13
Coloco a mão no bolso, a conversa que tive com o Mikey me fez refletir um pouco. Eu paguei a comida dele e ainda levei uma 'surra de argumentos' dele, o anão me disse tanta verdade que até me assustei um pouco.
É bem raro ver o Mikey responsável, só em momentos raros. Ele costuma ficar na esquina segurando um ralador de queijo e falando "quando mais nos rala mais nois cresce". Ele fica sério quando esta prestes a quebrar alguém na porrada.
" você precisa parar com isso, Yuri. Você não vai ser feliz pensando somente nos outros." Foi a última coisa que o Mikey me disse antes de meter um tapão na minha nuca e sair correndo rindo de forma infantil.
-Talvez você esteja certo, quem sabe eu não consiga fazer isso em Buenos Aires. Não vou conhecer ninguém e assim não irei me machucar. -Murmurei depois de chutar uma pedrinha. No novo país, farei de tudo para não me apegar a ninguém.
Não é errado querer que aqueles dois vão para o inferno. Eu também mereço ser feliz...mas eu realmente preciso mudar de país para isso acontecer? eu poderia simplesmente apenas ir embora da casa da tia Karla. Eu amo o Chifuyu e o Mikey, não quero abandonar eles.
Kayke me ligou para confirmar a idade da Milena, ela não vai poder ir comigo embora por conta de sua idade pois segundo ele, a minha irmã ainda não tem idade suficiente pra escolher o seu futuro. O que me deixa ainda mais confusa do que fazer, não quero abandonar aquela capeta aqui.
Paro de andar, olho confusa para o meu lado. Uma briga de rua esta acontecendo, será que o Baji tá no meio disso? Ele sempre se mete em brigas de rua. Um grupinho de pessoas estavam gravando e observando a cena. Ninguém ousava mexer ou se intrometer ali.
Típico, eles não se importam com quem não esta brigando. Eles dizem que são sem futuros e por isso não se intrometem.
Não, não é o Baji. Os meninos que estão ali possuem cabelos curtos. Todos eram mas novos que eu, vou apenas ignorar e ir embora.
-Ahn? -Murmurei confuso enquanto parava de andar, juro que escutei uma voz bem conhecida.
Muito conhecida mesma.
Olhei novamente para a briga, tem...tem uma garota ali dentro? Tem quatro meninos batendo em uma garota? Que covardia! Bando de filhos da puta. Provavelmente deve ser mais um arrombado da Moebius que esta fazendo isso.
Solto uma risada tensa, muito tensa mesmo. Por um segundo minha alma saiu do corpo e voltou, eu não acredito no que eu vi. Balanço a cabeça, enquanto coço os meus olhos para ter certeza que aquilo não era uma ilusão. Fazia algumas semanas que eu não a via ela, mas tive certeza que era ela. Meu uma coração quase saiu da minha boca.
-EI! -gritei enquanto finalmente me movia, sai empurrando geral para poder chegar até eles. -SOLTEM A MINHA IRMÃ SEUS ARROMBADOS!
Milena estava no meio deles, ela tentava se manter em pé. havia um corte em sua sombrancelha, seus lábios sangrava e seu olho estava roxo. Maldito temperamento dela, o que caralhos deu na cabeça dessa menina sair no soco com quatro pessoas maiores que ela?
Soco com força o rosto de um deles, ninguém havia me escutado e continuaram a partir para cima dela, meu corpo ferveu de raiva ao ver um deles acertar o rosto dela. Eles vão mesmo me ignorar? Vou quebrar os dentes de vagabundos.
Não perco nem meu tempo amarrando meu cabelo, vou cair no soco agora mesmo. Quem ele pensa que é para fazer isso?
-Eu sei me cuidar! -A voz de Milena saiu meio falhada, a vejo cuspir uma boa quantidade de sangue no chão. Aquilo era uma insinuação de que eu deveria ir embora.
-Irresponsável! -Exclamei enquanto socava o maxilar de um deles.
sabe se cuidar? porra! Eu sabia que ela iria fazer alguma besteira. Pronto, agora a minha situação vai piorar. A família dela vai achar que eu sou a culpada disso, vai falar que eu a influenciei. Eu...eu posso acabar apanhando novamente.
Minutos depois, eu estou em pé enfrente a minha irmã que estava sentada no chão me olhando assustada.
-Vamos embora imediatamente, Milena! -Murmurei tentando me acalmar, eu recebido apenas alguns socos e um chute no estômago.
-V-você... -Ela murmurou, virei a cabeça confusa com sua reação. Escuto de longe o barulho da sirene da polícia.
-Vamos agora. -Falei enquanto pegava ela e jogava no ombro como se a mesma fosse um saco de batatas. Ela soltou uma resmungo de dor, mais não reclamou.
-Eles estão mortos? Meu Deus.
-Garota? Óbvio que não, só tão desmaiados. -Respondi sua pergunta, ela não viu uma briga de rua? Acho que não.
-Você quebrou a mandíbula dele, da para ver. Tem sangue saindo por todo lado, eu to vendo o osso de um! -Ela murmurou em choque, havia uma pitada de medo em sua voz.
Me sinto péssima ao notar que o medo era de mim, não deles.
-Pelo menos ta vivo. -Falei enquanto começava a correr, ela ta meio pesada e eu quase tropecei umas duas vezes. Mas pelo menos saímos da cena da briga, se a polícia nos pegasse lá, provavelmente eu ia ver o Pah mais cedo do que o esperado.
Parei de correr e voltei a andar de forma normal, não me importei com os olhares que eu recebia. Minha querida irmã começou a bater nas minhas costas mandando eu colocar ela no chão. Apenas ignorei ela, respiro fundo e começo a contar mentalmente até dez.
Eu não posso perder a calma, não posso me irritar. Não posso. Eu já perdi a minha calma com aqueles garotos, não quero gritar com ela.
continuo a andar, agora estou contando até cinquenta. Milena já está assustada, se eu gritar vai piorar tudo. Não quero agir igual a ele.
-Aonde você está me levando, criatura?
-Pra puta que pariu, irresponsável. -Falei.
Ela ficou em silêncio, levei ela para a casa da tia Karla. Vou cuidar dos machucados dela.
-É aqui que você está ficando? -Ela perguntou com curiosidade depois que finalmente chegamos, coloquei ela sentada no sofá. -Da para parar de me tratar como se eu fosse uma criança?
-Então para de agir como uma, que porra você tinha na cabeça quando decidiu entrar em uma briga com quatro pessoas!? -Perguntei batendo de leve em sua testa, jogando ela para trás, a mesma me olhou confusa. -Garota, você não pode fazer isso não. Quem vai se foder depois sou eu, não você. E que porra de roupa é essa? Você está querendo mesmo irritar ele?
-Eu não estava tentando irritar o papai, eles começaram me irritando. e eu tinha o controle de tudo! -Ela respondeu, soltei uma risada.
-Tudo sobre controle! você estava apanhando, se eu não tivesse aparecido, sabe se lá o que teria acontecido com você, se você soubesse o que esses deliquentes estão fazendo com as garotas...você não arrumaria briga com eles. -Respondi enquanto pegava o kit de primeiros socorros que estava guardado no armário da cozinha. antes de voltar para sala, lavo minhas mãos na pia, retirando o sangue que estava nelas.
-Milena, você não pode fazer isso. Você deve aprender a controlar a sua raiva, ou ela será a sua ruína.
-Falou a pessoa que quebrou a mandíbula de um marginal. -Ela falou em ironia, é, as vezes da uma pequena vontade de meter a porrada nela também.
Mas pelo menos ela não ta mais assustada, parecia até estar se divertindo, as vezes desconfio que ela é bipolar.
-É diferente, eu sou uma delinquente. participo de briga de gangues uma vez por mês. Você não. -Murmurei enquanto me sentada ao lado dela e começava a limpar seus machucados.
-Desculpa...-Ela murmurou. -Eles estavam debochando de você.
-Estava me protegendo? que fofo da sua parte Lena! -Falei zoando ela, a mesma ficou um pouco constrangida. -Da próxima, apenas ignora ok?
-Ta bom. -Ela respondeu enquanto fazia uma careta de dor, passei aquele negocinho ardido no algodão e agora eu estava passando nas feridas. -O papai anda bem bravo, você vai voltar para casa? Eu estou com saudades.
-Isso é complicado, eu não posso voltar para lá. Você sabe disso. -Respondi, me concentro em limpar seus machucados. Mas noto que havia alguns de faz tempo. -Ele...ele te bateu?
Ela não respondeu, sinto meu peito se apertar com aquilo. Sempre que ele tinha raiva, descontava seu ódio em alguém e esse alguém sempre fui eu. Mas agora que eu não estou mais lá, ele deve estar descontando todo seu ódio na Milena.
-Eu sei me cuidar, não preciso mais dos seus cuidados. -Ela respondeu por fim, com os olhos lacrimejados.
Não, você não sabe se cuidar. Você tem apenas treze anos, sofre graves problemas com a raiva e é impulsiva. Mas você não sabe lutar, não sabe. Você tem coragem de desafiar ele, mas não tem forças para bater de frente.
Ele esta fazendo tudo isso apenas para me afetar. Ele acha que eu irei voltar apenas para a Milena não se machucar. Ele esta querendo que eu escolha entre mim ou ela. Terá um momento em que ele vai começar a fazer a mesma coisa com a minha mãe.
Será...que se eu escolhesse a mim e não ela, isso seria egoísta e desumano? Mesmo que isso doía em mim, eu já escolhi. Eu realmente não posso mas ficar aqui, enquanto eu estiver perto dele, todos que eu amo irão se machucar por minha culpa. Se eu for embora, ele vai parar de machucar ela. Não vai? Ele não vai ter mais nada pra fazer, eu estarei longe dele.
Coloco o último curativo em seu rosto, Milena esta me olhando confusa. Acho que é por causa da minha expressão.
-Milena, eu realmente não posso mais cuidar de você como antigamente. Sinto muito, você não merecia sofrer por minha culpa. Você ainda é uma pré adolescente então não posso levar você comigo pois nós duas iríamos nos ferrar. Mas eu prometo que eu irei voltar para buscar você, assim que você completar dezesseis anos eu juro que volto pra te buscar.
-Ahn? cê tá loka?
-Nada de piadas agora, estou falando sério. Você é a única que esta sabendo disso, eu vou embora do país. -Respondi, vejo a expressão de confusão tomar conta do rosto dela. -Ele esta ameaçando a tia Karla, eu não posso deixar ele machucar ela também. A tia Karla foi tão boa comigo e pode ter a vida destruída. Ele quer tirar todos de mim, então irei fazer isso. Me afastar de todos.
-Isso é loucura, você não pode ir embora. Como vai se sustentar? Você sabe que sofrer preconceito por ser...assim, vai sofrer bullying por ser estrangeira!
-A minha decisão já foi tomada, em breve irei. Agora eu preciso que me ajude e coopere, não seja rebelde. Não fale meu nome na frente dele e pelo amor de deus, não tente ser uma delinquente também. -Respondi enquanto segurava sua mão. -Eu sei que vai ser difícil, mas tente
-Mas...
-Nada de mais, prometa que vai se comportar! Você sabe do que ele é capaz!
-Tá bom, eu prometo. -Ela respondeu meio contragosto, irei voltar um dia para buscar ela e seremos apenas nos duas, assim como era na nossa infância. Ela limpou rapidamente uma lágrima que caiu, abraço ela fortemente querendo passar um pouco de segurança.
-Em Buenos Aires tem um monte de gatinhos, você vai gostar. -Respondi soltando ela.
-Eca! -Ela fez uma careta e eu olhei com a sombrancelha arqueada.
Ela virou a cara, pronta pra mudar de assunto. Milena soltou uma risada.
- Eu nunca pensei que você lutasse tão bem, Yuri! -Ela falou, sinto minhas bochechas ficarem vermelhas ao escutar ela me chamando pelo meu nome. Me sinto um pouco melhor em saber que ela me apoia e não tem nojo de mim.
-Se não soubesse lutar, eu não estaria na Toman. -Respondi o óbvio. Vejo os olhos dela brilharem.
-Falando na Toman, eu conheci a sua namorada! porque não me contou que estava namorando? Ela é muito bonita, mas é bem estranha. Como você vai embora deixando ela? -Milena falou e eu a olhei confusa.
-Eu não tenho uma namorada. -Respondi confusa, será que a Milena esta falando...dela? Não.
-Ué, a Joe me disse que vocês estavam namorando. -Ela respondeu e eu quase capotei com aquilo.
-DEUS ME LIVRE! ela não é minha namorada, nunca! eu não acredito que aquela maluca esta falando isso. -Choraminguei indignada com aquilo. -Ela é maluca, completamente maluca.
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