Epílogo

Connor Wessex:

Eu estava sentado no sofá do meu escritório, observando o copo de água morna em minhas mãos enquanto o repórter à minha frente escrevia furiosamente suas últimas anotações. Seu olhar estava cheio de admiração e curiosidade. Parecia que ela ainda estava tentando processar tudo o que eu havia dito até aquele momento.

— Sr. Wessex, você mencionou que, apesar de seu pai tê-lo preparado para ser seu sucessor, você optou por seguir um caminho diferente. Além disso, se casou com um homem maravilhoso e é pai de duas crianças adoráveis. No entanto, mesmo assim, conseguiu se reerguer e construir um império próprio na indústria, independentemente da empresa da sua família, que agora está entre as dez melhores do mundo. Pode nos contar o segredo por trás de tanto sucesso? — ela perguntou, sua voz carregada de curiosidade.

Eu sorri, soltando o copo de água com calma. O anel de diamante no meu dedo anelar brilhou sob a luz suave da sala, e por um momento, meu olhar se fixou em uma foto que estava na prateleira próxima. Era uma imagem de mim, Pedro, e nossos filhos, em um momento de pura felicidade familiar. O sorriso no canto dos meus lábios cresceu.

— Sabe... não há realmente um grande segredo. — Falei suavemente, minha voz cheia de tranquilidade. — Faça o que você ama. Faça o que você acredita. E o mais importante, tenha alguém que te apoie incondicionalmente. No fim das contas, ter alguém ao seu lado, torcendo por você, é o que faz tudo valer a pena. Isso é suficiente.

A repórter seguiu meu olhar até a fotografia e deu um leve sorriso.

— O Sr. Wessex está falando sobre o seu esposo, imagino? — ela perguntou, com um brilho de curiosidade em seus olhos. — Recentemente, sua aparição pública com ele no mês passado chamou bastante atenção. Isso teve algum impacto na sua carreira ou na forma como o público o vê?

Sem hesitar, olhei diretamente para ela e sorri com ainda mais certeza.

— Não há absolutamente nada de que me envergonhar em dizer ao mundo que tenho um esposo. Na verdade, isso é uma das maiores fontes da minha felicidade. Para mim, a felicidade é algo muito simples. É encontrar a pessoa certa, alguém que faz seu coração se sentir completo. Não importa se essa pessoa é um homem ou uma mulher. O que realmente importa é com quem você escolhe passar sua vida e se isso te faz feliz. — Minha voz estava calma e firme, refletindo a serenidade que sentia. — E eu estou feliz. Muito feliz. Isso é o que importa, não é?

A repórter assentiu, compreendendo, talvez mais do que esperava.

— Entendo completamente. — Ela respondeu, com uma leveza na voz, como se estivesse tocada por minha resposta.

Logo após, a entrevista chegou ao fim. A porta se fechou com um clique suave, e eu soltei um longo suspiro, sentindo o peso da entrevista desaparecer. O escritório voltou ao silêncio, e por um momento, fiquei ali, olhando para a foto de minha família.

"Às vezes a felicidade é realmente tão simples", pensei comigo mesmo, e o sorriso no meu rosto permaneceu.

Quando ouvi meu celular vibrar, sabia que só podia ser uma pessoa. A tela acendeu, revelando uma mensagem de Pedro:

Pedro Amor ❤️:
Amor, você não vai acreditar... Vincenzo estava furioso com Kara e Samuel, mas agora ele os está levando alegremente para sua outra horta. Eles o dobraram com elogios sobre sua beleza! Preciso da sua ajuda para controlar esses pequenos demônios!

Li a mensagem e senti aquele calor familiar no peito. "Nossos filhos" — essas duas palavras, que escuto frequentemente há três anos, sempre conseguem despertar algo profundo em mim. Uma sensação quase divina, como se o simples fato de ouvir ou ler isso relembrasse o quanto sou abençoado. Claro, também reconheço que, por trás desse amor incondicional, sei muito bem o quanto Kara e Samuel podem ser pequenos demônios quando querem.

Dei uma última olhada no porta-retrato sobre minha mesa. A imagem de Samuel, que logo fará catorze anos, me abraçando com aquele sorriso enorme e travesso, trouxe uma enxurrada de lembranças. Ele sempre teve uma habilidade especial para conseguir o que queria. Desde muito novo, já era capaz de entrar na mente das pessoas, de seus colegas de classe aos adultos, e fazer com que todos fizessem o que ele queria, quase sem perceber. Ele é persuasivo e esperto, mas ao mesmo tempo, há uma doçura nele que é inegável.

E então há Kara. Tão jovem, mas já tão sagaz. Se Samuel leva alguns minutos para manipular alguém com charme e palavras, Kara o faz em segundos, apenas com um olhar. Qualquer pessoa que entra em seu campo de visão se vê envolvida no seu pequeno jogo. Ela tem uma facilidade impressionante de conquistar e dobrar qualquer um. Não há resistência que dure muito tempo diante da determinação e fofura dela.

Mas o que realmente me intriga — e diverte — é o poder deles quando estão juntos. Kara e Samuel, unidos, são uma força da natureza. Eles têm essa habilidade única de derrubar qualquer barreira, até mesmo as de Pedro. Meu marido, sempre firme e resoluto, não tem chance contra o ataque combinado dos nossos dois pequenos estrategistas. Ele tenta manter a postura de pai sério, mas basta um olhar sincronizado, uma fala ensaiada, e pronto: Pedro se rende completamente.

Respondi a mensagem com um sorriso no rosto, sabendo que Pedro estava em um campo de batalha impossível de vencer sem ajuda:

Eu:
Amor, estou indo. Esses pequenos demônios precisam de uma dose extra de disciplina, mas acho que eles já entenderam como mexer com o seu coração. Você sabe que eu vou acabar fazendo o mesmo!

Levantei-me, ainda sorrindo, enquanto me preparava para ir para casa. Por mais caótica que a situação pudesse parecer às vezes, eu sabia que isso fazia parte da nossa vida. E, no fundo, eu não trocaria esses momentos por nada. A verdade é que, mesmo sendo desafiantes, nossos filhos são o centro do meu mundo, e o caos que eles trazem só torna tudo mais emocionante.

Enquanto pegava minhas coisas, voltei a olhar para o porta-retrato. Samuel e Kara, dois pequenos estrategistas, e Pedro, meu parceiro e cúmplice nessa jornada louca. Suspirei, com o coração leve, pronto para mais uma rodada de "desarmar as travessuras".

Porque, no fim das contas, essa é a magia de ser pai — e eu não trocaria isso por nada.

Enquanto me preparava para sair, os pensamentos continuavam a fluir, e era impossível não refletir sobre o quanto nossa vida mudou nesses últimos anos. Quem diria que eu, alguém que sempre manteve uma postura firme e focada no trabalho, estaria agora tão envolvido nas travessuras e nas táticas de dois pequenos estrategistas que, dia após dia, conseguem mexer com meu coração de maneiras que nunca imaginei?

Samuel, meu primogênito, sempre foi uma criança especial. Quando ele era mais novo, percebi cedo sua habilidade de persuadir e manipular situações a seu favor. No começo, era quase engraçado ver como ele conseguia fazer seus colegas de escola seguirem suas ideias com um simples sorriso ou uma frase bem colocada. À medida que cresceu, isso se tornou uma verdadeira arte. Agora, ele não só faz isso com os amigos, mas também com os adultos. Professores, vizinhos, até mesmo seus avós — todos se rendem ao seu charme. E o mais interessante é que, apesar de ser esperto o suficiente para usar isso a seu favor, ele nunca age com malícia. Samuel sabe exatamente até onde pode ir e o faz com uma graça que é difícil não admirar.

Mas é com Kara que o verdadeiro jogo começa. Ela é um furacão de energia e astúcia. Desde que começou a falar, já tinha aquele olhar que dizia "eu sei exatamente o que estou fazendo". E, na maioria das vezes, ela sabe. Kara aprendeu muito cedo a usar suas habilidades para conseguir o que quer, e o mais impressionante é que ela consegue fazer isso sem que as pessoas percebam. É quase como se ela lançasse um feitiço. Um sorriso aqui, uma piscada ali, e de repente você está concordando com tudo o que ela diz, sem nem saber como chegou ali.

E Pedro... Pedro, por mais firme que tente ser, é a vítima favorita dos dois. Ele tenta manter uma postura rígida, ser o "pai responsável" que define os limites. Mas, sinceramente, é divertido ver como ele se derrete diante dos truques deles. Samuel e Kara sabem exatamente como desarmá-lo. Eles o cercam, falam em uníssono, jogam elogios e carinhos, e Pedro... bem, ele simplesmente se rende. O olhar de frustração misturado com carinho que ele lança para mim sempre que isso acontece é impagável. Eu posso até ouvir sua voz na minha cabeça: "Eles fizeram de novo, amor."

Porém, por mais que seja uma batalha perdida, sei que Pedro ama essa dinâmica tanto quanto eu. Ele é um pai incrível, e a maneira como cuida e protege nossos filhos me enche de orgulho. Às vezes, vejo como ele olha para eles, e posso notar o brilho em seus olhos, o mesmo que vejo quando ele olha para mim. E mesmo nas noites mais difíceis, quando estamos exaustos de tanto lidar com as peripécias dos dois, há sempre aquele momento em que nos olhamos e sorrimos. Porque, no fundo, sabemos que essa é a vida que escolhemos. E que vida maravilhosa é essa.

Agora, enquanto me encaminho para casa, não posso deixar de pensar em como vou lidar com a nova travessura que Samuel e Kara armaram com Vincenzo. Tenho certeza de que, quando chegar lá, vou encontrar Pedro tentando, mais uma vez, ser o "pai disciplinador", mas já rendido ao charme dos nossos pequenos. E, claro, os dois provavelmente estarão no colo de Vincenzo, que, apesar de toda a raiva inicial, já terá perdoado tudo, graças a alguns elogios bem colocados.

E eu? Bem, vou entrar na sala, olhar para aquela cena caótica e não vou conseguir evitar o sorriso. Porque, por mais desafiadores que Samuel e Kara possam ser, eles também trazem uma alegria que ilumina todos os nossos dias. São eles que tornam nossa vida tão vibrante, tão cheia de risadas, amor e, claro, algumas dores de cabeça pelo caminho.

Mas é exatamente isso que faz tudo valer a pena.

E enquanto eu fecho a porta atrás de mim, pronto para mais uma rodada de risadas e caos, sei que, no fundo, Pedro e eu estamos exatamente onde sempre quisemos estar: juntos, criando nossos filhos e vivendo uma vida que é, ao mesmo tempo, desafiadora e incrivelmente gratificante.

Enquanto me levantava do sofá, pronto para encerrar mais um dia de trabalho, ouvi uma batida leve na porta. Zahra enfiou a cabeça pela fresta com um sorriso brincalhão.

Enquanto me levantava do sofá, pronto para encerrar mais um dia de trabalho, ouvi uma batida leve na porta. Zahra enfiou a cabeça pela fresta com um sorriso brincalhão.

— Connor, já está na hora de irmos embora, — ela disse, com aquele tom casual de quem sabe que já passei da hora de sair. — Essa foi a última coisa do dia na sua agenda.

Eu suspirei, ajeitando o paletó, e respondi com um leve sorriso:

— Agora é hora de ir para casa e colocar meus dois pequenos demônios de castigo. — Disse, fazendo Zahra rir. — Por que isso sempre acaba sobrando para mim?

Ela riu ainda mais, inclinando a cabeça em direção a mim.

— Simples: você é o único que consegue fazer eles realmente temerem o que vai acontecer depois. — Zahra respondeu, e eu tive que concordar com um aceno. — Bem, é melhor ir logo se quiser planejar os melhores castigos!

— Não adianta nada, — falei, passando a mão pelos cabelos. — Eles saíram com o Vincenzo, então vão voltar cheios de histórias e desculpas.

Zahra me observou por um segundo, seu olhar pensativo, antes de dar de ombros.

— Então, você tem mais tempo para pensar em um castigo ainda melhor! — Ela deu uma piscadela travessa. — E se não souber o que fazer, peça ajuda ao seu pai. Ele é bom com esse tipo de coisa.

Ri de leve, mas balancei a cabeça.

— Ele está viajando com o Sandro. Não quero incomodá-los, — respondi. — Além do mais, ele é completamente um avô babão agora. Mesmo quando tenta ser firme, não consegue resistir aos netos.

Meus pensamentos voaram para meses atrás, quando meu pai me contou, com a maior serenidade, que ele e Sandro haviam decidido se casar. A melhor parte foi que ambos tiveram a mesma ideia para o pedido, planejando algo tão romântico que até me deixou emocionado ao ouvir os detalhes. Quando chegaram ao altar, meu irmão e eu estávamos em lágrimas, incapazes de segurar a emoção daquele momento.

Zahra me tirou desses devaneios com um leve tapinha no ombro.

— Então, parece que está nas suas mãos garantir que essas crianças não pensem que podem fazer o que quiserem sem consequências. — Ela disse com uma mistura de seriedade e diversão. — Você precisa pensar em algo que realmente os faça aprender dessa vez.

Soltei um suspiro profundo, sentindo o peso do "cargo" de pai autoritário, algo que eu nunca imaginei que seria.

— Quem diria que no final das contas seria eu o pai firme e disciplinador? — Falei, balançando a cabeça. — Logo eu, que me casei com alguém de uma família de espiões!

Zahra deu uma gargalhada.

— A vida tem suas ironias, não é?

Eu ri junto, porque, realmente, que ironia. Pedro, com toda sua postura séria e treinada, sempre tentando ser o "pai firme", acabava rendido ao charme das crianças. E eu? Eu, que deveria ser o mais "mole", acabei sendo o único que conseguia mantê-los na linha — ou pelo menos tentava. Meus filhos sabiam como testar os limites, mas eu sabia que era preciso firmeza, mesmo quando meu coração queria apenas abraçá-los e rir junto com eles.

Enquanto me preparava para sair, pensei no que Zahra tinha dito. Era verdade: os dois pequenos estavam começando a acreditar que podiam fazer o que quisessem. Talvez, só talvez, estivesse na hora de pensar em um castigo que os fizesse entender que, por mais que os amemos, existem limites e consequências para suas ações.

E, com isso em mente, caminhei em direção à porta, sabendo que a noite ainda traria mais desafios. Afinal, ser pai — especialmente de dois pequenos demônios — é uma aventura constante.

Enquanto eu saía da empresa, meus pensamentos começaram a vagar pelas coisas que ainda precisava fazer. Uma delas era enviar um presente de congratulações para George. Sua performance em um novo filme de drama foi excepcional, e além disso, ele também tinha sido pedido em casamento por Oleg durante um evento de patrocínio. Lembrei-me de como fiquei emocionado ao ouvir a notícia, sabendo o quanto aqueles dois se completam. Oleg, com sua postura firme e segura, contrastava perfeitamente com a sensibilidade e o talento de George. E agora, eles estavam prontos para dar o próximo passo em sua jornada juntos.

Outra relação que me veio à mente foi a de Mariano e Magnum. Eles eram como um casal de filme, e não hesitavam em demonstrar o quanto se amavam em qualquer oportunidade. Suas famílias já estavam animadas com a possibilidade de filhos, mas tanto Mariano quanto Magnum deixaram claro que esse passo seria algo para o futuro distante. Eles estavam curtindo o presente, construindo uma vida juntos sem a pressão de acelerar as coisas, o que eu achava extremamente sábio. Filhos são uma dádiva, mas também trazem desafios, e é importante estar completamente preparado.

Reggie e Marcelo, por sua vez, estavam em um novo capítulo de suas vidas. Eles abriram uma pequena empresa de organização de eventos e fotografia, e eu, junto com Mariano e George, fiz questão de ajudá-los nos primeiros passos, indicando clientes que poderiam ajudá-los a decolar. Ver como eles se dedicavam a essa nova empreitada era inspirador. Sabia que, com o talento e a determinação de ambos, eles logo se tornariam uma referência no ramo.

Meus pensamentos também foram para Marcos e Damon, que estavam sempre presentes em minha casa. Agnes, claro, já havia feito questão de dizer para chamá-la de avó, algo que ela assumiu com orgulho. Max, o filho adotivo de Damon, começou a trabalhar como segurança no ginásio Campbell, uma iniciativa que me deixou feliz, pois sei o quanto ele valorizava a oportunidade. Mas era Bárbara, a pequena anjinha, que sempre me encantava. Ela tinha uma sabedoria além de sua idade e, sempre que estava com Kara, acabava sendo a voz da razão. As duas, apesar de tão diferentes, tinham se tornado grandes amigas, cúmplices em suas aventuras na creche e nas reuniões de família.

Eu também não podia esquecer das filhas de Luiz, que se juntaram ao círculo de amizades da minha doce princesa, Kara. Elas formavam um trio inseparável, e ver como todas elas se davam bem me trazia uma enorme alegria. Saber que minha filha estava cercada por pessoas que a amavam e que compartilhavam esses momentos únicos me fazia sentir uma paz indescritível.

Enquanto esses pensamentos passavam pela minha cabeça, não pude deixar de refletir sobre o quanto valorizo esses momentos de união. Nossa vida é cheia de altos e baixos, desafios e preocupações. Os problemas são como um vento forte que, de vez em quando, nos tenta derrubar. As preocupações são como uma chama que nos consome lentamente, sempre presentes, sempre alimentadas pelas responsabilidades e pelo desconhecido. Mas, no final, é a família que se torna nosso refúgio.

O amor que compartilhamos, a cooperação e a ajuda mútua, são o que nos mantém firmes em meio a qualquer tempestade. Não eliminamos os desafios da vida, mas os superamos com mais facilidade porque estamos juntos. Na família, encontro forças para seguir em frente, mesmo quando os tempos são difíceis. Acredito profundamente que, enquanto mantivermos esse amor e união, não há obstáculo grande o suficiente que não possamos superar.

Respirei fundo, sentindo o frescor do ar do lado de fora da empresa, e sorri. Estava pronto para voltar para casa e enfrentar o caos organizado que sempre me aguardava — com Kara, Samuel, Pedro, e todo o restante da nossa grande e bela família. Afinal, é neles que encontro minha força e meu propósito.

*************************************

Quando cheguei em casa, como já não era surpresa, encontrei Alice no sofá, com os olhos grudados na televisão, e Bella com os seus livros de economia e contabilidade espalhados pela mesa de centro, concentrada em suas leituras. Era o típico fim de tarde tranquilo... ou quase, já que o caos familiar não estava completo sem Kara e Samuel.

Assim que entrei na cozinha, vi Pedro se aproximar com um sorriso que eu conhecia bem — aquele tipo de sorriso que me fazia suspeitar que ele estava escondendo algo.

— Cadê as crianças? — perguntei, cruzando os braços, já antecipando a resposta.

— Ainda estão com o Vincenzo, — Pedro respondeu, ainda com aquele sorriso. — Acho que eles sabem que vão ser colocados de castigo assim que chegarem em casa. — Ele deu de ombros, tentando minimizar a gravidade da situação. Quando recebeu meu olhar significativo — aquele olhar que dizia "sério mesmo?" — ele limpou a garganta, um pouco sem jeito.

— Ok, ok, a culpa é minha, minha culpa. — Ele admitiu, com um sorriso travesso. Então, se inclinou e me beijou levemente na testa, com um toque suave. — Meu doce esposo que cuida com todo carinho dos nossos filhos... Como você está em falta? — Ele me provocou, com um flerte que me pegou completamente de surpresa.

Fiquei sem palavras por um segundo, levantando uma sobrancelha, tentando processar aquele gesto inesperado e o tom brincalhão. Era típico de Pedro jogar uma dessas quando menos esperava, desarmando qualquer tentativa minha de manter uma postura séria.

— Hehe, — pensei comigo mesmo, tentando conter um sorriso. — Os genes desses pequenos definitivamente são culpa do Pedro. O jeito único dele de agir parece ter sido amplificado nos dois.

Olhei para Pedro, fingindo uma expressão de falsa indignação, mas no fundo estava divertido. Era impossível ficar bravo com ele por muito tempo, especialmente quando ele fazia algo assim.

— Ah, então agora sou eu quem está "em falta"? — retruquei, com um leve sorriso surgindo no canto da boca. — E de quem você acha que os nossos pequenos aprenderam esses truques, hein? — provoquei de volta, ainda com os braços cruzados, mas incapaz de manter a seriedade por muito tempo.

Pedro deu um risinho, aquele riso que eu amava, como quem sabia que tinha ganhado essa rodada. Ele sabia exatamente o que estava fazendo, e eu não podia negar que ele tinha me pegado desprevenido.

— Você sabe que é você quem mantém tudo sob controle, amor, — ele disse suavemente, colocando uma mão no meu ombro. — Eu sou só o cara que acaba estragando tudo com um sorriso.

Eu balancei a cabeça, rindo.

— Isso está certo, — falei, finalmente relaxando. — Mas você vai ter que me ajudar a disciplinar esses pequenos hoje. Não vou fazer isso sozinho dessa vez. — Coloquei o dedo no peito dele de forma brincalhona, reforçando minha "exigência".

Pedro levantou as mãos em sinal de rendição, ainda sorrindo.

— Prometo que vou estar ao seu lado. — Ele riu. — Mas não vou garantir que vou resistir aos olhares de cachorro sem dono deles...

Revirei os olhos com carinho, sabendo que, no fundo, seria a mesma história de sempre. Pedro podia até tentar ser firme, mas bastava um sorriso de Samuel ou uma carinha fofa de Kara para ele derreter completamente.

Mas isso era o que tornava nossa dinâmica tão única e divertida. Apesar de todo o caos, estávamos juntos nisso. Sempre.

Eu olhei para Pedro com um sorriso que não conseguia esconder, apesar da minha tentativa de manter o papel de pai disciplinador. Ele sempre soube exatamente como quebrar qualquer seriedade minha com esses gestos carinhosos e o tom brincalhão.

— Você é impossível, — resmunguei, ainda rindo. — Mas tudo bem. Vamos enfrentar esses pequenos demônios juntos... mais uma vez.

Pedro deu uma risadinha enquanto voltava para a cozinha, preparando algo no fogão. Eu o observei por um momento, pensando em como nossa vida tinha se moldado de maneira tão inesperada. Quem diria que, depois de tantas idas e vindas, estaríamos aqui, vivendo essa rotina caótica e cheia de amor? Era engraçado como nossos papéis de pais se encaixavam perfeitamente — eu sendo o mais firme e ele, o coração mole que sempre acabava cedendo. Mas, de algum modo, funcionava.

— Sabe, — comecei, apoiando-me no balcão da cozinha, observando-o mexer nas panelas — penso muito sobre como tudo se encaixou. Olha só para a nossa vida agora, com Kara, Samuel... E nós dois aqui, lidando com cada nova travessura que aparece. Parece um sonho louco, não é?

Pedro me olhou de lado, ainda sorrindo.

— Louco sim, mas o melhor tipo de loucura que existe. — Ele respondeu, enquanto mexia algo na panela. — Nem nos meus maiores sonhos eu imaginava que teríamos uma vida tão... — ele parou um segundo, procurando as palavras certas. — Completa.

Eu assenti, pensando em tudo que construímos juntos. Era verdade. Nossa vida estava longe de ser perfeita, mas era completa. A cada dia, havia desafios, risadas, momentos em que parecia que tudo ia desmoronar, mas nós sempre encontrávamos uma maneira de seguir em frente, de nos fortalecer. E, no fim das contas, essa era a verdadeira definição de uma vida bem vivida.

Nesse momento, a porta da frente abriu com um estrondo, e eu sabia exatamente o que estava por vir. O som das risadinhas abafadas de Samuel e Kara ecoou pela casa, seguido pelo barulho das suas pequenas pernas correndo pela sala. Vincenzo entrou logo depois, parecendo exausto, mas com um sorriso no rosto, claramente rendido ao charme das crianças.

— Chegamos! — Kara gritou, suas bochechas rosadas de tanto correr. Ela parou na minha frente, olhos brilhando de expectativa, já sabendo que algo estava por vir. Samuel veio logo atrás, mais calmo, mas com aquele sorrisinho travesso que só ele conseguia fazer.

Eu cruzei os braços, encarando os dois, tentando manter uma expressão séria, mas já sentindo o sorriso querendo escapar.

— E então? — Comecei, olhando de um para o outro. — Sabem que estão encrencados, certo?

Kara abriu um sorriso inocente, como se fosse um anjinho que nunca tivesse feito nada de errado na vida.

— Nós? Em encrenca? — Ela perguntou, com uma falsa surpresa que quase me fez rir. Samuel, ao lado, se inclinou um pouco mais para trás, como se esperasse o momento certo para entrar em ação com sua própria defesa.

— Sim, vocês, — continuei, tentando manter o controle da situação. — Vocês sabem muito bem o que fizeram. O jardim do tio Vincenzo está arruinado, e ainda tem a história do vidro que vocês quebraram na semana passada.

Pedro, que estava atrás de mim, silenciosamente rindo, se aproximou e sussurrou:

— Boa sorte, amor. Eles já estão prontos para te desarmar.

Olhei para ele de canto de olho, sabendo que ele estava certo. As crianças se entreolharam e, sem que eu pudesse me preparar, começaram o ataque conjunto.

— Papai... — Samuel começou, sua voz suave e com aquele tom convincente que ele usava tão bem. — A gente realmente não queria quebrar nada. Foi um acidente. E a horta do tio... bem, a gente só estava tentando ajudar.

Kara, sem perder o timing, se jogou nos meus braços, me olhando com aqueles olhos brilhantes.

— Papai, não fica bravo, por favor! A gente prometeu que vai ajudar a arrumar tudo, né, Samuel?

Samuel assentiu rapidamente, já quase conseguindo me fazer esquecer o porquê de estarmos discutindo sobre castigos.

Eu olhei para Pedro, que estava atrás deles, com os braços cruzados e aquele sorriso travesso de quem sabia que eu estava prestes a ceder.

— Amor, eles são bons... muito bons, — Pedro disse, rindo baixinho.

Suspirei, finalmente deixando o sorriso que eu estava segurando escapar.

— Tudo bem, vocês escapam dessa... por enquanto. — Falei, soltando os braços, rendido. — Mas vocês vão ajudar o tio Vincenzo a arrumar a horta, entendido?

— Entendido! — Responderam os dois ao mesmo tempo, como se já tivessem planejado isso desde o começo.

Enquanto eles corriam de volta para a sala, eu me virei para Pedro, que me lançou aquele olhar de "eu te avisei". E, mais uma vez, fiquei me perguntando como dois pequenos demônios conseguiram herdar tanto do jeito dele.

— Sabe de uma coisa? — falei, enquanto passava o braço pelo ombro dele. — Da próxima vez, você vai ser o responsável pelos castigos.

Pedro riu, encostando a cabeça no meu ombro.

— Ah, amor, você sabe que não vai funcionar assim. Eu sou o coração mole dessa relação, lembra?

E eu sabia que ele tinha razão. Mais uma vez, nossa vida tinha voltado ao normal — caótica, imprevisível e cheia de amor.

— Achei que esse era eu, — retruquei, cruzando os braços, tentando manter a pose de indignado.

Pedro soltou uma risada baixa, aquela que sempre faz meu coração derreter, e sem perder tempo, me puxou para os braços dele. O calor do abraço me envolveu imediatamente, e por um breve momento, todo o cansaço do dia simplesmente desapareceu.

— Com nossos filhos, amor... nós dois somos, — ele sussurrou com aquele tom suave e carinhoso que só ele sabe usar, enquanto aproximava seus lábios dos meus.

O beijo veio logo em seguida, delicado e cheio de amor, o tipo de gesto que Pedro sempre usava para mostrar que, apesar de todas as travessuras e desafios, nossa conexão era inabalável. Enquanto estávamos ali, nos braços um do outro, senti a calma que só ele consegue me trazer, e não pude evitar sorrir entre o beijo, grato por cada segundo desse caos maravilhoso que chamamos de vida.

No fundo, ele tinha razão. Quando se tratava de Kara e Samuel, nós dois éramos completamente vulneráveis ao amor que sentíamos por eles. Mas era esse amor, junto com o que sentíamos um pelo outro, que tornava tudo tão especial.

— Você sabe que somos uma dupla imbatível, — sussurrei de volta, quebrando o beijo por um segundo, com meu rosto ainda próximo do dele. — Mesmo quando eles nos derrotam com seus olhares de cachorro sem dono.

Pedro sorriu, aquele sorriso que sempre ilumina o ambiente, e encostou sua testa na minha.

— Eles podem ser os melhores em nos dobrar, mas nós somos os melhores em amá-los. — respondeu, com um brilho nos olhos.

E naquele momento, senti como se o mundo inteiro estivesse em perfeita harmonia.

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Fim!

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