Capítulo Dois

Pedro Alves:

Quando entrei em casa, o silêncio acolhedor me envolveu como um abraço suave. A exaustão pesava em cada músculo do meu corpo. Mal tive tempo de tirar os sapatos antes de me jogar na cama, sem sequer me importar em trocar de roupa ou apagar as luzes. O colchão parecia engolir o cansaço acumulado, e assim que minha cabeça encostou no travesseiro, o mundo ao meu redor desfez-se em escuridão.

O sono veio imediatamente, como um alívio desesperado. Nenhum pensamento conseguiu se formar, nenhum eco da missão ou das responsabilidades. Pela primeira vez em dias, deixei tudo para trás, afundando em um sono profundo e implacável, onde o peso das minhas preocupações não conseguia me alcançar.

— Pedro, levante-se. Vai acabar perdendo o seu horário, Pedro — ouvi a voz familiar da minha mãe enquanto ela me dava um tapinha no rosto. O tom de sua voz era urgente, e logo depois veio um grito.

— Mãe, estou tão cansado. Não aguento acordar nesse horário... Lembre de me acordar daqui a meia hora — murmurei, ainda confuso, abrindo os olhos devagar. A sensação de estar preso entre o sono e a realidade me dominava, e tudo que eu queria era mais alguns minutos de descanso.

Mas então, o segundo tapa veio com mais força, me tirando imediatamente do torpor. Saltei da cama, olhando para ela incrédulo, mas já sabia que não havia como voltar atrás. A expressão de minha mãe estava determinada, como sempre.

— Acorde, Pedro! Você já dormiu o suficiente. Quanto mais você dorme, mais cansado vai ficar. E por que ainda está com esse comportamento? Sério, se apresse. Samuel já está tomando café da manhã com seu pai, esperando você para a viagem. — Sua voz era rápida e prática, o tom firme de quem não tolera preguiça. Enquanto falava, ela pegou um livro de língua chinesa que havia comprado recentemente, enfiei-o na minha mala sem cerimônia. — Isso vai ajudar o Samuel, afinal, você prometeu ensiná-lo outra língua, lembra?

Eu mal tive tempo de reagir. Dormir parecia tão tentador depois de ter chegado em casa na madrugada, completamente esgotado. Meu corpo inteiro doía, cada músculo implorando por mais algumas horas de repouso.

— Ainda pensando na vida? — minha mãe continuou, sem paciência. — Vamos, Pedro! Samuel vai acabar dizendo que você não cumpre suas promessas! — Ela jogou algumas roupas sobre mim com pressa. — Vá se arrumar, agora!

Suspirei, sabendo que argumentar era inútil. Levantei e fui direto ao banheiro para fazer o básico. Quando terminei, mal tive tempo de respirar antes que minha mãe abrisse a porta novamente, me puxando pelo braço.

Corremos pelo corredor, e a risada de Samuel ecoava pela casa, vindo da cozinha. Quando entramos, ele e meu pai se viraram para me encarar. Samuel estava com um sorriso largo, e meu pai, com sua expressão severa de sempre.

— Finalmente decidiu levantar da cama — meu pai disse, sua voz carregada de reprovação. — Te criei para acordar com o sol, não quando já está no alto.

— Sim, eu sei... — resmunguei, pegando uma xícara de café. — Tive um problema com meu horário por causa de papeladas da empresa e... ser um bom espião tem seus custos. Preciso lidar com os vilões e tudo mais.

Samuel, sempre atento e curioso, arregalou os olhos, cheio de entusiasmo.

— Pai, como foi sua missão? — perguntou, deixando a colher de lado e empurrando a tigela de cereal para longe. — Você teve que socar a cara de alguém?

Eu percebi recentemente que Samuel ficava animado demais quando eu contava histórias de missões. Para ele, as partes mais interessantes sempre envolviam o uso de força bruta, mesmo que eu evitasse esses detalhes.

— Felizmente, só precisei colocar uma pessoa para dormir... — murmurei, levando a xícara aos lábios.

— Dormir para sempre? Você matou essa pessoa?! — Samuel perguntou com os olhos brilhando de excitação. — Vovô disse que é difícil limpar o sangue...

Minha mãe engasgou violentamente com o café que bebia, enquanto meu pai, com seu típico humor mórbido, apenas sorriu.

Bati levemente nas costas dela, tentando ajudá-la.

— Esse é meu neto! Já pensando em como limpar quando o trabalho não é silencioso — disse meu pai, rindo, enquanto bagunçava o cabelo de Samuel.

Minha mãe, ainda se recuperando, levantou a mão para interromper o que, para ela, já era uma conversa absurda.

— Samuel, não faça mais perguntas assim. E Edson, não incentive esse tipo de comportamento! — disse ela, com um tom sério. — Samuel ainda é uma criança. Ele merece uma infância normal, sem saber dos detalhes do nosso trabalho de espionagem... muito menos qual é a melhor maneira de limpar uma cena de crime!

Samuel, no entanto, parecia já ter sua própria opinião formada.

— Mas, vovó, eu preciso aprender essas coisas — disse ele, sério. — Um dia vou fazer parte da agência, e tenho que saber todas as regras. Além disso, preciso cuidar das minhas habilidades físicas e mentais, né? Não é para isso que meu pai está me levando nessa viagem? Para me treinar?

Foi a minha vez de engasgar com o café. Olhei para ele, incrédulo.

— Não, Samuel, nada disso! — falei, me recuperando rapidamente. — A viagem é só para a gente se divertir e passar um tempo juntos, longe de tudo. É só para aproveitarmos as férias, nada de treinamento.

Samuel me lançou um olhar cético, como se duvidasse de cada palavra. Ele se virou para os avós, que agora discutiam sobre o quão precoce ele estava sendo, pensando em seguir os passos da família na espionagem.

Suspirei internamente. Samuel ainda era uma criança, e eu só queria que ele aproveitasse a infância. Não estava pronto para vê-lo envolvido nesse mundo sombrio, mesmo que ele estivesse tão curioso sobre isso. Como pai, eu tinha que protegê-lo, pelo menos por enquanto.

Samuel continuou me olhando com aqueles olhos curiosos e desconfiados, como se já estivesse planejando sua entrada no mundo que eu tanto tentava manter distante dele. Era impressionante como, aos dez anos, ele já tinha esse senso de aventura e uma sede de conhecimento tão intensa, mas ao mesmo tempo, isso me preocupava profundamente.

Minha mãe, ainda tentando restabelecer a ordem, suspirou e olhou para mim, quase como se dissesse "Isso é com você". Ela sabia que, apesar de toda a sua autoridade, havia limites para o quanto ela podia controlar o ímpeto de Samuel. Era minha responsabilidade, afinal.

— Samuel, essa viagem é só para a gente relaxar, sem espionagem ou treinamento, tá? — falei, tentando ser firme, mas com um tom mais suave. — Você tem que aproveitar suas férias da escola. Nada de trabalho. Vamos nos divertir, ok?

Ele me olhou por um longo momento, como se estivesse decidindo se acreditaria em mim ou não. Por fim, deu de ombros e voltou a brincar com a colher na tigela, não muito convencido, mas pelo menos sem mais perguntas sobre limpar cenas de crime.

— Tá bom, pai... mas se precisar de ajuda, eu tô aqui — ele disse, com um sorriso travesso.

Minha mãe revirou os olhos, enquanto meu pai apenas soltou uma risada baixa, aparentemente orgulhoso do espírito destemido do neto. Eu, por outro lado, só balancei a cabeça, rindo internamente de como Samuel já parecia querer abraçar o legado da família, mesmo tão jovem.

— Obrigado pela oferta, filho, mas acho que posso cuidar disso por enquanto — falei, ainda sorrindo, enquanto me sentava para tomar o café. O cheiro familiar do café fresco e do pão na chapa, cortesia da minha mãe, era reconfortante, como se, por alguns instantes, o mundo lá fora pudesse esperar.

Enquanto eu bebia o café, minha mente vagava. A missão anterior ainda estava fresca na minha memória, mas agora, tudo que eu queria era focar no que estava por vir: uma viagem em família. Algo que, apesar de simples, era raro para mim nos últimos tempos. As responsabilidades como espião e como irmão mais velho frequentemente me arrastavam para longe, e isso me causava uma dor constante – o sentimento de que, não importa o quanto eu fizesse, sempre estaria falhando em algum aspecto, principalmente como pai.

Samuel, como sempre, parecia captar algo da minha inquietação, mesmo sem dizer nada. Ele me olhou de novo, dessa vez com um brilho diferente nos olhos, mais suave.

— Vai ser legal a viagem, né, pai? — perguntou, com a voz mais calma, talvez já pressentindo que eu precisava daquele momento tanto quanto ele.

Sorri, assentindo.

— Vai ser incrível, Samuel. Só nós dois, sem trabalho, sem missões. Prometo.

Ele sorriu de volta, finalmente parecendo mais convencido. Minha mãe, observando a cena, lançou-me um olhar de aprovação, enquanto meu pai apenas murmurou algo sobre "finalmente tirar uma folga".

Terminei meu café rapidamente, sentindo uma mistura de alívio e expectativa crescer dentro de mim. Era hora de deixar tudo para trás por um tempo e focar no que realmente importava: meu filho.

Levantei da mesa e olhei para Samuel, que já estava terminando o café da manhã com o entusiasmo de quem mal podia esperar pela aventura.

— Pronto pra ir? — perguntei, vendo ele praticamente saltar da cadeira.

— Tô pronto faz tempo, pai! — Ele exclamou, pegando sua mochila com uma agilidade que só os jovens possuem.

Ri, pegando minhas próprias coisas e acenando para meus pais. Minha mãe nos seguiu até a porta, como sempre preocupada, ajeitando a gola do meu casaco e se certificando de que eu não havia esquecido nada.

— Se cuidem, viu? E Pedro, tenta não pensar em trabalho enquanto estiverem fora, ok? — disse ela, com um sorriso que escondia sua própria preocupação.

— Pode deixar, mãe. Vamos só aproveitar. — Dei-lhe um beijo rápido na testa antes de sair, puxando Samuel pela mão.

Quando finalmente saímos de casa, o ar fresco da manhã nos envolveu. Olhei para Samuel, que estava com um sorriso de orelha a orelha, claramente animado com o que viria a seguir.

— Vamos começar nossas férias, garoto — falei, sorrindo para ele.

E, pela primeira vez em muito tempo, senti que talvez, apenas talvez, estivesse finalmente fazendo a coisa certa.

****************************

Estávamos na estrada há algum tempo, e o silêncio confortável preenchia o espaço entre nós. Samuel, como de costume, estava absorto no celular, os fones de ouvido o isolando do mundo. Saímos de casa logo depois do café da manhã, e minha mãe, com seu jeito protetor, não perdeu a oportunidade de me ameaçar sutilmente: "Pedro, dirija devagar. Nada de pressa, ou você me conhece." Ri por dentro, mas a preocupação dela sempre me tocava. Eu realmente dirigia com mais cuidado, mas sabia que a velocidade não era o maior risco. O maior risco era o tempo que passava longe de Samuel, um tempo que, de algum jeito, tentava recuperar nessa viagem.

Olhei para ele, sentado ao meu lado, os olhos fixos na tela, sem nem sequer notar a paisagem que se desenrolava do lado de fora. Liguei o rádio, na esperança de encontrar algo que nos conectasse, mas as músicas passavam por mim sem muito impacto. Meu filho, por outro lado, parecia alheio a tudo, afundado no mundo digital.

Olhando pela janela, a paisagem lá fora era impressionante, mesmo que ignorada por Samuel. O céu estava limpo, de um azul profundo que parecia se estender infinitamente sobre nós. O sol, ainda baixo, derramava uma luz dourada suave sobre as colinas onduladas que pontilhavam o horizonte. Campos verdejantes se estendiam para todos os lados, com árvores esparsas balançando levemente sob a brisa fresca. Pequenos riachos serpenteavam pelos vales, suas águas brilhando sob o sol como fios de prata.

À medida que avançávamos, o terreno mudava. As colinas se tornavam mais abruptas, revelando escarpas de pedras cobertas de musgo e flores silvestres. Pequenas fazendas podiam ser vistas à distância, com cercas de madeira desgastadas pelo tempo e animais pastando tranquilamente. De vez em quando, uma casa de campo surgia no meio do nada, com seu telhado de palha e chaminés que soltavam fumaça fina, um lembrete de que ainda havia vida ali, embora oculta pela vastidão do cenário rural.

No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o silêncio da estrada. Era como se o mundo ao nosso redor tivesse desacelerado, permitindo-me apreciar cada detalhe que eu, em outras circunstâncias, teria deixado passar. Os pneus do carro deslizavam suavemente pelo asfalto, o som abafado pelo silêncio do campo.

Suspirei, sentindo a mistura de paz e uma leve frustração. Samuel não parecia notar nada disso, alheio à beleza simples da paisagem. Queria que ele visse o que eu via, que percebesse o quanto esses momentos, essas viagens, podiam ser valiosos. Mas ele continuava com os olhos fixos no celular, o mundo dele tão diferente do meu.

Lancei mais um olhar para ele, desejando poder quebrar o silêncio que havia se estabelecido entre nós, não o físico, mas aquele mais profundo, feito de distância emocional.

— Samuel — falei, tentando não soar frustrado. — Dá uma olhada lá fora. É bonito, não acha?

Ele levantou os olhos por um segundo, quase por obrigação, e depois deu de ombros, voltando a atenção para a tela.

— É só um monte de campo, pai — respondeu ele, distraído.

Sorri para mim mesmo. Para ele, talvez fosse apenas isso, mas, para mim, essa paisagem representava mais do que campos. Era um lembrete de que, por mais que a vida estivesse cheia de missões, trabalho e desafios, havia momentos simples, como aquele, que poderiam trazer uma sensação de paz. Eu só precisava encontrar uma maneira de compartilhar isso com ele.

— Que tal tomarmos sorvete quando chegarmos na cidade? — sugeri, tentando puxar Samuel para uma conversa mais leve, mas os olhos dele me olharam com desconfiança. Sabia que ele ainda estava chateado. — Está bravo porque sua ilusão de que eu iria te treinar em lutas não vai acontecer, né? Que tal, pelo menos, treinarmos a sua escrita ou fala em chinês?

Samuel deu de ombros, mas vi uma pequena fagulha de interesse nos olhos dele.

— Pode ser... — ele respondeu, ainda com uma postura meio resistente. — Mas podemos, pelo menos, ver algumas técnicas? Juro que nunca vou contar para a vovó.

Aquela teimosia era algo que ele definitivamente herdou da mãe. Lembro como ela era persistente, alguém que dificilmente desistia de uma ideia quando decidia algo. Antes de sermos amigos — e eventualmente namorados — competíamos por tudo que podíamos. Desde as competições esportivas até batalhas acadêmicas, sempre havia uma disputa. Eu e ela tínhamos uma espécie de batalha de honra contínua, e nenhum de nós cedia facilmente. Se havia algo que aprendi nesses anos de convivência, era que Samuel havia herdado muito mais dela do que de mim, especialmente essa determinação.

Ela sempre soube como usar qualquer coisa ao seu favor, uma habilidade que sua mãe, que trabalhou no FBI, claramente lhe passou. Aquelas duas eram uma combinação imbatível, e se decidissem que Samuel precisava tirar essa ideia da cabeça, provavelmente conseguiriam fazê-lo por uns bons cinco anos, no mínimo.

Talvez fosse uma boa ideia ligar para minha ex-sogra se as coisas complicassem demais.

— Veremos isso, mas, por favor, não conta nada para sua vó — falei, lançando um olhar para Samuel. Pelo canto do olho, vi o sorriso dele se ampliar, um sorriso travesso que me dizia que ele gostava da pequena conspiração entre nós.

— Ah, agora que lembrei... Ontem a vó Agnes ligou e falou com a vó Gisele, e as duas disseram que têm alguém para te apresentar — disse ele, de repente.

Eu apertei o volante instintivamente, já sentindo o desconforto crescente. As "conspirações" entre minha mãe e minha ex-sogra sempre me deixavam desconfiado. Era como se tivessem planos para todas as áreas da minha vida, especialmente na minha vida pessoal.

— Não escuta aquelas duas — respondi rapidamente, tentando manter a voz leve, mas havia uma ponta de irritação. — E lembra do que te falei, nada de ouvir as conversas escondido.

Samuel deu uma risadinha e balançou a cabeça, concordando, mas eu sabia que, na próxima oportunidade, ele faria a mesma coisa. Ele adorava estar por dentro das fofocas, especialmente quando envolviam os avós e seus planos.

Suspirei, mexendo no rádio para encontrar algo que quebrasse o desconforto. Depois de algumas estações, finalmente parei em uma que tocava um mix de pop, clássicos e hip-hop. Era a minha estação preferida, e a familiaridade das músicas me trouxe um certo alívio, como se, por um momento, o mundo voltasse ao normal.

Enquanto a música tocava, olhei novamente para Samuel, que, mesmo relutante, parecia mais relaxado agora. Ainda estava mexendo no celular, mas percebi que ele estava um pouco mais presente, talvez curioso para ver se eu cederia à sua ideia de aprender algumas técnicas.

— Sabe, Samuel, essa viagem... — comecei, tentando puxar uma conversa que pudesse nos conectar. — Não é só sobre fugir do trabalho. Eu queria mesmo passar um tempo com você, fazer coisas simples como tomar sorvete, conversar e, quem sabe, até aprender chinês. Não precisa ser sempre sobre espionagem, lutas ou missões. Às vezes, é bom só aproveitar o momento.

Ele me olhou, meio surpreso com a sinceridade, e, por um segundo, seus olhos deixaram o celular.

— Tá bom, pai. Eu só achei que seria legal, mas também gosto de passar o tempo com você... mesmo que seja só tomando sorvete — ele respondeu, com um sorriso sincero, e isso foi o suficiente para me fazer relaxar.

Eu sorri de volta, sentindo que, apesar de tudo, talvez estivéssemos finalmente nos conectando, da maneira que importava.

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Assim que chegamos na cidade, encontrei a primeira sorveteria que vi e estacionei. Samuel, ansioso, já desceu do carro correndo, indo direto para o balcão escolher seus sabores favoritos. Ele me lançou um sorriso travesso, satisfeito com sua escolha, antes de se afastar para me deixar pagar.

Enquanto eu estendia o dinheiro para a caixa, meu celular vibrou no bolso. Peguei o aparelho e vi o nome de **Vicenzo** piscando na tela. Suspirei antes de atender, já esperando algum drama.

— Como ousa me apagar?! — ele gritou do outro lado da linha. — Você é um cuzão, Pedro! Vai me pagar por isso assim que te ver na minha frente!

Revirei os olhos, tentando manter a paciência. O jeito melodramático de Vicenzo sempre me testava.

— Vicenzo, estou sem tempo para os seus dramas agora — respondi, mantendo a voz firme enquanto estendia o dinheiro para a atendente. — Agora pode me dar licença.

Desliguei o celular com um suspiro e me virei de volta para pagar, mas a moça do caixa me cutucou com urgência. Seus olhos estavam arregalados, a preocupação clara em seu rosto.

— Senhor, seu filho acabou de sair correndo para fora da loja — disse ela, a voz tensa.

O sangue gelou nas minhas veias. Girei o corpo a tempo de ver Samuel correndo pela porta da sorveteria, desaparecendo rapidamente no meio da rua movimentada.

— Merda! — xinguei baixinho, já sentindo o pânico tomar conta. Não hesitei, saí correndo atrás dele, tentando seguir seus passos.

A rua estava lotada, cheia de carros e pessoas indo e vindo, dificultando minha visão. Meus olhos vasculhavam o local freneticamente, tentando encontrar qualquer sinal de Samuel, mas ele parecia ter desaparecido no meio da multidão.

O medo começou a apertar meu peito, e cada segundo que passava me fazia sentir mais longe dele. Eu podia sentir a adrenalina tomando conta do meu corpo, minha mente correndo por cenários, tentando imaginar o que o teria feito sair correndo daquele jeito.

Empurrei algumas pessoas no caminho, tentando abrir passagem, mas tudo parecia estar contra mim.

— Samuel! — gritei, minha voz quase engolida pelo barulho da cidade, mas sem resposta.

A sensação de perda iminente me atingiu com força. Onde ele estava? Por que tinha corrido? Minha mente estava em alerta máximo. Cada segundo parecia uma eternidade enquanto eu tentava encontrar meu filho no meio da confusão.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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