11
-Bom dia, querida! -Tia Karla fala toda animada assim que fui para a cozinha, eu estava com olheiras por não conseguir dormir por um bom tempo e quando isso aconteceu, tive pesadelos. -Chá ou café?
-Café. -Murmurei me sentando na mesa.
A cafeína iria me ajudar a ter energia hoje, meu dia vai ser na base da cafeína e energéticos -Se o Sanzu aparecer na minha frente, vou ter mais uma coisa pra me deixar com energia. Aquele drogado, já faz tempo que ele não vem enchendo o meu saco.
-Errou, é Chá. -Ela respondeu enquanto enchia uma caneca com Chá, não consegui segurar uma risada com aquele comentário dela.
Observando agora, a tia parecia bem calma e não estava tensa. Se eu não tivesse escutado a conversa dela ontem, eu jamais iria notar que ela estava com problemas. Ela sabe disfarçar bem.
-Bom dia. -Chifuyu murmurou enquanto se sentava na mesa. -Ué, porquê ainda está de pijama?
-Hoje eu não vou para a escola. -respondi dando de ombros. Não ouso levantar meu olhar para ele, vai que ele nota que eu estou tensa?
Chifuyu me conhece bem e sabe quando eu estou prestes a aprontar alguma coisa. Não quero envolver ele não meus problemas.
-Vai chover meteoros do céu! -Tia Karla exclamou chocada. -Você tá bem, querida? Ta sentindo alguma coisa? Vamos para o médico.
-A Yuri foi abduzida enquanto dormia e agora é uma alienígena! -Fuyu também respondeu conforme engolia seu cereal.
-Um pouco cansada apenas. -Murmurei, sorri para tranquilizar eles. -Vou resolver algumas coisas hoje, o aniversário da Milena ta chegando e eu queria dar um presente legal para ela.
Eu não estava mentindo 100%, eu ia procurar alguma coisa para a minha irmã -que não tinha culpa nenhuma do que havia acontecido, eu estava preocupada com ela pois fazia dias que eu não a via. Seu instinto de rebeldia era maior que o meu então provavelmente ela deve estar desafiando os pais, sinto medo dela acabar apanhando. Ainda me lembro da reação dela ao me ver com uma tatuagem e com pircings, ela disse que queria também. Torço tanto para ela não fazer nenhuma besteira, eu queria poder ajudar ela, mas ultimamente eu não estou conseguindo nem me ajudar quem dirá ela que é bem mais nova que eu.
Eu também iria providenciar minha passagem para longe de Tokyo, eu não sei falar o inglês então eu terei que ver algum lugar que não precise do Inglês. Não sei se a minha irmã gostaria de vir comigo, então irei conversar com ela. Não vou ficar em paz deixando ela aqui.
-O Mikey brigou com o Draken de novo. -Chifuyu sussurrou para mim, aqueles dois haviam feito as pazes mais não durou muito pelo visto. -Acabei de receber uma mensagem do Baji, o Pah foi preso e o Draken não quis ajudar na hora. O Mikey ficou bem puto da vida.
-O Pah foi preso? -Perguntei chocada com aquilo. Eu não sabia disso, eu estava meio que ignorando os assuntos da Toman. -Porquê o Ken não quis ajudar ele? Que puta vacilo.
-Parece que foi o Pah-Chin que quis se entregar e ser preso, não tinha nada a ser feito. ele esfaqueou o Osanai. -Chifuyu respondeu.
O Pah esfaqueou o desgraçado do Osanai? Ai ai, esse Pah é mesmo um brincalhão em. Todo mundo erra nessa vida. Eu queria tanto ter visto, mais que droga! Ele conseguiu se vingar, agora está na prisão. Pah sempre foi um ótimo amigo, antes de ir embora eu irei visitar ele.
-Porra, agora o Mikey vai querer ficar enchendo meu saco vinte e quatro horas por dia. -Respondi já vendo como seria meus dias.
-Já que você vai faltar, esteja aqui as dez da manhã. -Tia Karla falou interrompendo nossa conversa, desviei a atenção do loiro e olhei confusa pra ela. -Vamos pra delegacia, fazer uma medida protetiva. Naquele dia você chegou tarde que nem conseguimos ir.
-Tudo bem, tia. eu vou estar aqui nesse horário. -Murmurei fazendo um joinha pra ela.
-Você fala só o espanhol? Nada inglês?português? Árabe? -Ele perguntou para mim. Estávamos na rua mais perigosa da cidade, se eu virar para o lado eu posso até ver uns trombadinhos planejando um assalto ao Banco. Não vou nem olhar naquela direção pois é bem capaz de eu levar um tiro na cara.
Kayky, o marginal mais barra pesada que eu conhecia, costumávamos chamar ele pelo codinome, coronel. Conversei com ele apenas duas vezes, uma vez eu o ajudei e agora ele tinha uma dívida comigo. Era ele que fornecia, bebidas, drogas e armas para os menores de idade. Eu costumo pegar bebidas com ele, e foi aqui que eu tentei trocar o Baji por uma garrafa de vodka.
Ele era o único que poderia arrumar identidade falsa e tudo o que preciso.
-Nunca quis aprender outras línguas, eu jurava que nunca iria usar. Eu não esperava sair de Tokyo. -Respondi envergonhada, na escola tem aulas de inglês mas eu nunca quis tentar pois era bastante confuso para mim.
Eu já pensei em me inscrever no curso de francês, mas desisti pois eu não teria tempo pra fazer mais nada. O inglês que dão na escola não é complementar e sempre ensinar poucas coisas. Aprendi o espanhol sozinha, lendo livros e vendo filmes dessa língua. Foi mais por um hobby, nunca pensei que eu realmente iria precisar.
-Buenos Aires vai ser um bom lugar para você. -Ele respondeu e eu senti um frio na barriga, isso era bem longe. -Yuri, eu consigo a identidade, passaporte e um meio de transporte pela metade do preço para você. Só porque você é a minha miga do coração.
Ele fez um símbolo de coração e levou até seu peito. Dou um leve soquinho em seu ombro.
-Ta bom, quantos dias tudo vai estar pronto? -Perguntei e ele me olhou confuso, o mesmo soltou uma gargalhada. -Tá com o patati enfiado no cu é?
-Desculpa, Yuri! Dias? Isso vai demorar pelo menos três meses! -Ele esclareceu e eu pisquei confusa.
Tudo isso? Não posso ficar mais três meses na casa da tia Karla!
-Não, eu preciso dessas cosias para ontem. Eu não tenho três meses. -Minha voz saiu mais rude do que eu pretendia.
-Oh Yuri...isso está meio estranho em, você é uma garota bem exemplar e agora tá desesperada para fugir do país. você não tá fugindo da polícia não né? Eu não quero me meter em rolo com os canas não. -Ele provocou, eu até poderia socar ele porém...eu iria levar um tiro na cara antes de acertar ele.
-Eu to fugindo, mas não da polícia. -Falei para tranquilizar ele. -Eu não tenho três meses.
-Um mês, consigo tudo em um mês.
-Entrarei em contato com você então obrigado. -Murmurei levando minha mão até meu bolso, meus assuntos ali tinham acabado, mas antes de sair veio uma coisa em minha cabeça. -Me manda mensagem depois, já faz tempo que a gente não conversa.
-Mando assim que eu tiver tempo, tenho tanta fofoca boa, fofa! -Ele falou batendo palmas de forma animada.
Mordo meu lábio pensativa, já fazia tempo que eu não usava aquilo, eu estava bem nervosa e tensa, eu precisava relaxar e não conseguia de maneira nenhuma. Eu não era uma viciada, bom...eu não posso mentir que eu sou viciada no cigarro mas em outras coisas não.
-Você...teria alguma coisa ai com você agora? -Murmurei envergonhada.
-Não vou vender maconha para você. Negócios são negócios mas sua cara está péssima. Até parece que foi atropelada por um trator. -Kayky discordou, olhei indignada para ele. -Se quiser, vai ter que comprar com outra pessoa. Tchau.
-Então eu troco o Mikey por duas garrafas de vodka. -Sugeri e ela ne olhou com os olhos brilhando.
-O famoso Mikey o invencível? -Ele perguntou e eu concordei com a cabeça, ele parecia pensativo. -Não sei não em, você só me arruma problemas. Da última vez eu levei uns socos do Baji, imagina só o que o Manjiro iria fazer? Não, quero não.
Revirei os olhos com aquilo. Medroso da porra.
-Vadio! -Xinguei ele enquanto saia daquele local, graças a deus eu não fui roubada enquanto ia embora.
-TE AMO TAMBÉM, FOFA! -Escuto a voz dele ecoar, não consigo segurar uma risada.
Um mês...eu tenho um mês para me despedir das pessoas que eu amo...vai ser o suficiente.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top