ele me soltou. Ele levou a mão até a minha orelha e começou a puxar sete vezes.

-Aí! -Murmurei enquanto massageava minhas orelhas que agora estavam doendo, o loiro riu. -Quem são os seus amigos?

-Esses são o Mitsuya, o Pah-Chin, Draken e o Kazutora! Os meninos que eu falei pra você outro dia. -Mikey apresentou eles para mim. Observei atentamente cada um deles, gostei da tatuagem que havia na cabeça do Draken e Mitsuya, ambos eram de um dragão. Isso é maneiro! Eu também quero uma tatuagem.

-Feliz aniversário, Arthur! -Baji falou enquanto me entregava uma caixa embrulhada de forma desajeitada, a estampa era de gatinhos.

-Obrigado, Baji! -Agradeci ele, eu não estava esperando que eu ganhasse algum presente. Sorri todo animado. -Eu gostei da fantasia de vocês! Estão bem melhores que a minha. Eu to ridículo assim.

-Ta mesmo. -Baji respondeu na lata.

-Você esta lindo, Arthur! Esta fantasiado de modelo! -Mikey falou animado enquanto batia palmas. -Não liga pro Baji, ele é burro feito uma porta.

-Sério? -Perguntei sentindo meu rosto queimar de vergonha.

-Sim! Tá gatão. Não é? -Ele perguntou para os amigos, todos concordaram com a cabeça. Fiquei ainda mais feliz com aquilo.

Me sinto um pouco mais seguro com aquilo, significa que não esta tão ruim quanto eu imaginava. A tristeza de não ter a fantasia da Aurora sumiu rapidamente, estou realmente animado agora para a minha festa de aniversário.

-Vão brincar. -Papai falou de modo assustador enquanto encerrava nossa conversa. Não entendi o porquê disso, ele está sendo assustador na frente dos meus amigos.

Me olho no espelho, não havia ninguém aqui em casa. Todos haviam saído, eu estava de castigo então eu estava aproveitando para me divertir sozinho.

Eu sei que é errado, que eu não deveria estar fazendo isso pois é muito errado. Mas a curiosidade havia vencido minha cabeça e lá estava eu no quarto da minha mãe.

Outro dia eu vi a Milena fazendo o mesmo, então quis tentar também!

Eu pego um vestido dela, havia fico bem grande em mim mas eu não liguei. Os saltos da mamãe também ficaram bem grande no meu pé. Eu também havia colocado o colar de pérolas.

Sorriu para o espelho enquanto passo o batom rosa. Eu havia maquiado o meu rosto com as maquiagens da mamãe. Eu só estava fazendo aquilo para ver como eu ficava, não era errado passar maquiagem, diversos homens fazem isso também, não é algo exclusivo das mulheres.

-O-o que esta acontecendo aqui, Arthur?

Paro de olhar para o espelho e me viro para a porta que havia sido aberta, mamãe estava ali.

-Eu estou bonito mamãe? -Perguntei sorrindo para ela. -Eu to igual aquele ator da novela.

Não foi uma boa ideia aquilo, acho que no fundo ela realmente não me ama. Porquê ela fez aquilo comigo? Eu estava tão feliz e tinha gostado de como eu estava. Porque ela fez aquilo comigo, se eu estava apenas me divertindo? Ah, ela disse que aquilo era para mim virar um garoto.

UM ANO DEPOIS:

Sinto uma ardência em meu rosto, eu havia recebido um soco enorme bem na bochecha. Eu não sou tão bom em briga, mas sei um pouco. O senhor sano é um bom professor e sabe como ensinar alguém a lutar.

Fecho meus punhos com raiva enquanto parto para cima dele. Eu tinha entrado em uma briga pois eles estavam enchendo o meu saco. A única coisa que dificulta é que são cinco contra um.

No fim, um garoto mais velho que eu apareceu para me ajudar. Ele quebrou todos os cinco na porrada, ele é tão bom quanto o Mikey ou o Draken. Quem é ele? Eu nunca o vi por aqui.

-Você é corajoso por estar lutando contra eles sozinhos. -Ele respondeu por fim. -Quem é você?

-Sou o Arthur. -Me apresentei enquanto levantava minha mão em sua direção, meu olho estava roxo e saia sangue da minha boca. Mas estou bem, já apanhei pior que isso.

-Hanma. -Ele se apresentou enquanto apertava minha mão, seu sorriso estranho. -Quer dar uma volta?

Ele era o tipo de cara que meus pais querem que eu fique longe. Parece ser um drogadinho sem futuro, mas eu gostei dele.

Comecei a andar com o Hanma, Mikey havia me deixado de lado graças aos seus novos amigos.

Eu poderia ir conversar com ele e dizer que também queria fazer parte do seu grupo, mas senti vergonha de admitir que estava com ciúmes de suas amizades.

E então, enquanto eles estavam se juntando e criando uma nova gangue, eu estava pichando paredes e riscando carros de gente rica e soberbas junto com o Hanma.

-Desde de que você começou a andar com aquele drogado, você tem se rebelado! Olha essa porra. -Meu pai gritou enquanto apontava para minha tatuagem nova.

-Eu gostei dela, então não me importo com os seus gritos. -Respondi cruzando os braços, doeu tanto fazer essa merda que eu chorei do início ao fim. E ainda vou ter que ir retocar ela a cada ano, só não me arrependi pois fiquei lindo, maravilhoso, fiquei um gatinho. -E o Hanma não é um drogado, é meu amigo. Ele é da paz.

Talvez eu esteja mentindo, mas não importa agora.

-Não me responda, o seu corpo é um templo e você faz isso? Me diga agora quem foi o desgraçado que te tatuou! Me diga, vou ir agora na delegacia fazer uma denuncia, você é menor de idade e eu não dei a minha aprovação! -Meu pai gritou novamente. Fiquei em silêncio, não vou dedurar o meu mano que fez isso, ele fez um baita de um desconto! Seria mancada...e fora que teria risco dele vir e me cacetar na porrada.

-Não quer falar? Então eu proíbo você de falar com aquele noiado! -Ele falou por fim. -Prefiro aquela sua amizade com o Sano.

-O Mikey fez novos amigos e me deixou de lado. -Respondi aumentando o tom de minha voz, nunca em minha vida o confrontei ou o respondi. Mas eu não vou deixar o meu pai falar assim do Hanma, ele é um viciado em cigarro, não um drogado! -Não gosta? Problema é seu, ele é meu amigo. A vida é minha e eu decido que é ou não é melhor para ela.

Sinto uma ardência em meu rosto, eu havia recebido um tapa. Doeu, papai nunca me bateu assim...apenas a minha mãe. A mão dele era mais forte, então doeu bem mais do que quando era a minha mãe.

-Veja o que você me fez fazer? -Ele falou enquanto apontava para minha bochecha, sinto meus olhos lacrimejarem. -Não chore, seja homem. Agora engole todo essas suas lágrimas e vamos a sorveteria. Eu te perdôo, deve ser alguma fase dessa sua nova geração.

Ele estendeu sua mão em minha direção, para que eu pegasse. Elas eram grandes, eu sempre fui baixo demais para alguém de minha idade, sua mão era maior que meu rosto, elas poderiam facilmente me...poderiam...

-Vamos? Papai já perdôo você. Antes uma tatuagem do que um brinco. -Ele respondeu me tirando de meus pensamentos horríveis. Balanço a cabeça, ele é meu pai, não queria me machucar. -Papai te ama.

-Vamos. -Murmurei me sentindo confuso.

Ele me ama, então porquê não me deixa ser feliz? Quando alguém ama, essa pessoa faz de tudo para deixar a outra feliz é confortável. Porquê eu não me sinto feliz e nem sequer confortável? Me sinto...preso, preso em uma escuridão aterrorizante. Ele...me ama? Sim, apenas não sabe como demonstrar.

-Me desculpa? Prometo não fazer mais nada disso. -Respondi olhando para ele.

-Eu já não falei que eu te desculpei, garoto? Só não ande mais com aquele garoto, ele é um demônio que foi trazido apenas para afastar você de sua família. -Papai respondeu de forma seca. -Vou levar você na sorveteria e depois na casa do Sano.

-Eu não quero ir lá! -Respondi virando a cara para o lado. Meu pai me olhou confuso. -Ele criou uma gangue e não me convidou para participar, eu sempre fui amigo dele e agora que ele conheceu aqueles meninos...não gosta mais de mim.

Ele apertou minha mão com força ao me escutar, solto um resmungo.

-Vocês da nova geração são difíceis de entender.

-Você está me ignorando a dois meses! Por acaso você se irritou quando eu comi todo o seu sorvete? -Mikey perguntou assim que meu pai me deixou na casa dos Sanos.

-Eu não estou ignorando você, é ao contrário! Desde que fez aqueles novos amigos, me deixou de lado. -Respondi e ele soltou uma risada.

-Estava com ciúmes? Arthur! Você é meu melhor amigo, não vou te trocar por nenhum dos garotos. Relaxa. -Ele respondeu enquanto me dava uns tapinhas nas costas. -Bom, agora que você já explicou...VAMOS ENCHER O SACO DO SHINICHIRO! Ele levou o vigésimo fora!

Solto uma risada com aquilo, O shinichiro sempre foi ruim em relacionamentos. Porém, ele é super bonito, não entendo porque as garotas dão fora nele. Se eu fosse uma garota e tivesse a idade dele, eu namoraria ele sem pensar duas vezes.

-Espere, isso é uma tatuagem? -Ele apontou em meu pescoço, seus olhos brilhando. -QUE RADICAL! VOCÊ FEZ UMA TATUAGEM E NÃO ME CHAMOU PARA IR JUNTO? traíra!

-Não grita, loira do tchan! -O repreendido, odeio pessoas gritando no meu ouvido quando estão do meu lado. Quando desconhecidos fazem isso, eu bato neles! Mas como o Mikey é meu amigo, eu não vou bater nele.

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